Cita√ß√Ķes sobre Objetividade

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Frases sobre objetividade, poemas sobre objetividade e outras cita√ß√Ķes sobre objetividade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Conhecimento sem Paixão seria Castrar a Inteligência

Como investigadores do conhecimento, n√£o sejamos ingratos com os que mudaram por completo os pontos de vista do esp√≠rito humano; na apar√™ncia foi uma revolu√ß√£o in√ļtil, sacr√≠lega; mas j√° de si o querer ver de modo diverso dos outros, n√£o √© pouca disciplina e prepara√ß√£o do entendimento para a sua futura ¬ęobjectividade¬Ľ, entendendo por esta palavra n√£o a ¬ęcontempla√ß√£o desinteressada¬Ľ, que √© um absurdo, sen√£o a faculdade de dominar o pr√≥ e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpreta√ß√£o dos fen√≥menos e das paix√Ķes. Acautelemo-nos pois, oh senhores fil√≥sofos!
Desta confabula√ß√£o das ideias antigas acerca de um ¬ęassunto do conheciemnto puro, sem vontade, sem dor, sem tempo¬Ľ, defendamo-nos das mo√ß√Ķes contradit√≥rias ¬ęraz√£o pura¬Ľ, ¬ęespiritualidade absoluta¬Ľ, ¬ęconhecimento subsistente¬Ľ que seria um ver subsistente em si pr√≥prio e sem √≥rg√£o visual, ou um olho sem direc√ß√£o, sem faculdades activas e interpretativas? Pois o mesmo sucede com o conhecimento: uma vista, e se √© dirigida pela vontade, veremos melhor, teremos mais olhos, ser√° mais completa a nossa ¬ęobjectividade¬Ľ. Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paix√Ķes – supondo que isso fosse poss√≠vel – seria castrar a intelig√™ncia.

Nenhuma √Čpoca Transmite a Outra a sua Sensibilidade

Nenhuma época transmite a outra a sua sensibilidade; transmite-lhe apenas a inteligência que teve dessa sensibilidade. Pela emoção somos nós; pela inteligência somos alheios. A inteligência dispersa-nos; por isso é através do que nos dispersa que nos sobrevivemos. Cada época entrega às seguintes apenas aquilo que não foi.

Um deus, no sentido pagão, isto é, verdadeiro, não é mais que a inteligência que um ente tem de si próprio, pois essa inteligência, que tem de si próprio, é a forma impessoal, e por isso ideal, do que é. Formando de nós um conceito intelectual, formamos um deus de nós próprios. Raros, porém, formam de si próprios um conceito intelectual, porque a inteligência é essencialmente objectiva. Mesmo entre os grandes génios são raros os que existiram para si próprios com plena objectividade.

Viver é pertencer a outrem. Morrer é pertencer a outrem. Viver e morrer são a mesma coisa. Mas viver é pertencer a outrem de fora, e morrer é pertencer a outrem de dentro. As duas coisas assemelham-se, mas a vida é o lado de fora da morte. Por isso a vida é a vida e a morte a morte, pois o lado de fora é sempre mais verdadeiro que o lado de dentro,

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Quem S√≥ Pensa em Si…

Um dos principais motivos da viol√™ncia √© a pessoa dar mais aten√ß√£o ao que se passa dentro dela, aos seus conflitos e press√Ķes, do que √†quilo que acontece fora. S√≥ pensa nela, s√≥ v√™ o seu umbigo, e n√£o mede com objectividade o que lhe √© exterior. N√£o comunica, explode; n√£o fala, desabafa e exige; n√£o ouve, imp√Ķe e ataca. Quem s√≥ pensa em si, fica cego e culpa os outros. E descarrega neles a sua raiva sem qualquer medida ou respeito.

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A Solid√£o n√£o Constitui Alimento, apenas Jejum

Se n√£o temos aptid√£o para fazer amigos, remodelemo-nos at√© consegui-la. A solid√£o s√≥ vale como rem√©dio, como jejum – n√£o constitui alimento; o car√°cter, como Goethe o viu com tanta clareza, s√≥ se forma no tumulto da vida. Se nos tornamos excessivamente introspectivos, estamos na senda da perdi√ß√£o, ainda que o nosso neg√≥cio seja a psicologia; olhar com persist√™ncia excessiva para dentro de n√≥s mesmos √© provocar o desastre do jogador de t√©nis que conscientemente mede a dist√Ęncia, os √Ęngulos e a for√ßa dos golpes, ou como o pianista que pensa nos dedos. Os amigos s√£o necess√°rios, n√£o s√≥ porque nos ouvem, como porque se riem para n√≥s; atrav√©s dos amigos conseguimos um pouco de objectividade, um pouco de mod√©stia, um pouco de cortesia; com eles tamb√©m aprendemos as regras da vida, tornando-nos melhores jogadores dos jogos que a comp√Ķem.
Se queres ser amado, sê modesto; se queres ser admirado, sê orgulhoso; se queres as duas coisas, usa externamente a modéstia e internamente o orgulho. Mas o próprio orgulho pode ser modesto, raramente se deixando ver, e nunca se deixando ouvir.
N√£o revelar muita agudeza: os epigramas tornam-se odiosos quando farpeiam fundo a carne; e adoptar como lema o De vivis nil nisi bonum.

