Passagens sobre Pescoço

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Frases sobre pesco√ßo, poemas sobre pesco√ßo e outras passagens sobre pesco√ßo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Pudesse Eu Contar as Vezes

Pudesse eu contar as vezes que ferrei os cantos da boca imaginando que eram teus os dentes que assim me amavam; que eram os teus l√°bios aqueles que, nessas ocasi√Ķes, eu mordia. Lembras-te de uma frase que costumavas citar, por t√™-la escutado em qualquer parte, ou lido, j√° n√£o sei bem? Aquela que dizia
– A minha anatomia enlouqueceu; sou toda corar√£o.
Pois √© como me tenho sentido, mais ou menos assim, com a anatomia enlouquecida, sem saber j√° quais s√£o os meus dentes ou qual a minha boca; como se cada peda√ßo meu n√£o fosse mais do que saudade de ti: o desejo de te voltar a ver, de te cobrir outra vez de beijos – olhos, boca, rosto, o corpo todo de beijos -, de te abra√ßar e sentir o teu cheiro, de tomar nas m√£os o ramo crespo dos teus cabelos e inalar a fragr√Ęncia do teu pesco√ßo. Possuo agora, em mim apenas, nos limites da minha topografia, toda a exalta√ß√£o dos nossos corpos e sinto que n√£o chego para tanto porque a soma de n√≥s dois excedeu sempre a exist√™ncia f√≠sica dos nossos corpos. √Č como se rebentasse por dentro e tivesse de esticar a alma –

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A Mulher por quem Esperara tantos Anos

Alguma coisa dentro dele voltou a si. Foi como se, de repente, estivessem efectivamente ali os dois. E, reacendendo a luz, encostou os lábios aos dela e sentiu, enfim, o calor que deles se emitia, e o sabor da sua boca, e o seu cheiro, e teve consciência de que aquela que se deitava na cama consigo não era apenas uma mulher bela, mas uma mulher, a mulher por quem esperara tantos anos.

Tiraram ambos o que lhes restava de roupa, lançando-a ao chão, e tocaram-se suavemente. Havia uma admiração entre eles, como se se descobrissem, e todavia era também tal qual se conhecessem de há muito, as superfícies mais sadias como as primeiras rugosidades dos seus corpos.

Tacteavam-se devagar, atentos às luzes e às sombras de cada recanto que esquadrinhavam, e ao fim de alguns momentos beijavam-se de novo, ele abraçando-a na sua totalidade, açambarcando-a, e ela sorrindo por entre o vento da noite, a chuva e os terramotos sorrindo com ela, e a humidade salgada dos seus peitos, e o mar que se atirava furioso contra aquela terra, e o primeiro suor do seu pescoço.

A partir daí, o mundo desapareceu. E havia medo e alegria,

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O Drama de Amar

O drama de amar √© n√£o haver suced√Ęneos.
E tudo o resto sabe a merda. Porque houve o teu abra√ßo, porque existe o teu cheiro. Amei-te para sempre mesmo que j√° n√£o te ame. Ficou em mim a tarde em que pela primeira vez o nosso corpo (o teu arfar a mostrar-me que l√≠ngua se fala no cńóu, a tua boca a mostrar-me o tamanho de um beijo), e a partir da√≠ fiquei √≥rf√£o de um corpo sempre que n√£o fosse o teu corpo. E quando chegou o dia da despedida eu soube que tinha chegado o dia de para sempre.
O drama de amar é não admitir a morte.
Há uma mulher a mais sempre que amo um corpo que não é o teu. E um homem a menos. Deito-me, aperto, espremo (o encaixe perfeito das tuas costas nos meus braços, o cheiro dos teus lábios no suor do meu pescoço). E até um orgasmo comprova a hipocrisia da carne. Despedi-me de orgasmos quando me despedi de ti. Já me deitei com tantas e é sempre o teu boa-noite que me adormece.
O drama de amar é só criar réplicas.
Tudo o que amo és tu.

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A uma Mulher que Sendo Velha se Enfeitava

Escuta, ó Sara, pois te falta espelho
Para ver tuas faltas,
N√£o quero que te falte meu conselho
Em presun√ß√Ķes t√£o altas;
Lembro-te agora só, que és terra, e lodo,
E em terra h√°s de tornar-te deste modo,
Mas n√£o te digo, nem te lembro nada,
Porque h√° muito, que em terra est√°s tornada.

