Passagens sobre Roubo

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Frases sobre roubo, poemas sobre roubo e outras passagens sobre roubo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Cegueira da Governação

Pr√≠ncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ru√≠na dos vossos Reinos, vedes as afli√ß√Ķes e mis√©rias dos vossos vassalos, vedes as viol√™ncias, vedes as opress√Ķes, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assola√ß√£o de tudo? Ou o vedes ou o n√£o vedes. Se o vedes como o n√£o remediais? E se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pr√≠ncipes, Eclesi√°sticos, grandes, maiores, supremos, e v√≥s, √≥ Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destro√ßos da F√©, vedes o descaimento da Religi√£o, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados p√ļblicos, vedes os esc√Ęndalos, vedes as simonias, vedes os sacril√©gios, vedes a falta da doutrina s√£, vedes a condena√ß√£o e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou n√£o o vedes. Se o vedes, como n√£o o remediais, e se o n√£o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da Rep√ļblica, da Justi√ßa, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obriga√ß√Ķes que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consci√™ncias,

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O Prestígio da Poesia

O prest√≠gio da poesia √© menos ela n√£o acabar nunca do que propriamente come√ßar. √Č um in√≠cio perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos ent√£o certas ast√ļcias, por exemplo: √© preciso apanhar a ocasional distrac√ß√£o das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consci√™ncia; e apanh√°-las quando fecham as p√°lpebras, um momento, r√°pidas, e rapidamente p√ī-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distrac√ß√£o, um interregno, um instante obl√≠quo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. Tamb√©m roub√°mos a cara chamejante aos espelhos, roub√°mos √† noite e ao dia as suas inextric√°veis imagens, roub√°mos a vida pr√≥pria √† vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equ√≠voco: a condena√ß√£o ou condana√ß√£o de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolv√™ncia biogr√°fica: com os nomes, as coisas, os s√≠tios, as horas, a medida pequena de como se respira, a morte que se n√£o refuta com nenhum verbo, nenhum argumento, nenhum latroc√≠nio.
Vivemos demoniacamente toda a nossa inocência.

A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda pris√£o:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola é o zangão.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
Horríveis; contudo, ao lê-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murm√ļrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existência doirada
Lá cima, no azul, na glória,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatória!

E como os dias s√£o longos
Nestas pris√Ķes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes d√£o ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportáveis martírios!
Jo√£o F√©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lírios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola alde√£,
Se o nome do mestre √© ‚ÄĒ Ontem
E o do disc√≠p’lo ‚ÄĒ Amanh√£!

Como é que há-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se é o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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A Devida Educação

Das coisas que mais custa ver é uma pessoa inteligente e criativa, quando nos está a contar uma opinião ou um acontecimento, ser diminuída pela falta de vocabulário Рou de outra coisa facilmente aprendida pela educação.
A distribuição humana de inteligência, graça, sensibilidade, sentido de humor, originalidade de pensamento e capacidade de expressão é independente da educação ou do grau de instrução. Em Portugal e, ainda mais, no mundo, onde as oportunidades de educação são muito mais desiguais, logo injustamente, distribuídas, é não só uma tragédia como um roubo.
Rouba-se mais aos que n√£o falam nem escrevem com os meios t√©cnicos de que precisam. Mas tamb√©m s√£o roubados aqueles, adequadamente educados, que n√£o podem ouvir ou ler os milh√Ķes de pessoas que s√≥ n√£o conseguem dizer plenamente o que querem, porque n√£o t√™m as ferramentas que t√™m as pessoas mais novas, com mais sorte.
Mete nojo a ideia de a educação ser uma coisa que se dá. Que o Estado ou o patrão oferece. Não é assim. A educação, de Platão para a frente, é mais uma coisa que se tira. Não educar é negativamente positivo: é como vendar os olhos ou cortar a língua.
O meu pai,

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Onde não se valorizam altamente as coisas tão só por serem difíceis de adquirir

Onde não se valorizam altamente as coisas tão só por serem difíceis de adquirir, os roubos cessarão.

A Função do Escritor

Que o mundo ¬ęest√° infestado com a esc√≥ria do g√©nero humano¬Ľ √© perfeitamente verdade. A natureza humana √© imperfeita. Mas pensar que a tarefa da literatura √© separar o trigo do joio √© rejeitar a pr√≥pria literatura. A literatura art√≠stica √© assim chamada porque descreve a vida como realmente √©. O seu objectivo √© a verdade – incondicional e honestamente. O escritor n√£o √© um confeiteiro, um negociante de cosm√©ticos, algu√©m que entret√©m; √© um homem constrangido pela realiza√ß√£o do seu dever e a sua consci√™ncia. Para um qu√≠mico, nada na terra √© puro. Um escritor tem de ser t√£o objectivo como um qu√≠mico.
Parece-me que o escritor n√£o deveria tentar resolver quest√Ķes como a exist√™ncia de Deus, pessimismo, etc. A sua fun√ß√£o √© descrever aqueles que falam, ou pensam, acerca de Deus e do pessimismo, como e em que circunst√Ęncias. O artista n√£o deveria ser juiz dos seus personagens e das suas conversas, mas apenas um observador imparcial.
Têm razão em exigir que um artista deva ter uma atitude inteligente em relação ao seu trabalho, mas confundem duas coisas: resolver um problema e enunciar correctamente um problema. Para o artista, só a segunda cláusula é obrigatória.
Acusam-me de ser objectivo,

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Um objecto, mesmo que não tenha sido adquirido por meio de roubo, deve ser no entanto considerado como furtado se o possuímos sem dele precisarmos.

