Cita√ß√Ķes sobre Dogma

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Frases sobre dogma, poemas sobre dogma e outras cita√ß√Ķes sobre dogma para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Desejo de Discutir

Se as discuss√Ķes pol√≠ticas se tornam facilmente in√ļteis, √© porque quando se fala de um pa√≠s se pensa tanto no seu governo como na sua popula√ß√£o, tanto no Estado como na no√ß√£o de Estado enquanto tal. Pois o Estado como no√ß√£o √© uma coisa diferente da popula√ß√£o que o comp√Ķe, igualmente diferente do governo que o dirige. √Č qualquer coisa a meio caminho entre o f√≠sico e o metaf√≠sico, entre a realidade e a ideia.
√ą a esse g√©nero de estirilidade que est√£o geralmente condenadas, tal como acontece com as discuss√Ķes pol√≠ticas, as que incidem sobre a religi√£o, pois a religi√£o pode ser sin√≥nima de dogmas, ou de ritual, ou referir-se a posi√ß√Ķes pessoais do indiv√≠duo sobre quest√Ķes ditas eternas, o infinito e a eternidade, problemas do livre arb√≠trio e da responsabilidade ou, como se diz tamb√©m: Deus.
E o mesmo acontece com as discuss√Ķes que t√™m a ver com a maior parte dos assuntos abstractos, sobretudo a √©tica e os temas filos√≥ficos, mas tamb√©m com campos de an√°lise mais restritos, incidindo sobre os problemas mais imediatos, como por exemplo o socialismo, o capitalismo, a aristocracia, a democracia, etc…, em que as no√ß√Ķes s√£o tomadas tanto no sentido amplo como no restrito,

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Da velha confusão de teorias médicas, da grande época obscura do empirismo, como um dogma da ciência de então, uma forma errónea e cheia de preconceito, como se fora um mandado religioso e por isso mesmo eivado de má fé, surgiu com esta frase perturbante: O homem é omnívoro. Como à boca se pode levar tudo que se queira, daí resultou essa monstruosidade deturpante da humanidade!

Nada nos Faz Acreditar Mais do que o Medo

Nada nos faz acreditar mais do que o medo, a certeza de estarmos amea√ßados. Quando nos sentimos v√≠timas, todas as nossas ac√ß√Ķes e cren√ßas s√£o legitimadas, por mais question√°veis que sejam. Os nossos opositores, ou simplesmente os nossos vizinhos, deixam de estar ao nosso n√≠vel e transformam-se em inimigos. Deixamos de ser agressores para nos convertermos em defensores. A inveja, a cobi√ßa ou o ressentimento que nos movem ficam santificados, porque pensamos que agimos em defesa pr√≥pria. O mal, a amea√ßa, est√° sempre no outro. O primeiro passo para acreditar apaixonadamente √© o medo. O medo de perdermos a nossa identidade, a nossa vida, a nossa condi√ß√£o ou as nossas cren√ßas. O medo √© a p√≥lvora e o √≥dio o rastilho. O dogma, em √ļltima inst√Ęncia, √© apenas um f√≥sforo aceso.

Alma que Foste Minha

Alma que foste minha,
desprendida de meu corpo e de meu espírito,
leque de palma sem raízes, sem tormentas,
que género esta noite te distingue,
que metro te organiza, por que dogmas,
que signos te orientam ‚ÄĒ rumo a qu√™?

‚ÄĒ Mestre, qual √© o sexo das almas?

Desmarcada e sem cordas
alma que foste minha
sem cravos e sem espinhos
que trigo milenar te mata a fome
divina
que pir√Ęmide encerra tua ess√™ncia
nudíssima
que corpo te defende de ti mesma
do espaço
que idade, quantas eras, contra o tempo
alma an√°rquica
desmarcada e sem cravos
sem precis√£o de estar
ou de ficar
‚ÄĒ Que te vale Biz√Ęncio?
ou de mudar
ou de fazer, ou de ostentar
‚ÄĒ Que te vale este verso?
apoética, absurda
como chamar-te alma, de quê, quando,
para quê, alma de morto, para onde?

N√£o devemos perder de vista que a religi√£o era uma das melhores armas nas m√£os de nossos tiranos, um de seus dogmas primordiais era: ‘Dai a C√©sar o que √© de C√©sar’. Mas n√≥s derrubamos C√©sar do trono e n√£o queremos dar-lhe mais nada.

