Cita√ß√Ķes sobre Lendas

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Frases sobre lendas, poemas sobre lendas e outras cita√ß√Ķes sobre lendas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ultima Serenada do Diabo

No tempo em que elle, nas lendas,
Era amante e cortez√£o,
Jogava, e tinha contendas,
Cantava assim em Mil√£o:

……………………………………
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……………………………………

√ď flores meigas, √≥ Bellas!
Para prender os toucados,
Eu dar-vos-hia as estrellas:
– Os alfinetes dourados!

S√≥ pelo amor quebro lan√ßas! –
A Rainha de Navarra
Enleou um dia as tranças
No bra√ßo d’esta guitarra!

Sou um heroe perseguido!…
Mas inda ha luz nos meus rastros;
A lança que me ha ferido
Foi feita do ouro dos astros!

Mas um dia, ó bem amadas!
Eu tornaria √°s alturas…
Subindo pelas escadas
Das vossas tranças escuras!

O amor que em meu peito cabe
Não conta diques, ó bellas!
Só minha guitarra o sabe,
E aquellas velhas estrellas!

√ď batalhas amorosas!
– Era d’aventuras cheia!
√ď brancas noutes saudosas
Que eu andei pela Judea!

√ď flores apetecidas!
Livros escriptos com beijos!
√ď brancas aves fugidas
Dos jardins dos meus desejos!

N√£o me deixeis no abandono
√ď tristes olhos leaes!

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Coragem Ilusória

H√° cinco esp√©cies de coragem, assim denominadas segundo a semelhan√ßa: suportam as mesmas coisas, mas n√£o pelos mesmos motivos. Uma √© a coragem pol√≠tica: prov√©m da vergonha; a segunda √© pr√≥pria dos soldados: nasce da experi√™ncia e do facto de conhecer, n√£o – como dizia S√≥crates – os perigos, mas os recursos contra eles; a terceira brota da falta de experi√™ncia e da ignor√Ęncia, e por ela s√£o induzidas as crian√ßas e os loucos, estes quando enfrentam a f√ļria dos elementos, aquelas quando pegam em serpentes. Outra esp√©cie √© a de quem tem esperan√ßa: gra√ßas a ela, arrostam os perigos aqueles que, muitas vezes, tiveram sorte (…) e os √©brios; o vinho, de facto, excita a confian√ßa.
Outra ainda dimana da paix√£o irracional, por exemplo, do amor e da ira.
Se algu√©m est√° enamorado, √© mais temer√°rio que cobarde e enfrenta muitos perigos, como aquele que no Metaponto matou o tirano, ou o cretense de que fala a lenda; o mesmo se passa com a c√≥lera e com a ira. Pois a ira √© capaz de nos p√īr fora de n√≥s. Por isso, se afiguram tamb√©m corajosos os javalis, embora n√£o sejam; quando fora de si, t√™m uma qualidade semelhante,

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A palavra deus é para mim nada mais do que a expressão e produto da fraqueza humana, a bíblia uma coleção de honoráveis, mas ainda assim lendas primitivas que não são nada mais do que extremamente infantis. Nenhuma interpretação não importa o quão astuta pode (para mim) mudar isto.

Prince Charmant

A Raul Proença

No l√Ęnguido esmaecer das amorosas
Tardes que morrem voluptuosamente
Procurei-O no meio de toda a gente.
Procurei-O em horas silenciosas!

√ď noites da minh’alma tenebrosas!
Boca sangrando beijos, flor que sente…
Olhos postos num sonho, humildemente…
M√£os cheias de violetas e de rosas…

E nunca O encontrei!…Prince Charmant…
Como audaz cavaleiro em velhas lendas
Virá, talvez, nas névoas da manhã!

