Cita√ß√Ķes sobre Am√©rica

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Frases sobre am√©rica, poemas sobre am√©rica e outras cita√ß√Ķes sobre am√©rica para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Neruda e García Lorca em Homenagem a Rubén Dario

Eis o texto do discurso:

Neruda: Senhoras…

Lorca: …e senhores. Existe na lide dos touros uma sorte chamada ¬ętoreio dei alim√≥n¬Ľ, em que dois toureiros furtam o corpo ao touro protegidos pela mesma capa.

Neruda: Federico e eu, ligados por um fio eléctrico, vamos emparelhar e responder a esta recepção tão significativa.

Lorca: √Č costume nestas reuni√Ķes que os poetas mostrem a sua palavra viva, prata ou madeira, e sa√ļdem com a sua voz pr√≥pria os companheiros e amigos.

Neruda: Mas n√≥s vamos colocar entre v√≥s um morto, um comensal vi√ļvo, escuro nas trevas de uma morte maior que as outras mortes, vi√ļvo da vida, da qual foi na sua hora um marido deslumbrante. Vamos esconder-nos sob a sua sombra ardente, vamos repetir-lhe o nome at√© que a sua grande for√ßa salte do esquecimento.

Lorca: N√≥s, depois de enviarmos o nosso abra√ßo com ternura de pinguim ao delicado poeta Amado Villar, vamos lan√ßar um grande nome sobre a toalha, na certeza de que v√£o estalar as ta√ßas, saltar os garfos, buscando o olhar que todos anseiam, e que um golpe de mar h√°-de manchar as toalhas. N√≥s vamos evocar o poeta da Am√©rica e da Espanha: Rub√©n…

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Pelo Tejo Vai-se para o Mundo

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
√Č mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia n√£o faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Gonçalves Crespo

Esta musa da p√°tria, esta saudosa
Niobe dolorida,
Esquece acaso a vida,
Mas n√£o esquece a morte gloriosa.

E p√°lida, e chorosa,
Ao Tejo voa, onde no chão caída
Jaz aquela evadida
Lira da nossa América viçosa.

Com ela torna, e, dividindo os ares,
Trépido, mole, doce movimento
Sente nas frouxas cordas singulares.

Não é a asa do vento,
Mas a sombra do filho, no momento
De entrar perpetuamente os p√°trios lares.

M√°quina Alguma de Poupar Trabalho

M√°quina alguma de poupar trabalho
eu fiz, nada inventei,
nem sou capaz de deixar para tr√°s
nenhum rico donativo
para fundar um hospital ou uma biblioteca,
reminiscência alguma
de um acto de bravura pela América,
nenhum sucesso liter√°rio ou intelectual,
nem mesmo um livro bom para as estantes
‚ÄĒ apenas uns poucos cantos
vibrando no ar eu deixo
aos camaradas e amantes.

√Č sua fotografia tanto quanto sua hist√≥ria, que me comove. Olhando sua fotografia ‚Äėreconhe√ßo‚Äô sua vida. √Č uma mulher muito negra [‚Ķ], com os olhos espantados e ofendidos dos pobres inteligentes. S√≥ olhando a fotografia podemos saber que ela √© o √ļnico meio de sustento dos filhos, pois o pesco√ßo √© t√£o r√≠gido quanto os tra√ßos s√£o suaves [‚Ķ] na minha imagina√ß√£o ela √© a primeira das nossas m√£es arrastadas, maltratadas e resistindo sempre, para a Am√©rica.

A fun√ß√£o da juventude depende do lugar em que residem. Por exemplo: para que servem os rapazes e as mo√ßas da Am√©rica? Resposta: para consumirem maci√ßamente. E os corol√°rios desse tipo de consumo s√£o: comunica√ß√Ķes em massa, publicidade em massa. Narc√≥ticos em massa (sob a forma de televis√£o, tranquilizantes, pensamentos positivos e cigarro). Agora que a Europa tamb√©m ingressou na produ√ß√£o em massa, para que servir√£o os seus rapazes e mo√ßas? Para consumirem maci√ßamente, exatamente como a juventude da Am√©rica. [‚Ķ] O destino da mocidade deve ser apenas se desenvolver harmoniosamente e se transformar em adultos plenamente realizados.

