Cita√ß√Ķes sobre Ingenuidade

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Frases sobre ingenuidade, poemas sobre ingenuidade e outras cita√ß√Ķes sobre ingenuidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Lucidez sem Ignor√Ęncia nem Sobranceria

Possivelmente n√£o √© sem raz√£o que atribu√≠mos √† ingenuidade e ignor√Ęncia a facilidade de crer e de se deixar persuadir: pois parece-me haver aprendido outrora que a cren√ßa era como uma impress√£o que se fazia na nossa alma; e, na medida em que esta se encontrava mais mole e com menor resist√™ncia, era mais f√°cil imprimir-lhe algo. Assim como, necessariamente, os pesos que nele colocamos fazem pender o prato da balan√ßa, assim a evid√™ncia arrasta a mente (C√≠cero). Quanto mais vazia e sem contrapeso est√° a alma, mais facilmente ela cede sob a carga da primeira persuas√£o. Eis porque as crian√ßas, o vulgo, (…) e os doentes est√£o mais sujeitos a ser conduzidos pelas orelhas (ou seja, pelo que ouvem). Mas tamb√©m, por outro lado, √© uma tola presun√ß√£o ir desdenhando e condenando como falso o que n√£o nos parece veross√≠mil; esse √© um v√≠cio habitual nos que pensam ter algum discernimento al√©m do comum. Outrora eu agia assim, e, se ouvia falar de esp√≠ritos que retornam, ou do progn√≥stico das coisas futuras, de encantamentos, de feiti√ßarias, ou contarem alguma outra hist√≥ria que eu n√£o conseguisse compreender, vinha-me compaix√£o pelo pobre povo logrado por essas loucuras. Mas actualmente acho que eu pr√≥prio era no m√≠nimo igualmente digno de pena;

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Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as m√£os dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho n√£o se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas m√£os! E a solid√£o estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas m√£os nos meus dedos t√£o frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

No Fundo Somos Bons Mas Abusam de Nós

O comum das gentes (de Portugal) que eu n√£o chamo povo porque o nome foi estragado, o seu fundo comum √© bom. Mas √© exactamente porque √© bom, que abusam dele. Os pr√≥prios v√≠cios v√™m da sua ingenuidade, que √© onde a bondade tamb√©m mergulha. S√≥ que precisa sempre de lhe dizerem onde aplic√°-la. N√≥s somos por instinto, com intermit√™ncias de consci√™ncia, com uma generosidade e delicadeza incontrol√°veis at√© ao rid√≠culo, astutos, comunic√°veis at√© ao dislate, corajosos at√© √† temeridade, orgulhosos at√© √† petul√Ęncia, humildes at√© √† subservi√™ncia e ao complexo de inferioridade. As nossas virtudes t√™m assim o seu lado negativo, ou seja, o seu v√≠cio. √Č o que normalmente se explora para o pitoresco, o ruralismo edificante, o sorriso superior. Toda a nossa literatura popular √© disso que vive.
Mas, no fim de contas, que √© que significa cultivarmos a nossa singularidade no limiar de uma ¬ęciviliza√ß√£o planet√°ria¬Ľ? Que significa o regionalismo em face da r√°dio e da TV? O rasoiro que nivela a prov√≠ncia √© o que igualiza as na√ß√Ķes. A anula√ß√£o do indiv√≠duo de facto √© o nosso imediato horizonte. Estruturalismo, lingu√≠stica, freudismo, comunismo, tecnocracia s√£o faces da mesma realidade. Como no Egipto, na Gr√©cia,

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Aprender a Escrita pela Leitura

Ao lermos um autor, não temos a capacidade de adquirir as suas eventuais qualidades, como o poder de convencimento, a riqueza de imagens, o dom da comparação, a ousadia, ou o amargor, ou a concisão, ou a graça, ou a leveza da expressão, ou o espírito arguto, contrastes surpreendentes, laconismo, ingenuidade e outras semelhantes. No entanto, podemos evocar em nós mesmos tais qualidades, tornarmo-nos conscientes da sua existência, caso já tenhamos alguma predisposição para elas, ou seja, caso as tenhamos potentia; podemos ver o que é possível fazer com elas, podemos sentir-nos confirmados na nossa tendência, ou melhor, encorajados a empregar tais qualidades; com base em exemplos, podemos julgar o efeito da sua aplicação e assim aprender o seu uso correcto; somente então as possuímos também actu.
Esta √©, portanto, a √ļnica maneira na qual a leitura nos torna aptos para escrever, na medida em que nos ensina o uso que podemos fazer dos nossos pr√≥prios dons naturais; portanto, pressupondo sempre a exist√™ncia destes. Por outro lado, sem esses dons, n√£o aprendemos nada com a leitura, excepto a maneira fria e morta, e tornamo-nos imitadores banais.

