Passagens sobre Desordem

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Um Sério Pensamento de Governo

Para n√≥s n√£o h√° acusa√ß√Ķes falsas como arma pol√≠tica, nem factos que n√£o sejam os verificados, nem promessas que n√£o sejam a antecipa√ß√£o de prop√≥sito amadurecido e de plano seguramente realizado.
Se somos contra os abusos, as injusti√ßas, as irregularidades da administra√ß√£o, o favoritismo, a desordem, a imoralidade, isto corresponde a um s√©rio pensamento de governo e n√£o a uma atitude pol√≠tica √† sombra da qual cometamos os mesmos abusos e as mesmas injusti√ßas. Ai dos que fingem abra√ßar estes princ√≠pios de salva√ß√£o nacional, e dizem acompanhar-nos na obra revolucion√°ria, e sabem que queremos ir ousadamente pelas reformas sociais elevando o n√≠vel econ√≥mico e moral do povo, e no fundo pretendem apenas adormecer na esperan√ßa as reivindica√ß√Ķes mais vivas e aproveitar a paz que lhes conquist√°mos para esquecer as exig√™ncias da justi√ßa. Esses n√£o s√£o nossos, nem est√£o connosco.

Inveja é Vaidade

O que chamamos inveja, não é senão vaidade. Continuamente acusamos a injustiça da fortuna (sorte), e a consideramos ainda mais cega do que o amor, na repartição das felicidades. Desejamos o que os outros possuem, porque nos parece, que tudo o que os outros têm, nós o merecíamos melhor; por isso olhamos com desgosto para as cousas alheias, por nos parecer, que deviam ser nossas: que é isto senão vaidade? Não podemos ver luzimento em outrem, porque imaginamos, que só em nós é próprio: cuidamos, que a grandeza só em nós fica sendo natural, e nos mais violenta: o esplendor alheio passa no nosso conceito por desordem do acaso, e por miséria do tempo.

Divertimento Enganador

Os homens, tendo podido curar-se da morte, da mis√©ria, da ignor√Ęncia, lembraram-se, para se tornarem felizes, de n√£o pensar nisso. Foi tudo quanto inventaram para se consolarem de t√£o poucos males. Consola√ß√£o riqu√≠ssima. N√£o se dirige a curar o mal. Esconde-o por um pouco. Escondendo-o, faz com que se pense em cur√°-lo. Por uma leg√≠tima desordem da natureza do homem, n√£o se acha que o t√©dio, que √© o seu mal mais sens√≠vel, seja o seu maior bem. Pode contribuir mais do que qualquer outra coisa para lhe fazer procurar a sua cura. Eis tudo. O divertimento, que ele olha como o seu maior bem, √© o seu √≠nfimo mal. Aproxima-o, mais do que todas as outras coisas, de procurar o rem√©dio para os seus males. Um e outro s√£o contraprova da mis√©ria, da corrup√ß√£o do homem, excepto da sua grandeza. O homem aborrece-se, procura aquela multid√£o de ocupa√ß√Ķes. Tem a ideia da felicidade que conquistou; felicidade que, encontrando em si, procura nas coisas exteriores. Contenta-se.

Política e Moral

N√£o sabemos se haver√° ingenuidade em desejar moral na pol√≠tica e se n√£o ter√° havido em qualquer na√ß√£o governantes em que o car√°cter e a dignidade pessoal tenham julgado de um dever entrar tamb√©m na vida p√ļblica, regrando processos de administra√ß√£o. N√£o sabemos.
O que sabemos √© que a desordem e imoralidade pol√≠ticas t√™m um efeito corrosivo na alma das na√ß√Ķes. E o abastardamento do car√°cter nacional n√£o pode deixar de influir no desenvolvimento e progresso de um povo, sob qualquer aspecto que o queiramos considerar.

O Individual como Base do Colectivo

Tudo quanto é apenas colectivo é desordem. A ordem vem da composição individual. Mas a composição individual para formar em si a ordem necessita de que esta também se projecte no colectivo.
A express√£o do colectivo √© o p√Ęnico. O terror s√≥ se submete pelo terror. O p√Ęnico tem duas express√Ķes de terror: a centr√≠fuga e a centr√≠peta. A express√£o que se desfaz a si mesma e a que permanece est√°tica e se adentra.

A √ļnica maneira de aparentar a ordem no colectivo √© manejar o p√Ęnico. Mas como todo o estado ps√≠quico, por mais inteiro que se apresente tende a suavizar-se se era violento e a tornar-se violento se era suave, √© necess√°rio para manter o estado de p√Ęnico, que se lhe estabele√ßam tantas modalidades diferentes e sucessivas que consigam realmente fazer desviar as aten√ß√Ķes da sua insist√™ncia. Por√©m, este processo n√£o tem fim. √Č o processo da m√≠stica colectiva. Filha do desespero individual, a m√≠stica colectiva n√£o faz alterar a realidade mas consegue tempor√°riamente submeter todos os indiv√≠duos √†s mesmas circunst√Ęncias. E at√© que se formem as novas √©lites as m√≠sticas colectivas s√£o espera.
Ao vermos os grandes exércitos, reluzentes nas paradas ou disfarçados com a própria cor da terra das batalhas,

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H√° um mau-gosto na desordem de viver. E mesmo eu nem saberia, se tivesse desejado, transformar esse passo latente em passo real.

As pessoas que se preocupam demais com a ordem externa é porque internamente estão em desordem e precisam de um contraponto que lhes sirva de segurança.

Vírgula

Eu menino às onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que n√£o te fale
feito de resist√™ncias e amea√ßas ‚ÄĒ Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiência o contrário da raiz originária aliás
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafísica eu e tu
que j√° n√£o acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filósofos
‚ÄĒ constitui uma realidade
que não consegue dominar (nem ele próprio)
as forças primitivas
quando já se tem pretendido ordens à vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos O√°sis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente é certo
e a custo na imensid√£o da desordem
a que ter√£o de ser constantemente arrancadas
‚ÄĒ s√£o da m√°xima import√Ęncia as Velhas Concep√ß√Ķes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar r√°pido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frágil véu que nos separa vedados e proibidos.

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Sendo a gl√≥ria o fim e a gra√ßa o meio de a conseguir, antepor a gra√ßa √† gl√≥ria e o meio ao fim, n√£o s√≥ parece disson√Ęncia, sen√£o desordem manifesta.

Ele aproveitou a desordem e noite. Num mundo que ia à deriva, ele sentia-se perfeitamente confortável.