Poemas sobre Países

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Poemas de países escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

No Meu País

No meu país
dardejado de sol e da caca dos gaios
s√≥ h√° est√Ęncias
(de veraneio) na poesia.
Nossos l√°bios
a um metro e sessenta e tal
do ch√£o amarelecido
dos símbolos
abrem para fora
por dois gomos de frio.
Nossos l√°bios outonais, digo,
outonais doze meses.
No entanto
à flor da possível
geografia
um frémito cinde
as esta√ß√Ķes do ano.

Trova do Vento que Passa

Para António Portugal

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios n√£o me sossegam
levam sonhos deixam m√°goas.

Levam sonhos deixam m√°goas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no ch√£o.
Silêncio Рé tudo o que tem
quem vive na servid√£o.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento n√£o me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha p√°tria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

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Uma Cidade

Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e ger√Ęnios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algod√£o, esporas
de √°gua e flancos
de granito.
Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crep√ļsculo, um bal√£o
aceso

numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho.

W.C.

Neste país onde ninguém sabe
como obram as musas,
j√° dizia o outro,
fazer versos realmente versos,
que sigam o espasmo do √Ęnus provecto
dessas criaturas f√ļteis, decantadas,
ainda é e será muito difícil.

Existe sempre um braço etéreo
que puxa o autoclismo
no momento exacto da defecação.
Ouve-se um ruído,
alguém pergunta ao outro o que se passa:
¬ę√Č o som das √°guas que bate na garganta.¬Ľ
Aliviados ent√£o os cora√ß√Ķes repousam
na sala de visitas da casa devassada
a que chamam d’alma.

homenagem a ces√°rio verde

Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um √ļltimo cigarro
um feij√£o branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Ces√°rio Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
√Č a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do ch√£o
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

O Portugal Futuro

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da inf√Ęncia que vem na enxurrada
e me parece que se chama s√°vel
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal ser√° e l√° serei feliz
Poder√° ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar ser√° ver√£o
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

Mapa

Ao norte, a torre clara, a praça, o eterno encontro,
A confidência muda com teu rosto por jamais.
A leste, o mar, o verde, a onda, a espuma,
Esse fantasma longe, barco e bruma,
O cais para a partida mais definitiva
A urna distancia percorrida em sonho:
Perfume da lonjura, a cidade santa.

O oeste, a casa grande, o corredor, a cama:
Esse carinho intenso de silêncio e banho.
A terra a oeste, essa ternura de pianos e janelas abertas
A rua em que passavas, o abano das sacadas: o morro e o
cemitério e as glicínias.
Ao sul, o amor, toda a esperança, o circo, o papagaio, a
nuvem: esse varal de vento,
No sul iluminado o pensamento no sonho em que te sonho
Ao sul, a praia, o alento, essa atalaia ao teu país

Mapa azul da inf√Ęncia:
O jardim de rosas e mistério: o espelho.
O nunca além do muro, além do sonho o nunca
E as avenidas que percorro aclamado e feliz.

Antes o sol no seu mais novo raio,
O acordar cotidiano para o ensaio do céu,

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Teus Olhos

Teus olhos, Honorine, cruzaram oceanos,
longamente tristes, sequiosos,
como flor aberta nas sombras em busca do Sol.
Vieram com o vento e com as ondas,
através dos campos e bosques da beira-mar.
Vieram até mim, estudante triste,
dum país do Sul.

