Passagens sobre ProvidĂȘncia

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Nada neste mundo se oculta dos olhos de Deus: a sua providĂȘncia estende-se a tudo e por tudo.

Depois de ter julgado a sociedade que o fizera desgraçado, julgou a ProvidĂȘncia, que fizera a sociedade, e condenou-a tambĂ©m.

Maus Tratos

Por vĂĄrias vezes nos chegaram aos ouvidos as notĂ­cias de maus tratos. Resolvemo-nos, um dia, a tirar o caso a limpo e a fazer observar por mĂ©dicos de confiança aqueles que se queixavam desses maus tratos. Devo dizer-lhe que se chegou Ă  conclusĂŁo de que os presos mentiam, para tirar efeitos polĂ­ticos, na maioria dos casos, mas quero dizer-lhe, tambĂ©m, realmente, que algumas vezes falavam verdade. É claro que eram tomadas sempre, em casos desses, imediatas providĂȘncias, e foi essa a razĂŁo de se terem dado algumas alteraçÔes nos quadros da PolĂ­cia. Atribuir a responsabilidade, portanto, ao Governo desses maus tratos Ă© prova de ignorĂąncia ou de mĂĄ-fĂ©.
(…) No entanto, chegou-se Ă  conclusĂŁo de que os presos maltratados eram sempre, ou quase sempre, temĂ­veis bombistas que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da PolĂ­cia, onde tinham escondidas as suas armas criminosas e mortais. SĂł depois de empregar esses meios violentos Ă© que eles se decidiam a dizer a verdade. E eu pergunto a mim prĂłprio, continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crianças e de algumas pessoas indefesas nĂŁo vale bem, nĂŁo justifica largamente, meia dĂșzia de safanĂ”es a tempo nessas criaturas sinistras…

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Os Amigos dos Outros

Faz grandes elogios de alguĂ©m na presença de um terceiro. Se este se mantĂ©m calado, Ă© porque nĂŁo Ă© amigo do primeiro. O mesmo poderĂĄs adivinhar se ele desviar a conversa para outro assunto, se mal responde, se se esforça por moderar os teus elogios, se se diz mal informado acerca da pessoa em causa ou ainda se se lança no elogio de pessoas que nada tĂȘm que ver.
Podes igualmente mencionar um acto admirĂĄvel praticado por essa pessoa – um acto acerca do qual sabes que o teu interlocutor estĂĄ perfeitamente ao corrente – para veres se aproveita ou nĂŁo para o valorizar. ReagirĂĄ, talvez, dizendo que, nesse caso, foi uma questĂŁo de sorte ou que a Divina ProvidĂȘncia Ă©, por vezes, muito prĂłdiga. Ou entĂŁo aproveitarĂĄ para gabar proezas ainda mais notĂĄveis de outros. Pode ainda afirmar que essa tua pessoa se limitou a seguir um bom conselho.

Se os homens, que a providĂȘncia enobreceu com o diadema do gĂ©nio e com a realeza da inspiração, nĂŁo devessem por instinto amar a liberdade, os tempos e as naçÔes em que ela chega um dia a dominar, lhes ensinariam por nobres exemplos a segui-la por egoĂ­smo e a venerĂĄ-la por gratidĂŁo.

Vive Plenamente

VĂȘ se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou atĂ© mesmo por causa do tempo. Uma lamentação Ă© sempre uma nĂŁo aceitação daquilo que Ă©. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu prĂłprio te fazes de vĂ­tima. Quando elevas a voz, estĂĄs no teu poder. Por isso muda a situação tomando providĂȘncias, levantando a voz se for necessĂĄrio ou possĂ­vel; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais Ă© loucura.

De certa forma, a inconsciĂȘncia ordinĂĄria estĂĄ sempre ligada Ă  recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tambĂ©m significa o aqui. EstĂĄs a resistir ao teu aqui e agora? HĂĄ pessoas que sĂł estĂŁo bem onde nĂŁo estĂŁo. O seu “aqui” nunca Ă© suficientemente bom. AtravĂ©s da auto-observação, vĂȘ se Ă© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, estĂĄ lĂĄ plenamente. Se achares que o teu aqui e agora Ă© intolerĂĄvel e te deixa infeliz, tens trĂȘs opçÔes Ă  escolha: ou te retiras da situação, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

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CĂąntico da Noite

Sumiu-se o sol esplĂȘndido
Nas vagas rumorosas!
Em trevas o crepĂșsculo
Foi desfolhando as rosas!
Pela ampla terra alargar-se
Calada solidĂŁo!
Parece o mundo um tĂșmulo
Sob estrelado manto!
Alabastrina lĂąmpada,
LĂĄ sobe a lua! Entanto
Gemidos d’aves lĂșgubres
Soando a espaços vão!
Hora dos melancĂłlicos,
Saudosos devaneios!
Hora que aos gostos Ă­ntimos
Abres os castos seios!
Infunde em nossos Ăąnimos
Inspiração da fé!
De noite, se um revérbero
De Deus nos alumia,
Destila-se de lĂĄgrimas
A prece, a profecia!
A alma elevada em ĂȘxtase
Terrena jĂĄ nĂŁo Ă©!
Antes que o sono tĂĄcito
Olhos nos cerre, e os sonhos
Nos tomem no seu vĂłrtice,
JĂĄ rindo, e jĂĄ medonhos,
Hora dos céus, conserva-me
No extinto e no porvir.
Onde os que amei? sumiram-se.
Onde o que eu fui? deixou-me.
Deles, sĂł vĂŁs memĂłrias;
De mim, sĂł resta um nome:
No abismo do pretérito
Desfez-se choro e rĂșy
Desfez-se! e quantas lĂĄgrimas
Brotaram de alegrias! Desfez-se!
e quantos jĂșbilos
Nasceram de agonias!

