Cita√ß√Ķes sobre Desigualdade

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Estamos Neuróticos

Faz sentido que se esteja a enviar para o espa√ßo uma sonda para explorar Plut√£o enquanto aqui as pessoas morrem de fome? Estamos neur√≥ticos. N√£o s√≥ existe desigualdade na distribui√ß√£o da riqueza como tamb√©m na satisfa√ß√£o das necessidades b√°sicas. N√£o nos orientamos por um sentido de racionalidade m√≠nima. A Terra est√° rodeada de milhares de sat√©lites, podemos ter em casa cem canais de televis√£o, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? √Č uma neurose colectiva, as pessoas j√° n√£o sabem o que √© que lhes √© essencial para a sua felicidade.

Mas, se a sociedade não pode igualar os que a natureza criou desiguais, cada um, nos limites da sua energia moral, pode reagir sobre as desigualdades nativas, pela educação, atividade e perseverança.

A regra da igualdade n√£o consiste sen√£o em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada √† desigualdade natural, √© que se acha a verdadeira lei da igualdade… Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e n√£o igualdade real.

Vontade Contrariada pelo Car√°cter

Suponho que homem algum pode violar a sua natureza. Todos os √≠mpetos da nossa vontade s√£o torneados pela lei do nosso ser, assim como as desigualdades dos Andes e do Himalaia se tornam insignificantes na curvatura da esfera. Tam-pouco importa como o me√ßas e experimentes. Um car√°cter √© como um acr√≥stico ou como uma est√Ęncia alexandrina: lido para diante, para tr√°s, ou de trav√©s, diz sempre o mesmo.
(…) Passamos pelo que somos. O car√°cter fala mais alto do que a nossa vontade. Os homens imaginam que podem patentear as suas virtudes ou os seus v√≠cios somente atrav√©s de ac√ß√Ķes ostensivas, e n√£o se d√£o conta de que, a todo o momento, a virtude e o v√≠cio exalam o seu alento.

Um dos aspectos da desigualdade é a singularidade Рisto é, não o ser este homem mais, neste ou naquele característico, que outros homens, mas o ser tão-somente diferente deles.

Desigualdade Natural e Desigualdade Institucional

√Č f√°cil de ver que, entre as diferen√ßas que distinguem os homens, muitas passam por naturais, quando s√£o unicamente a obra do h√°bito e dos diversos g√©neros de vida adoptados pelos homens na sociedade. Assim, num temperamento robusto ou delicado, a for√ßa ou a fraqueza que disso dependem, v√™m muitas vezes mais da maneira dura ou efeminada pela qual foi educado do que da constitui√ß√£o primitiva dos corpos. Acontece o mesmo com as for√ßas do esp√≠rito, e a educa√ß√£o n√£o s√≥ estabelece a diferen√ßa entre os esp√≠ritos cultivados e os que n√£o o s√£o, como aumenta a que se acha entre os primeiros √† propor√ß√£o da cultura; com efeito, quando um gigante e um an√£o marcham na mesma estrada, cada passo representa uma nova vantagem para o gigante. Ora, se se comparar a diversidade prodigiosa do estado civil com a simplicidade e a uniformidade da vida animal e selvagem, em que todos se nutrem dos mesmos alimentos, vivem da mesma maneira e fazem exactamente as mesmas coisas, compreender-se-√° quanto a diferen√ßa de homem para homem deve ser menor no estado de natureza do que no de sociedade; e quanto a desigualdade natural deve aumentar na esp√©cie humana pela desigualdade de institui√ß√£o.

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A Tirania Individual e a Tirania Colectiva

As diverg√™ncias de opini√£o n√£o resultam, como por vezes supomos, das desigualdades de instru√ß√£o daqueles que as manifestam. Elas notam-se, com efeito, em indiv√≠duos dotados de intelig√™ncia e de instru√ß√£o equivalentes. Disso se convencer√° quem percorrer as respostas aos grandes inqu√©ritos colectivos destinados a elucidar certas quest√Ķes bem definidas.
Entre os in√ļmeros exemplos fornecidos pela leitura das suas actas, mencionarei apenas um, muito t√≠pico, publicado nos Anais de Psicologia do sr. Binet. Querendo informar-se quanto aos efeitos da redu√ß√£o do programa de hist√≥ria da filosofia nos liceus, enviou um question√°rio a todos os professores incumbidos desse ensino. As respostas foram nitidamente contradit√≥rias, pois uns declaravam desastroso o que os outros julgavam excelente. ¬ęN√£o se compreende¬Ľ, conclui o Sr. Binet com melancolia, ¬ęque uma reforma que consterna um professor, pare√ßa excelente a um dos seus colegas. Que li√ß√£o para eles sobre a relatividade das opini√Ķes humanas, mesmo entre pessoas competentes!¬Ľ.
Contradi√ß√Ķes da mesma esp√©cie invariavelmente se manifestaram em todos os assuntos e em todos os tempos. Para chegar √† ac√ß√£o, o homem teve, entretanto, de escolher entre essas opini√Ķes contr√°rias. Como operar tal escolha, sendo a raz√£o muito fraca para a determinar?
Somente dois m√©todos foram descobertos at√© hoje: aceitar a opini√£o da maioria ou a de um √ļnico,

