Passagens sobre Piedade

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Frases sobre piedade, poemas sobre piedade e outras passagens sobre piedade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Despondency

Deix√°-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade…
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram…

Deix√°-la ir, a vela, que arrojaram
Os tuf√Ķes pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul levantaram…

Deix√°-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
√Ä morte queda, √† morte silenciosa…

Deix√°-la ir, a nota desprendida
D’um canto extremo… e a √ļltima esperan√ßa…
E a vida… e o amor… Deix√°-la ir, a vida!

Consulta

Chamei em volta do meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito…

E disse-lhes: No mundo imenso e estreito
Valia a pena, acaso, em ansiedade
Ter nascido? Dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito.

Mas elas perturbaram-se – coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena…

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: – N√£o, n√£o valia a pena!

Os Sábios Célebres

Todos vós, os sábios célebres, nunca fostes mais do que os servidores do povo e da superstição popular, e não os servidores da verdade. E é precisamente por isso que vos têm honrado.
E por isso também foi tolerada a vossa incredulidade, porque parecia uma brincadeira, um rodeio engenhoso que vos levava ao povo. Assim o amo dá maior liberdade aos seus escravos e regozija-se até com a sua presunção.
Mas aquele que o povo odeia, com o ódio do lobo pelos cães, é o espírito livre, inimigo das algemas, aquele que não adora, aquele que habita as florestas.
Persegui-lo at√© ao seu esconderijo, √© aquilo a que o povo, sempre chamou ter o ¬ęsentido de justi√ßa¬Ľ; e ainda por cima d√£o ca√ßa ao solit√°rio com os seus ferozes mastins.
‘Porque a verdade est√° onde o povo est√°! Ai daqueles que a procuram!’ – √© isto o que ecoa atrav√©s dos tempos.
Quer√≠eis assentar na raz√£o a piedade tradicional do vosso povo e √© a isso que chamais ¬ęa vontade de verdade¬Ľ, √≥ s√°bios c√©lebres!
E o vosso cora√ß√£o insiste em dizer para si pr√≥prio: ‘Eu vim do povo, foi tamb√©m do povo que me veio a voz de Deus.’

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Moral Estelar

Presdestinada à tua órbita,
Que te importa, estrela, a noite?
Rola, bem-aventurada, através do tempo!
Que a sua miséria te permaneça estranha.
A tua luz est√° destinada ao mais distante dos mundos:
A piedade deve ser-te um pecado.
Admite apenas uma lei: sê pura!

Nestas Democracias industriais e materialistas, furiosamente empenhadas na luta pelo pão egoísta, as almas cada dia se tornam mais secas e menos capazes de piedade.

Os contras de se viver com outras pessoas. Imposto pela dist√Ęncia, pela compaix√£o, piedade, prazer, cobardia, vaidade e s√≥ muito no fundo, talvez, uma t√©nue corrente digna da desgina√ß√£o de amor, imposs√≠vel de procurar, brilhando uma vez num momento do momento.

Quando me n√£o quiseres mais
Mata-me por piedade!
Deixares-me a vida, sem ti
√Č bem maior crueldade!

À Virgem Santíssima

Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia

N’um sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
√Č que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza…

N√£o era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade…
Era outra luz, era outra suavidade,
Que at√© nem sei se as h√° na natureza…

Um m√≠stico sofrer… uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira…

√ď vis√£o, vis√£o triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira!

Proposição das rimas do poeta

Incultas produ√ß√Ķes da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com m√°goa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e n√£o louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, l√°grimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela m√£o do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

Aquela Fé Tão Clara E Verdadeira

Aquela fé tão clara e verdadeira,
A vontade t√£o limpa e t√£o sem m√°goa,
Tantas vezes provada em viva fr√°gua
De fogo, i apurada, e sempre inteira;

Aquela confiança, de maneira
Que encheu de fogo o peito, os olhos de √°gua,
Por que eu ledo passei por tanta m√°goa,
Culpa primeira minha e derradeira,

De que me aproveitou? N√£o de al por certo
Que dum só nome tão leve e tão vão,
Custoso ao rosto, tão custoso à vida.

Dei de mim que falar ao longe e ao perto;
E j√° assi se consola a alma perdida,
Se n√£o achar piedade, ache perd√£o.

O Morto Prazenteiro

Onde haja carac√≥is, n’um fecundo torr√£o,
Uma grandiosa cova eu mesmo quero abrir,
Onde repouse em paz, onde possa dormir,
Como dorme no oceano o livre tubar√£o.