Saudação aos que Vão Ficar

Como ser√° o Brasil
no ano dois mil?
As crianças de hoje,
j√° velhinhas ent√£o,
lembrar√£o com saudade
deste antigo país,
desta velha cidade?
Que emoção, que saudade,
ter√° a juventude,
acabada a gravidade?
Respeitar√£o os papais
cheios de mocidade?
Que diferença haverá
entre o av√ī e o neto?
Que novas rela√ß√Ķes e enganos
inventar√£o entre si
os seres desumanos?
Que lei impedir√°,
libertada a molécula
que o homem, cheio de ardor,
atravesse paredes,
buscando seu amor?
Que lei de tr√°fego impedir√° um inquilino
– ante o lugar que vence –
de voar para lugar distante
na casa que n√£o lhe pertence?
Haver√° mais l√°grimas
ou mais sorrisos?
Mais loucura ou mais juízo?
E o que será loucura? E o que será juízo?
A propriedade, ser√° um roubo?
O roubo, o que ser√°?
Poderemos crescer todos bonitos?
E o belo n√£o passar√° ent√£o a ser feiura?
Haverá entre os povos uma proibição
de criar pessoas com mais de um metro e oitenta?
Mas a R√ļssia (v√° l√°,

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Poema da Necessidade

√Č preciso casar Jo√£o,
é preciso suportar António,
é preciso odiar Melquíades,
é preciso substituir nós todos.

√Č preciso salvar o pa√≠s,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

√Č preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbedo,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

√Č preciso viver com os homens,
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o FIM DO MUNDO.

Algumas Proposi√ß√Ķes com Crian√ßas

A crian√ßa est√° completamente imersa na inf√Ęncia
a crian√ßa n√£o sabe que h√°-de fazer da inf√Ęncia
a crian√ßa coincide com a inf√Ęncia
a crian√ßa deixa-se invadir pela inf√Ęncia como pelo sono
deixa cair a cabe√ßa e voga na inf√Ęncia
a crian√ßa mergulha na inf√Ęncia como no mar
a inf√Ęncia √© o elemento da crian√ßa como a √°gua
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a inf√Ęncia
embora nunca mais eu saiba como ela se diz

P√°tria

Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactid√£o
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das t√£o amadas
Palavras sempre ditas com paix√£o
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

РPedra   rio   vento   casa
Pranto   dia   canto   alento
Espaço   raiz   e água
√ď minha p√°tria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo

A Lua de Londres

√Č noite; o astro saudoso
Rompe a custo um pl√ļmbeo c√©u,
Tolda-lhe o rosto formoso
Alvacento, h√ļmido v√©u:
Traz perdida a cor de prata,
Nas √°guas n√£o se retrata,
N√£o beija no campo a flor,
N√£o traz cortejo de estrelas,
N√£o fala d’amor √†s belas,
N√£o fala aos homens d’amor.

Meiga lua! os teus segredos
Onde os deixaste ficar?
Deixaste-os nos arvoredos
Das praias d’al√©m do mar?
Foi na terra tua amada,
Nessa terra t√£o banhada
Por teu límpido clarão?
Foi na terra dos verdores,
Na p√°tria dos meus amores,
Pátria do meu coração?

Oh! que foi!… deixaste o brilho
Nos montes de Portugal,
L√° onde nasce o tomilho,
Onde h√° fontes de cristal;
L√° onde viceja a rosa,
Onde a leve mariposa
Se espaneja à luz do sol;
L√° onde Deus concedera
Que em noites de Primavera
Se escutasse o rouxinol.

Tu vens, ó lua, tu deixas
Talvez há pouco o país,
Onde do bosque as madeixas
Já têm um flóreo matiz;
Amaste do ar a doçura,

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Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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Lusíada Exilado

Nem batalhas nem paz: obscura guerra.
Dói-me um país neste país que levo.
Sou este povo que a si mesmo se desterra
meu nome são três sílabas de trevo.

H√° nevoeiro em mim. Dentro de abril dezembro.
Quem nunca fui é um grito na memória.
E h√° um naufr√°gio em mim se de quem fui me lembro
há uma história por contar na minha história.

Trago no rosto a marca do chicote.
Cicatrizes as minha condecora√ß√Ķes.
Nas minhas mãos é que é verdade D. Quixote
trago na boca um verso de Cam√Ķes.

Sou este camponês que foi ao mar
lavrou as ondas e mondou a espuma
e andou achando como a vindimar
terra plantada sobre o vento e a bruma.

