Cita√ß√Ķes sobre Visita

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Frases sobre visita, poemas sobre visita e outras cita√ß√Ķes sobre visita para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Meu Primeiro Poema

T√™m-me perguntado muitas vezes quando escrevi o primeiro poema, quando nasceu a minha poesia. Tentarei record√°-lo. Muito para tr√°s, na minha inf√Ęncia, mal sabendo ainda escrever, senti uma vez uma intensa como√ß√£o e rabisquei umas quantas palavras semi-rimadas, mas estranhas para mim, diferentes da linguagem quotidiana. Passei-as a limpo num papel, dominado por uma ansiedade profunda, um sentimento at√© ent√£o desconhecido, misto de ang√ļstia e de tristeza. Era um poema dedicado √† minha m√£e, ou seja, √†quela que conheci como tal, a ang√©lica madrasta cuja sombra suave me protegeu toda a inf√Ęncia. Completamente incapaz de julgar a minha primeira produ√ß√£o, levei-a aos meus pais. Eles estavam na sala de jantar, afundados numa daquelas conversas em voz baixa que dividem mais que um rio o mundo das crian√ßas e o dos adultos. Estendi-lhes o papel com as linhas, tremente ainda da primeira visita da inspira√ß√£o. O meu pai, distraidamente, tomou-o nas m√£os, leu-o distraidamente, devolveu-mo distraidamente, dizendo-me:
‚ÄĒ Donde o copiaste?

E continuou a falar em voz baixa com a minha mãe dos seus importantes e remotos assuntos. Julgo recordar que nasceu assim o meu primeiro poema e que assim tive a primeira amostra distraída de crítica literária.

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Perceba em profundidade que o momento presente √© tudo o que alguma vez ter√°. Torne o Agora no foco principal da sua mente. Enquanto anteriormente o leitor vivia no tempo e fazia breves visitas ao Agora, neste momento fa√ßa dele o lugar onde habita e preste breves visitas ao passado e ao futuro quando for necess√°rio para lidar com os aspectos pr√°ticos da sua situa√ß√£o. Diga sempre ¬ęsim¬Ľ ao momento presente.

A Poesia

… Quantas obras de arte… J√° n√£o cabem no mundo… Temos de as pendurar fora dos quartos… Quantos livros… Quantos livrecos… Quem ser√° capaz de os ler?… Se fossem comest√≠veis… Se numa panela de grande calado os fiz√©ssemos em salada, os pic√°ssemos, os alinh√°ssemos… J√° n√£o se pode mais… Estamos at√© ao pesco√ßo… O mundo afoga-se na mar√©… Reverdy dizia-me: ¬ęAvisei o correio para que n√£o me trouxesse mais livros… N√£o poderia abri-los. N√£o tenho espa√ßo. Trepam pelas paredes, temi uma cat√°strofe, ruiriam em cima da minha cabe√ßa¬Ľ… Todos conhecem Eliot… Antes de ser pintor, de dirigir teatros, de escrever luminosas cr√≠ticas, lia os meus versos… Sentia-me lisonjeado… Ningu√©m os compreendia melhor… At√© que um dia come√ßou a ler-me os seus e eu, egoisticamente, corri a protestar: ¬ęN√£o mos leia, n√£o mos leia¬Ľ… Fechei-me no quarto de banho, mas Eliot, atrav√©s da porta, lia-mos… Fiquei muito triste… O poeta Frazer, da Esc√≥cia, estava presente… Increpou-me: ¬ęPorque tratas assim Eliot?¬Ľ… Respondi: ¬ęN√£o quero perder o meu leitor. Cultivei-o. Conhece at√© as rugas da minha poesia… Tem tanto talento… Pode fazer quadros… Pode escrever ensaios… Mas eu quero manter este leitor, conserv√°-lo, reg√°-lo como planta ex√≥tica… Compreendes-me, Frazer?¬Ľ… Porque a verdade, se isto continua,

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W.C.

Neste país onde ninguém sabe
como obram as musas,
j√° dizia o outro,
fazer versos realmente versos,
que sigam o espasmo do √Ęnus provecto
dessas criaturas f√ļteis, decantadas,
ainda é e será muito difícil.

