Cita√ß√Ķes sobre Melancolia

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Frases sobre melancolia, poemas sobre melancolia e outras cita√ß√Ķes sobre melancolia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os melhores momentos do amor são aqueles de uma serena e doce melancolia, em que choras sem saber porquê, e quase aceitas tranquilamente uma desventura que não conheces.

Solid√£o

Cai chuva, chora.
Chora, chora.
Solid√£o, solid√£o!

J√° n√£o canta o p√°ssaro.
Calou-se a voz, a alegre, a rara.
A que se ouvia solit√°ria.
Cai chuva.

N√£o sou freira e estou num convento.
A paz, o sil√™ncio, a chuva, os claustros…
Ser freira!

O sequestro, cantar, rezar.
Cai chuva, rude e sem dor.
Tu n√£o choras.
Sou eu que choro.

Que é do pássaro, como cantava?
Voltou, voltou. Pia!
Bendito p√°ssaro, onde est√°s?
Acompanha-me, j√° n√£o chove.
Solid√£o, melancolia.

A melancolia comp√Ķe-se de oscila√ß√Ķes morais, das quais a primeira atinge a desespera√ß√£o e a √ļltima o prazer; na mocidade √© o crep√ļsculo matutino, na velhice o da tarde.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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Ruínas

Cobrem plantas sem flor crestados muros;
Range a porta anci√£; o ch√£o de pedra
Gemer parece aos pés do inquieto vate.
Ruína é tudo: a casa, a escada, o horto,
S√≠tios caros da inf√Ęncia.
Austera moça
Junto ao velho port√£o o vate aguarda;
Pendem-lhe as tranças soltas
Por sobre as roxas vestes.
Risos n√£o tem, e em seu magoado gesto
Transluz n√£o sei que dor oculta aos olhos;
‚ÄĒ Dor que √† face n√£o vem, ‚ÄĒ medrosa e casta,
√ćntima e funda; ‚ÄĒ e dos cerrados c√≠lios
Se uma discreta muda
L√°grima cai, n√£o murcha a flor do rosto;
Melancolia t√°cita e serena,
Que os ecos n√£o acorda em seus queixumes,
Respira aquele rosto. A m√£o lhe estende
O abatido poeta. Ei-los percorrem
Com tardo passo os relembrados sítios,
Ermos depois que a m√£o da fria morte
Tantas almas colhera. Desmaiavam,
Nos serros do poente,
As rosas do crep√ļsculo.
“Quem és? pergunta o vate; o sol que foge
No teu l√Ęnguido olhar um raio deixa;
‚ÄĒ Raio quebrado e frio; ‚ÄĒ o vento agita
Tímido e frouxo as tuas longas tranças.

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Venda da Alma e Venda do Corpo

N√£o s√≥ as mulheres que casam sem amor, mas apenas por conveni√™ncia; n√£o s√≥ as esposas que continuam a comer o p√£o daquele que j√° n√£o amam e enganam; n√£o s√≥ as mulheres se prostituem. √Č prostituto o escritor que coloca a pena ao servi√ßo das ideias em que n√£o cr√™; o advogado que defende causas que reconhece injustas; quem finge a ades√£o aos mitos e interesses dos poderosos para obter recompensas materiais e morais; o actor e o bobo que se exp√Ķem diante dos idiotas pagantes para arrecadar aplausos e dinheiro; o poeta que abre aos estranhos os segredos da sua alma, amores e melancolias, para obter em compensa√ß√£o um pouco de fama, de dinheiro ou de compaix√£o; e, acima de tudo, √© prostituto o pol√≠tico, o demagogo, o tribuno que todos devem acariciar, seduzir, a todos promete favores e felicidade e a todos se entrega por amor √† popularidade – justamente chamado homem p√ļblico, quase irm√£o de toda a mulher p√ļblica.
Mas quem de entre n√≥s, pelo menos um dia da sua vida, n√£o simulou um sentimento que n√£o tinha e um entusiasmo que n√£o sentia e repetiu uma opini√£o falsa para obter compensa√ß√Ķes, cumplicidades, sorrisos ou benef√≠cios?

