Passagens sobre Aspira√ß√Ķes

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Frases sobre aspira√ß√Ķes, poemas sobre aspira√ß√Ķes e outras passagens sobre aspira√ß√Ķes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Limites da Amizade

Determinemos, agora, quais s√£o os limites e, por assim dizer, os termos da amizade. Encontro aqui tr√™s opini√Ķes diferentes, das quais n√£o aprovo nenhuma: a primeira deseja que sejamos para os nossos amigos, assim como somos para n√≥s mesmos; a segunda, que a nossa afei√ß√£o por eles seja tal e qual √† que eles t√™m por n√≥s; a terceira, que estimemos os nossos amigos, assim como eles se estimam a si mesmos. N√£o posso concordar com nenhuma destas tr√™s m√°ximas. Porque a primeira, que cada um tenha para com o seu amigo a mesma afei√ß√£o e vontade que tem para si, √© falsa. De facto, quantas coisas fazemos pelos nossos amigos, que jamais far√≠amos para n√≥s! Rogar, suplicar a um homem que se despreza, tratar a outro com aspereza, persegui-lo com viol√™ncia; coisas que em causa pr√≥pria n√£o seriam muito decentes, nos neg√≥cios dos amigos tornam-se muito honrosas. Quantas vezes um homem de bem abandona a defesa dos seus interesses e os sacrifica, em seu pr√≥prio detrimento, para servir os de seu amigo!
A segunda opini√£o √© a que define a amizade por uma correspond√™ncia igual em amor e bons servi√ßos. √Č fazer da amizade uma ideia bem limitada e mesquinha,

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L√° longe, ao sol, encontram-se as minhas aspira√ß√Ķes. Poderei n√£o alcan√ß√°-las, mas posso levantar os olhos, ver a sua beleza e acreditar nelas

Eu e Tu

Dois! Eu e Tu, num ser indispens√°vel! Como
Brasa e carv√£o, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, ‚ÄĒ em cada assomo
A nossa aspira√ß√£o mais violenta se ateia…

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho
[e a selva
‚ÄĒ O vento erguendo a vaga, o luar doirando a
[noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva ‚ÄĒ
Cheio de ti, meu ser de efl√ļvios impregnou-te!

Como o lil√°s e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
‚ÄĒ N√≥s dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os cora√ß√Ķes no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama…

N√£o se tem de ser instru√≠do para saber que se deseja determinados direitos fundamentais, e t√™m-se aspira√ß√Ķes e exig√™ncias. Isso n√£o tem nada a ver com instru√ß√£o.

A Minha Felicidade Resume-se a Isto

Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade √© a leitura de romances policiais. Entre o n√ļmero √°ureo e reduzido das horas felizes que a Vida deixa que eu passe, conto por do melhor ano aquelas em que a leitura de Conan Doyle ou de Arthur Morrison me pega na consci√™ncia ao colo.
Um volume de um destes autores, um cigarro de 45 ao pacote, a ideia de uma ch√°vena de caf√© ‚ÄĒ trindade cujo ser-uma √© o conjugar a felicidade para mim ‚ÄĒ resume-se nisto a minha felicidade. Seria pouco para muitos, a verdade √© que n√£o pode aspirar a muito mais uma criatura com sentimentos intelectuais e est√©ticos no meio europeu actual.
Talvez seja para os senhores como que causa de pasmo, n√£o o eu ter estes por meus autores predilectos ‚ÄĒe de quarto de cama, mas o eu confessar que nesta conta pessoal assim os tenho.