A √Ārea

Tudo o que houve, permanece, proeza do corpo
como um sulco bárbaro da memória dos dias,
ritos, remorsos, sementes futuras, a mudez.
Tudo aconteceu nas l√°grimas e nas veias,

na precisão das luzes, no lugar móvel da ordem,
no gelo e no lume que entre as coisas navegam,
na palavra deflagrada, na paz das p√°ginas.
Para onde vai o que não se move, o que é

dogma de cal, madeira, pedra ou ferro?
Como chamar à alma, à linguagem, às cores
que de amor pela morte morrem caladas,

na √°rea eterna da casa, a que permanece
na velhice dos anos e dos ossos consumada,
como uma gota do tempo para além dos séculos?

A maior parte dos professores de religi√£o defendem os dogmas dela n√£o por estarem convencidos da sua verdade, mas por os terem enunciado como verdades uma vez.

A Portugalite

Entre as afec√ß√Ķes de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma h√° t√£o generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite √© uma inflama√ß√£o nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. √Č altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e at√© hoje n√£o se descobriu cura.

A Portugalite √© contra√≠da por cada portugu√™s logo que entra em contacto com Portugal. √Č uma doen√ßa n√£o tanto ven√©rea como venal. Para compreend√™-la √© necess√°rio estudar a rela√ß√£o de cada portugu√™s com Portugal. Esta rela√ß√£o √© semelhante a uma outra que j√° √© cl√°ssica na literatura. Suponhamos ent√£o que Portugal √© fundamentalmente uma meretriz, mas que cada portugu√™s est√° apaixonado por ela. Est√° sempre a dizer mal dela, o que √© compreens√≠vel porque ela trata-o extremamente mal. Chega at√© a julgar que a odeia, porque n√£o acha uma √ļnica raz√£o para am√°-la. Contudo, existem cinco sinais ‚ÄĒ t√≠picos de qualquer grande e arrastada paix√£o ‚ÄĒ que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a l√≥gica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ¬ębocas¬Ľ que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher,

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A Quest√£o deste Corpo

A quest√£o deste corpo est√° hoje no esquecimento
dogma sobre ele erguido há muito tempo: é
um corpo flutuante confuso próximo de
um conhecimento verbal
quest√£o em si mesmo questionando teoria
opini√£o tradicional.

Contamos histórias
renunciamos a determinar-lhe origem
recurso a outro corpo perguntando reclamando
a perder de vista.

Se interrogo retenho a quest√£o quotidiana
o defeito do corpo disponível
ante toda a constatação todo o exame.

(Esta a coragem das m√£os ao pensamento
lenta e solit√°ria
no silêncio da pedra disparada
do alto do tempo.)

A Sa√ļde da Alma

A c√©lebre forma de medicina moral (a de Ar√≠ston de Chios), ¬ęa virtude √© a sa√ļde da alma¬Ľ, deveria ser pelo menos assim transformada para se tornar utiliz√°vel: ¬ęA tua virtude √© a sa√ļde da tua alma¬Ľ. Porque em n√≥s n√£o existe qualquer sa√ļde, e todas as experi√™ncias que se fizeram para dar este nome a qualquer coisa malograram-se miseravelmente. Importa que se conhe√ßa o seu objectivo, o seu horizonte, as suas for√ßas, os seus impulsos, os seus erros e sobretudo o ideal e os fantasmas da sua alma para determinar o que significa a sa√ļde, mesmo para o seu corpo. Existem, portanto, in√ļmeras sa√ļdes do corpo; e quanto mais se permitir ao indiv√≠duo, a quem n√£o podemos comparar-nos, que levante a cabe√ßa, mais se desaprender√° o dogma da ¬ęigualdade dos homens¬Ľ, mais necess√°rio ser√° que os nossos m√©dicos percam a no√ß√£o de uma sa√ļde normal, de uma dieta normal, de um curso normal da doen√ßa. Ser√° s√≥ ent√£o que se poder√° talvez reflectir na sa√ļde e na doen√ßa da alma e colocar a virtude particular de cada um nesta sa√ļde, que corre muito o risco de ser num o contr√°rio do que sucede com outro. Restar√° a grande quest√£o de saber se podemos dispensar a doen√ßa,