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos s√£o
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invas√Ķes; salsugem porca
de esgoto atl√Ęntico; irris√≥ria face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignor√Ęncia;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcion√°rios e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balc√£o de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de af√°veis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;

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O tempo que perdemos a fotografar ou a filmar onde vamos e o que fazemos: mais do que interrup√ß√Ķes, s√£o subtrac√ß√Ķes. O tempo perdido em apontamentos e fotografias √© um est√ļpido virar-de-costas – um roubo – √† riqueza daquela ocasi√£o, sabida, √† partida, finita.

O papel do marido atraiçoado continuará a ser ridículo até o dia em que a sociedade reconhecer que a honra é uma propriedade como qualquer outra, e que, roubado esse património, o desprezo, como punição do delito, deve cair não no que sofre, mas sim no que perpetrou o roubo.

O Amor n√£o Rende Juros

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√Č verdade ¬ęque um baixo amor os fortes enfraquece¬Ľ
mas também o grande amor torna ridículos os grandes,
pois o amor √©, em energia material sobre o mundo, um roubo ‚ÄĒ apesar de, em sensa√ß√Ķes, ser magn√≠fico. 0 amor ser√° √ļtil internamente,
mas externamente n√£o carrega um tijolo.
Disso nunca tive d√ļvidas.

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A vida, √© certo, n√£o ser√° um s√≠tio excepcional para as paix√Ķes.
Nos países humanos, o amor mistura-se muito
com palavras equívocas.
0 fogo que existe numa lareira, por exemplo,
é um fogo servil, cultural, educado.
Uma coisa vermelha, mas mansa,
que nos obedece.
Só é natureza, o fogo na lareira,
quando, vingando-se, provoca um incêndio.
E o amor assim funciona. Mas é preferível o contrário.

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√Č desarranjo de estrat√©gias e planos,
surpresa ritmada, uma ilegalidade exaltante que n√£o prejudica
os vizinhos.
Mas atenção, de novo: o amor não faz bem aos países,
n√£o desenvolve as suas ind√ļstrias, nem a economia.
Disso nunca tive d√ļvidas. E por isso √© prefer√≠vel n√£o.

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No entanto, qual é o país que pode impedir que o amor
entre?

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As Balas

D√° o Outono as uvas e o vinho
Dos olivais o azeite nos é dado
D√° a cama e a mesa o verde pinho
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a chuva o Inverno criador
As sementes da sulcos o arado
No lar a lenha em chama d√° calor
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a Primavera o campo colorido
Glória e coroa do mundo renovado
Aos cora√ß√Ķes d√° amor renascido
As balas d√£o o sangue derramado

D√° o Sol as searas pelo Ver√£o
O fermento ao trigo amassado
No esbraseado forno d√° o p√£o
As balas d√£o o sangue derramado

D√° cada dia ao homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
D√° a conquista um puro sentimento
As balas d√£o o sangue derramado

Do meditar, concluir, ir e fazer
D√° sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo de viver
As balas d√£o o sangue derramado

D√° a certeza o querer e o concluir
O que tanto nos nega o ódio armado
Que a vida construir é destruir
Balas que o sangue derramado

Que as balas só dão sangue derramado
Só roubo e fome e sangue derramado
Só ruína e peste e sangue derramado
Só crime e morte e sangue derramado.

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Um objeto, mesmo que não tenha sido adquirido por meio de roubo, deve ser no entanto considerado furtado se o possuímos sem dele precisarmos

Saudação aos que Vão Ficar

Como ser√° o Brasil
no ano dois mil?
As crianças de hoje,
j√° velhinhas ent√£o,
lembrar√£o com saudade
deste antigo país,
desta velha cidade?
Que emoção, que saudade,
ter√° a juventude,
acabada a gravidade?
Respeitar√£o os papais
cheios de mocidade?
Que diferença haverá
entre o av√ī e o neto?
Que novas rela√ß√Ķes e enganos
inventar√£o entre si
os seres desumanos?
Que lei impedir√°,
libertada a molécula
que o homem, cheio de ardor,
atravesse paredes,
buscando seu amor?
Que lei de tr√°fego impedir√° um inquilino
– ante o lugar que vence –
de voar para lugar distante
na casa que n√£o lhe pertence?
Haver√° mais l√°grimas
ou mais sorrisos?
Mais loucura ou mais juízo?
E o que será loucura? E o que será juízo?
A propriedade, ser√° um roubo?
O roubo, o que ser√°?
Poderemos crescer todos bonitos?
E o belo n√£o passar√° ent√£o a ser feiura?
Haverá entre os povos uma proibição
de criar pessoas com mais de um metro e oitenta?
Mas a R√ļssia (v√° l√°,

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