Que importa, que algum tempo a prata pura
De tuas m√£os nascesse,
E que de teus cabelos a espessura
As minas de ouro desse,
Se o tempo vil, que tudo troca, e muda,
Somente de ouro p√īs por mais ajuda
Em tuas m√£os de prata o amarelo,
E a prata de tuas m√£os em teu cabelo.

Se um tempo foram de marfim brunido
No século dourado,
Não vês, que o tempo as tem já consumido?
Não vês, que as tem gastado?
Deixa, Senhora, deixa os v√£os enredos,
Pois quando toco teus nodosos dedos,
Me parece, que apalpo sem enganos
Cinco cord√Ķes de frades Franciscanos.

Viciando a natureza com tuas tintas,
Com pincéis delicados
Jasmins, e rosas em teu rosto pintas,

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A Mulher de Negro

Os sons da floresta, as √°rvores, a bicicleta e, ao longe, o sil√™ncio im√≥vel de um vulto negro. Aproximei-me e era uma mulher vestida de negro. Um xaile negro sobre os ombros. Um len√ßo negro sobre a cabe√ßa. O som dos pneus da bicicleta a pararem, o som de amassarem folhas h√ļmidas e de fazerem estalar ramos. Os meus p√©s a pousarem no ch√£o. Os olhos da mulher entre o negro. Os olhos pequenos da mulher. O seu rosto branco. Vimo-nos como se nos encontr√°ssemos, como se nos tiv√©ssemos perdido havia muito tempo e nos encontr√°ssemos. O tempo deixou de existir. O sil√™ncio deixou de existir. Pousei a bicicleta no ch√£o para caminhar na direc√ß√£o da mulher. Era atra√≠do por segredos. Durante os meus passos, a mulher estendeu-me a m√£o. A sua m√£o era muito velha. A palma da sua m√£o tinha linhas que eram o mapa de uma vida inteira, uma vida com todos os seus enganos, com todos os seus erros, com todas as suas tentativas. Os seus olhos de pedra. Senti os ossos da sua m√£o a envolverem os meus dedos. N√£o me puxou, mas eu aproximei o meu corpo do seu. Senti a sua respira√ß√£o no meu pesco√ßo.

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A uma Regateira

A minha Isabel
saiu esta tarde
A matar de amores,
A vendar gorazes.

Deitada ao pescoço
A beatilha leva,
Pois de desprezar
Somente se preza,

Por fresco apregoa
O peixe, meu bem,
E no apregoar fresco
Quanto sal que tem!

Gadelhinhas louras,
Que pelas gadelhas
A minha alma anda
Pendurada nelas.

Em continhas brancas
Extremós vermelhos.
Porém como ela
N√£o h√° tal extremo.

Memória de prata
Metida no dedo,
V√°-se embora o ouro,
Que não tem tal preço.

Sainha de pano,
Barra de veludo,
Mantilha vermelha,
Sapata em pantufo.

Ao passar lhe disse
Pela requebrar:
Senhora Isabel
Quem fora goraz!

Fizera-lhe eu logo
Depressa um Soneto,
Porque de poeta
Tenho meus dois dedos.

Porém nesse passo
Entrou Basti√£o,
Pediu-me dinheiro,
Dei a tudo de m√£o.

Opi√°rio

Ao Senhor M√°rio de S√°-Carneiro

√Č antes do √≥pio que a minh’alma √© doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo h√°-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
j√° n√£o encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os pr√≥prios gozos g√Ęnglios do meu mal.

√Č por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre vis√Ķes de cadafalsos
Num jardim onde h√° flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impress√£o de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um av√ī meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

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Presídio

Nem todo o corpo √© carne… N√£o, nem todo
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…?