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Os V√°rios Tipos de Coragem

A verdadeira coragem √© uma das qualidades que su¬≠p√Ķem a maior grandeza de alma. Observo v√°rias esp√©cies dela: uma coragem contra a fortuna, que √© filosofia; uma coragem contra as mis√©rias, que √© paci√™ncia; uma cora¬≠gem na guerra, que √© bravura; uma coragem nos em¬≠preendimentos, que √© arrojo; uma coragem altiva e teme¬≠r√°ria, que √© aud√°cia; uma coragem contra a injusti√ßa, que √© firmeza; uma coragem contra o v√≠cio, que √© severidade; uma coragem de reflex√£o, de temperamento, etc. N√£o √© comum que um mesmo homem re√ļna tantas qualidades.
Oct√°vio, no pleno da sua fortuna, elevado so¬≠bre precip√≠cios, enfrentava perigos eminentes; mas a morte, presente na guerra, abalava sua alma. Um n√ļme¬≠ro incalcul√°vel de romanos que nunca tinham temido a morte nas batalhas n√£o possu√≠a essa outra coragem que submeteu a terra a Augusto.
N√£o apenas se encontram muitas esp√©cies de cora¬≠gem, mas na mesma coragem muitas desigualdades. Bru¬≠to, que teve a ousadia de atacar a fortuna de C√©sar, n√£o teve a for√ßa de seguir a sua pr√≥pria: havia alcan√ßado o projec¬≠to de destruir a tirania apenas com os recursos da sua co¬≠ragem, e teve a fraqueza de o abandonar com todas as for√ßas do povo romano, por falta desse equil√≠brio de for¬≠√ßa e de sentimento que sobrep√Ķe os obst√°culos e a len¬≠tid√£o dos sucessos.

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Desigualdades Irremedi√°veis

Quem na sua própria juventude provou as misérias da pobreza, experimentou a insensibilidade e o orgulho dos ricos, encontra-se certamente ao abrigo da suspeita de incompreensão e de falta de boa vontade ante os esforços tentados para combater a desigualdade das riquezas e tudo quanto dela decorre. Na verdade, se esta luta invocar o princípio abstracto, e baseado na justiça, da igualdade de todos os homens entre si, será demasiado fácil objectar que a natureza foi a primeira, através da soberana desigualdade das capacidades físicas e mentais repartidas pelos seres humanos, a cometer injustiças contra as quais não há remédio.

Eu tenho tido muita sorte, pelo que sinto uma d√≠vida por isso, e tendo reduzir a desigualdade no mundo. √Č uma esp√©cie de cren√ßa religiosa. Quero dizer, √© pelo menos uma convic√ß√£o moral.

A Dependência é a Raiz de Todos os Males

O que deve um c√£o a um c√£o, um cavalo a um cavalo? Nada. Nenhum animal depende do seu semelhante. Tendo por√©m o homem recebido o raio da Divindade a que se chama raz√£o, qual foi o resultado? Ser escravo em quase toda a terra. Se o mundo fosse o que parece dever ser, isto √©, se em toda parte os homens encontrassem subsist√™ncia f√°cil e certa e clima apropriado √† sua natureza, imposs√≠vel teria sido a um homem servir-se de outro. Cobrisse-se o mundo de frutos salutares. N√£o fosse ve√≠culo de doen√ßas e morte o ar que contribui para a exist√™ncia humana. Prescindisse o homem de outra morada e de outro leito al√©m do dos gansos e cabras monteses, n√£o teriam os Gengis C√£s e Tamerl√Ķes vassalos sen√£o os pr√≥prios filhos, os quais seriam bastante virtuosos para auxili√°-los na velhice.
No estado natural de que gozam os quadr√ļpedes, aves e r√©pteis, t√£o feliz como eles seria o homem, e a domina√ß√£o, quimera, absurdo em que ningu√©m pensaria: para qu√™ servidores se n√£o tiv√©sseis necessidade de nenhum servi√ßo? Ainda que passasse pelo esp√≠rito de algum indiv√≠duo de bofes tir√Ęnicos e bra√ßos impacientes por submeter o seu vizinho menos forte que ele,

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Existem sempre desigualdades na vida. Alguns homens s√£o mortos numa guerra, outros s√£o feridos, e outros nem chegam a sair do pa√≠s… a vida √© injusta.

O Respeito pelo Multilateralismo

Num mundo onde os fortes podem procurar impor-se aos mais vulner√°veis, e em que determinadas na√ß√Ķes ou grupos ainda tentam decidir o destino do planeta, num mundo assim, o respeito pelo multilateralismo, a modera√ß√£o do discurso p√ļblico e a procura paciente do compromisso tornam-se ainda mais vitais para salvar o mundo de conflitos debilitantes e desigualdades persistentes.

Como se pode dizer que a globaliza√ß√£o traz benef√≠cios quando s√£o os seus pr√≥prios te√≥ricos que reconhecem que est√£o a produzir-se desigualdades terr√≠veis. A globaliza√ß√£o n√£o vai resolver os problemas mundiais, pode √© resolver os problemas de uma determinada camada da popula√ß√£o mundial. Mas seguramente n√£o s√£o os tr√™s mil milh√Ķes de pessoas que vivem com dois d√≥lares por dia.