Existe sempre um braço etéreo
que puxa o autoclismo
no momento exacto da defecação.
Ouve-se um ruído,
alguém pergunta ao outro o que se passa:
¬ę√Č o som das √°guas que bate na garganta.¬Ľ
Aliviados ent√£o os cora√ß√Ķes repousam
na sala de visitas da casa devassada
a que chamam d’alma.

Precisamos de descobrir o prazer nos pequenos est√≠mulos do ambiente que nos cerca. Tudo parece comum aos nossos olhos, embora tudo seja um mist√©rio. Pensa que conhece as pessoas com quem trabalha e convive, mas n√£o conhece nem a sala de visitas da sua personalidade. A vida parece uma insol√ļvel rotina, mas no fundo tudo √© bastante novo. At√© a lembran√ßa do passado nunca √© a mesma. Ao resgatar o passado acrescentamos cores e sabores do presente.

Os Professores

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que √© trabalhado pelos professores n√£o pode ser quantificado. N√£o h√° n√ļmeros ou casas decimais com suficiente precis√£o para medi-lo. A falta de quantifica√ß√£o n√£o √© culpa dos assuntos inquantific√°veis, √© culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores n√£o vendem o material que trabalham, oferecem-no. N√≥s, com o tempo, com os anos, com a dist√Ęncia entre n√≥s e n√≥s, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material √© nosso, achamos que n√≥s pr√≥prios somos esse material. Por ironia ou capricho, √© nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva.

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Visitar e Ser Visitado

Parece-me quase natural o facto de vermos muitos defeitos nas nossas visitas e de fazermos ju√≠zos pouco agrad√°veis mal elas saem. Porque temos, digamos assim, o direito de as avaliar segundo os nossos padr√Ķes e, em tais situa√ß√Ķes, mesmo as pessoas compreensivas e moderadas dificilmente se abst√™m de fazer uma cr√≠tica rigorosa.
Pelo contr√°rio, quando se foi a casa de algu√©m e se viu essa pessoa no seu ambiente, no meio daquilo que lhe √© habitual, numa situa√ß√£o que n√£o pode ser outra, quando se viu como essas circunst√Ęncias influem na pessoa ou como ela se lhes adapta, s√≥ por m√° vontade ou por manifesta incompreens√£o se pode ridicularizar aquilo que, enquanto l√° est√°vamos, n√£o p√īde deixar de nos parecer, por mais que uma raz√£o, digno de ser respeitado.

No meio da vida acontece que a morte surge e mede o homem. A visita é esquecida e a vida continua. Mas o fato está feito, silenciosamente.

A Vida Vazia da Cidade

Instal√°mo-nos, portanto, na cidade. A√≠ toda a vida √© suport√°vel para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu h√° muito. Falta tempo para o exame de consci√™ncia. As ocupa√ß√Ķes, os neg√≥cios, os contactos sociais, a sa√ļde, as doen√ßas e a educa√ß√£o das crian√ßas preenchem-nos o tempo. T√£o depressa se tem de receber visitas e retribu√≠-las, como se tem de ir a um espect√°culo, a uma exposi√ß√£o ou a uma confer√™ncia.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.

A desilusão de agora será a benção de amanhã. E a desilusão é a visita da verdade.

Sem outra Palavra para Mantimento

Sem outra palavra para mantimento
Sem outra força onde gerar a voz
Escada entre o poço que cavaste em mim e a sede
Que cavaste no meu canto, amo-te
Sou cítara para tocar as tuas mãos.
Podes dizer-me de um f√īlego
Frase em silêncio
Homem que visitas
√ď seiva aspergindo as part√≠culas do fogo
O lume em toda a casa e na paisagem
Fora da casa
Pedra do edifício aonde encontro
A porta para entrar
Candelabro que me vens cegando.
Sol
Que quando és nocturno ando
Com a noite em minhas m√£os para ter luz.

