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Lembrai-vos de viver antes de quererdes saber o para quê; e verificareis que, tendo vivido, a pergunta deixa de ter sobre vós o seu peso terrível.

As Verdadeiras Qualidades ao Alcance de qualquer Ser Humano

Ao avaliar o nosso progresso como indiv√≠duos, tendemos a concentrar-nos nos factores externos como a nossa posi√ß√£o social, a influ√™ncia e a popularidade, a riqueza e o n√≠vel de instru√ß√£o. Como √© evidente, s√£o importantes para medir o nosso sucesso nas quest√Ķes materiais, e √© bem compreens√≠vel que muitas pessoas se esforcem principalmente por alcan√ßar todos eles. Mas os factores internos podem ser ainda mais cruciais para determinar o nosso desenvolvimento como seres humanos. A honestidade, a sinceridade, a simplicidade, a humildade, a pura generosidade, a aus√™ncia de vaidade, a prontid√£o para servir os outros – qualidades que est√£o facilmente ao alcance de qualquer criatura -, formam a base da nossa vida espiritual.

O Orgulho de Ser Português

Aquelas qualidades que se revelaram e fixaram e fazem de n√≥s o que somos e n√£o outros; aquela do√ßura de sentimentos, aquela mod√©stia, aquele esp√≠rito de humanidade, t√£o raro hoje no mundo; aquela parte de espiritualidade que, mau grado tudo que a combate inspira ainda a vida portuguesa; o √Ęnimo sofredor; a valentia sem alardes; a facilidade de adapta√ß√£o e ao mesmo tempo a capacidade de imprimir no meio exterior os tra√ßos do modo de ser pr√≥prio; o apre√ßo dos valores morais; a f√© no direito, na justi√ßa, na igualdade dos homens e dos povos; tudo isso, que n√£o √© material nem lucrativo, constitui tra√ßos do car√°cter nacional. Se por outro lado contemplamos a Hist√≥ria maravilhosa deste pequeno povo, quase t√£o pobre hoje como antes de descobrir o mundo; as pegadas que deixou pela terra de novo conquistada ou descoberta; a beleza dos monumentos que ergueu; a l√≠ngua e literatura que criou; a vastid√£o dos dom√≠nios onde continua, com exemplar fidelidade √† sua Hist√≥ria e car√°cter, alta miss√£o civilizadora – concluiremos que Portugal vale bem o orgulho de se ser portugu√™s.

Linda Inês

Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As l√°grimas choradas n√£o secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela m√° ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores n√£o passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

√ď Linda, sonha a√≠, posta em soss√™go
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade!

Eu tenho o cérebro de uma criança de quatro anos. Aposto em como ele está contente por se ter visto livre dele.

…tudo o que n√£o sou n√£o pode me interessar, h√° a impossibilidade de ser al√©m do que se √©… (Perto do Cora√ß√£o Selvagem)

A concepção de organismo humano esboçado neste livro e a relação entre emoção e a razão que emerge dos resultados aqui discutidos sugerem, no entanto, que o fortalecimento da racionalidade requer que seja dada maior atenção à vulnerabilidade do mundo interior.

A vida √© apenas uma vis√£o moment√Ęnea das maravilhas deste assombroso universo, e √© triste que tantos se desgastem sonhando com fantasias espirituais.

N√£o importa quantas moedas voc√™ joga na fonte, ou o n√ļmero de dedos que voc√™ cruza, se n√£o √© pra ser n√£o vai ser.

O Progresso Real não se Deve aos Génios

√Č opini√£o, pode dizer-se, universal, que o conhecimento humano deve a maior parte do seu progresso √†queles g√©nios supremos que surgem de quando em quando, um agora, outro depois, que s√£o quase milagres da natureza. Eu, pelo contr√°rio, penso que ele deva a sua maior parte aos g√©nios comuns, e muito pouco aos extraordin√°rios. Um destes, suponhamos, depois de ter preenchido com a erudi√ß√£o a √°rea do conhecimento dos seus contempor√Ęneos, avan√ßa no saber, digamos, dez passos em frente. Os outros homens, por√©m, n√£o s√≥ n√£o se aprestam a segui-lo como, a maior parte das vezes, isto para n√£o dizer pior, se riem do seu progresso.
Entretanto muitos g√©nios med√≠ocres, valendo-se em parte, talvez, dos pensamentos e das descobertas daquele extraordin√°rio, mas principalmente atrav√©s de estudos deles pr√≥prios, d√£o um passo em conjunto; e, nesse passo, dada a pequenez do espa√ßo, isto √©, a reduzida novidade das suas opini√Ķes, e tamb√©m devido ao elevado n√ļmero daqueles que s√£o os seus autores, ao fim de alguns anos s√£o universalmente seguidos. Assim, avan√ßando, como √© seu h√°bito, a pouco e pouco, e por obra e a exemplo de outros intelectos med√≠ocres, os homens completam, finalmente, o d√©cimo passo; e as opini√Ķes daquele g√©nio extraordin√°rio s√£o geralmente aceites como verdadeiras em todos os pa√≠ses civilizados.

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O Teu Olhar

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pend√Ķes ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde n√£o cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lan√ßas nuas em r√ļtilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a √ćndia, a vis√£o do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-te t√£o grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

A Rua Dos Cataventos – XVII

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cad√°veres eu sou
O mais desnudo, o que n√£o tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como √ļnico bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladr√Ķes de estrada!
Pois dessa m√£o avaramente adunca
N√£o haver√£o de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto n√£o se apaga nunca!