Sou este marinheiro que ficou em terra
lavrando a m√°goa como se lavrar
n√£o fosse mais do que a perdida guerra
entre o n√£o ser na terra e o ser no mar.

Eu que parti e que fiquei sempre presente
eu que tudo mandava e nunca fui senhor
eu que ficando estive sempre ausente
eu que fui marinheiro sendo lavrador.

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Poema para a Catarina

Hei-de levar-te filha a conhecer a neve
tu que sabes do sol e das marés
mas nunca repousaste os teus pequenos pés
na alvura que só longe e em ti houve

Tinha estado na morte e n√£o pudera
aguentar tamanha solid√£o
mas depois tive a companhia do nev√£o
e tu h√°s-de vir filha com a primavera

E o deslumbrante resplendor da alegria
tua fidelidade eterna à vida
j√° n√£o permitir√£o tua partida
quando raiar fatal o novo dia

As barcas carregadas com as rosas
vir√£o perto daquela pura voz
abandonada pelos meus longínquos avós
em lagoas profundas perigosas

Não me afecta o mínimo cuidado
sinto-me vertical sinto-me forte
embora leve em mim até à morte
a cabeça de um príncipe coitado

Naquelas madrugadas primitivas
eu segregava um secreto pranto
vizinho da alegria enquanto
pelos dias tu ias de m√£os vivas
O costume da minha solid√£o
é ver pela janela as oliveiras
que de todas as √°rvores foram as primeiras
que tocaram meu jovem coração

Purificado pelo tempo estou
um tempo de feroz esquecimento
vem minha filha vem neste momento
em que eu liberto ao teu encontro vou

Recordo-me do teu cabelo de chuva
quando tu caminhavas √°gil e ladina
pelos desfiladeiros da neblina
nessa distante regi√£o da uva

Minha paix√£o viril serena pelos ritos
deseja que na minha companhia
tu sejas imolada à alegria
na surda regi√£o alheia aos gritos

N√£o olhes o meu rosto devastado pela idade
a vida para mim é como se chovesse
mas se viesses seria como se me acontecesse
cantar contigo a perene mocidade

O tempo em que viesses sim seria
um tempo vertebrado um tempo inteiro
e n√£o meras palavras arrancadas ao tinteiro
e alinhadas em fugaz caligrafia

Viesses tu que a tua vinda afastaria
todos os meus cuidados transumantes
e para sempre alegre viveria
os meus dias infantes j√° distantes

A solução da solidão compartilhada
onde vejo o meu mais profundo mundo
seria a solução ampla e sem fundo
oposta sem resposta ao meu país do nada

Com a voracidade do olvido
seria só tu vires e lutares
e por mim de olhos enormes e crepusculares
serias ente querido recebido

Volta com os primeiros anjos de dezembro
num vasto laranjal eu quero amar-te
e ent√£o a tua vida h√°-de ser a minha arte
e o teu vulto a √ļnica coisa que relembro

O passado é mentira digo eu
sensível ao esplendor do meio-dia
e sob a √°rvore plena da alegria
o mínimo cuidado esmoreceu

Ao grande peso de tanto passado
com a ins√≥nia da d√ļvida na testa
basta a tua presença que protesta
e todo eu me sinto renovado

arte poética

o poema n√£o tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que n√£o
se escrevem, Lê-se país e mar e céu esquecido e
memória, lê-se silêncio, sim tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar doce de menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,

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Canção tão simples

Quem poder√° domar os cavalos do vento
quem poder√° domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poder√° calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que n√£o se diz
a f√ļria em riste
do meu país?

Quem poder√° proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
p√°tria vi√ļva
a dor que passa?

Quem poder√° prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que s√£o precisas?

Pai, Dizem-me que Ainda Te Chamo

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono Рa ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. H√° nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na l√Ęmina do mar, com
l√°bios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. N√£o sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome Рporque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.