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Inf√Ęncia

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.

O Grande Sonho

Sonho profundo, ó Sonho doloroso,
Doloroso e profundo Sentimento!
Vai, vai nas harpas trêmula do vento
Chorar o teu mistério tenebroso.

Sobe dos astros ao clar√£o radioso,
Aos leves fluidos do luar nevoento,
Às urnas de cristal do firmamento,
√ď velho Sonho amargo e majestoso!

Sobe √†s estrelas r√ļtilas e frias,
Brancas e virginais eucaristias
De onde uma luz de eterna paz escorre.

Nessa Amplid√£o das Amplid√Ķes austeras
Chora o Sonho profundo das Esferas
Que nas azuis Melancolias morre…

Narciso

Dentro de mim me quis eu ver. Tremia,
Dobrado em dois sobre o meu pr√≥prio po√ßo…
Ah, que terrível face e que arcabouço
Este meu corpo l√Ęnguido escondia!

√ď boca tumular, cerrada e fria,
Cujo silêncio esfíngico bem ouço!
√ď lindos olhos s√īfregos, de mo√ßo,
Numa fronte a suar melancolia!

Assim me desejei nestas imagens.
Meus poemas requintados e selvagens,
O meu Desejo os sulca de vermelho:

Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que me goze e tenha,
…L√° no fundo do po√ßo em que me espelho!

Floripes

Fazes lembrar as mouras dos castelos,
As errantes vis√Ķes abandonadas
Que pelo alto das torres encantadas
Suspiravam de trêmulos anelos.

Traços ligeiros, tímidos, singelos
Acordam-te nas formas delicadas
Saudades mortas de regi√Ķes sagradas,
Carinhos, beijos, l√°grimas, desvelos.

Um requinte de graça e fantasia
D√°-te segredos de melancolia,
Da Lua todo o l√Ęnguido abandono…

Desejos vagos, olvidadas queixas
V√£o morrer no calor dessas madeixas,
Nas virgens florescências do teu sono.

Todo o Presente Espera pelo Passado para nos Comover

H√° v√°ria gente que n√£o gosta de evocar o passado. Uns por energia, disciplina pr√°tica e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado √© reaccion√°rio. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele √© preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro. Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado √© a ternura e a legenda, o absoluto e a m√ļsica, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evoca√ß√£o. Todo o presente espera pelo passado para nos comover. H√° a filtragem do tempo para purificar esse presente at√© √† fluidez imposs√≠vel, √† sublima√ß√£o do encantamento, √† incorrupt√≠vel verdade que nele se oculta e √© a sua √ļnica raz√£o de ser. O presente √© cheio de urg√™ncias mas ele que espere. Ha tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz. Sobretudo quando ao futuro j√° se lhe toca com a m√£o. H√° tanto que ter vida ainda, quando j√° se a n√£o tem…

A Imprecisa Melancolia

Nada o distrairia
nessa procura, disse.
Este o recado
da contingência:

era ver√£o e fazia
muito calor.
Saía cedo, cortando
a passos lentos
a sombra das 9:30.
Caminhar até à vertiginosa
queda dos poentes.
Assinalar uma cinza,

a imprecisa melancolia

√Č por ter Esp√≠rito que me Aborre√ßo

√Č preciso esconjurar, da forma que nos for poss√≠vel, este diabo de vida que n√£o sei porque √© que nos foi dada e que se torna t√£o facilmente amarga se n√£o opusermos ao t√©dio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. √Č preciso, numa palavra, agitar este corpo e este esp√≠rito que se delapidam um ao outro na estagna√ß√£o e numa indol√™ncia que se confunde com um torpor. √Č preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho – e reciprocamente: s√≥ assim estes parecer√£o, ao mesmo tempo, agrad√°veis e salutares. Um desgra√ßado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadi√°veis, deve ser, sem d√ļvida, extremamente infeliz, mas um indiv√≠duo que n√£o fa√ßa mais do que divertir-se n√£o encontrar√° nas suas distrac√ß√Ķes nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o t√©dio e que este o prende pelos cabelos – como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detr√°s de cada distrac√ß√£o e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar,

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