Cita√ß√Ķes sobre Deriva

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Frases sobre deriva, poemas sobre deriva e outras cita√ß√Ķes sobre deriva para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Origem do Medo

A condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo concreto e real. Surge sob diversas formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, temor, fobia, etc. Este tipo de medo psicológico é sempre algo que poderá acontecer e não algo que esteja a acontecer no momento. O leitor está aqui e agora, enquanto a sua mente se encontra no futuro. Este facto gera um hiato de ansiedade. Além disso, se o leitor se identificar com a sua mente e tiver perdido o contacto com o poder e a simplicidade do Agora, esse hiato de ansiedade acompanhá-lo-á constantemente.

A pessoa pode sempre lidar com o momento presente, mas não o consegue fazer com algo que é apenas uma projeção mental Рnão é possível lidar com o futuro.
E enquanto o leitor se identifica com a sua mente, o ego comanda a sua vida. Devido à natureza ilusória que lhe é característica e apesar dos mecanismos de defesa elaborados, o ego torna-se muito vulnerável e inseguro, vendo-se a si próprio constantemente sob ameaça. Este facto, a propósito, é o que acontece, mesmo que por fora o ego pareça muito confiante. Agora lembre-se de que uma emoção é a reação do corpo à mente.

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O Necessário não é Propriamente um Bem

Toda a vida, em meu entender, √© uma mentira: j√° que √©s t√£o engenhoso, critica-a e recondu-la ao caminho da verdade. Ela considera como necess√°rias coisas que em grande parte n√£o passam de sup√©rfluas; e mesmo as que n√£o s√£o sup√©rfluas n√£o contribuem em nada para nos dar bem estar e felicidade. Pelo facto de ser necess√°ria, uma coisa n√£o √©, desde logo, um bem; ou ent√£o degradamos o conceito de ¬ębem¬Ľ, dando este nome ao p√£o, √† polenta e a tudo o mais imprescind√≠vel √† vida. Tudo o que √© bem, √©, por isso mesmo, necess√°rio, mas o que √© necess√°rio n√£o √© for√ßosamente um bem: h√° muita coisa necess√°ria e, simultaneamente, de baixo n√≠vel.
Ninguém é tão ignorante da dignidade do bem que degrade o conceito ao nível dos objectos de uso diário. Pois bem, não seria melhor que te aplicasses antes a mostrar todo o tempo que se perde na busca de superfluidades, a apontar como tanta gente desperdiça a vida na busca do que não passa de meios auxiliares? Observa os indivíduos, considera a sociedade: todos vivem em função do amanhã! Não sabes que mal há nisto? O maior possível. Essa gente não vive, espera viver,

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O prazer da reflex√£o deriva duma condi√ß√£o que se presume essencialmente masculina, a da interroga√ß√£o. O homem interroga, a mulher escolhe. Isto estabelece a m√ļtua depend√™ncia dos sexos.

Todo o amor deriva do acto de ver: o amor inteligível do acto de ver inteligivelmente; o sensível do acto de ver sensivelmente.

Nas mulheres, a libertinagem resulta quase sempre da dura necessidade; nos homens, deriva sempre da propens√£o viciosa.

A Nossa Vez

√Č o frio que nos tolhe ao domingo
no Inverno, quando mais rareia
a esperan√ßa. S√£o certas fixa√ß√Ķes
da consciência, coisas que andam
pela casa à procura de um lugar

e entram clandestinas no poema.
S√£o os envelopes da companhia
da √°gua, a faca suja de manteiga
na toalha, esse trilho que deixamos
atrás de nós e se decifra sem esforço
nem proveito. √Č a espera

e a demora. S√£o as ruas sossegadas
à hora do telejornal e os talheres
da vizinhan√ßa a retinir. √Č a deriva
nocturna da memória: é o medo
de termos perdido sem querer

a nossa vez.