Detesto os mausoléus, odeio os monumentos,
E, a ter de suplicar as l√°grimas do mundo,
Prefiro oferecer o meu carcaz imundo,
Qual precioso manjar, aos corvos agoirentos.

Verme, larva brutal, tenebroso mineiro,
Vai entregar-se a vós um morto prazenteiro,
Que livremente busca a treva, a podrid√£o!

Sem piedade, minai a minha carne impura,
E dizei-me depois se existe uma tortura
Que não tenha sofrido este meu coração!

Tradução de Delfim Guimarães

Lágrimas Tristes Tomarão Vingança

Se somente hora alguma em vós piedade
De t√£o longo tormento se sentira,
Amor sofrera, mal que eu me partira
De vossos olhos, minha saudade.

Apartei-me de vós, mas a vontade,
Que por o natural na alma vos tira,
Me faz crer que esta ausência é de mentira;
Porém venho a provar que é de verdade.

Ir-me-ei, Senhora; e neste apartamento
Lágrimas tristes tomarão vingança
Nos olhos de quem fostes mantimento.

Desta arte darei vida a meu tormento,
Que, enfim, cá me achará minha lembrança
Sepultado no vosso esquecimento.

Ideais Fatais

N√£o h√° ideal a que possamos sacrificar-nos, porque de todos eles conhecemos a mentira, n√≥s os que ignoramos em absoluto o que seja a verdade. A sombra terrestre que se alonga por detr√°s dos deuses de m√°rmore basta para nos afastar deles. Ah, com que amplexo o homem se estreitou a si pr√≥prio! P√°tria, justi√ßa, grandeza, piedade, verdade, qual das suas est√°tuas n√£o traz em si os sinais das m√£os humanas para que n√£o desperte a mesma ironia triste que os velhos rostos outrora amados? Compreender n√£o significa necessariamente aceitar todas as loucuras. E, no entanto, quantos sacrif√≠cios, quantos hero√≠smos injustificados dormem em n√≥s…

Piedade? N√£o!

Piedade? N√£o! N√£o a desejo.
Ela seria esc√°rnio maior,
Cruel desdém feito gracejo
Com olhar sério para conter
A rude graça. Não! A dor
Eu chore em paz. Deixem doer!

Piedade? N√£o! Esc√°rnio venha,
Mais indiferença e mais desdém:
Confortos desses meu lar os tenha.
Mudar em pena o seu olhar
Já dor de mais fora também.
Fingir bondade, n√£o pode ser.
Que os males pareçam como eles são.
Querer mascará-los é escarnecer,
Rara malícia sem coração.

Meus Olhos, Atentai no Meu Jazigo

Meus olhos, atentai no meu jazigo,
Que o momento da morte est√° chegado;
Lá soa o corvo, intérprete do fado;
Bem o entendo, bem sei, fala comigo:

Triunfa, Amor, gloria-te, inimigo;
E tu, que vês com dor meu duro estado,
Volve à terra o cadáver macerado,
O despojo mortal do triste amigo:

Na campa, que o cobrir, piedoso Albano,
Ministra aos cora√ß√Ķes, que Amor flagela,
Terror, piedade, aviso, e desengano:

Abre em meu nome este epit√°fio nela:
“Eu fui, ternos mortais, o terno Elmano;
Morri de ingratid√Ķes, matou-me Isabela.‚ÄĚ

Ode Marcial

In√ļmero rio sem √°gua ‚ÄĒ s√≥ gente e coisa,
Pavorosamente sem √°gua!

Soam tambores longínquos no meu ouvido
E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores,
Como se n√£o pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo
Helahoho! Helahoho!

A m√°quina de costura da pobre vi√ļva morta √† baioneta…
Ela cosia √† tarde indeterminadamente…
A mesa onde jogavam os velhos,

Tudo misturado, tudo misturtado com os corpos, com sangues,
Tudo um só rio, uma só onda, um só arrastado horror

Helahoho! Helahoho!

Desenterrei o comboio de lata da criança calcado no meio da estrada,
E chorei como todas as m√£es do mundo sobre o horror da vida.
Os meus p√©s pante√≠stas trope√ßaram na m√°quina de costura da vi√ļva que mataram √† baioneta
E esse pobre instrumento de paz meteu uma lança no meu coração

Sim, fui eu o culpado de tudo, fui eu o soldado todos eles
Que matou, violou, queimou e quebrou,
Fui eu e a minha vergonha e o meu remorso com uma sombra disforme
Passeiam por todo o mundo como Ashavero,

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