Cita√ß√Ķes sobre Sacos

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Frases sobre sacos, poemas sobre sacos e outras cita√ß√Ķes sobre sacos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

De vez em quando eu n√£o sei o que fazer comigo mesmo e com o meu g√™nio. √Č um saco estar sorrindo e dois minutos depois chorando.

O Último Negócio

Certa manh√£
ia eu pelo caminho pedregoso,
quando, de espada desembainhada,
chegou o Rei no seu carro.
Gritei:
‚ÄĒ Vendo-me!
O Rei tomou-me pela m√£o e disse:
‚ÄĒ Sou poderoso, posso comprar-te.
Mas de nada lhe serviu o seu poder
e voltou sem mim no seu carro.

As casas estavam fechadas
ao sol do meio dia,
e eu vagueava pelo beco tortuoso
quando um velho
com um saco de oiro às costas
me saiu ao encontro.
Hesitou um momento, e disse:
‚ÄĒ Posso comprar-te.
Uma a uma contou as suas moedas.
Mas eu voltei-lhe as costas
e fui-me embora.

Anoitecia e a sebe do jardim
estava toda florida.
Uma gentil rapariga
apareceu diante de mim, e disse:
‚ÄĒ Compro-te com o meu sorriso.
Mas o sorriso empalideceu
e apagou-se nas suas l√°grimas.
E regressou outra vez à sombra,
sozinha.

O sol faiscava na areia
e as ondas do mar
quebravam-se caprichosamente.
Um menino estava sentado na praia
brincando com as conchas.
Levantou a cabeça
e,

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Das ilus√Ķes Meu saco de ilus√Ķes, bem cheio tive-o. Com ele ia subindo a ladeira da vida. E, no entretanto, ap√≥s cada ilus√£o perdida… Que extraordin√°ria sensa√ß√£o de al√≠vio!

Fim-de-Semana em Casa

√Č s√°bado. √Č Inverno. √Č dia de acastelar. Sa√≠mos com sacos, ¬ętupper-wares¬Ľ, rolos de notas e troco, listas.
Vamos aos mercados, às lojas, aos restaurantes. O objectivo é enchermo-nos de víveres, jornais e revistas, queijinhos frescos, nozes e avelãs, coentros e beringelas, feijoadas de chocos e caldeiradas, velharias, bolos e pilhas sobressalentes.
S√≥ o bastante para nos acastelarmos em casa, repimp√Ķes, com tudo ao nosso alcance, at√© √† long√≠nqua segunda-feira. Dia em que sa√≠remos – talvez – quando todos os forasteiros e fim-de-semaneiros tiverem voltado para casa deles.
Não temos um fosso ou sequer um ferrolho na porta Рmas corremo-lo à mesma, idealmente, tropeçando de verdade nas cabeças de alhos-porros e nas ramas das beterrabas, protuberando dos sacos de plástico deitados, mortos, no chão da cozinha.
Ser√° a mentalidade medieval do campismo ou o ideal ¬ęhippy¬Ľ da auto-sufici√™ncia? N√£o. Constitui a√ßambarcamento? √Č anti-social? Tamb√©m n√£o. √Č apenas o prazer do ninho. Com ameias.
Quanto pior o tempo, melhor sabe fecharmo-nos no nosso castelinho, seguros que estamos abastecidos, de tudo, para dois dias inteiros, prontos para sobrevivermos alegremente até ao fim do fim-de-semana. Cá nos acastelamos e cá nos vamos arranjando.
Noutra dimensão, graças a compras sabichonas,

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Eu conheci o grau de agressividade do PT, sei como é. Eu já falava isso, tem muito chato neste PT. Ficam enchendo o saco da gente, enchendo o saco dos artistas, cobrando isso e aquilo.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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Can√ß√Ķes com mensagens s√£o, como todo mundo sabe, um saco. S√≥ editores de jornais de faculdade e garotas com menos de quatorze anos t√™m tempo para elas.