A Moral é a Base da Sociedade

A moral é a base da sociedade; se tudo, porém, é matéria em nós, não há realmente vício nem virtude, e por consequência não há moral.
As nossas leis, sempre relativas e mut√°veis, n√£o podem servir de ponto de apoio √† moral, sempre absoluta e inalter√°vel; √© pois preciso que ela tenha origem numa regi√£o mais est√°vel que esta, e cau√ß√Ķes mais seguras que recompensas prec√°rias ou castigos passageiros. Alguns fil√≥sofos acreditaram que a religi√£o f√īra inventada para a sustentar, sem se avisarem de que tomavam o efeito pela causa. N√£o √© a religi√£o que deriva da moral, √© a moral que nasce da religi√£o, pois √© certo, como h√° pouco dissemos, que a moral n√£o pode ter a sua origem no homem physico, ou na simples mat√©ria; pois √© certo ainda, que, quando os homens perdem a ideia de Deus, se despenham em todos os crimes, a despeito das leis e dos verdugos.

A admiração é própria da natureza do filósofo; e a filosofia deriva apenas da estupefacção.

Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que v√£o ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso
De virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais,
Que s√£o sete,
Quando a terra n√£o repete
Que s√£o mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
E o das ternuras l√ļcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
Do tal Céu que Deus governa;
De ser um monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

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Ignoto Deo

D. D. D.

Creio em Ti, Deus; a fé viva
De minha alma a Ti se eleva.
√Čs: – o que √©s n√£o sei. Deriva
Meu ser do Teu: luz… e treva,
Em que – indistintas! – se envolve
Este espírito agitado,
De Ti vem, a Ti devolve.
O Nada, a que foi roubado
Pelo sopro criador
Tudo o mais, o h√°-de tragar.
Só vive do eterno ardor
O que est√° sempre a aspirar
Ao infinito donde veio.
Beleza és Tu, luz és Tu,
Verdade és Tu só. Não creio
Sen√£o em Ti; o olho nu
Do homem não vê na Terra
Mais que a d√ļvida, a incerteza,
A forma que engana e erra.
Essência! a real beleza,
O puro amor – o prazer
Que n√£o fatiga e n√£o gasta…
Só por Ti os pode ver
O que, inspirado, se afasta,
Ignoto Deo, das ronceiras,
Vulgares turbas: despidos
Das coisas v√£s e grosseiras
Sua alma, raz√£o, sentidos,
A Ti se d√£o, em Ti vida,
E por Ti vida têm.

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Teus Olhos

Teus olhos de tão mística elegia,
resplandecentes de penumbra viva,
Perdem-se em mim: do meu olhar deriva
A luz da mais crist√£ melancolia!

Possa eu viver em ti, nessa harmonia
De memorante paz meditativa;
Minha alma da tua alma se cativa,
Aspira o teu silêncio que inebria!

Teu vulto no Ar imprime-se em debuxos
De recortada flor; vis√Ķes perpassam
Nocturnamente nos teus olhos bruxos!

Uma fonte discorre outonos tristes;
Caem flores do Céu; almas esvoaçam;
Estendo as m√£os… adeus! J√° n√£o existes!

Na falsa democracia mundial, o cidad√£o est√° √† deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Actualmente, somos seres impotentes diante de institui√ß√Ķes democr√°ticas das quais n√£o conseguimos nem chegar perto.

A Mais Cruel das Torturas

Seria dif√≠cil conceber castigo mais demon√≠aco, pudesse uma tal coisa ser posta em pr√°tica, do que abandonar uma pessoa √† deriva na sociedade por forma a passar despercebida a todos os seus membros. Se ningu√©m se voltasse para n√≥s ao ver-nos entrar em casa, se ningu√©m nos respondesse quando n√≥s fal√°ssemos, ou se preocupasse com o que n√≥s fiz√©ssemos, mas se toda a gente que conhec√™ssemos nos ¬ędesligasse do mundo¬Ľ e agisse como se f√īssemos entidades inexistentes, n√£o tardar√≠amos a ser tomados de uma esp√©cie de desespero de raiva e impot√™ncia, de que a mais cruel das torturas corporais seria um al√≠vio.

