Cita√ß√Ķes sobre Irrita√ß√£o

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Frases sobre irrita√ß√£o, poemas sobre irrita√ß√£o e outras cita√ß√Ķes sobre irrita√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Efeito da Verdadeira Maturidade

A altern√Ęncia de amor e √≥dio caracteriza, durante muito tempo, a condi√ß√£o √≠ntima de uma pessoa que quer ser livre no seu ju√≠zo acerca da vida; ela n√£o esquece e guarda rancor √†s coisas por tudo, pelo bom e pelo mau. Por fim, quando, √† for√ßa de anotar as suas experi√™ncias, todo o quadro da sua alma estiver completamente escrito, j√° n√£o desprezar√° nem odiar√° a exist√™ncia, mas t√£o-pouco a amar√°, antes permanecer√° por cima dela, ora com o olhar da alegria, ora com o da tristeza, e, tal como a Natureza, a sua disposi√ß√£o ora ser√° estival, ora outunal.
(…) Quem quiser seriamente ser livre perder√° de mais a mais, sem qualquer constrangimento, a propens√£o para os erros e v√≠cios; tamb√©m a irrita√ß√£o e o aborrecimento o acometer√£o cada vez mais raramente. √Č que a sua vontade n√£o quer nada mais instantaneamente do que conhecer e o meio para tanto, ou seja, a condi√ß√£o permanente em que ele est√° mais apto para o conhecimento.

Um Dia Bem Passado

De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que √© o contr√°rio da vida, porque desde o primeiro ao √ļltimo momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e c√°.
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo Рe tem razão.
Um dia bem passado, como foi o √ļltimo dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Ma√ß√£s, nos bon√≠ssimos restaurantes Neptuno e B√ļzio, as ostras s√£o sumptuosas. Mas n√£o as vendem √† d√ļzia e √† meia-d√ļzia, comme il faut. √Č ao peso, a granel, como eles as compram. √Č uma pr√°tica que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma p√©rola, formada pela irrita√ß√£o de um gr√£o de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. H√° ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e h√° ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.

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Quanto Mais se Ama Mais Fraco se √Č

Nas rela√ß√Ķes amorosas o √ļnico sentimento que n√£o funciona √© o da piedade. Quando √© o caso de que se devesse manifestar, o que surge n√£o √© a piedade mas o asco ou a irrita√ß√£o. Eis porque em rela√ß√£o alguma se √© t√£o cruel. Todos os sentimentos t√™m o seu contraponto. Exclu√≠da a piedade, a crueldade n√£o o tem. Por experi√™ncia se pode saber quanto se sofre quando n√£o se √© amado. Mas isso de nada vale quando se n√£o ama quem nos ama: √©-se de pedra e implac√°vel. Decerto, tudo se pode pedir e obter. Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas s√≥ no amor se √© intolerante e cruel. Porque mostar amor a quem nos n√£o ama rebaixa-nos a um n√≠vel de degrada√ß√£o. E a degrada√ß√£o s√≥ nos d√° l√°stima e repulsa. A √ļnica possibilidade de se ser amado por quem nos n√£o ama √© parecer que se n√£o ama. Ent√£o n√£o se desce e assim o outro n√£o sobe. E ent√£o, porque n√£o sobe, ele tem menos apre√ßo por si, ou seja, mais apre√ßo pelo amante. O jogo do amor √© um jogo de for√ßas. Quanto mais se ama mais fraco se √©.

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Um sorriso eterno é muito mais enfadonho do que uma perpétua irritação. O primeiro elimina toda a possibilidade, a outra sugere milhares delas.

D√ļvida e Cren√ßa

A d√ļvida √© um estado de insatisfa√ß√£o e inquietude do qual lutamos para nos desvencilhar e passar para um estado de cren√ßa, ao passo que este √© um estado calmo e satisfat√≥rio que n√£o desejamos evitar ou transformar numa cren√ßa em outra coisa. Pelo contr√°rio, n√≥s agarramo-nos tenazmente n√£o s√≥ ao acreditar, mas a acreditar precisamente naquilo em que acreditamos. Tanto a d√ļvida como a cren√ßa t√™m efeitos positivos sobre n√≥s, ainda que bem distintos. A cren√ßa n√£o nos faz agir prontamente, mas predisp√Ķe-nos a agir de uma certa maneira quando surge a ocasi√£o. A d√ļvida √© desprovida desse efeito activo, mas estimula-nos a investigar at√© que ela pr√≥pria seja aniquilada. (…) A irrita√ß√£o da d√ļvida provoca uma luta para alcan√ßar um estado de cren√ßa.

Ela, Kate Croy, esperava a vinda do pai, mas ele se fazia esperar, sem a menor consideração, e houve momentos em que a moça exibiu par si mesma, no espelho acima do console da lareira, um rosto decididamente pálido, com uma irritação que a levou a ponto de ir embora sem vê-lo.

A sua irritação não solucionará problema algum. O seu mau humor não modifica a vida. Não estrague o seu dia.