Não Tenho Ninguém em Quem Confiar

Estou cansado de confiar em mim pr√≥prio, de me lamentar a mim mesmo, de me apiedar, com l√°grimas, sobre o meu pr√≥prio eu. Acabo de ter uma esp√©cie de cena com a tia Rita acerca de F. Coelho. No fim dela senti de novo um desses sintomas que cada vez se tornam mais claros e sempre mais horr√≠veis em mim: uma vertigem moral. Na vertigem f√≠sica h√° um rodopiar do mundo externo em rela√ß√£o a n√≥s: na vertigem moral, um rodopiar do mundo interior. Parece-me perder, por momentos, o sentido da verdadeira rela√ß√£o das coisas, perder a compreens√£o, cair num abismo de suspens√£o mental. √Č uma pavorosa sensa√ß√£o esta de uma pessoa se sentir abalada por um medo desordenado.
Estes sentimentos v√£o-se tornando comuns, parecem abrir-me o caminho para uma nova vida mental, que acabar√° na loucura. Na minha fam√≠lia n√£o h√° compreens√£o do meu estado mental ‚ÄĒ n√£o, nenhuma. Riem-se de mim, escarnecem-me, n√£o me acreditam. Dizem que o que eu pretendo √© mostrar-me uma pessoa extraordin√°ria. Nada fazem para analisar o desejo que leva uma pessoa a querer ser extraordin√°ria. N√£o podem compreender que entre ser-se e desejar-se ser extraordin√°rio n√£o h√° sen√£o a diferen√ßa da consci√™ncia que √© acrescentada ao facto de se querer ser extraordin√°rio.

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Somos o Casamento da Noite com o Sangue

Meu amor, ao fechar esta porta nocturna
peço-te, amor, uma viagem por um escuro recinto:
fecha os teus sonhos, entra com teu céu nos meus olhos,
estende-te no meu sangue como num largo rio.

Adeus, adeus, cruel claridade que foi caindo
no saco de cada dia do passado,
adeus a cada raio de relógio ou laranja,
salve, ó sombra, intermitente companheira!

Nesta nau ou √°gua ou morte ou nova vida,
uma vez mais unidos, adormecidos, ressuscitados,
somos o casamento da noite com o sangue.

N√£o sei quem vive ou morre, quem repousa ou desperta,
mas é o teu coração que distribui
no meu peito os dons da aurora.

As Vantagens do Exercício Físico

Sempre acreditei que o exerc√≠cio f√≠sico √© a chave n√£o apenas da sa√ļde f√≠sica mas tamb√©m da paz de esp√≠rito. Muitas vezes, nos velhos tempos, eu descarregava a minha raiva e frustra√ß√£o no saco de boxe, em vez de o fazer num camarada ou at√© num pol√≠cia. O exerc√≠cio dissipa a tens√£o e a tens√£o √© a inimiga da serenidade. Descobri que trabalhava melhor e pensava com mais clareza quando estava em boa condi√ß√£o f√≠sica, e, por isso, o treino tornou-se uma das disciplinas r√≠gidas da minha vida. Na pris√£o, era absolutamente indispens√°vel ter um escape para as minhas frustra√ß√Ķes.

Escrever é Triste

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, puré de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
O que voc√™ perde em viver, escrevinhando sobre a vida. N√£o apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem voc√™, porque com voc√™ n√£o √© poss√≠vel contar. Voc√™ esperando que os outros vivam, para depois coment√°-los com a maior cara-de-pau (“com isen√ß√£o de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divaga√ß√£o descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei propriet√°rio do universo, que escolhe para o seu jantar de not√≠cias um terremoto, uma revolu√ß√£o, um adult√©rio grego ‚ÄĒ √†s vezes nem isso, porque no painel imenso voc√™ escolhe s√≥ um besouro em campanha para verrumar a madeira.

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