Cita√ß√Ķes sobre Antepassados

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Não há memória dos antepassados e também aqueles que lhes sucedem não serão lembrados

Não há memória dos antepassados e também aqueles que lhes sucedem não serão lembrados pelos seus pósteros.

Tempo: o clima do momento. Um t√≥pico de conversa permanente entre pessoas a quem isso n√£o interessa, mas que herdaram essa tend√™ncia de antepassados que andavam nus e para os quais o assunto era de extrema import√Ęncia.

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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A liberdade nunca pode ser tomada por garantida. Cada geração tem de salvaguardá-la e ampliá-la. Os vossos pais e antepassados sacrificaram muito para que pudésseis ter liberdade sem sofrer o que eles sofreram. Usai este direito precioso para assegurar que as trevas do passado nunca voltem.

As Realidades do Sonho

O sonho √© a explos√£o dos s√ļbditos na aus√™ncia do rei. Se o homem fosse um ser √ļnico, n√£o sonharia. Mas cada um de n√≥s √© uma tribo em que somente um chefe tem os privil√©gios da vida iluminada. O chefe √© a pessoa reconhecida pelos semelhantes, o ¬ęmim¬Ľ legal da sociedade e da raz√£o, obrigado a uma concord√Ęncia fixa consigo mesmo. S√≥ ele tem rela√ß√Ķes expressas com o mundo exterior e o √ļnico a reinar nas horas de vig√≠lia. Mas abaixo dele h√° um pequeno povo de cadetes expulsos, de insurrectos punidos, de h√≥spedes indesej√°veis – exilados da zona da consci√™ncia, mas donos do subconsciente, encerrados no subterr√£neo, mas prontos para a evas√£o, vencidos mas n√£o mortos. H√° a crian√ßa que foi renegada pelo jovem, o delinquente imobilizado pela moral e a lei, o louco que todos os dias estende armadilhas √† raz√£o raciocinadora, o poeta que a pr√°tica condenou ao sil√™ncio, o bobo dominado pelas amarguras, o antepassado b√°rbaro que ainda se recorda do machado de pedra e dos festins de Tiestes.
O eu quotidiano e vulgar, o respeit√°vel, o vigilante, o vitorioso, dominou essa tribo de larvas inimigas, de irm√£os renegados e moribundos. E como a alma tem o seu subsolo,

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Guerra & Paz

Pedidos sacrifícios, as imagens
Foram trazidas na maré, enxutas.
Treme a escada torpe, e o c√£o ladra –
S√£o os antepassados, fixos,
Na √°gua das janelas.
Que podemos fazer, o fumo
Entra nas casas é preciso
Uma porta que nos leve ao mar.

Sem antepassados, sem casamento, sem herdeiros, com um desejo feroz por antepassados, pelo casamento, por herdeiros. Todos eles estendem as m√£os para mim: antepassados, casamento e herdeiros, mas demasiado longe de mim. H√° um substituto miser√°vel, artificial para tudo, para antepassados, casamento e herdeiros. Em espasmos concebemos estes substitutos e se n√£o sucumbirmos aos espasmos sucumbiremos ao desconsolo do substituto.

Responso

I
Num castelo deserto e solit√°rio,
Toda de preto, às horas silenciosas,
Envolve-se nas pregas dum sud√°rio
E chora como as grandes criminosas.

Pudesse eu ser o lenço de Bruxelas
Em que ela esconde as l√°grimas singelas.

II
√Č loura como as doces escocesas,
Duma beleza ideal, quase indecisa;
Circunda-se de luto e de tristezas
E excede a melancólica Artemisa.

Fosse eu os seus vestidos afogados
E havia de escutar-lhe os seu pecados.

III
Alta noite, os planetas argentados
Deslizam um olhar macio e vago
Nos seus olhos de pranto marejados
E nas águas mansíssimas do lago.

Pudesse eu ser a Lua, a Lua terna,
E faria que a noite fosse eterna.

IV
E os abutres e os corvos fazem giros
De roda das ameias e dos pegos,
E nas salas ressoam uns suspiros
Dolentes como as s√ļplicas dos cegos.

Fosse eu aquelas aves de pilhagem
E cercara-lhe a fronte, em homenagem.

V
E ela vaga nas praias rumorosas,
Triste como as rainhas destronadas,

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As Novas Verdades

Nenhuma verdade nova, e completamente estranha √†s opini√Ķes correntes, quando demonstrada pelo primeiro que dela se apercebeu, ainda que com uma evid√™ncia e uma exactid√£o id√™nticas ou semelhantes √†s da geometria, conseguiu nunca, se as demonstra√ß√Ķes n√£o foram de natureza material, introduzir-se e fixar-se no mundo imediatamente, mas s√≥ com o decorrer do tempo, atrav√©s da pr√°tica e do exemplo: habituando-se os homens a acreditar nela como em qualquer outra coisa; ou melhor, acreditando geralmente por habitua√ß√£o e n√£o pela exactid√£o de experi√™ncias concebidas no seu esp√≠rito.
At√© que por fim essa verdade, come√ßando a ser ensinada √†s crian√ßas, √© comummente aceite, evocado com espanto o seu desconhecimento, e escarnecidas as opini√Ķes diferentes, tanto dos antepassados como dos contempor√Ęneos. E isto com tanto mais dificuldade e demora quanto maiores e mais importantes foram essas novas e incr√≠veis verdades, e, por conseguinte, subversoras de um maior n√ļmero de opini√Ķes radicadas nos esp√≠ritos. Nem mesmo os intelectos perspicazes e treinados sentem facilmente toda a efici√™ncia das raz√Ķes que demonstram essas verdades ianuditas e que excedem em muito os limites dos conhecimentos e dos h√°bitos desses intelectos, principalmente quando essas raz√Ķes e essas verdades se op√Ķem √†s cren√ßas neles arreigadas.

