Cita√ß√Ķes sobre Geometria

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Frases sobre geometria, poemas sobre geometria e outras cita√ß√Ķes sobre geometria para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A geometria é uma ciência sobre as propriedades do espaço de forma sintética e ainda determinado a priori.

Varanda de Pilatos

Não há tempo. Há o espaço. O sol e as nossas voltas.
Os bocejos da lua, o cl√£ dos astros.
Os buracos negros.
√ď m√£e! Para onde foram os seres vivos de ainda
H√° pouco em todo o seu esplendor?
Mortos como tu, a natureza recebe-os.
A Terra, essa criança atroz, destrói os seus brinquedos
Numa rotina mec√Ęnica.
Quantas noites me faltam? Quantos beijos no escuro?
Quanta luz me cabe ainda nas pupilas?
Os anos n√£o me matam, n√£o me ferem os meses,
As horas n√£o me guilhotinam.
As células vão ardendo nos seus mapas
De nervos, o sangue demora sempre mais um pouco
A chegar ao seu destino org√Ęnico.
Devagar, devagar, a cabeça amolece.
Devagar no colo do sono.
√ď m√£e. Um ninho. Uma cama macia no teu ventre.
Uma exposição de sinais. Uma geometria
Que me liga ao saber acumulado.

Penso, logo Existo

De h√° muito tinha notado que, pelo que respeita √† conduta, √© necess√°rio algumas vezes seguir como indubit√°veis opini√Ķes que sabemos serem muito incertas, (…). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas √† descoberta da verdade, pensei que era necess√°rio proceder exactamente ao contr√°rio, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor d√ļvida, a fim de ver se, ap√≥s isso, n√£o ficaria qualquer coisa nas minhas opini√Ķes que fosse inteiramente indubit√°vel.
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada h√° que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque h√° homens que se enganam ao raciocinar, at√© nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as raz√Ķes de que at√© ent√£o me servira nas demonstra√ß√Ķes. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer tamb√©m quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que at√© ent√£o encontrara acolhimento no meu esp√≠rito n√£o era mais verdadeiro que as ilus√Ķes dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso,

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Coração Polar

N√£o sei de que cor s√£o os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que h√° um corpo nunca encontrado algures
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus l√°bios de espuma e de salsugem
os teus naufr√°gios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.

Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua h√° uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha
h√° uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e n√£o te encontro
h√° um √Ęngulo ao contr√°rio
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
h√° um mar imagin√°rio aberto em cada p√°gina
n√£o me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas m√£os
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num sem√°foro
todos os poentes me dizem quem tu és.

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O Futuro Sai da Fenda e da Ferida

a geometria abre a linha para deixar passar a Imaginação.
O FUTURO sai da FENDA e da FERIDA.
Do que antes foi, hoje sai Sangue.
Inundar o VAZIO: o FUTURO inunda o VAZIO.
Porque todo o vazio tem por INIMIGO a Imaginação.
Porque todo o vazio tem o Inimigo.

O Amor Bate na Porta

Cantiga do amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, n√£o chores,
hoje tem filme de Carlito!

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos j√° maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, n√£o te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes n√£o mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
prop√Ķe uma geometria.

Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na √°rvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

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√Č Preciso Restaurar o Homem

A minha civiliza√ß√£o repousa sobre o culto do Homem atrav√©s dos indiv√≠duos. Teve o des√≠gnio, durante s√©culos, de mostrar o Homem, assim como ensinou a distinguir uma catedral atrav√©s das pedras. Pregou esse Homem que dominava o indiv√≠duo…
Porque o Homem da minha civiliza√ß√£o n√£o se define atrav√©s dos homens. S√£o os homens que se definem atrav√©s dele. H√° nele, como em todo o Ser, qualquer coisa que os materiais que o comp√Ķem n√£o explicam. Uma catedral √© uma coisa muito diferente de uma soma de pedras. √Č geometria e arquitectura. N√£o s√£o as pedras que a definem, √© ela que enriquece as pedras com o seu pr√≥prio significado. Essas pedras ficam enobrecidas por serem pedras de uma catedral. As pedras mais diversas servem a sua unidade. A catedral as absorve, at√© √†s g√°rgulas mais horrendas, no seu c√Ęntico.
Mas, pouco a pouco, esqueci a minha verdade. Julguei que o Homem resumia os homens, tal como a Pedra resume as pedras. Confundi catedral e soma de pedras, e, pouco a pouco, a heran√ßa desvaneceu-se. √Č preciso restaurar o Homem. Ele √© a ess√™ncia da minha cultura. Ele √© a chave da minha Comunidade. Ele √© o princ√≠pio da minha vit√≥ria.

