Passagens sobre Escultura

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Frases sobre escultura, poemas sobre escultura e outras passagens sobre escultura para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Tu tens um nobre ideal em vista: mas ser√°s tu pr√≥prio feito de uma pedra suficientemente nobre para poder dela tirar a est√°tua do teu deus? E no caso negativo, nada do teu trabalho chegar√° a outro resultado que n√£o seja uma escultura b√°rbara? √Ä inj√ļria do teu ideal?

O Amor √© um Acidente, uma Ren√ļncia, um H√°bito, uma Maldi√ß√£o

O amor é um acidente.
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.
O amor √© uma ren√ļncia. Amar algu√©m √© desistir de amar outros, √© desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convic√ß√Ķes mais profundas. N√£o me queixo!
N√£o sou ing√©nua nem est√ļpida. Quando digo que o amor √© uma ren√ļncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, √© quase bonito. Um homem bonito,

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N√£o foram homens esmagados de trabalho que compuseram m√ļsica ou poesia, conceberam e executaram pintura e escultura, ou, num dom√≠nio que mais interessa para solu√ß√£o do problema, fantasiaram a ci√™ncia que depois, transformada em t√©cnica, contribuiria para progressivamente ir libertando o escravo.

Plena Nudez

Eu amo os gregos tipos de escultura:
Pag√£s nuas no m√°rmore entalhadas;
N√£o essas produ√ß√Ķes que a estufa escura
Das modas cria, tortas e enfezadas.

Quero um pleno esplendor, viço e frescura
Os corpos nus; as linhas onduladas
Livres: de carne exuberante e pura
Todas as sali√™ncias destacadas…

Não quero, a Vênus opulenta e bela
De luxuriantes formas, entrevê-la
De transparente t√ļnica atrav√©s:

Quero vê-la, sem pejo, sem receios,
Os braços nus, o dorso nu, os seios
Nus… toda nua, da cabe√ßa aos p√©s!

Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo que não é necessário.

Há cinco artes Рa Literatura, a Engenharia, a Política, a Figuração (que inclui o drama, a dança, etc.) e a Decoração. (A Decoração vai desde a arte de arrumar bem as coisas em cima de uma mesa até à pintura e à escultura.

LIX

Lembrado estou, ó penhas, que algum dia,
Na muda solid√£o deste arvoredo,
Comuniquei convosco o meu segredo,
E apenas brando o zéfiro me ouvia.

Com l√°grimas meu peito enternecia
A dureza fatal deste rochedo,
E sobre ele uma tarde triste, e quêdo
A causa de meu mal eu escrevia.

Agora torno a ver, se a pedra dura
Conserva ainda intacta essa memória,
Que debuxou ent√£o minha escultura.

Que vejo! esta é a cifra: triste glória!
Para ser mais cruel a desventura,
Se fará imortal a minha história.

Soneto XX

Duvidam se a escultura é mais perfeita
Ou se a pintura, que esta da cor fina
E sombras se orna, aquela mais se assina
Quanto mais desbastada e mais desfeita.

Mas se ua est√°tua houver despois de feita
Das cores, da pintura e sombras dina,
Como obra nunca vista e perigrina,
Qu√£o fermosa seria, e quanto aceita.

Esta sois meu Jesus, onde n√£o falta
Sombra e cor da Pintura, e de tal sorte
Que à escultura sereis novo modelo:

Disfeita a carne, o sangue vos esmalta
Sombras, sobre as de açoutes, as da morte
E sobre tudo, sobre todos belo.

