Cita√ß√Ķes sobre Sanidade

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Ideais Insanos

Um homem louco √© aquele cuja maneira de pensar e agir n√£o se coaduna com a maioria dos seus contempor√Ęneos. A sanidade mental √© uma quest√£o de estat√≠stica. Aquilo que a maioria dos Homens faz em qualquer dado lugar e per√≠odo √© a coisa ajuizada e normal a fazer. Esta √© a defini√ß√£o de sanidade mental na qual baseamos a nossa pr√°tica social. Para n√≥s, aqui e agora, s√£o muitos os de mentalidade s√£ e poucos os loucos. Mas os julgamentos, aqui e agora, s√£o por sua natureza provis√≥rios e relativos. O que nos parece sanidade mental, a n√≥s, porque √© o comportamento de muitos, pode parecer, sub specie oeternitalis, uma loucura. Nem √© preciso invocar a eternidade como testemunho. A Hist√≥ria √© suficiente. A maioria auto-intitulada de mentalmente s√£, em qualquer dado momento, pode parecer ao historiador, que estudou os pensamentos e ac√ß√Ķes de inumer√°veis mortos, uma escassa m√£o-cheia de lun√°ticos. Considerando o assunto de outro ponto de vista, o psic√≥logo pode chegar √† mesma conclus√£o. Ele sabe que a mente consiste de tais e tais elementos, que existem e devem ser tidos em conta. Se um homem tenta viver como se certos destes elementos constituintes do seu ser n√£o existissem,

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Símios Aperfeiçoados

√Č preciso viver em estado de preven√ß√£o. N√£o ir na enxurrada do colectivismo e morrer afogado num bairro econ√≥mico ou numa col√≥nia balnear, resistir √†s press√Ķes pol√≠ticas mirabolantes, quer sejam de uma banda ou de outra, manter a condi√ß√£o do homem-artista em luta com o homem-massa foi sempre o que em mim se tornou claro desde que aos poucos tomei posse da minha personalidade. √Č fatal que se caminhe para a sanidade de vida das classes baixas, √© humano que isso se fa√ßa, no entanto tamb√©m √© humano, mais talvez, que se lute desesperadamente para que a condi√ß√£o mais sagrada do homem evolua libertando-se das massas satisfeitas com a assist√™ncia m√©dica, televis√£o e funeral pago. Essa massa vai criar um novo esp√≠rito animal, vai catalogar-se em Darwin e, convencidos que essa massa est√° feliz, constatamos ao fim de pouco tempo que esses grandes grupos de popula√ß√Ķes standardizadas deixaram de pensar e o seu sentir √© apenas tactual, sem nada de sublima√ß√£o em momentos mais √≠ntimos.
O mundo que pensa, do artista e do intelectual, tem de libertar-se do incómodo desses homens que trouxeram como contribuição para a humanidade uma ideia abstracta do colectivo em marcha, que passaram a emitir sons,

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O que √© ler um romance? √Č pensar que a narrativa √© verdadeira e fazer crer que havia uma mulher que se chamava Madame Bovary e um homem que se chamava Raskolnikov. A sanidade mental consiste em fazer que o leitor deixe o romance com aquela sensa√ß√£o que [Samuel] Coleridge chamava a ‘suspens√£o da descren√ßa’.

Apaixonar-se, apesar de tudo, é uma prova de sanidade mental, pois no amor descobrimos uma generosidade ilimitada.

Pensando bem, a mais ténue fronteira entre a sanidade e a loucura não poderá traçar-se noutro lugar senão aí mesmo: na possibilidade de, para além de tudo o mais, um homem continuar a admirar o seu pai. Pobres daqueles que não o consigam nunca.