A história da escravidão africana na América é um abismo de degradação e miséria que se não pode sondar.

A Tirania Intelectual do N√ļmero

¬ęUma das mais estranhas ideias do vulgo, previu Henry Maine, √© que o sufr√°gio universal pode promover e promover√° progresso, criando novas ideias, novas inven√ß√Ķes, novas artes. Mas as probabiblidades s√£o para que s√≥ produza uma forma nociva de conservantismo¬Ľ. Temos de admitir, com os ingleses ricos em preconceitos, que a democracia √© hostil ao g√©nio e √† arte. Porque ela s√≥ d√° valor ao que cabe dentro da compreens√£o dos esp√≠ritos m√©dios; quando v√™ erguer-se o pal√°cio de um cinema, julga tratar-se do P√°rtenon; ¬ęse dependesse da assembleia ateniense nunca o mundo teria a Acr√≥pole¬Ľ (Plutarco, Vida de P√©ricles).
A tirania intelectual do n√ļmero pode tornar-se t√£o torturante como a dos monarcas; em alguns estados americanos o conhecimento acima de um certo limite j√° √© considerado coisa perigosa. A desconfian√ßa que a democracia tem da individualidade decorre da teoria da igualdade; desde que todos s√£o iguais, basta a contagem dos narizes para a descoberta da verdade ou a santifica√ß√£o de um costume. E a democracia n√£o √© apenas uma filha da era da m√°quina que governa por meio de ¬ęm√°quinas¬Ľ; ainda encerra em si a potencialidade da mais terr√≠vel das m√°quinas – a compuls√£o dos ignorantes contra a diferen√ßa,

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Como te Tens Lembrado Hoje de Mim?

O que tens tu feito, amor? Andar√°s, como segunda-feira, cavaleiro andante a flirtar √†s janelas das ruas do Alto do Pina, com damas de cem anos?… Cem anos, pelo menos… Eu creio mesmo que tu disseste mais alguns… Sempre est√°s uma prenda, um espertalh√£o… Tenho que te educar convenientemente e ensinar-te que damas de cem anos e mulheres que fazem queijadas, n√£o servem, ou pelo menos n√£o devem servir, a quem tem a suprema felicidade de possuir uma mulher como eu, que sou uma p√©rola, ou por outra: um colar de p√©rolas, como ontem gentilmente me chamaste… Est√°s de acordo, n√£o √© verdade?

A tua pequenina fera está há imenso tempo ansiosa que a chuva acabe, para deitar o focinhito fora do covil, ao menos por cinco minutos; mas não há meio, o diabo da chuva continua a cair sem piedade e daqui a pouco a ferazinha sai mesmo com chuva e tudo. Há tanto tempo que não saio! Em horas de concentração de consciência, eu ponho-me a pensar que nunca julguei capaz que um homem pudesse fazer da Miss América, como muita gente me chamava dantes, esta burguezinha pacata, que, detrás dos vidros duma janela, passa a vida a fazer rendas,

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N√£o tinha exactamente saudades deles: tinha talvez saudades do que eu pr√≥prio era na presen√ßa deles, desse mi√ļdo rebelde e terno que o tempo e a Am√©rica e a morte e a perda da inoc√™ncia e o t√©dio, no seu sempre infernal encolher de ombros, se haviam encarregado de adestrar.

Pequena América

Quando vejo a forma
da América no mapa,
amor, é a ti que eu vejo:
as alturas do cobre em tua cabeça,
os teus peitos, trigo e neve,
a tua cintura delgada,
velozes rios que palpitam, doces
colinas e prados
e no frio do sul teus pés completam
a sua geografia de ouro duplicado.

Amor, se te toco,
minhas m√£os n√£o percorrem
apenas as tuas delícias,
mas ramos e terras, frutos e √°gua,
a primavera que eu amo,
a lua do deserto, o peito
das pombas selvagens,
a suavidade das pedras polidas
pelas √°guas do mar ou dos rios
e a vermelha espessura
dos matagais onde
a sede e a fome espreitam.
E assim a minha extensa p√°tria me recebe,
pequena América, em teu corpo.