A Guerra como Revolta da Técnica

Todos os esfor√ßos para estetizar a pol√≠tica convergem para um ponto. Esse ponto √© a guerra. A guerra e somente a guerra permite dar um objectivo aos grandes movimentos de massa, preservando as rela√ß√Ķes de produ√ß√£o existentes. Eis como o fen√≥meno pode ser formulado do ponto de vista pol√≠tico. Do ponto de vista t√©cnico, a sua formula√ß√£o √© a seguinte: somente a guerra permite mobilizar na sua totalidade os meios t√©cnicos do presente, preservando as actuais rela√ß√Ķes de produ√ß√£o. √Č √≥bvio que a apoteose fascista da guerra n√£o recorre a esse argumento. Mas seria instrutivo lan√ßar os olhos sobre a maneira como ela √© formulada. No seu manifesto sobre a guerra colonial da Eti√≥pia, diz Marinetti: ¬ęH√° vinte e sete anos, n√≥s futuristas contestamos a afirma√ß√£o de que a guerra √© antiest√©tica (…) Por isso, dizemos: (…) a guerra √© bela, porque gra√ßas √†s m√°scaras de g√°s, aos megafones assustadores, aos lan√ßa-chamas e aos tanques, funda a supremacia do homem sobre a m√°quina subjugada. A guerra √© bela, porque inaugura a metaliza√ß√£o on√≠rica do corpo humano. A guerra √© bela, porque enriquece um prado florido com as orqu√≠deas de fogo das metralhadoras. A guerra √© bela, porque conjuga numa sinfonia os tiros de fuzil,

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O Grito

Corria pela rua acima quando a s√ļbita explos√£o dum grito o fez parar instantaneamente. Todo o seu corpo estremeceu. O que ele desde sempre receara acabara de ocorrer: algures, nesse momento, uma caneta come√ßara a deslizar sobre uma folha de papel, dando assim corpo √†quele grito que de h√° muito, como as esculturas no interior da pedra, se mantinha na expectativa desse simples gesto dum escritor para atingir a realidade. Tapou os ouvidos com as m√£os. O grito mais n√£o era que um sinal, mas o que esse sinal lhe transmitia deixava-o aterrado. Acabara de ser posta a funcionar uma engrenagem que a partir de agora nada nem ningu√©m, e muito menos ele, iria alguma vez poder travar, um mecanismo de que ele pr√≥prio iria inapelavelmente ser a maior v√≠tima. Mais tarde ou mais cedo isso teria de se dar, mas agora que, sem qualquer aviso pr√©vio, se soubera propulsado para outra dimens√£o da sua vida, como se os fios que a governavam tivessem repentinamente mudado de m√£os, o facto de h√° longo tempo o pressentir n√£o o impediu de olhar √† sua volta com estranheza, uma estranheza que antes de mais nascia de tudo √† primeira vista ter ficado como estava,

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Depravação e Génio

Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(…) Acontece que nos interrogamos com estupefac√ß√£o sobre as in√ļmeras deprava√ß√Ķes de bairro lim√≠trofe que a pol√≠cia e os hospitais testemunham. S√≥ poderemos ver nelas o meandro onde os med√≠ocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas deprava√ß√Ķes noutra l√≠ngua, d√™-se-lhes eleva√ß√£o, transcend√™ncia, sejam elas revestidas de intelig√™ncia, e obter-se-√† uma imagem em ponto pequeno das altas deprava√ß√Ķes que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir,

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Sou Eu!

À minha ilustre camarada Laura haves

Pelos campos em fora, pelos combros,
Pelos montes que embalam a manh√£,
Largo os meus rubros sonhos de pag√£,
Enquanto as aves poisam nos meus ombros…

Em v√£o me sepultaram entre escombros
De catedrais duma escultura v√£!
Olha-me o loiro sol tonto de assombros,
as nuvens, a chorar, chamam-me irm√£!

Ecos long√≠nquos de ondas… de universos..
Ecos dum Mundo… dum distante Al√©m,
Donde eu trouxe a magia dos meus versos!

Sou eu! Sou eu! A que nas m√£os ansiosas
Prendeu da vida, assim como ninguém,
Os maus espinhos sem tocar nas rosas!

Se a m√ļsica tem, portanto, um n√ļmero maior de amantes do que a poesia, ou a arquitectura, ou a escultura, tal n√£o se deve ao facto se ser mais espiritual, como se costuma dizer, mas sim devido ao facto contr√°rio: √© mais sensual.

Escrevemos Docemente

Escrevemos docemente. Se a figura
sobe de estar t√£o funda a essa mesa
é que escrever se lembra. E só da altura
de se lembrar percorre a linha acesa

a ponta de escrever, que traça a pura
forma de rosto que abre na tristeza.
E a tristeza ilumina de escultura
penumbras de volumes com que pesa.