As Ideias dependem das Sensa√ß√Ķes

√Ä primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que n√£o apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas tamb√©m nem sempre √© reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. Formar monstros e juntar for¬≠mas e apar√™ncias incongruentes n√£o causam √† imagina√ß√£o mais em¬≠bara√ßo do que conceber os objectos mais naturais e mais familiares. Apesar de o corpo confinar-se num s√≥ planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante √†s regi√Ķes mais distantes do Universo, ou mesmo, al√©m do Universo, para o caos indeterminado, onde se sup√Ķe que a Natureza se encontra em total confus√£o. Pode-se conceber o que ainda n√£o foi visto ou ouvido, porque n√£o h√° nada que esteja fora do poder do pensamento, excepto o que implica absoluta contradi√ß√£o.

Entretanto, embora o nosso pensamento pare√ßa possuir esta liber¬≠dade ilimitada (…) ele est√° realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e todo o poder criador do esp√≠rito n√£o ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experi√™ncia. Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas id√©ias compat√≠veis,

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O Feio Tem Mais Encanto Que o Belo

Por vezes existe nas pessoas ou nas coisas um charme invis√≠vel, uma gra√ßa natural que n√£o p√īde ser definida, a que somos obrigados a chamar o ¬ęn√£o sei o qu√™¬Ľ. Parece-me que √© um efeito que deriva principalmente da surpresa. Sensibiliza-nos o facto de uma pessoa nos agradar mais do que deveria inicialmente e somos agradavelmente surpreendidos porque superou os defeitos que os nossos olhos nos mostravam e que o cora√ß√£o j√° n√£o acredita. Esta √© a raz√£o porque as mulheres feias possuem muitas vezes encantos que raramente as mulheres belas possuem, porque uma bela pessoa geralmente faz o contr√°rio daquilo que esper√°vamos; come√ßa a parecer-nos menos estim√°vel. Depois de nos ter surpreendido positivamente, surpreende-nos negativamente; mas a boa impress√£o √© antiga e a do mal, recente: assim, as pessoas belas raramente despertam grandes paix√Ķes, quase sempre restringidas √†s que possuem encantos, ou seja, dons que n√£o esperar√≠amos de modo nenhum e que n√£o tinhamos motivos para esperar.
Os encantos encontram-se muito mais no espírito do que no rosto, porque um belo rosto mostra-se logo e não esconde quase nada, mas o espírito apenas se mostra gradualmente, quando quer e do modo que quer; pode esconder-se para surgir de novo e proporcionar essa espécie de surpresa que constitui os encantos.

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Prazer e Dor S√£o as √önicas Certezas da Vida

Os filósofos têm tentado abalar todas as nossas certezas e mostrar que do mundo conhecemos apenas aparências. Possuiremos sempre, porém, duas grandes certezas, que nada poderia destruir: o prazer e a dor. Toda a nossa actividade deriva delas. As recompensas sociais, os paraísos e os infernos criados pelos códigos religiosos ou civis baseiam-se na acção dessas certezas, cuja evidente realidade não pode ser contestada.
Desde que a vida se manifesta, surgem o prazer e a dor. N√£o √© o pensamento, mas a sensibilidade, que nos revela o nosso ‚Äúeu‚ÄĚ. Se dissesse: ‚ÄúSinto, logo existo‚ÄĚ ao inv√©s de: ‚ÄúPenso, logo existo‚ÄĚ, Descartes estaria muito perto da verdade. Assim modificada, a sua f√≥rmula aplica-se a todos os seres e n√£o a uma fra√ß√£o apenas da humanidade. Dessas duas certezas poder-se-ia deduzir a completa filosofia pr√°tica da vida. Fornecem uma resposta segura √† eterna pergunta t√£o repetida desde o Eclesiastes: por que tanto trabalho e tantos esfor√ßos, j√° que a morte nos espera e o nosso planeta se extingar√° um dia?
Porquê? Porque o presente ignora o futuro e no presente a Natureza condena-nos a procurar o prazer e a evitar a dor.
O oper√°rio, curvado sob o peso do trabalho,

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Se voc√™ conquistou o grande amor da sua vida, sorria, contente-se, seja feliz. A vida privilegia muitos, e tantos outros ficam √† deriva, √† procura infinita de algu√©m…

Todo o amor deriva do ato de ver: o amor inteligível do ato de ver inteligivelmente; o sensível do ato de ver sensivelmente.