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Religião Cósmica

√Č muito dif√≠cil transmitir este sentimento a algu√©m completamente desprovido dele, especialmente porque n√£o lhe corresponde qualquer concep√ß√£o antropom√≥rfica de Deus.
Os g√©nios religiosos de todos os tempos distinguiram-se por possu√≠rem este tipo de sentimento religioso, que n√£o reconhece nenhum dogma nem nenhum deus concebido √† imagem do homem; por isso n√£o pode existir nenhuma igreja cujos ensinamentos centrais se baseiem nele. Logo, √© precisamente entre os her√©ticos de todos os tempos que encontramos homens cheios deste tipo de sentimento religioso e que foram olhados em muitos casos pelos seus contempor√Ęneos como ateus, por vezes tamb√©m como santos. A esta luz, homens como Dem√≥crito, Francisco de Assis e Spinoza s√£o muito parecidos entre si.
Como pode o sentimento religioso cósmico ser comunicado por uma pessoa a outra se não conduz a nenhuma noção definida de Deus e a nenhuma teologia? Na minha perspectiva, a função mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo este sentimento em todos os que sejam receptivos a ele.
Chegamos deste modo a uma concep√ß√£o da rela√ß√£o entre ci√™ncia e religi√£o muito diferente da habitual. Quando consideramos o assunto de um ponto de vista hist√≥rico, somos levados a olhar para a ci√™ncia e para a religi√£o como antagonistas irreconcili√°veis e por raz√Ķes bastante √≥bvias.

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A Base de Toda a Metafísica

E agora, cavalheiros, eu vos deixo
uma palavra
que fique nas vossas mentes
e nas vossas memórias
como princípio e também como fim
de toda a metafísica.

(Tal qual o professor aos estudantes
ao encerrar o seu curso repleto.)

Tendo estudado antigos e modernos,
sistemas dos gregos e dos germ√Ęnicos,
tendo estudado e situado Kant,
Fichte, Schelling e Hegel,
situado a doutrina de Plat√£o,
e Sócrates superior a Platão,
e outros ainda superiores a Sócrates
buscando pesquisar e situar,
tendo estudado bastante o divino Cristo,
eu vejo hoje reminiscências daqueles
sistemas grego e germ√Ęnico,
deparo todas as filosofias,
templos e dogmas crist√£os encontro,
e mesmo sem chegar a Sócrates eu vejo
com absoluta clareza,
e sem chegar até o divino Cristo,
eu vejo
o puro amor do homem por seu camarada,
a atração de um amigo pelo amigo,
de uma mulher pelo marido e vice-versa
quando bem conjugados,
de filhos pelos pais, de uma cidade
por outra, de uma terra
por outra.

O Regulador do Prazer e da Dor: o H√°bito

O h√°bito √© o grande regulador da sensibilidade; ele determina a continuidade dos nossos atos, embota o prazer e a dor e nos familiariza com as fadigas e com os mais penosos esfor√ßos. O mineiro habitua-se t√£o bem √† sua dura exist√™ncia que dela se recorda saudoso quando a idade o obriga a abandon√°-la e o condena a viver ao sol. O h√°bito, regulador da vida habitual, √© tamb√©m o verdadeiro sustent√°culo da vida social. Pode-se compar√°-lo √† in√©rcia, que se op√Ķe, em mec√Ęnica, √†s varia√ß√Ķes de movimento. A dificuldade para um povo consiste, primeiramente, em criar h√°bitos sociais, depois em n√£o permanecer muito tempo neles. Quando o jugo dos h√°bitos pesou muito tempo num povo, ele s√≥ se liberta desse jugo por meio de revolu√ß√Ķes violentas. O repouso na adapta√ß√£o, que o h√°bito consiste, n√£o se deve prolongar. Povos envelhecidos, civiliza√ß√Ķes adiantadas, indiv√≠duos idosos tendem a sofrer demasiado o jugo do costume, isto √©, do h√°bito.

Seria in√ļtil dissertar longamente sobre o seu papel, que mereceu a aten√ß√£o de todos os fil√≥sofos e se tornou um dogma da sabedoria popular.