E o ventre, inconsistente como o lodo?…
E o morno gradeamento dos teus braços?
N√£o, meu amor… Nem todo o corpo √© carne:
√© tamb√©m √°gua, terra, vento, fogo…

√Č sobretudo sombra √† despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono…
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

Eu e Ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de m√°rmore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem más idéias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distração,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiro,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou apagãos, via à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavaleiro de Faublas…

O Medo do Sucesso

H√° muitas pessoas com um enorme potencial e s√≥ n√£o o materializam porque t√™m medo de deixar de ser quem s√£o se atingirem determinado patamar. Ora isto √© o maior sinal de que, e desculpa se estou a falar de ti, por muito que penses saber quem √©s, a verdade √© que n√£o fazes ideia do que pensas ser. Ningu√©m que saiba ser vive com medo de deixar de s√™-lo √† medida que vai conquistando novos mundos. Ningu√©m que saiba ser deixa de ser o que verdadeiramente √©, ainda que a terra desabe ou o para√≠so se torne parte dos seus dias. Quem √©, √©, ponto final, e n√£o desenvolveres os teus dons com medo de abandonares quem pensas ser, √© como condenares-te √† morte pela asfixia da frustra√ß√£o, √© como se metade de ti soubesse o caminho e a outra metade te puxasse para tr√°s, √© como estares t√£o perto do que √©s e t√£o longe de vires a s√™-lo. O desgaste ser√° um saco de pl√°stico √† volta do teu pesco√ßo, cada vez mais apertado e tu mais ofegante at√© ao dia em que deixas de acreditar e pereces. √Č isso que queres? Outro dos motivos para o medo do sucesso √© a possibilidade de perder pessoas,

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A Nossa Avidez Infinita

Todos n√≥s sofremos de uma avidez infinita. As nossas vidas s√£o-nos preciosas, estamos sempre alerta contra os desperd√≠cios. Ou talvez fosse melhor chamar a isso Sentido de Destino Pessoal. Sim. Creio que √© melhor do que avidez. Dever√° a minha vida perder um mil√©simo de polegada da sua plenitude? √Č uma coisa diferente avaliar-se a si pr√≥prio ou vangloriar-se loucamente. E h√° ent√£o os nossos planos, os nossos ideais. Tamb√©m eles s√£o perigosos. Podem consumir-nos como parasitas, comer-nos, sorver-nos e deixar-nos exangues e prostrados. E no entanto estamos constantemente a convidar os parasitas, como se estiv√©ssemos ansiosos por sermos sorvidos e comidos. Isto porque nos ensinaram que n√£o h√° limites para o que um homem pode ser.

Há seiscentos anos um homem era o que o seu nascimento demarcava para ele. Satanás e a Igreja, representante de Deus, lutavam por ele. Ele, pela sua escolha, decidia em parte qual seria o resultado. Mas quer fosse, depois da morte, para o céu ou para o inferno, o seu lugar entre os vivos estava marcado. Não podia ser contestado. Desde então o palco foi novamente arranjado e os seres humanos apenas passeiam nele e, sob este novo ponto de vista,

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A Ira é uma Loucura Breve

Alguns s√°bios afirmaram que a ira √© uma loucura breve; por n√£o se controlar a si mesma, perde a compostura, esquece as suas obriga√ß√Ķes, persegue os seus intentos de forma obstinada e ansiosa, recusa os conselhos da raz√£o, inquieta-se por causas v√£s, incapaz de discernir o que √© justo e verdadeiro, semelhante √†s ru√≠nas que se abatem sobre quem as derruba. Mas, para que percebas que est√£o loucos aqueles que est√£o possu√≠dos pela ira, observa o seu aspecto; na verdade, s√£o claros ind√≠cios de loucura a express√£o ardente e amea√ßadora, a fronte sombria, o semblante feroz, o passo apressado, as m√£os trementes, a mudan√ßa de cor, a respira√ß√£o forte e acelerada, ind√≠cios que est√£o tamb√©m presentes nos homens irados: os olhos incendiam-se e fulminam, a cara cobre-se totalmente de um rubor, por causa do sangue que a ela aflui do cora√ß√£o, os l√°bios tremem, os dentes comprimem-se, os cabelos arrepiam-se e eri√ßam-se, a respira√ß√£o √© ofegante e ruidosa, as articula√ß√Ķes retorcem-se e estalam, entre suspiros e gemidos, irrompem frases praticamente incompreens√≠veis, as m√£os entrechocam-se constantemente, os p√©s batem no ch√£o e todo o corpo se agita amea√ßador, a face fica inchada e deformada, horrenda e assutadora. Ficas sem saber se o que h√° de pior neste v√≠cio √© ele ser detest√°vel ou t√£o disforme.