Por isso é docemente que da linha
de estar ali aonde sempre esteve
aparece figura de rainha

que sempre foi e agora só se escreve.
E escrevermos é como se na vinha
o sol se iluminasse. E fosse breve.

O Amolecimento pela Sociedade de Consumo

Nos pa√≠ses subdesenvolvidos, a arte (literatura, pintura, escultura) entra quase sempre em conflito com as classes possidentes, com o poder institu√≠do, com as normas de vida estabelecidas. Em revolta aberta, o artista, origin√°rio por via de regra da m√©dia e da pequena burguesia ou mais raramente das classes prolet√°rias, contesta o statu quo, prop√Ķe solu√ß√Ķes revolucion√°rias ou, quando estas n√£o podem sequer divisar-se, limita-se a derruir (ou a tentar faz√™-lo pela cr√≠tica, violenta ou ir√≥nica) o baluarte dos preconceitos, das defesas que os benefici√°rios do sistema de produ√ß√£o ergueram contra as aspira√ß√Ķes da maioria. Nas sociedades industriais mais adiantadas, o artista pode permanecer numa atitude id√™ntica de inconformismo; por√©m, os resultados da sua actividade de cria√ß√£o e reflex√£o tornam-se mat√©ria vend√°vel e, nalguns casos, mat√©ria integr√°vel.
O consumo do objecto art√≠stico, seja ele o livro, o quadro ou o disco, quando feito sob uma tutela de opini√£o, que os meios de comunica√ß√£o de massa, em escala largu√≠ssima , exercem, torna-se, sen√£o totalmente in√≥cuo, pelo menos parcialmente esvaziado do seu conte√ļdo cr√≠tico. Despotencializa-se. Amolece. √Č o que se verifica, por exemplo, em boa parte, nos Estados Unidos. A ideologia repressiva da liberdade no mundo capitalista monopolista torna-se tanto mais perigosa quanto aborve,

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H√° s√≥ duas artes verdadeiras: a Poesia e a Escultura. A Realidade divide-se em realidade espacial e realidade n√£o espacial, ou ideal. A escultura figura a realidade espacial (que a pintura desfigura e abaixa e a arquitectura artificializa porque n√£o reproduz uma coisa real mas outra coisa). A m√ļsica, que √© a arquitectura da poesia, isola uma coisa, o som, e quer dar o ritmo fora do humano, que √© a ideia.

Hino à Solidão

Diz-se que a solid√£o torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
[aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concep√ß√Ķes, formas do sentimento,
‚ÄĒ Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo ch√£o onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,

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O Nosso C√≥digo √Čtico e Moral Desculpabiliza-nos Perante a Recusa de Aliviarmos o Sofrimento Alheio

Eu não desviava os olhos de minha mãe, sabia que, quando estivessem à mesa, não me seria permitido ficar até ao fim da refeição, e que, para não contrariar meu pai, a mamã não me deixaria beijá-la várias vezes diante dos outros, como se fosse no meu quarto.
(…) antes de tocarem a sineta para o jantar, meu av√ī teve a ferocidade inconsciente de dizer: ¬ęO pequeno parece cansado; deveria ir deitar-se. E depois, jantamos tarde hoje.¬Ľ E meu pai,(…) disse: ¬ęSim. Anda, vai deitar-te.¬Ľ Eu quis beijar a mam√£; nesse instante ouviu-se a sineta do jantar. ¬ęN√£o, n√£o, deixa a tua m√£e em paz, voc√™s j√° se despediram bastante, essas demonstra√ß√Ķes s√£o rid√≠culas. Anda, sobe!¬Ľ E eu tive de partir sem vi√°tico; tive de subir cada degrau ¬ęcontra o cora√ß√£o¬Ľ, subindo contra o meu cora√ß√£o, que desejava voltar para junto de minha m√£e porque ela n√£o lhe havia dado, com um beijo, licen√ßa de me acompanhar.
(…) J√° no meu quarto, tive de (…) cerrar os postigos, cavar o meu pr√≥prio t√ļmulo enquanto virava as cobertas, vestir o sud√°rio da minha camisa de dormir. Mas antes de sepultar-me no leito de ferro (…), veio-me um impulso de revolta e resolvi tentar um ardil de condenado.

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