Cita√ß√Ķes sobre Jornalistas

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A Futilidade da Imprensa

S√≥ quando se passa alguns meses sem ler os jornais e depois se l√™em todos em conjunto √© que nos damos conta do tempo que perdemos com essa papelada. O mundo andou sempre dividido em partidos – hoje mais que nunca – e o jornalista, sempre que se prolonga uma situa√ß√£o indefinida, trata de seduzir este ou aquele partido, alimenta dia ap√≥s dia a sua inclina√ß√£o ou a sua repulsa por cada uma das fac√ß√Ķes, at√© que chega finalmente o momento em que os factos se decidem. E o acontecimento passa ent√£o a ser admirado como se fosse coisa divina.

O jornalista atribui a si mesmo uma missão, e essa missão tem notáveis semelhanças com uma operação de guerra: trata-se de conquistar audiências, bombardear com notícias num tempo precioso e milimetricamente calculado. O jornalista está em cima do acontecimento como se o evento fosse um alvo preciso. O acontecimento é a presa dessa aranha que é o repórter, nessa teia noticiosa que dá a volta ao planeta.

Fazer os Sonhos Levantarem Voo

Alguns sonhos são belos, outros poéticos; uns realizáveis, outros difíceis de serem concretizados; uns envolvem uma pessoa, outros, a sociedade; uns possuem rotas claras, outros, curvas imprevisíveis; uns são rapidamente produzidos, outros precisam de anos de maturação.

H√° muitos tipos de sonhos. Sonho de se apaixonar por algu√©m, de gerar filhos ou conquistar amigos. Sonho de tirar um curso, ter uma empresa, ter sucesso financeiro para si e para ajudar os outros. Sonho de ter sa√ļde f√≠sica e ps√≠quica, de ter paz interior e de viver intensamente cada momento da vida.
Sonho de ser um cientista, um m√©dico, um educador, um empres√°rio, um empreendedor, um profissional que fa√ßa a diferen√ßa. Sonho de viajar pelo mundo, de pintar quadros, escrever um livro, ser √ļtil ao pr√≥ximo. Sonho de aprender a tocar um instrumento, praticar desportos, bater recordes.

Muitos enterram os seus sonhos nos escombros dos seus problemas. Alguns soldados nunca mais foram motivados para a vida depois de verem os seus colegas morrerem em combate.
Alguns oradores nunca mais recuperaram a sua seguran√ßa depois de terem um ataque de p√Ęnico em p√ļblico. Alguns desportistas n√£o conseguiram repetir a sua performance depois de fazerem uma cirurgia correctiva ou serem apanhados no controlo antidoping.

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Os jornalistas são profissionais interessantes: são como bactérias que criticam o sistema, mas dependem dele para sobreviver

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Os jornalistas são os trabalhadores manuais, os operários da palavra. O jornalismo só pode ser literatura quando é apaixonado.

Dou-me muito bem com os jornalistas! Nem sequer é verdade que não gosto deles! O que não tenho é paciência para repetir coisas óbvias, fazer propaganda, falar de mim.

Eu leio nos jornais que a sucess√£o vai ser decidida em 1978. A√≠, consulto minha folhinha e vejo que n√£o estamos em 1978, mas em novembro de 1977. A√≠ leio de novo o que voc√™s est√£o escrevendo (jornalistas), e percebo que se baseiam em ‚Äėconversas de jantares √≠ntimos‚Äô. Como eu n√£o ou√ßo conversas √≠ntimas, nem pesquiso atividades n√£o oficiais, n√£o posso nem confirmar, nem desmentir o que leio.

As Melhores Ac√ß√Ķes Perdem Efeito Pela Forma Como S√£o Executadas

As melhores ac√ß√Ķes se alteram e enfraquecem pela maneira por que s√£o praticadas, e deixam at√© duvidar das inten√ß√Ķes. Aquele que protege ou louva a virtude pela virtude, que corrige e reprova o v√≠cio por causa do v√≠cio, simplesmente, naturalmente, sem nenhum rodeio, sem nenhuma singularidade, sem ostenta√ß√£o, sem afecta√ß√£o: n√£o usa respostas graves e sentenciosas, ainda menos os detalhes picantes e sat√≠ricos; n√£o √© nunca uma cena que ele representa para o p√ļblico, √© um bom exemplo que d√° e um dever que cumpre; n√£o fornece nada √†s visitas das mulheres, nem ao pavilh√£o, nem aos jornalistas; n√£o d√° a um homem espirituoso mat√©ria para boa anedota. O bem que acaba de fazer √© um pouco menos sabido e conhecido pelos outros, na verdade; mas fez esse bem; que √© que ele queria mais ?

Os jornalistas dizem que uma coisa que eles sabem não ser verdadeira, na esperança de que se mantenha por muito tempo em dizer que era verdadeiro.