‚ÄúQue s√£o os nossos princ√≠pios naturais‚ÄĚ, diz Pascal, ‚Äúsen√£o os nossos princ√≠pios acostumados. E nas crian√ßas,

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A Vida n√£o Cabe numa Teoria

A vida… e a gente p√Ķe-se a pensar em quantas maravilhosas teorias os fil√≥sofos arquitectaram na severidade das bibliotecas, em quantos belos poemas os poetas rimaram na pobreza das mansardas, ou em quantos fechados dogmas os te√≥logos n√£o entenderam na solid√£o das celas. Nisto, ou ent√£o na conta do sapateiro, na degrada√ß√£o moral do s√©culo, ou na triste pequenez de tudo, a come√ßar por n√≥s.
Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem.
A vida √© o que eu estou a ver: uma manh√£ majestosa e nua sobre estes montes cobertos de neve e de sol, uma manta de panasco onde uma ovelha acabou de parir um cordeiro, e duas crian√ßas ‚ÄĒ um rapaz e uma rapariga ‚ÄĒ silenciosas, pasmadas, a olhar o milagre ainda a fumegar.

A Fronteira entre a Inteligência e o Dogma

A função própria da inteligência exige uma liberdade total, implicando o direito a tudo negar e nenhuma dominação. Sempre que ela usurpa um comando, há excesso de individualismo. Sempre que se encontra tolhida, há uma colectividade opressiva, ou várias.
A Igreja e o Estado devem puni-la, cada um √† sua maneira, quando ela aconselha actos que eles desaprovam. Quando ela permanece no campo da especula√ß√£o puramente te√≥rica, eles t√™m ainda o dever, se for caso disso, de p√īr o p√ļblico de sobreaviso, por todos os meios eficazes, contra o perigo de uma influ√™ncia pr√°tica de certas especula√ß√Ķes na condu√ß√£o das vidas. Mas, sejam quais forem essas especula√ß√Ķes te√≥ricas, Igreja e Estado n√£o t√™m o direito nem de procurar abaf√°-las nem de inflingir aos seus autores quaisquer danos materiais ou morais.
Em especial, não se deve privá-los dos sacramentos se estes os desejarem. Porque, seja o que for que tenham dito, mesmo que tenham negado publicamente a existência de Deus, é possível que não tenham cometido qualquer pecado. Em tal caso, a Igreja deve declarar que se encontram em erro, mas não exigir deles seja o que for que se assemelhe a um desmentido do que afirmaram, nem privá-los do pão da vida.

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Ent√£o, como se um golpe s√ļbito em seu c√©rebro lhe provocasse uma mudan√ßa moment√Ęnea de percep√ß√£o, sentiu um espanto enorme em rela√ß√£o ao que estava fazendo ali, ao motivo por que estava ali. Naquele momento, desapareceram todos os dias e dogmas de seu passado. Seus conceitos, seus problemas, sua dor foram eliminados. Sabia apenas ‚Äď de uma longa dist√Ęncia, com clareza ‚Äď que o homem existe para realizar seus desejos e n√£o sabia por que estava ali, n√£o sabia quem tinha o direito de exigir que ele desperdi√ßasse uma √ļnica hora insubstitu√≠vel de sua vida, quando seu √ļnico desejo era agarrar aquela figura esbelta e cinzenta e apert√°-la contra seu corpo durante todo o restante de sua exist√™ncia

A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia.

As Oscila√ß√Ķes da Personalidade

Pretender que a nossa personalidade seja m√≥vel e suscept√≠vel de grandes mudan√ßas √©, por vezes, no√ß√£o um pouco contr√°ria √†s id√©ias tradicionais atinentes √† estabilidade do ‚Äúeu‚ÄĚ. A sua unidade foi durante muito tempo um dogma indiscut√≠vel. Factos numerosos vieram provar quanto esta ideia era fict√≠cia.
O nosso ‚Äúeu‚ÄĚ √© um total. Comp√Ķe-se da adi√ß√£o de inumer√°veis ‚Äúeu‚ÄĚ celulares. Cada c√©lula concorre para a unidade de um ex√©rcito. A homogeneidade dos milhares de indiv√≠duos que o comp√Ķem resulta somente de uma comunidade de ac√ß√£o que numerosas coisas podem destruir.
√Č in√ļtil objectar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante est√°vel. Se ela nunca varia, com efeito, √© porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolu√ß√£o, a personalidade de um mesmo indiv√≠duo poder√° transformar-se por completo. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fan√°ticos sanguin√°rios. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu imp√©rio, eles readquiriram sua personalidade pacifica. Desenvolvi, h√° muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolu√ß√£o era incompreens√≠vel sem ela.
De que elementos se comp√Ķe o ‚Äúeu‚ÄĚ,

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Somos socialistas porque somos sociais-democratas, mas somos socialistas sem subordinação a dogmas marxistas, muito menos leninistas, sem subordinação a dogmas de apropriação colectiva dos meios de produção.