A Sopa Azeda

A dita sopa azeda n√£o se parecia com nada do que tivesse provado at√© √†quele momento. Num √°pice, desfilaram v√°rios sabores vindos como que do pr√≥prio interior do tempo. E, quando ele se p√īs a percorr√™-los, sentiu que se sentavam em volta os seus antepassados, os pais e os av√≥s e os av√≥s destes, e os velhos da Terra Ch√£ e da Terceira, e os a√ßorianos dali at√© ao povoamento, e deste at√© ao pr√≥prio G√©nesis, quando na manh√£ do Sexto Dia o Senhor olhou sobre a sua obra e decidiu que estava, afinal, incompleta.

As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.

Quem Quiser Acabar com a Guerra

Quem quiser, de facto, acabar com a guerra tem que intervir resolutamente para que o Estado a que pertence renuncie a uma parte da sua soberania a favor de institui√ß√Ķes internacionais; deve estar pronto a submeter o pr√≥prio Estado, em caso de qualquer conflito, √† arbitragem dum Tribunal internacional; tem de intervir com toda a decis√£o para que todos os Estados procedam ao desarmamento, conforme est√° previsto at√© mesmo no desgra√ßado tratado de Versalhes; nenhum progresso poder√° esperar-se se n√£o for suprimida a educa√ß√£o militar e patri√≥tica ‚ÄĒ no sentido agressivo ‚ÄĒ do povo.
Nenhum outro acontecimento dos √ļltimos anos foi mais vergonhoso para os Estados actualmente mais considerados, que o malogro das anteriores confer√™ncias de desarmamento; pois esse malogro n√£o assenta apenas nas intrigas de estadistas ambiciosos e sem escr√ļpulos, mas tamb√©m na indiferen√ßa e falta de energia dos homens de todos os pa√≠ses. Se isto n√£o se modificar, destruiremos o que os nossos antepassados criaram de verdadeiramente valioso.

A Guerra como um Erro Incompreensível dos Antepassados

Tudo leva a crer que os estadistas actuais pretendem, na realidade, o objectivo de estabelecer uma paz duradoura. Mas o aumento incessante do armamento mostra com demasiada clareza que não poderão fazer frente às potências inimigas, que os impelem à preparação da guerra. A meu ver, a salvação só poderá vir da alma dos povos. Terão de se declarar decididamente pelo desarmamento completo, pois enquanto houver exércitos, qualquer conflito mais grave conduzirá à guerra. O pacifismo que não repudiar activamente o armamento dos Estados, é e será sempre impotente.
Que a consciência e o bom-senso dos povos despertem, para que possamos atingir um novo escalão na vida dos povos, do alto da qual a guerra pareça um erro incompreensível dos antepassados.

Vivemos numa Paz de Animais Domésticos

Uma cobra de água numa poça do choupal, a gozar o resto destes calores, e umas meninas histéricas aos gritinhos, cheias de saber que o bicho era tão inofensivo como uma folha.
Por fidelidade a um mandato profundo, o nosso instinto, diante de certos factos, ainda quer reagir. Mas logo a raz√£o acode, e o uivo do plasma acaba num cacarejo convencional. Todos os tratados e todos os preceptores nos explicaram j√° quantas esp√©cies de of√≠dios existem e o soro que neutraliza a mordedura de cada um. Herdamos um mundo j√° quase decifrado, e sabemos de cor as ervas que n√£o devemos comer e as feras que nos n√£o podem devorar. Vivemos numa paz de animais dom√©sticos, vacinados, com os dentes caninos a trincar past√©is de nata, tendo aos p√©s, submissos, os antigos pesadelos da nossa ignor√Ęncia. Passamos pela terra como espectros, indo aos jardins zool√≥gicos e bot√Ęnicos ver, pacata e s√†biamente, em jaulas e canteiros, o que j√° foi perigo e mist√©rio. E, por mais que nos custe, n√£o conseguimos captar a alma do brinquedo esventrado. O homem selvagem, que teve de escolher tudo, de separar o trigo do joio, de mondar dos seus reflexos o que era manso e o que era bravo,

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N√£o existe nenhum rei que n√£o tenha tido um escravo entre os seus antepassados, e nenhum escravo que n√£o tenha tido um rei entre os seus.

Nossos antepassados viviam do lado de fora. Eles estavam tão familiarizados com o céu noturno quanto a maioria de nós com os nossos programas de televisão favoritos.