O Peso Bruto da Irritação

Se f√īssemos contabilizar as paix√Ķes desta vida, os √≥dios e os amores, os grandes sobressaltos, as como√ß√Ķes, os transtornos, os arrebatamentos e os arroubos, os momentos de terror e de esperan√ßa, os ataques de ansiedade e de ternura, a viol√™ncia dos desejos, os acessos de saudade e as eleva√ß√Ķes religiosas e se as som√°ssemos todas numa s√≥ sensa√ß√£o, n√£o seria nada comparada com o peso bruto da irrita√ß√£o. Passamos mais tempo e gastamos mais cora√ß√£o a sermos irritados do que em qualquer outro estado de esp√≠rito.
Apaixonamo-nos uma vez na vida, odiamos duas, sofremos tr√™s, mas somos irritados pelo menos vinte vezes por dia. Mais que o div√≥rcio, mais que o despedimento, mais que ser tra√≠do por um amigo, a irrita√ß√£o √© a principal causa de ¬ęstress¬Ľ ‚ÄĒ e logo de mortalidade ‚ÄĒ da nossa exist√™ncia.
√Č a torneira que pinga e o colega que funga, a crian√ßa que bate com o garfinho no rebordo do prato, a empregada que se esquece sempre de comprar maionnaise, a namorada que n√£o enche o tabuleiro de gelo, o namorado que se esquece de tapar a pasta dentr√≠fica, a nossa pr√≥pria incompet√™ncia ao tentar programar o v√≠deo, o homem que mete um conto de gasolina e pede para verificar a press√£o dos pneus,

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A Dor como Padr√£o para a Intensidade dos Sentidos

Normalmente, a aus√™ncia de dor √© apenas a condi√ß√£o f√≠sica necess√°ria para que o indiv√≠duo sinta o mundo; somente quando o corpo n√£o est√° irritado, e devido √† irrita√ß√£o voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes √© oferecido. A aus√™ncia de dor geralmente s√≥ √© ¬ęsentida¬Ľ no breve intervalo entre a dor e a n√£o-dor; mas a sensa√ß√£o que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista √© a liberta√ß√£o da dor, e n√£o a sua aus√™ncia. A intensidade de tal sensa√ß√£o √© indubit√°vel; na verdade, s√≥ a sensa√ß√£o da pr√≥pria dor pode igual√°-la.

Não se Consegue ser Exterior à Nossa Própria Indiferença

A dificuldade da exist√™ncia estava precisamente neste problema concreto: por diversas vezes Walser se vira, ao longe, alegre, e tamb√©m de longe observara a sua pr√≥pria tristeza ou irrita√ß√£o. Nada de mais. Mas o que nunca conseguira era ser exterior √† indiferen√ßa; ser exterior a si nos momentos, in√ļmeros, em que se encontrava neutro face √†s coisas, inerte e em estado de espera perante a possibilidade de um acto ou do seu contr√°rio. Quanto mais intensidade existia no corpo, mais f√°cil era afastar-se, ser testemunha de si pr√≥prio. As dificuldades de observa√ß√£o privilegiada, de uma exist√™ncia que lhe pertencia, surgiam assim, de um modo extremo, quando a intensidade dos sentimentos era quase nula. Se ele j√° l√° n√£o estava ‚Äď na exist√™ncia ‚Äď como se poderia ainda afastar mais?

Mas o que era concretamente este l√°, este outro s√≠tio que por vezes parecia ser o seu centro outras vezes o seu oposto? Sobre a localiza√ß√£o geral desse l√°, Walser n√£o tinha d√ļvidas: era o c√©rebro. Era ali que tudo se passava ou que tudo o que se passava era observado. Ali fazia, e ali via-se a fazer. Como qualquer louco normal, pensou Walser, e sorriu da f√≥rmula.

Gonçalo M.

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O bom humor é essencial, o que nos salva. No minuto em que surge, toda nossa irritação e ressentimento somem, cedendo lugar a um espírito radiante.

O Retiro da Alma

H√° quem procure lugares de retiro no campo, na praia, na montanha; e acontece-te tamb√©m desejar estas coisas em grau subido. Mas tudo isto revela uma grande simplicidade de esp√≠rito, porque podemos, sempre que assim o quisermos, encontrar retiro em n√≥s mesmos. Em parte alguma se encontra lugar mais tranquilo, mais isento de arru√≠dos, que na alma, sobretudo quando se tem dentro dela aqueles bens sobre que basta inclinar-se para que logo se recobre toda a liberdade de esp√≠rito, e por liberdade de esp√≠rito, outra coisa n√£o quero dizer que o estado de uma alma bem ordenada. Assegura-te constantemente um tal retiro e renova-te nele. Nele encontrar√°s essas m√°ximas concisas e essenciais; uma vez encontradas dissolver√£o o t√©dio e logo te h√£o-de restituir curado de irrita√ß√Ķes ao ambiente a que regressas.

Ser ciumento √© o c√ļmulo do ego√≠smo, √© o amor-pr√≥prio defeituoso, e a irrita√ß√£o de uma falsa vaidade.

Crescimento Cultural

Como indivíduos, verificamos que o nosso desenvolvimento depende das pessoas que conhecemos no curso da nossa vida (essas pessoas incluem os autores cujas obras lemos e as personagens, tanto da ficção como da história). O benefício desses encontros é devido tanto às diferenças como às semelhanças, tanto ao conflito como à simpatia entre pessoas. Feliz é o homem que, no momento oportuno, encontra o amigo adequado; feliz também o homem que, no momento adequado, encontra o inimigo adequado.
Não aprovo o extermínio do inimigo; a política de exterminar ou, como se diz barbaramente, liquidar o inimigo constitui um dos mais alarmantes desenvolvimentos da guerra moderna e, também, da paz moderna, do ponto de vista de quem deseja a sobrevivência da cultura. Precisamos do inimigo. Assim, dentro de certos limites, o atrito, não só entre indivíduos mas também entre grupos, parece-me necessário à civilização.
A universidade da irrita√ß√£o √© a melhor garantia de paz. Um pa√≠s dentro do qual as divis√Ķes tenham ido demasiado longe √© um perigo para si pr√≥prio; um pa√≠s demasiado unido – seja por natureza ou por inten√ß√£o, por fins honestos ou por fraude e opress√£o – √© uma amea√ßa para os outros.