Passagens sobre Ondas

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Frases sobre ondas, poemas sobre ondas e outras passagens sobre ondas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O mundo só seria perfeito se todo dia fizesse sol, todo mar fizesse onda e se toda fumaça fizesse sua cabeça, tragando a vida, soprando a morte.

A Cidade Bela

Quanto é bela Ulisseia! E quanto é grata
Dos sete montes seus ao longe a vista!
Das altas torres, pórticos soberbos
Quanto é grande, magnífico o prospecto!
Humilde e bonançoso o flavo Tejo,
Sobre areias auríferas correndo,
As praias lhe enriquece, as plantas beija.
Qu√£o denso bosque de cavalos pinhos
Sobre a esp√°dua sustenta! Do Oriente
Rubins acesos, fugidas safiras,
E da opulenta América os tesouros,
Cortando os mares líquidos, trouxeram.
Nela é mais puro o ar; e o Céu se esmalta
De mais sereno azul. O Sol brilhante,
Correndo o vasto Céu, se apraz de vê-la.
E quase se suspende, e, meigo, envia
Sobre ela o raio extremo, quando acaba
A l√ļcida carreira, a frente de ouro
No seio esconde das cer√ļleas ondas.

Daí-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avança.

Recém-Casado

√Č pelos corpos que nos perderemos
de nós mesmos, para nos ganharmos
√Č pelos beijos que nos despedimos
para nos encontrarmos pelos olhos.
√Č pela pele que escaldamos
o que em nós havia de secreto:
e é o nosso corpo entregue um corpo estranho
pois pertence só a quem amamos
por quem morosamente devassamos
o alheamento da carne ‚ÄĒ
o barqueiro, o pastor que a atravessa
num profundo arremesso vagaroso
levantando ondas, ondas, ondas e ervas
a subir e descer vagas e montes
levando-me com ele à raia clara
onde √°gua a quebrar-se eu me constele
na sua barca, conduzida à praia.

A Opini√£o Pura e Elevada

A opini√£o que se emite ou a regra que se estabelece n√£o tem que se importar com as circunst√Ęncias em que se encontram os homens nem com as possibilidades de acolhimento ou recusa que o mundo lhe oferece; o que √© hoje gr√£o seco levanta-se amanh√£ sobre as ondas do campo como a espiga mais alta e mais cheia; o culto da verdade n√£o se compadece com a adora√ß√£o dos deuses que presidem aos dias nem com a v√£ agita√ß√£o que √© de regra no formigueiro humano; cada um tomar√° o que se diz como quiser; a sua atitude, por√©m, s√≥ interessar√° enquanto fen√≥meno base para uma nova legalidade.
N√£o h√° aqui nem indiferen√ßa, nem ego√≠smo; √© mais larga a alma que a par do amor dos homens actuais sente vibrar o amor dos homens do futuro, mais forte o esp√≠rito que se orienta para o eterno; a justi√ßa sempre o ter√° a seu lado armado de todas as armas, n√£o porque sinta para ela um impulso moment√Ęneo mas porque a defende em qualquer tempo; e sempre se h√°-de recusar, sejam quais forem as raz√Ķes, a passar em claro uma injusti√ßa ou a servir-se de qualquer meio, apenas porque tal proceder se aparenta vantajoso aos seus interesses ou aos interesses dos seus amigos.

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Tudo quanto Sonhei se Foi Perdido

O que sonhei e antes de vivido
Era perfeito e l√ļcido e divino,
Tudo quanto sonhei se foi perdido
Nas ondas caprichosas do destino.

Que os fados em mim mesmo depuseram
Raz√Ķes de ser e de n√£o ser, contr√°rias,
Nas emo√ß√Ķes que, dentro em mim, cresceram
Tumultuosas, carinhosas, v√°rias.

Naqueles seres que fui dentro de um ser,
Que viveram de mais para eu viver
A minha vida luminosa e calma,

Se desdobraram gestos de menino
E rudes arremedos de assassino.
Foram almas de mais numa só alma.

Entrei pelo mar…

Entrei pelo mar mulher
açodado, a colher algas
Esqueci-me do meu mister
embalado pelas ondas.

O mar homem n√£o se esquece
embalado pelas ondas.

Génios

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E disse-me: Poeta, ao longe no horizonte
Não vês quase a lamber a abóbada do céu
Brilhante e luminoso um t√ļmido escarc√©u?
Como alvacento le√£o, na r√°pida carreira
Vem sacudindo a juba… A natureza inteira
Cisma, contempla, escuta o c√Ęntico profundo
Em trágico silêncio. O Sol já moribundo
Resvala-lhe no dorso, iria-lho de chamas,
Como dum monstro enorme as f√ļlgidas escamas…
Rugindo enovelada em turbilh√£o insano,
A vaga colossal, rasoira do oceano,

L√° vem rolando grave, e deixa ao caminhar
Um campo atr√°s dum monte, um lago atr√°s dum
[mar!
Qual l√ļcida serpente agora ei-la decresce
Em curva indefinida;‚ÄĒalonga-se… parece
Que a terra há-de estoirar em brancos estilhaços
No círculo fatal dos seus enormes braços.
Como galope infrene! Ei-la que chega!… voa
Num ímpeto feroz, num salto de leoa
Aos rudes alcantis! e em hórrida tormenta
Na rígida tranqueira o vagalhão rebenta,
Bramindo pelo ar: trepa, vacila, nuta,
E ex√Ęnime por fim, vencida nesta luta,
Sem voz, sem força, inerte, exausta, esfarrapada   .
L√° vai… aonde a leve a r√≠spida nortada.