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Aprender a Ver

Aprender a ver – habituar os olhos √† calma, √† paci√™ncia, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-n√≥s; aprender a adiar o ju√≠zo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este √© o primeiro ensino preliminar para o esp√≠rito: n√£o reagir imediatamente a um est√≠mulo, mas sim controlar os instintos que p√Ķem obst√°culos, que isolam. Aprender a ver, tal como eu o entendo, √© j√° quase o que o modo afilos√≥fico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto √©, precisamente, o poder n√£o ¬ęquerer¬Ľ, o poder diferir a decis√£o. Toda a n√£o-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resist√™ncia a um est√≠mulo ‚ÄĒ tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que √© j√° doen√ßa, decad√™ncia, sintoma de esgotamento, ‚ÄĒ quase tudo o que a rudeza afilos√≥fica designa com o nome de ¬ęv√≠cio¬Ľ √© apenas essa incapacidade fisiol√≥gica de n√£o reagir. ‚ÄĒ Uma aplica√ß√£o pr√°tica do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-√° a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer esp√©cie deixar-se-o-√° aproximar-se com uma tranquilidade hostil, ‚ÄĒ afasta-se dele a m√£o. O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno,

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Liberdade é Subjectividade

Liberdade é apenas outro termo para designar a subjectividade, e qualquer dia, esta já não se aguentará a si mesma. Chegará então o momento em que se desesperará da possibilidade de criar algo através das suas próprias forças; então procurará protecção e segurança na objectividade. A liberdade conduz sempre à reviravolta dialéctica: Muito cedo, reconhece-se na delimitação, realiza-se na subordinação à lei, à regra, à coacção, ao sistema; converte-se nisso, o que não quer dizer que deixe de ser liberdade.

Nunca se Escreve para Si Mesmo

O escritor não prevê nem conjectura: projecta. Acontece por vezes que espera por si mesmo, que espera pela inspiração, como se diz. Mas não se espera por si mesmo como se espera pelos outros; se hesita, sabe que o futuro não está feito, que é ele próprio que o vai fazer, e, se não sabe ainda o que acontecerá ao herói, isto quer simplesmente dizer que não pensou nisso, que não decidiu nada; então, o futuro é uma página branca, ao passo que o futuro do leitor são as duzentas páginas sobrecarregadas de palavras que o separam do fim.

Assim, o escritor só encontra por toda a parte o seu saber, a sua vontade, os seus projectos, em resumo, ele mesmo; atinge apenas a sua própria subjectividade; o objecto que cria está fora de alcance; não o cria para ele. Se relê o que escreveu, já é demasiado tarde; a sua frase nunca será a seus olhos exactamente uma coisa. Vai até aos limites do subjectivo, mas sem o transpor; aprecia o efeito dum traço, duma máxima, dum adjectivo bem colocado; mas é o efeito que produzirão nos outros; pode avaliá-lo, mas não senti-lo.
Proust nunca descobriu a homossexualidade de Charlus,

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A Raz√£o

A raz√£o √© a suprema uni√£o da consci√™ncia e da consci√™ncia de si, ou seja, do conhecimento de um objecto e do conhecimento de si. √Č a certeza de que as suas determina√ß√Ķes n√£o s√£o menos objectais, n√£o s√£o menos determina√ß√Ķes da ess√™ncia das coisas do que s√£o os nossos pr√≥prios pensamentos. √Č, num √ļnico e mesmo pensamento, ao mesmo tempo e ao mesmo t√≠tulo, certeza de si, isto √©, subjectividade, e ser, isto √©, objectividade.
(…) A raz√£o √© t√£o poderosa quanto ardilosa. O seu ardil consiste em geral nessa actividade mediadora que, deixando os objectos agirem uns sobre os outros conforme √† sua pr√≥pria natureza, sem se imiscuir directamente na sua ac√ß√£o rec√≠proca, consegue, contudo, atingir unicamente o objectivo a que se prop√Ķe.
(…) A Raz√£o governa o mundo e, consequentemente, governa e governou a hist√≥ria universal. Em rela√ß√£o a essa raz√£o universal e substancial, todo o resto √© subordinado e serve-lhe de instrumento e de meio. Ademais, essa Raz√£o √© imanente na realidade hist√≥rica, realiza-se nela e por ela. √Č a uni√£o do Universal existente em si e por si e do individual e do subjecitvo que constitui a √ļnica verdade.