O Grau da Nossa Emancipação

A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade. O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertámos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto. Mas nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-la sem primeiro a ter abolido.
Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar as coisas em si pr√≥prias ou de denunciar a sua fragilidade. O nosso ofegar postula-as e deforma-as, cria-as e desfigura-as, e amarra-nos a elas. Agito-me e portanto emito um mundo t√£o suspeito como a minha especula√ß√£o, que o justifica, adopto o movimento que me transforma em gerador de ser, em artes√£o de fic√ß√Ķes, ao mesmo tempo que a minha veia cosmog√≥nica me faz esquecer que, arrastado pelo turbilh√£o dos actos, n√£o passo de um ac√≥lito do tempo, de um agente de universos caducos.
Empanturrados de sensa√ß√Ķes e do seu corol√°rio, o devir, somos seres n√£o libertos, por inclina√ß√£o e por princ√≠pio,

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O Conflito entre o Conhecimento e a Fé

Durante o √ļltimo s√©culo, e parte do s√©culo anterior, era largamente aceite a exist√™ncia de um conflito irreconcili√°vel entre o conhecimento e a f√©. Entre as mentes mais avan√ßadas prevaleceu a opini√£o de que estava na altura de a f√© ser substitu√≠da gradualmente pelo conhecimento; a f√© que n√£o assentasse no conhecimento era supersti√ß√£o e como tal deveria ser reprimida (…)
O ponto fraco desta concep√ß√£o √©, contudo, o de que aquelas convic√ß√Ķes que s√£o necess√°rias e determinantes para a nossa conduta e julgamentos n√£o se encontram unicamente ao longo deste s√≥lido percurso cient√≠fico. Porque o m√©todo cient√≠fico apenas pode ensinar-nos como os factos se relacionam, e s√£o condicionados, uns com os outros. A aspira√ß√£o a semelhante conhecimento objectivo pertence ao que de mais elevado o homem √© capaz, e ningu√©m suspeitar√° certamente de que desejo minimizar os resultados e os esfor√ßos her√≥icos do homem nesta esfera. Por√©m, √© igualmente claro que o conhecimento do que √© n√£o abre directamente a porta para o que deveria ser. Podemos ter o mais claro e mais completo conhecimento do que √© e, contudo, n√£o ser capazes de deduzir da√≠ qual deveria ser o objectivo das nossas aspira√ß√Ķes humanas. O conhecimento objectivo fornece-nos instrumentos poderosos para a realiza√ß√£o de determinados fins,

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A verdadeira trag√©dia do pobre √© que s√≥ pode aspirar √† ren√ļncia. Os belos pecados, como as coisas belas, s√£o privil√©gio dos ricos.

O ser humano aspira a amar e a ser amado. √Č essa a nossa aspira√ß√£o mais profunda: amar e ser amados.

A Alma Popular é Totalmente Dominada por Elementos Afectivos e Místicos

A ac√ß√£o cada vez mais consider√°vel das multid√Ķes na vida pol√≠tica imprime especial import√Ęncia ao estudo das opini√Ķes populares. Interpretadas por uma legi√£o de advogados e professores, que as transp√Ķem e lhe dissimulam a mobilidade, a incoer√™ncia e o simplismo, elas permanecem pouco conhecidas. Hoje, o povo soberano √© t√£o adulado quanto foram, outrora, os piores d√©spotas. As suas paix√Ķes baixas, os seus ruidosos apetites, as suas ininteligentes aspira√ß√Ķes suscitam admiradores. Para os pol√≠ticos, servidores da plebe, os factos n√£o existem, as realidades n√£o t√™m nenhum valor, a natureza deve-se submeter a todas as fantasias do n√ļmero.
A alma popular (…) tem, como principal caracter√≠stica, a circunst√Ęncia de ser inteiramente dominada por elementos afectivos e m√≠sticos. N√£o podendo nenhum argumento racional refrear nela as impuls√Ķes criadas por esses elementos, ela obedece-lhes imediatamente.
O lado m√≠stico da alma das multid√Ķes √©, muitas vezes, mais desenvolvido ainda do que o seu lado afectivo. Da√≠ resulta uma intensa necessidade de adorar alguma coisa: deus, feiti√ßo, personagem ou doutrina.
(…) O ponto mais essencial, talvez, da psicologia das multid√Ķes √© a nula influ√™ncia que a raz√£o exerceu nelas. As ideias suscept√≠veis de influenciar as multid√Ķes n√£o s√£o ideias racionais, por√©m sentimentos expressos sob forma de ideias.

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Em Busca Da Beleza VI

O sono – Oh, ilus√£o! – o sono? Quem
Lograr√° esse v√°cuo ao qual aspira
A alma que de aspirar em v√£o delira
E já nem força para querer tem?