Em toda a nossa vida anda a quimera
Tecendo em fr√°geis dedos fr√°geis rendas…
— Nunca se encontra Aquele que se espera!…

Soneto 573 Barbarizado

Já se disse: sete é conta de mentira e lenda.
Também dizem que de azar o treze é cifra certa.
Isso explica a redondilha como porta aberta
no cantar dos repentistas, na feroz contenda,

à bazófia descarada, onde é melhor a emenda
que o soneto decassílabo, no qual se enxerta
entre termos eruditos a fal√°cia esperta,
lei de todo bom poeta que seu peixe venda.

Outrossim, também se explica por que nunca é visto
um soneto alexandrino, mas de pé quebrado:
este, a cuja tentação do treze não resisto.

Vou cham√°-lo “aleijadinho”, pois, em vez de errado,
tem car√°ter de obra-prima, pelo menos nisto:
completar catorze versos sem ficar quadrado!

Mysticismo Humano

A alma é como a noute escura, immensa e azul,
Tem o vago, o sinistro, e os canticos do sul,
Como os cantos d’amor serenos das ceifeiras
Que cantam ao luar, √° noute pelas eiras…
√Ās vezes vem a nevoa √° alma satisfeita,
E cae sombria, vaga, e meuda e desfeita…
E como a folha morta em lagos somnolentos
As nossas illus√Ķes v√£o-se nos desalentos!

Tem um poder immenso as Cousas na tristeza!
Homem! conheces tu o que √© a natureza?…
– √Č tudo o que nos cerca – √© o azul, o escuro,
√Č o cypreste esguio, a planta, o cedro duro,
A folha, o tronco a flor, os ramos friorentos,
√Č a floresta espessa esguedelhada aos ventos;
N√£o entra o vicio aqui com beijos dissolutos,
Nem as lendas do mal, nem os choros dos lutos!…

– E os que viram passar serenos os seus dias…
E curvados se v√£o, √°s longas ventanias,
Cheio o peito de sol, atravez das florestas,
√Ā calma do meio dia… e dormiam as sestas,
Tranquillos sobre a eira, entre as hervas nas leivas…

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O Sal√£o Liter√°rio

N√£o tenho qualquer sal√£o liter√°rio. Essa √© uma das lendas que inventaram a meu respeito, n√£o sei porqu√™. As pessoas, aqui em Portugal, est√£o sedentas de acontecimentos. E, muito simplesmente, resolveram transformar num acontecimento uma coisa para a qual n√£o tenho a m√≠nima voca√ß√£o. N√£o tenho qualquer sal√£o liter√°rio, como n√£o teria paci√™ncia para o manter, como me parece que essa √© uma ideia cedi√ßa, bolorenta e rid√≠cula. N√£o conhe√ßo sal√Ķes liter√°rios na √©poca actual. A √ļnica coisa que me acontece – e acho que me pertence esse direito – √© receber alguns amigos que, frequentemente, v√™m a minha casa. Ora isto √© vulgar em todas as casas de Lisboa onde h√° interesses intelectuais, onde se discutem problemas de ordem liter√°ria ou n√£o.

Projecto de Bodas

Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescência de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.

Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de n√£o chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.

Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue à varanda do noivado.

Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois à nossa boda.

Hoje apetece um interior de esponja
E como est√°tua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.

Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.

Hoje apetece que a cor dum automóvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possível capital do vento.

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A Plenitude de Realização Humana está Fora da Sabedoria

O homem mais perfeitamente educado por um mestre foi Stuart Mill. Aos vinte anos de idade ele tinha aprendido com James Mill, seu pai, tudo quanto a ci√™ncia pode ensinar a um s√°bio e a um fil√≥sofo. E todavia Stuart Mill conta-nos na sua autobiografia que, ao perguntar um dia a si mesmo se seria feliz, uma vez realizadas nas institui√ß√Ķes e nas ideias todas as reformas que ele projectava criar, a sua consci√™ncia lhe respondera: n√£o. ¬ęSenti-me ent√£o desfalecer, – diz ele; todas as funda√ß√Ķes sobre que se tinha arquitectado a minha vida se desmoronaram de repente.¬Ľ Mais tarde ele sentiu a dor, sentiu depois o amor, o amor apaixonado, absorvente, enorme, dominando todo o seu ser, submetendo a for√ßa dissolvente da an√°lise; e foi s√≥ ent√£o que ele se sentiu homem, revivendo para a natureza, forte da grande for√ßa que a natureza lhe comunicava, equilibrado para sempre no seu destino, cingido ao cora√ß√£o palpitante de uma mulher que ele amou – ele o s√°bio, o fil√≥sofo, o reformador frio e implac√°vel – com o amor illimitado, entusi√°stico, cavalheiresco, que as velhas lendas l√≠ricas atribuem aos grandes amantes c√©lebres.