O Teatro e a Sátira Política

O teatro pol√≠tico coloca toda uma s√©rie de problemas. H√° que evitar os serm√Ķes a todo o custo. A objectividade √© essencial, deve-se deixar as personagens respirar o seu pr√≥prio ar. O autor n√£o pode confin√°-las nem obrig√°-las a satisfazer o seu pr√≥prio gosto, inclina√ß√Ķes ou preconceitos. Tem de estar preparado para as abordar sob uma grande variedade de √Ęngulos, um leque de perspectivas diversas, apanh√°-las de surpresa, talvez, de vez em quando, mas deixando-lhes a liberdade de seguirem o seu pr√≥prio caminho. Isto nem sempre funciona. E a s√°tira pol√≠tica, √© evidente, n√£o obedece a nenhum destes preceitos; faz exactamente o inverso, e √© essa a sua fun√ß√£o principal.

√Č certo que somos muito propensos a personalizar as quest√Ķes, o que inibe que elas sejam postas com a independ√™ncia e a objectividade necess√°rias.

Tornamo-nos Mais Objectivos Depois de Reconhecermos a Nossa Subjectividade

Toda a arte da psicologia ou da ci√™ncia da psicologia, se lhe quisermos chamar assim, √© baseada numa invers√£o do processo de objectividade. N√£o que n√£o possamos tornar-nos objectivos, mas que apenas possamos tornar-nos objectivos depois de termos confrontado as nossas atitudes n√£o objectivas, as nossas atitudes n√£o racionais. Atingir uma objectividade honesta significa termos de saber quais os pontos da nossa natureza que s√£o propensos a determinado preconceito, que parte de n√≥s √© defensiva, que parte de n√≥s distorce o que ouvimos. E √© necess√°ria uma tremenda auto-honestidade para come√ßar a remover essas distor√ß√Ķes e a clarificar a nossa vis√£o. De modo que s√≥ podemos atingir a objectividade depois de termos descoberto quais as √°reas da nossa psique que n√£o s√£o objectivas.
Além disso, o reconhecimento básico da psicologia é que, lá bem no íntimo, a maior parte da nossa vida é desconhecida da mente consciente e que, quanto mais nos tornamos consciente dela, mais honestos e mais objectivos nos podemos tornar. Nós não vemos os outros com clareza, e o que obscurece a nossa visão são os preconceitos que a pessoa supostamente objectiva se recusa a reconhecer. Uma pessoa objectiva diria que não é responsável pela guerra,

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Historiador Objectivo

A resolu√ß√£o de ignorar o sentido que os pr√≥prios homens forneceram √† sua ac√ß√£o e de reservar ao encadeamento dos factos toda a efic√°cia hist√≥rica – em suma, a idolatria da objectividade – encerra, segundo uma observa√ß√£o profunda de Trotsky, o ju√≠zo mais audacioso quando se trata de uma revolu√ß√£o, j√° que ela imp√Ķe √† priori ao homem de ac√ß√£o, que acredita numa l√≥gica da hist√≥ria e numa verdade do que faz, as categorias de historiador ¬ęobjecitvo¬Ľ, que nisso n√£o acredita.

O Subjectivo é Objectivo, e o Objectivo é Subjectivo

Assaz dif√≠cil √© decidir o que seja objectivamente a verdade, mas, no trato com os homens, n√£o h√° que se deixar aterrorizar por isso. Existem crit√©rios que para o primeiro s√£o suficientes. Um dos mais seguros consiste em objectar a algu√©m que uma asser√ß√£o sua √© “demasiado subjectiva”. Se se utilizar, e com aquela indigna√ß√£o em que ressoa a furiosa harmonia de todas as pessoas sensatas, ent√£o h√° motivo para se ficar alguns instantes em paz consigo. Os conceitos do subjectivo e objectivo inverteram-se por completo. Diz-se objectiva a parte incontroversa do fen√≥meno a sua ef√≠gie inquestionavelmente aceite, a fachada composta de dados classificados, portanto, o subjectivo; e denomina-se subjectivo o que tal desmorona, acede √† experi√™ncia espec√≠fica da coisa, se livra das opini√Ķes convencionais a seu respeito e instaura a rela√ß√£o com o objecto em substitui√ß√£o da decis√£o maiorit√°ria daqueles que nem sequer chegam a intu√≠-lo, e menos ainda a pens√°-lo – logo, o objectivo.
A futilidade da objecção formal da relatividade subjectiva patenteia-se no seu próprio terreno, o dos juízos estéticos. Quem alguma vez, pela força da sua precisa reacção em face da seriedade da disciplina de uma obra artística, se submete à sua lei formal imanente,

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