Que sono apetecemos? O d’algu√©m
Adormecido na feliz mentira
Da sonolência vaga que nos tira
Todo o sentir na qual a dor nos vem?

Ilus√£o tudo! Querer um sono eterno,
Um descanso, uma paz, não é senão
O √ļltimo anseio desesperado e v√£o.

Perdido, resta o derradeiro inferno
Do tédio intérmino, esse de já não
Nem aspirar a ter aspiração.

O Descontentamento Consigo Próprio

O caso √© o mesmo em todos os v√≠cios: quer seja o daqueles que s√£o atormentados pela indol√™ncia e pelo t√©dio, sujeitos a contantes mudan√ßas de humor, quer o daqueles a quem agrada sempre mais aquilo que deixaram para tr√°s, ou dos que desistem e caem na indol√™ncia. Acrescenta ainda aqueles que em nada diferem de algu√©m com um sono dif√≠cil, que se vira e revira √† procura da posi√ß√£o certa, at√© que adormece de t√£o cansado que fica: mudando constantemente de forma de vida, permanecem naquela ¬ęnovidade¬Ľ at√© descobrirem n√£o o √≥dio √† mudan√ßa, mas a pregui√ßa da velhice em rela√ß√£o √† novidade. Acrescenta ainda os que nunca mudam, n√£o por const√Ęncia, mas por in√©rcia, e vivem n√£o como desejam, mas como sempre viveram. As caracter√≠sticas dos v√≠cios s√£o, pois, inumer√°veis, mas o seu efeito apenas um: o descontentamento consigo pr√≥prio.
Este descontentamento tem a sua origem num desequil√≠brio da alma e nas aspira√ß√Ķes t√≠midas ou menos felizes, quando n√£o ousamos tanto quanto desej√°vamos ou n√£o conseguimos aquilo que pretend√≠amos, e ficamos apenas √† espera. √Č a inevit√°vel condi√ß√£o dos indecisos, estarem sempre inst√°veis, sempre inquietos. Tentam por todas as vias atingir aquilo que desejam, entregam-se e sujeitam-se a pr√°ticas desonestas e √°rduas,

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A Nefasta Hiperdemocracia dos Nossos Tempos

Ningu√©m, creio eu, deplorar√° que as pessoas gozem hoje em maior medida e n√ļmero que antes, j√° que t√™m para isso os apetites e os meios. O mal √© que esta decis√£o tomada pelas massas de assumir as actividades pr√≥prias das minorias, n√£o se manifesta, nem pode manifestar-se, s√≥ na ordem dos prazeres, mas que √© uma maneira geral do tempo. Assim (…) creio que as inova√ß√Ķes pol√≠ticas dos mais recentes anos n√£o significam outra coisa sen√£o o imp√©rio pol√≠tico das massas. A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princ√≠pios o indiv√≠duo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina dif√≠cil. Ao amparo do princ√≠pio liberal e da norma jur√≠dica podiam atuar e viver as minorias. Democracia e Lei, conviv√™ncia legal, eram sin√≥nimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de press√Ķes materiais, impondo suas aspira√ß√Ķes e seus gostos.
√Č falso interpretar as situa√ß√Ķes novas como se a massa se houvesse cansado da pol√≠tica e encarregasse a pessoas especiais o seu exerc√≠cio. Pelo contr√°rio. Isso era o que antes acontecia, isso era a democracia liberal. A massa presumia que,

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Para uma m√£e, o projeto de criar um menino √© o projeto mais satisfat√≥rio que ela pode esperar. Ela pode assist√≠-lo, enquanto uma crian√ßa, brincar com os jogos que ela n√£o era autorizada a brincar; ela pode investir nele suas ideias, aspira√ß√Ķes, ambi√ß√Ķes, e valores ‚ÄĒ ou tudo o que tenha sobrado delas; ela pode assistir ao seu filho, que veio da sua carne e cuja vida foi sustentada pelo seu trabalho e devo√ß√£o, personific√°-la no mundo. Ent√£o, enquanto o projeto de criar um menino √© repleto de ambival√™ncia e leva inevitavelmente √† amargura, ele √© o √ļnico projeto que permite a uma mulher ser ‚ÄĒ ser atrav√©s do seu filho, viver por meio do seu filho.