Mais ainda: quando te vejo reclinada,
em tua pele eu vejo, em tua cor de aveia,
a nacionalidade do meu carinho.
Porque dos teus ombros
fita-me, inundado de escuro suor,
o cortador de cana
de Cuba abrasadora,
e através da tua garganta
pescadores que tiritam
nas h√ļmidas casas do litoral
cantam-me o seu segredo.

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Os Homens sem Pé no seu Tempo

Das coisas tristes que o mundo tem, são os homens sem pé no seu tempo. Os desgraçados que aparecem assim, cedo de mais ou tarde de mais, lembram-me na vida terras de ninguém, onde não há paz possível. Imagine-se a dramática situação dum cavernícola transportado aos dias de hoje, ou vice-versa. A cada época corresponde um certo tipo humano. Um tipo humano intransponível, feito da unidade possível em tal ocasião, moldado psicològicamente, e fisiològicamente até, pelas forças que o rodeiam. A Idade Média tinha como valores Aristóteles e os doutores da Igreja. E qualquer espírito coevo, por mais alto que fosse, estava irremediàvelmente emparedado entre a Grécia sem Platão e as colunas do Templo. De nada lhe valia sonhar outro espaço de movimento. Cada inquietação realizava-se ali. O que seria, pois, um Vinci do Renascimento, multímodo, aberto a todos os conhecimentos, a bracejar dentro de tão acanhados muros?

Neste tr√°gico s√©culo vinte, sem qualquer s√©rio conte√ļdo ideol√≥gico, sem nenhuma esp√©cie de grandeza fora do visceral e do som√°tico, todo feito de records org√Ęnicos e de conquistas dimensionais, que serenidade interior poder√° ter algu√©m alicer√ßado em valores religiosos, est√©ticos, morais, ou outros? Nenhuma. Entre o abismo da sua impossibilidade natural de deixar de ser o que √©,

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A Influência dos Livros e dos Jornais

Os jornais e os livros exercem no nascimento e na propaga√ß√£o das opini√Ķes uma influ√™ncia imensa, conquanto inferior √† dos discursos. Os livros actuam muito menos que os jornais, pois a multid√£o n√£o os l√™. Alguns foram, contudo, bastante poderosos pela sua influ√™ncia sugestiva para provocar a morte de milhares de homens. Tais s√£o as obras de Rousseau, verdadeira b√≠blia dos chefes do Terror, ou A Cabana do Pai Tom√°s, que contribuiu muito para a sanguinolenta guerra de secess√£o na Am√©rica do Norte. Outras obras como Robinson Crus√≥e e os romances de J√ļlio Verne exerceram grande influ√™ncia nas opini√Ķes da juventude e determinaram muitas carreiras.
Essa for√ßa dos livros era, sobretudo, consider√°vel quando se lia pouco. A leitura da B√≠blia no tempo de Cromwel criou na Inglaterra um n√ļmero avultado de fan√°ticos. Sabe-se que na √©poca em que foi escrito Dom Quixote, os romances de cavalaria exerciam uma ac√ß√£o t√£o perniciosa em todos os c√©rebros que os soberanos espanh√≥is vedaram, finalmente, a venda desses livros.
Hoje, a influ√™ncia dos jornais √© muito superior √† for√ßa dos livros. S√£o em n√ļmero incalcul√°vel as pessoas que t√™m unicamente a opini√£o do jornal que elas l√™em.

Escritoras são sempre comparadas a algum escritor, que lhes serviria de modelo. Os homens que se dedicam a escrever, particularmente na América Latina, estão determinados a manter a mulher fora do jogo.

A curiosidade, instinto de complexidade infinita, leva por um lado a escutar às portas e por outro a descobrir a América; Рmas estes dois impulsos, tão diferentes em dignidade e resultados, brotam ambos de um fundo intrinsecamente precioso, a actividade do espírito.