Sinceridade Proscrita

A verdade permanece sepultada sob as m√°ximas de uma falsa delicadeza. Chama-se saber viver √† arte de viver com baixeza. N√£o se p√Ķe diferen√ßa entre conhecer o mundo e engan√°-lo; e a cerim√≥nia, que deveria ater-se inteiramente ao exterior, introduz-se nos nossos costumes mesmos.
A ingenuidade deixa-se aos esp√≠ritos pequenos, como uma marca da sua imbecilidade. A franqueza √© olhada como um v√≠cio na educa√ß√£o. Nada de pedir que o cora√ß√£o saiba manter o seu lugar; basta que fa√ßamos como os outros. √Č como nos retratos, aos quais n√£o se exige mais do que parecen√ßa. Cr√™-se ter achado o meio de tornar a vida deliciosa, atrav√©s da do√ßura da adula√ß√£o.
Um homem simples que n√£o tem sen√£o a verdade a dizer √© olhado como o perturbador do prazer p√ļblico. Evitam-no, porque n√£o agrada; evita-se a verdade que anuncia, porque √© amarga; evita-se a sinceridade que professa porque n√£o d√° frutos sen√£o selvagens; temem-na porque humilha, porque revolta o orgulho que √© a mais cara das paix√Ķes, porque √© um pintor fiel, que faz com que nos vejamos t√£o disformes como somos.
Não há por que nos espantarmos, se ela é rara: é expulsa, proscrita por toda a parte.

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O Mérito só Existe se Enaltecido por Outros

O relato das conversas de S√≥crates que os seus amigos nos legaram tem a nossa aprova√ß√£o apenas porque nos sentimos intimidados pela aprova√ß√£o geral delas. N√£o se trata de uma coisa que venha do nosso conhecimento; uma vez que n√£o se adaptam √†s nossas pr√°ticas; se alguma coisa de semelhante viesse a ser produzida nos nossos dias poucos haveria que as tivessem em grande considera√ß√£o. N√£o somos capazes de apreciar qualquer honra que n√£o esteja salientada, inflaccionada e aumentada pelo art√≠ficio. Tais honras que tantas vezes surgem disfar√ßadas com a ingenuidade e a simplicidade, dificilmente seriam notadas por uma vis√£o interior t√£o grosseira como a nossa… Para n√≥s n√£o ser√° a ingenuidade um parente pr√≥ximo da simplicidade de esp√≠rito e uma qualidade merecedora de censura? S√≥crates fazia mover a sua alma com o movimento natural das pessoas comuns: assim fala um campon√™s, assim fala uma mulher… As suas indu√ß√Ķes e compara√ß√Ķes s√£o retiradas das mais comuns e mais conhecidas actividades do homem; qualquer pessoa √© capaz de as compreender. Sob uma forma t√£o comum nos nossos dias nunca ter√≠amos sido capazes de discernir a nobreza e esplendor destes conceitos espantosos; n√≥s que estamos habituados a criticar todo aquele que n√£o esteja inchado pela erudi√ß√£o para ser base e lugar-comum e que n√£o temos consci√™ncia dos ricos a n√£o ser quando pomposamente exibidos.

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Experiência de Vida é Essencial ao Bom Escritor

A maior desgra√ßa que pode acontecer a um artista √© come√ßar pela literatura, em vez de come√ßar pela vida. Cora-se de vergonha, depois, diante das ingenuidades impressas, que s√£o cueiros sujos e pretendem ser livros. S√≥ a experi√™ncia, a dor e o trabalho trazem a dignidade que uma obra liter√°ria exige. Mesmo que n√£o se tenha g√©nio, pode-se, ent√£o, ter compostura. E seja qual for a dura√ß√£o do que se escreve, uma coisa ao menos os vindouros poder√£o respeitar: a nobreza do que v√£o ler. Mas poucos sabem esperar pela hora da matura√ß√£o. E antes desse livro curado pelo fumo da vida, v√™em-se quase sempre meia d√ļzia de outros, infantis, imbecis, esquem√°ticos como o b√™-√°-b√°. ¬ęPenitet me¬Ľ ‚ÄĒ creio que √© a f√≥rmula do arrependimento.