Se Tudo quanto Existe…

Se tudo quanto existe
é lenta evolução,
longa transformação
sem Deus e sem mistério;
se tudo no Universo tem sentido
sem o sopro divino;
se o segredo da vida, a criação,
se explica pela ciência,
e a corrente vital
é também consequência;
se a humana consciência
√© simples equa√ß√£o…
‚ÄĒ que significa a voca√ß√£o do eterno,
que quer dizer a aspiração do Céu
e o terror do inferno?

E se acaso é o instinto a lei da vida,
se a verdade
é só necessidade
inexor√°vel, lenta, laboriosa,

que sábia explicação
tem esta fr√°gil, esta in√ļtil rosa?

O Homem Deformado pela Sociedade

Formou Deus o homem, e o p√īs num para√≠so de del√≠cias; tornou a form√°-lo a sociedade, e o p√īs num inferno de tolices. O homem ‚ÄĒ n√£o o homem que Deus fez, mas o homem que a sociedade tem contrafeito, apertando e for√ßando em seus moldes de ferro aquela pasta de limo que no para√≠so terreal se afei√ßoara √† imagem da divindade ‚ÄĒ o homem assim aleijado como n√≥s o conhecemos, √© o animal mais absurdo, o mais disparatado e incongruente que habita na terra.

Rei nascido de todo o criado, perdeu a realeza: pr√≠ncipe deserdado e proscrito, hoje vaga foragido no meio de seus antigos estados, altivo ainda e soberbo com as recorda√ß√Ķes do passado, baixo, vil e miser√°vel pela desgra√ßa do presente.
Destas duas t√£o apostas actua√ß√Ķes constantes, que j√° per si s√≥s o tornariam rid√≠culo, formou a sociedade, em sua v√£ sabedoria, um sistema quim√©rico, desarrazoado e imposs√≠vel, complicado de regras a qual mais desvairada, encontrado de repugn√Ęncias a qual mais aposta. E vazado este perfeito modelo de sua arte pretensiosa, meteu dentro dele o homem, desfigurou-o, contorceu-o, f√™-lo o tal ente absurdo e disparatado, doente, fraco, raqu√≠tico; colocou-o no meio do √Čden fant√°stico de sua cria√ß√£o ‚ÄĒ verdadeiro inferno de tolices ‚ÄĒ e disse-lhe,

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O Jornal é o Fole Incansável que Assopra a Vaidade Humana

Pelo jornal, e pela reportagem que ser√° a sua fun√ß√£o e a sua for√ßa, tu desenvolver√°s, no teu tempo e na tua terra, todos os males da Vaidade! (…) Como a reportagem hoje se exerce, menos sobre os que influem nos neg√≥cios do Mundo, ou nas direc√ß√Ķes do pensamento , do que, como diz a B√≠blia, sobre toda a ¬ęsorte e condi√ß√Ķes de gente v√£¬Ľ, desde os j√≥queis at√© aos assassinos, a sua indiscriminada publicidade concorre pouco para a documenta√ß√£o da hist√≥ria, e muito, prodigiosamente, escandalosamente, para a propaga√ß√£o das vaidades! O jornal √© com efeito o fole incans√°vel que assopra a vaidade humana, lhe irrita e lhe espalha a chama. De todos os tempos √© ela, a vaidade do homem! J√° sobre ela gemeu o gemebundo Salom√£o, e por ela se perdeu Alcib√≠ades, talvez o maior dos Gregos. Incontestavelmente, por√©m, meu Bento, nunca a vaidade foi, como no nosso danado s√©culo XIX, o motor ofegante do pensamento e da conduta. Nestes estados de civiliza√ß√£o, ruidosos e ocos, tudo deriva da vaidade, tudo tende √† vaidade. E a forma nova da vaidade para o civilizado consiste em ter o seu rico nome impresso no jornal, a sua rica pessoa comentada no jornal!

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