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(escrevendo a um mĂ©dico) A metade das vidas que vocĂȘs salvam nĂŁo Ă© digna de ser salva, porque Ă© inĂștil, enquanto outra metade nem mereceria ser salva porque pĂ©rfida. A vossa consciĂȘncia nunca vos acusa desta guerra permanente contra os planos da ProvidĂȘncia?

Viver com fĂ© Ă© entregar-se totalmente Ă  ProvidĂȘncia; Ă© viver sem se prender Ă s aparentes felicidades e infelicidades; Ă© viver acreditando que, graças Ă  ProvidĂȘncia Divina, mesmo um acontecimento infeliz contĂ©m nutrientes necessĂĄrios para o desenvolvimento da alma.

Se faz parte dos desĂ­gnios da ProvidĂȘncia extirpar esses selvagens para abrir espaço aos cultivadores da terra, parece-me oportuno que o rum seja o instrumento apropriado. Ele jĂĄ aniquilou todas as tribos que antes habitavam a costa

A mensagem Ă© clara: nĂŁo sacrifique o dia de hoje pelo de amanhĂŁ. Se vocĂȘ se sente infeliz agora, tome alguma providĂȘncia agora, pois sĂł na sequĂȘncia dos agoras Ă© que vocĂȘ existe.

Certa pessoa muito religiosa que dirigia uma escola dominical recebeu de um amigo o seguinte comunicado: ‘Comprei um ĂłrgĂŁo para ofertar Ă  sua escola dominical e estou tomando providĂȘncias para enviĂĄ-lo a vocĂȘ’. Perplexo, o religioso orou fervorosamente a Deus: ‘Senhor, uma criatura tĂŁo modesta como eu nĂŁo merece uma coisa tĂŁo valiosa’. Para ele, a escassez era bem-vinda mas o conforto nĂŁo era merecido.

Descobrir os VĂ­cios dos Outros

Eis agora um bom mĂ©todo para descobrir os vĂ­cios de uma pessoa. Começa por conduzir a conversa para os vĂ­cios mais correntes, depois aborda mais em particular os que pensas que possam afligir o teu interlocutor. Fica a saber que se mostrarĂĄ extremamente duro na reprovação e denĂșncia do vĂ­cio de que ele prĂłprio padece. Assim se vĂȘem muitas vezes pregadores fustigar com a maior veemĂȘncia os vĂ­cios que os aviltam.
Para desmascarar um falso, consulta-o acerca de um determinado assunto. Depois, passados alguns dias, volta a falar-lhe nesse mesmo assunto. Se, da primeira vez, te quis induzir em erro, a opiniĂŁo que desta segunda vez te darĂĄ serĂĄ diferente: quer a Diniva ProvidĂȘncia que depressa esqueçamos as nossas prĂłprias mentiras.
Finge-te bem informado acerca de um caso de que, na realidade, não sabes grande coisa, na presença de pessoas das quais tenhas motivos para crer que estão perfeitamente ao corrente: verås que se trairão, ao corrigirem o que disseres.
Quando vires um homem afectado por um grande desgosto, aproveita a ocasião para o lisonjear e consolar. É muitas vezes nestas circunstñncias que deixará transparecer os seus pensamentos mais secretos e ocultos.
Leva as pessoas –

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Desastre

Ele ia numa maca, em Ăąnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trĂȘmulos queixumes;
CaĂ­ra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as årvores das praças,
Como uma mĂŁe erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem nĂŁo desfaleça!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da provĂ­ncia, atĂŽnita, exclamava:
“Que providĂȘncias! Deus! LĂĄ vai para o hospital!”

Por onde o morto passa hĂĄ grupos, murmurinhos;
Mornas essĂȘncias vĂȘm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que nĂŁo entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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É forçoso recorrer ao inconcebĂ­vel, ao sobrenatural, ao misticismo da providĂȘncia oculta para compreender o que vulgarmente se chama «fatalidade».

DependĂȘncia do Governo

Diz-se geralmente que, em Portugal, o pĂșblico tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusĂŁo que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independĂȘncia. A nossa pobreza relativa Ă© atribuĂ­da a este hĂĄbito polĂ­tico e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mĂŁos e os olhos para ele como para uma ProvidĂȘncia sempre presente.

Confiemos na ProvidĂȘncia Divina e aceitemos no serviço do bem a nossa mais bela e melhor oportunidade a que denominamos: agora.