Queixas de um Utente

Pago os meus impostos, separo
o lixo, j√° n√£o vejo televis√£o
h√° cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
p√ļblicos, raramente me esque√ßo
de deixar √°gua fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e n√£o cuspo
na sombra dos outros.

Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
n√£o estou a ver resultado nenhum.

As Melhores Ac√ß√Ķes Perdem Efeito Pela Forma Como S√£o Executadas

As melhores ac√ß√Ķes se alteram e enfraquecem pela maneira por que s√£o praticadas, e deixam at√© duvidar das inten√ß√Ķes. Aquele que protege ou louva a virtude pela virtude, que corrige e reprova o v√≠cio por causa do v√≠cio, simplesmente, naturalmente, sem nenhum rodeio, sem nenhuma singularidade, sem ostenta√ß√£o, sem afecta√ß√£o: n√£o usa respostas graves e sentenciosas, ainda menos os detalhes picantes e sat√≠ricos; n√£o √© nunca uma cena que ele representa para o p√ļblico, √© um bom exemplo que d√° e um dever que cumpre; n√£o fornece nada √†s visitas das mulheres, nem ao pavilh√£o, nem aos jornalistas; n√£o d√° a um homem espirituoso mat√©ria para boa anedota. O bem que acaba de fazer √© um pouco menos sabido e conhecido pelos outros, na verdade; mas fez esse bem; que √© que ele queria mais ?

Depois, só tinha pensamentos de prisioneiro. Aguardava o passeio diário no pátio ou a visita do advogado. O restante do meu tempo eu coordenava muito bem. Nessa época pensei muitas vezes que se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação além de olhar a flor do céu acima da minha cabeça, eu teria me habituado aos poucos. Teria esperado a passagem dos pássaros ou os encontros entre as nuvens tal como esperava aqui as estranhas gravatas do advogado, e, como num outro mundo, esperava até sábado para estreitar nos meus braços o corpo de Marie. Ora, a verdade, afinal é que eu não estava numa árvore seca. Havia pessoas mais infelizes do que eu. Era, aliás, uma idéia de mamãe, e ela repetia com frequência que acabávamos acostumando-nos a tudo.

Amor

Quando é noite, e, na voz da Imensidade,
Um alto sonho em l√°grimas crepita,
Tua graça de morte me visita,
Teu olhar √© um sorriso de saudade…

E a tua Ausência intimamente invade
Meu coração que morto inda palpita;
E a l√°grima que eu sangro se ilimita,
Reflecte em sua dor a eternidade!

Vens de Além; são de sombras teus vestidos;
Tua noite de morte me ilumina,
Confundimos em √™xtase os sentidos…

Um canto ri na cruz da nossa dor;
Canto onde brilha uma oração divina,
Morre o Desejo e principia o Amor!

Receita para o Sucesso e Boa Fama

Nunca te lances em v√°rias empresas ao mesmo tempo: n√£o ser√°s admirado por te dispersares. Mais vale ser bem sucedido numa √ļnica, mas brilhante. Falo por experi√™ncia.
No início da tua carreira, não te poupes nem a longas horas de reflexão nem aos mais rudes esforços. Também não tomes iniciativas, se não tiveres a certeza de ter bom êxito. Tão brilhante quando te estreias como em qualquer outra coisa: uma vez conquistada a fama, mesmo os teus erros serão títulos de glória.
Quando estiveres assoberbado por um assunto que te compete, recusa completamente tudo o que possa distrair a tua aten√ß√£o. De facto, se se perceber que faltaste – ainda que minimamente – aos deveres do teu cargo, imediatamente isso te ser√° apontado. E, n√£o obstante tudo o mais que possas ter feito, n√£o obstante o fardo das preocupa√ß√Ķes que te oprimiam, a tua falha ser√° imputada a essa tarefa suplementar.
Quando te lan√ßas numa empresa, nunca te associes a uma pessoa mais competente ou mais experiente que tu. De igual modo, quando visitas algu√©m, n√£o te fa√ßas acompanhar por um terceiro que tenha melhores rela√ß√Ķes com o anfitri√£o que tu.
Se tiveres de deixar um cargo,

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