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Um Grande Utensílio de Amor

um grande utensílio de amor
meia laranja de alegria
dez toneladas de suor
um minuto de geometria

quatro rimas sem coração
dois desastres sem novidade
um preto que vai para o sert√£o
um branco que vem à cidade

uma meia-tinta no sol
cinco dias de ang√ļstia no foro
o cigarro a descer o paiol
a trepanação do touro

mil bocas a ver e a contar
uma altura de fazer turismo
um arranha-céus a ripar
meia-quarta de cristianismo

uma prancha sem porta sem escada
um grifo nas linhas da m√£o
uma Ibéria muito desgraçada
um Rossio de solid√£o

As Novas Verdades

Nenhuma verdade nova, e completamente estranha √†s opini√Ķes correntes, quando demonstrada pelo primeiro que dela se apercebeu, ainda que com uma evid√™ncia e uma exactid√£o id√™nticas ou semelhantes √†s da geometria, conseguiu nunca, se as demonstra√ß√Ķes n√£o foram de natureza material, introduzir-se e fixar-se no mundo imediatamente, mas s√≥ com o decorrer do tempo, atrav√©s da pr√°tica e do exemplo: habituando-se os homens a acreditar nela como em qualquer outra coisa; ou melhor, acreditando geralmente por habitua√ß√£o e n√£o pela exactid√£o de experi√™ncias concebidas no seu esp√≠rito.
At√© que por fim essa verdade, come√ßando a ser ensinada √†s crian√ßas, √© comummente aceite, evocado com espanto o seu desconhecimento, e escarnecidas as opini√Ķes diferentes, tanto dos antepassados como dos contempor√Ęneos. E isto com tanto mais dificuldade e demora quanto maiores e mais importantes foram essas novas e incr√≠veis verdades, e, por conseguinte, subversoras de um maior n√ļmero de opini√Ķes radicadas nos esp√≠ritos. Nem mesmo os intelectos perspicazes e treinados sentem facilmente toda a efici√™ncia das raz√Ķes que demonstram essas verdades ianuditas e que excedem em muito os limites dos conhecimentos e dos h√°bitos desses intelectos, principalmente quando essas raz√Ķes e essas verdades se op√Ķem √†s cren√ßas neles arreigadas.

As Artes e as Ciências Nasceram dos Vícios

A astronomia nasceu da supersti√ß√£o; a ret√≥rica, da ambi√ß√£o, do √≥dio, da adula√ß√£o, da mentira; a geometria, da gan√Ęncia; a f√≠sica, da curiosidade v√£; e todas elas, mesmo a √©tica, do orgulho humano. As artes e as ci√™ncias devem portanto o seu nascimento aos nossos v√≠cios, e n√≥s dever√≠amos duvidar menos das suas vantagens se elas tivessem tido origem nas nossas virtudes. (…) Quantos perigos! Quantos caminhos equivocados na investiga√ß√£o das ci√™ncias? Por meio de quantos erros, milhares de vezes mais perigosos do que a verdade √© √ļtil, n√£o √© preciso abrir caminho a fim de alcan√ß√°-la? O problema √© patente; pois a falsidade admite um n√ļmero infinito de combina√ß√Ķes; mas a verdade possui apenas um modo de ser.

O maior prazer n√£o √© – digamos – sexo ou geometria. √Č apenas a compreens√£o. E se conseguires levar as pessoas a compreender a sua pr√≥pria humanidade – bem, √© esse o trabalho do escritor.

Sócrates disse a seus alunos que nos bons sistemas de educação há um limite para além do qual ninguém deve ir. Na geometria, basta saber como medir a terra quando se quer vendê-la ou comprá-la ou dividir uma herança ou dividi-la entre trabalhadores.

Os que buscam o justo caminho da verdade n√£o devem ocupar-se com nenhum objecto a respeito do qual n√£o possam ter uma certeza igual √† das demonstra√ß√Ķes da aritm√©tica e da geometria.

O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispers√Ķes, transpar√™ncia de estruturas,
pausas de areia e de √°gua, f√°bulas min√ļsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direc√ß√Ķes de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsa√ß√Ķes de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murm√ļrio de omiss√Ķes, um c√Ęntico do √≥cio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros vol√ļveis.
√Č aqui, √© aqui que se renova a luz.

A Mais Perfeita Imagem

Se eu varresse todas as manh√£s as pequenas
agulhas que caem deste arbusto e o ch√£o
que lhes d√° casa, teria uma met√°fora perfeita para
o que me levou a desamar-te. Se todas as manh√£s
lavasse esta janela e, no fulgor do vidro, além
do meu reflexo, sentisse distrair-se a transparência
que o nada representa, veria que o arbusto n√£o passa
de um inferno, ausente o decassílabo da chama.
Se todas as manh√£s olhasse a teia a enfeitar-lhe os
ramos, também a entendia, a essa imperfeição
de Maio a Agosto que lhe corrompe os fios e lhes
desarma geometria. E a cor. Mesmo se agora visse
este poema em tom de conclus√£o, notaria como o seu
verso cresce, sem rimar, numa prosódia incerta e
descontínua que foge ao meu comum. O devagar do
vento, a eros√£o. Veria que a saudade pertence a outra
teia de outro tempo, não é daqui, mas se emprestou
a um neur√īnio meu, unia mem√≥ria que teima ainda
uma qualquer beleza: o fogo de uma pira funer√°ria.
A mais perfeita imagem da arte. E do adeus.

A História vai ser simples quando for entendida; o homem vai ser humilde quando entender a História; quando ela, para ser entendida, se tiver feito geometria.