O Homem Cruel

Quando o rico ti¬≠ra um pertence ao pobre (por exemplo, um pr√≠ncipe que tira a amante ao plebeu), ent√£o gera-se um erro no pobre; este acha que aquele tem de ser absoluta¬≠mente infame, para lhe tirar o pouco que ele tem. Mas aquele n√£o sente de modo algum t√£o profunda¬≠mente o valor de um √ļnico pertence, porque est√° ha¬≠bituado a ter muitos: portanto, n√£o se pode trans¬≠por para o esp√≠rito do pobre e n√£o comete tal uma injusti√ßa t√£o grande como este julga. Ambos t√™m um do outro uma concep√ß√£o errada. A injusti√ßa do poderoso, a que mais indigna na Hist√≥ria, n√£o √© as¬≠sim t√£o grande como parece. O mero sentimento heredit√°rio de ser um ser superior, com direitos su¬≠periores, torna uma pessoa bastante fria e deixa-lhe a consci√™ncia tranquila: at√© todos n√≥s, se a dist√Ęncia entre n√≥s e um outro ente for muito grande, j√° n√£o sentimos absolutamente nada de injusto e matamos um mosquito, por exemplo, sem qualquer remorso.
Assim, não é sinal de maldade em Xerxes (a quem mesmo todos os Gregos descrevem como eminente­mente nobre) quando ele tira a um pai o seu filho e o manda esquartejar, porque este havia manifestado uma inquieta e ominosa desconfiança em relação a toda a expedição militar: neste caso,

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O Provincianismo Português (I)

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civiliza√ß√£o sem tomar parte no desenvolvimento superior dela ‚ÄĒ em segui-la pois mimeticamente, com uma subordina√ß√£o inconsciente e feliz. O s√≠ndroma provinciano compreende, pelo menos, tr√™s sintomas flagrantes: o entusiasmo e admira√ß√£o pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admira√ß√£o pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se h√° caracter√≠stico que imediatamente distinga o provinciano, √© a admira√ß√£o pelos grandes meios. Um parisiense n√£o admira Paris; gosta de Paris. Como h√°-de admirar aquilo que √© parte dele? Ningu√©m se admira a si mesmo, salvo um paran√≥ico com o del√≠rio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do “Orpheu”, disse a M√°rio de S√°-Carneiro: “V. √© europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. √© v√≠tima da educa√ß√£o portuguesa. V. admira Paris,

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Jornais e Jornalistas

Os jornais são o ponteiro dos segundos no relógio da história. Na maioria das vezes, porém, além de ser fabricado com metais menos nobres do que o dos outros dois ponteiros, raramente funciona de modo correcto.
Uma grande quantidade de maus escritores vive unicamente da estultice do p√ļblico, que s√≥ quer ler o que foi impresso no mesmo dia: os jornalistas. A sua designa√ß√£o vem mesmo a calhar, no entanto deveriam chamar-se ‘diaristas’. O exagero de toda a esp√©cie √© para eles t√£o essencial quanto para a arte dram√°tica: com efeito, trata-se de extrair o m√°ximo poss√≠vel de todo o incidente. Devido √† profiss√£o, todos os jornalistas s√£o tamb√©m alarmistas: este √© o seu modo de se tornarem interessantes. No entanto, mediante tal expediente acabam por se igualar aos c√£ezinhos que, t√£o logo percebem algum movimento, p√Ķem-se a latir fortemente. Sendo assim, √© preciso dar aos seus sinais de alerta apenas a aten√ß√£o necess√°ria para n√£o prejudicar a pr√≥pria digest√£o.

Jornalista é peixinho de aquário: colorido e faz gracinhas. O escritor é o peixe de mar profundo. O sol não entra, mas ele tem o oceano todo

Leitura Influenciada

No meio de tantas obras impressas, n√£o √© poss√≠vel que os trabalhos mais profundos e originais chamem a aten√ß√£o de um vasto p√ļblico ou mesmo de um apreci√°vel n√ļmero de leitores qualificados para os apreciar. As ideias que lisonjeiem uma tend√™ncia corrente ou uma atitude emotiva ter√£o sempre mais popularidade e assim algumas outras ser√£o deturpadas para se adaptarem √†quilo que j√° √© aceite. O res√≠duo que fica no esp√≠rito p√ļblico dificilmente ser√° uma destila√ß√£o do melhor e mais s√°bio – √© mais prov√°vel que represente os preconceitos comuns da maioria dos cr√≠ticos e jornalistas.

Parecia que todos os jornalistas brasileiros haviam escolhido aquele mesmo v√īo para o Jap√£o‚Ķ O barulho a bordo come√ßou logo na decolagem. Os japoneses, muito discretos, estranhavam aquele bando barulhento que parecia uma equipe de futebol ou de artistas. O u√≠sque ajudou a aumentar a bagun√ßa. Eu nunca havia viajado com um grupo de jornalistas. A partir daquela noite passei a evitar e repetir tal vexame.

O meu comportamento √© absurdo: n√£o sei defender-me, entrego-me a cada entrevista como se tivesse a vida em jogo. √Äs vezes parece-me surpreender na cara dos jornalistas uma express√£o de assombro. Imagino que estar√£o a pensar: ¬ęPor que tomar√° ele isto t√£o a peito?¬Ľ.