A compaixão é que nos torna verdadeiramente humanos e impede que nos transformemos em pedra, como os monstros de impiedade das lendas.

Conta a Lenda que Dormia

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, j√° libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino ‚ÄĒ
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a m√£o, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

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Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de m√£os dadas com a √°gua
e um anjo de pedra por irm√£o.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um p√°ssaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis.

As lendas h√£o de sempre viver, como raios de luz na treva amontoada do passado, mas a beleza delas n√£o est√° em sua verdade, que √© sempre pequena; est√° no esfor√ßo que a humanidade faz para assim reter alguns epis√≥dios de uma vida t√£o extensa que para abrang√™-la n√£o h√° mem√≥ria poss√≠vel…

A √Ārvore, a Estrela e a Pequena M√£o

A pequena m√£o desenha a √°rvore
onde uma estrela se aninha para dormir.
Que dia ser√° o de amanh√£
no meio dos escombros onde o eco da s√ļplica
enlouquece os c√£es famintos?
Quadro tr√°gico para uma noite assim.
A pequena m√£o pega na borracha
e tenta apagar toda a dor do mundo
e acender com um novo traço
a claridade que resgata a alma.
A estrela acorda numa copa alta
e segue o caminho do que sabe
até encontrar a pequena mão
que tudo reinventa à medida do que somos.
Quando o encontro acontece
já não é noite nem dia, tempo infinito,
mas apenas um lugar onde o choro das crianças
de s√ļbito se transforma em c√Ęntico.

A pequena m√£o desenha tudo
o que falta desenhar para o sonho fazer sentido.
√Č uma m√£o fr√°gil mas firme, apenas s√°bia,
e quando abre o livro azul das manh√£s
é sempre para escrever as palavras
que o estrondo abafou nas cidades feridas.
A pequena m√£o desenha uma √°rvore,
uma estrela e uma m√£e aflita.
Depois desenha uma linha de horizonte,

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Guerra

S√£o meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Via-os chegar, às tardes, comovidos,
nupciais e trementes
do enlace da Vida com os sentidos.

Estiveram no meu colo, sonolentos.
Contei-lhes muitas lendas e poemas.
Às vezes, perguntavam por algemas.
Respondia-lhes: mar, astros e ventos.

Alguns, os mais ousados, os mais loucos,
desejavam a luta, o caos, a guerra.
Outros sonhavam e acordavam roucos
de gritar contra os muros que h√° na Terra.

S√£o meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Nove meses de esperança, lua a lua.

Grandes barcos os levam, lentamente…

Os que Morrem por Amor

Os que morrem por amor continuam a pertencer √† lenda. Os seus funerais arrastam uma multid√£o piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, h√° seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante f√°ceis, a pr√°tica er√≥tica da juventude era muito mais modesta. Reflectindo melhor, √© de crer que a pr√≥pria licen√ßa produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afectiva; o que, se n√£o √© virtude, algo se parece. Este orgulho da pr√≥pria intimidade conduz a uma atitude hostil em rela√ß√£o a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. H√° um soci√≥logo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocr√°tico no amor moderno. √Č poss√≠vel. E quando aparecem os contestat√°rios dessa esp√©cie de burocracia, como s√£o os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afectos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Atrav√©s de inqu√©ritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transforma√ß√Ķes que se efectuam no √Ęmbito das rela√ß√Ķes afectivas, deparam-se declara√ß√Ķes bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experi√™ncia e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do s√©culo.

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