O Valor da Ingenuidade

O maior perigo que corre o ingénuo: o de querer ser esperto. Tão ingénuo que cuida, coitado, de que alguma vez no mundo o conhecimento valeu mais do que a ingenuidade de cada um. A ingenuidade é o legítimo segredo de cada qual, é a sua verdadeira idade, é o seu próprio sentimento livre, é a alma do nosso corpo, é a própria luz de toda a nossa resistência moral.
Mas os ing√©nuos s√£o os primeiros que ignoram a for√ßa criadora da ingenuidade, e na √Ęnsia de crescer compram vantagens imediatas ao pre√ßo da sua pr√≥pria ingenuidade.
Raríssimos foram e são os ingénuos que se comprometeram um dia para consigo próprios a não competir neste mundo senão consigo mesmos. A grande maioria dos ingénuos desanima logo de entrada e prefere tricher no jogo de honra, do mérito e do valor. São eles as próprias vítimas de si mesmos, os suicidas dos seus legítimos poetas, os grotescos espanatalhos da sua própria esperteza saloia.
Bem haja o povo que encontrou para o seu idioma esta denunciante expressão da pessoa que é vítima de si mesma: a esperteza saloia. A esperteza saloia representa bem a lição que sofre aquele que não confiou afinal em si mesmo,

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√Č para a ingenuidade que me levanto todos os dias. E noventa por cento da felicidade √© ingenuidade e os outros dez s√£o ignor√Ęncia.

A Ant√īnio Nobre

Tu que penaste tanto e em cujo canto
H√° a ingenuidade santa do menino;
Que amaste os choupos, o dobrar do sino,
E cujo pranto faz correr o pranto:

Com que magoado olhar, magoado espanto
Revejo em teu destino o meu destino!
Essa dor de tossir bebendo o ar fino,
A esmorecer e desejando tanto…

Mas tu dormiste em paz como as crianças.
Sorriu a Glória às tuas esperanças
E beijou-te na boca… O lindo som!

Quem me dará o beijo que cobiço?
Foste conde aos vinte anos… Eu, nem isso…
Eu, n√£o terei a Gl√≥ria… nem fui bom.

A Ingenuidade Ignorante e a Ingenuidade S√°bia

H√° duas esp√©cies de ingenuidade: uma que ainda n√£o percebeu todos os problemas e ainda n√£o bateu a todas as portas do conhecimento; e outra, de uma esp√©cie mais elevada, que resulta da filosofia que, tendo olhado dentro de todos os problemas e procurado orienta√ß√£o em todas as esferas do conhecimento, chegou √† conclus√£o de que n√£o podemos explicar nada, mas temos de seguir as convic√ß√Ķes cujo valor inerente nos fala de maneira irres√≠stivel.

Os adultos estão a tornar-se máquinas de trabalhar, e as crianças, máquinas de consumir. Estamos a perder a singeleza, a ingenuidade e a leveza de ser. A educação, embora esteja numa crise sem precedentes, é a nossa grande esperança.

Cuidado!

√ď namorados que passais, sonhando,
quando bóia, no céu, a lua cheia!
Que andais tra√ßando cora√ß√Ķes na areia
e cora√ß√Ķes nos peitos apagando!

Desperta os ninhos vosso passo… E quando
pelas bocas em flor o amor chilreia,
nem sei se é o vosso beijo que gorjeia,
se s√£o as aves que se est√£o beijando…

Mais cuidado! N√£o v√° vossa alegria
afligir tanta gente que seria
feliz sem nunca ouvir nem nunca ver!

Poupai a ingenuidade delicada
dos que amaram sem nunca dizer nada,
dos que foram amados sem saber!

Política e Moral

N√£o sabemos se haver√° ingenuidade em desejar moral na pol√≠tica e se n√£o ter√° havido em qualquer na√ß√£o governantes em que o car√°cter e a dignidade pessoal tenham julgado de um dever entrar tamb√©m na vida p√ļblica, regrando processos de administra√ß√£o. N√£o sabemos.
O que sabemos √© que a desordem e imoralidade pol√≠ticas t√™m um efeito corrosivo na alma das na√ß√Ķes. E o abastardamento do car√°cter nacional n√£o pode deixar de influir no desenvolvimento e progresso de um povo, sob qualquer aspecto que o queiramos considerar.

A Hipocrisia do Amor ao Povo

Estes amam o povo, mas n√£o desejariam, por interesse do pr√≥prio amor, que sa√≠sse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as supersti√ß√Ķes e as lendas; v√™em-se generosos e sens√≠veis quando se debru√ßam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; √© muito interessante o animal que examinam, mas que n√£o tente o animal libertar-se da sua condi√ß√£o; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posi√ß√£o; em nome da est√©tica e de tudo o resto conv√©m que se mantenha.
H√° tamb√©m os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir √© o dom√≠nio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um cora√ß√£o de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o v√£o desejo de mandar; nestes n√£o encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque liter√°rio; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, √© o som do oco tambor ret√≥rico o √ļltimo que se ouve.

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