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Para o Meu Cora√ß√£o…

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

√Čs em ti a ilus√£o de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nost√°lgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
p√°ssaros que dormiam na tua alma.

Espera…

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paix√£o antiga,
Dos nossos bons e c√Ęndidos abra√ßos!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fant√°stica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus bra√ßos…
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que n√£o lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera… espera… √≥ minha sombra amada…
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!…

O amor que sinto

O amor que sinto
é um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necess√°ria
de um Sol que n√£o vejo,
onde cabe o p√°ria,
a Revolução
e a Reforma Agr√°ria
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
p√°tria mal-amada,
chame-se “amar nada”
chame-se “amar tudo”.

E porque n√£o minto
sou um labirinto.

As Palavras Interditas

Os navios existem, e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. N√£o h√° d√ļvida, anoitece.
√Č preciso partir, √© preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te… E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio s√£o interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem j√° reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas m√£os nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Na nata√ß√£o, se uma pessoa come√ßa a afundar, √© porque ela se afoba e fica com os m√ļsculos tensos. Assim tamb√©m √© na travessia da vida: se n√£o ficarmos afobados ou tensos e pegarmos a onda certa, alcan√ßaremos nossa meta.

Prece A Anchieta

Santo: erguesses a cruz na selva escura;
Herói: plantasses nossa velha aldeia;
Mestre: ensinasses a doutrina pura;
Poeta: escrevesses versos sobre a areia!

Golpeia a cruz a foice inculta e dura;
Invade a vila multid√£o alheia;
Morre a voz santa entre a dist√Ęncia e a altura;
Apaga o poema a onda espumejante e cheia…

Santo, her√≥i, mestre e poeta: ‚ÄĒ Pela gl√≥ria
que destes a esta Terra e a sua História,
Pela dor que sofremos sempre nós.

Pelo bem que quisesses a este povo,
O novo Cristo deste Mundo Novo,
Padre José de Anchieta, orai por nós!

Exilada

Bela viajante dos países frios
N√£o te seduzam nunca estes aspectos
Destas paisagens tropicais — secretos,
— Os teus receios devem ser sombrios.

√Čs branca e √©s loura e tens os amavios
Os incógnitos filtros prediletos
Que podem produzir ondas de afetos
Nos mais sens√≠veis cora√ß√Ķes doentios.

Loura Visão, Ofélia desmaiada,
Deixa esta febre de ouro, a febre ansiada
Que nos venenos deste sol consiste.

Emigra destes cálidos países,
Foge de amargas, fundas cicatrizes,
Das alucina√ß√Ķes de um vinho triste…

A Moral entre a Verdade e a Subjectividade

Um homem que busca a verdade torna-se s√°bio; um homem que pretende dar r√©dea solta √† sua subjectividade torna-se, talvez, escritor; e que far√° um homem que busca algo que se situa entre essas duas hip√≥teses? Mas tais exemplos, os de algo que est√° ¬ęentre¬Ľ, encontramo-los em qualquer senten√ßa moral, a come√ßar pela mais simples e mais conhecida: ¬ęn√£o matar√°s¬Ľ. V√™-se imediatamente que n√£o √© nem uma verdade nem uma experi√™ncia subjectiva. Sabe-se que, em muitos aspectos, nos conformamos estritamente a ela, mas que, por outro lado, se aceitam numerosas excep√ß√Ķes, ainda que perfeitamente delimitadas; no entanto, num grande n√ļmero de casos de um terceiro tipo – por exemplo na imagina√ß√£o, na esfera dos desejos, nas pe√ßas de teatro ou no prazer que experimentamos ao ler as not√≠cias dos jornais – deixamo-nos oscilar descontroladamente entre a avers√£o e a atrac√ß√£o.
Por vezes aquilo a que n√£o podemos chamar nem verdade nem experi√™ncia pessoal recebe o nome de imperativo. Tais imperativos foram associados aos dogmas da religi√£o ou da lei, concedendo-lhes assim o car√°cter de uma verdade derivada, mas os romancistas narram as excep√ß√Ķes, a come√ßar pelo sacrif√≠cio de Abra√£o e terminando na bela mulher jovem que matou o amante a tiro,

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Sábio é o que se Contenta com o Espetáculo do Mundo

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que j√° bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Coroem-no p√Ęmpanos, ou heras, ou rosas vol√ļteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De √Ātropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abomin√°vel onda
O n√£o molhe t√£o cedo.

M√£e

Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.
Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta
Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.
Vejo-te menina e noiva, vejo-te m√£e mulher de trabalho
Sempre fr√°gil e forte. Quantos problemas enfrentaste,
Quantas afli√ß√Ķes! Sempre uma for√ßa te erguia vertical,
sempre o alento da tua fé, o prodigioso alento
a que se chama Deus. Que existe porque tu o amas,
tu o desejas. Deus alimenta-te e inunda a tua fragilidade.
E assim est√°s no meio do amor como o centro da rosa.
Essa √Ęnsia de amor de toda a tua vida √© uma onda incandescente.
Com o teu amor humano e divino
quero fundir o diamante do fogo universal.

Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros.

Nos Foge o Tempo

Se mais que aéreas nuvens pressuroso,
Se mais que inquietas ondas inconstante,
Nos foge o Tempo; √© in√ļtil o saudoso
Pranto, dado a quem foge; eu incessante
Quero abarcar, e com ardor ansioso
Entranhar na alma cada alegre instante:
Pois que a vida é passagem, as lindas flores
Bom é colher na estrada dos Amores.