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Eu e ela

Cobertos de folhagem, na verdura,
O teu braço ao redor do meu pescoço,
O teu fato sem ter um só destroço,
O meu braço apertando-te a cintura;

Num mimoso jardim, ó pomba mansa,
Sobre um banco de m√°rmore assentados.
Na sombra dos arbustos, que abraçados,
Beijarão meigamente a tua trança.

Nós havemos de estar ambos unidos,
Sem gozos sensuais, sem m√°s ideias,
Esquecendo para sempre as nossas ceias,
E a loucura dos vinhos atrevidos.

Nós teremos então sobre os joelhos
Um livro que nos diga muitas cousas
Dos mistérios que estão para além das lousas,
Onde havemos de entrar antes de velhos.

Outras vezes buscando distracção,
Leremos bons romances galhofeiros,
Gozaremos assim dias inteiros,
Formando unicamente um coração.

Beatos ou pagãos, vida à paxá,
Nós leremos, aceita este meu voto,
O Flos-Sanctorum místico e devoto
E o laxo Cavalheiro de Flaublas…

Eu Planto no Teu Corpo

Como se arrasta no sol morno um verme
Por sobre a polpa de uma fruta, eu durmo
A tua carne e sinto o teu contorno
Entre os meus braços como um fruto morno.

E a minha boca sobre a pele, um verme,
Vai percorrendo o teu sorriso, e torno
Ao longo do nariz, depois contorno
Os teus olhos fechados por querer-me.

E desço o teu pescoço, feito um mono,
Para os teus seios mornos, como um verme
Por sobre os frutos prontos para o tombo.

Vertendo a unção da morte nos teus membros,
E estremecendo numa cruz de febre,
Eu planto no teu corpo a flor de um pombo.

Este N√£o-Futuro que a Gente Vive

Ser√° que nos resta muito depois disto tudo, destes dias assim, deste n√£o-futuro que a gente vive? (…) Bom, tudo seria mais f√°cil se eu tivesse um curso, um motorista a conduzir o meu carro, e usasse gravatas sempre. √Äs vezes uso, mas √© diferente usar uma gravata no pesco√ßo e us√°-la na cabe√ßa. Tudo aconteceu a partir do momento em que eu perdi a no√ß√£o dos valores. Todos os valores se me gastaram, mesmo √† minha frente. O dinheiro gasta-se, o corpo gasta-se. A mem√≥ria. (…) N√£o me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. H√° pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manh√£ com muito orvalho, restos de geada‚Ķ De resto, n√£o tenho grandes projectos. Acho que o planeta est√° perdido e que, provavelmente, a hip√≥tese de Ant√≥nio Jos√© Saraiva est√° certa: √© melhor que isto se estrague mais um bocadinho, para ver se as pessoas t√™m mais tempo para olhar para os outros.

Bom e Expressivo

Acaba mal o teu verso,
mas fá-lo com um desígnio:
é um mal que não é mal,
é lutar contra o bonito.

Vai-me a essas rimas que
t√£o bem desfecham e que
são o pão de ló dos tolos
e torce-lhes o pescoço,

tal como o outro pedia
se fizesse à eloquência,
e se houver um vossa excelência
que grite: ‚ÄĒ N√£o √© poesia!,

diz-lhe que não, que não é,
que é topada, lixa três,
serração, vidro moído,
papel que se rasga ou pe-

dra que rola na pedra…
Mas tamb√©m da rima ¬ęem cheio¬Ľ
poder√°s tirar partido,
que a regra é não haver regra,

a n√£o ser a de cada um,
com sua rima, seu ritmo,
n√£o fazer bom e bonito,
mas fazer bom e expressivo…

A política é uma pedra atada ao pescoço da literatura, e que em menos de seis meses a submerge. A política, no meio dos interesses da imaginação, é um tiro no meio de um concerto.

Quero beber. Quero esquecer a vida. A vida é uma invenção hedionda não sei de quem. Parte-se o pescoço a viver. A vida é uma armação prestes a vir abaixo.

A Mulher Mais Bonita do Mundo

est√°s t√£o bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que est√°s bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o arm√°rio,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde est√° o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

est√°s t√£o bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os l√°bios.

est√°s dentro de algo que est√° dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os l√°bios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.