Cita√ß√Ķes sobre Censura

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Frases sobre censura, poemas sobre censura e outras cita√ß√Ķes sobre censura para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A censura, feita por outro

A censura, feita por outro, atinge-nos e fere-nos na medida em que inconscientemente já a fizemos a nós próprios.

N√£o se Reconquista o Amor com Argumentos

Não te esqueças de que a tua frase é um acto. Se desejas levar-me a agir, não pegues em argumentos. Julgas que me deixarei determinar por argumentos? Não me seria difícil opor, aos teus, melhores argumentos.
Já viste a mulher repudiada reconquistar-te através de um processo em que ela prova que tem razão? O processo irrita. Ela nem sequer será capaz de te recuperar mostrando-te tal como tu a amavas, porque essa já tu a não amas. Olha aquela infeliz que, nas vésperas do divórcio, teve a ideia de cantar a mesma canção triste que cantava quando noiva. Essa canção triste ainda tornou o homem mais furioso.
Talvez ela o recuperasse se o conseguisse despertar tal como ele era quando a amava. Mas para isso precisaria de um génio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.
Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento,

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Ser Turista é Fugir da Responsabilidade

Ser turista √© fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos n√£o se colam em n√≥s como em casa. Somos capazes de vaguear por continentes e l√≠nguas, suspendendo a actividade do pensamento l√≥gico. O turismo √© a marcha da imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do pa√≠s hospedeiro est√° adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos √†s voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. N√£o sabemos falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas s√£o, o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil √© o padr√£o, o n√≠vel e a norma. Podemos continuar a viver nestas condi√ß√Ķes durante semanas e meses, sem censuras nem consequ√™ncias terr√≠veis. Tal como a outros milhares, s√£o-nos concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um ex√©rcito de loucos, usando roupas de poliester de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns aos outros, fatigados, desint√©ricos, sedentos. N√£o temos mais nada em que pensar sen√£o no pr√≥ximo acontecimento informe.

A Censura Existe Em Todo o Lado

Eu acho que a censura existiu sempre e provavelmente vai existir sempre. Porque a censura para o ser n√£o necessita de ter claramente uma porta aberta com um letreiro, onde se diga que ali h√° pessoas que l√™em livros ou v√£o ver espect√°culos. N√£o! A censura existe de todas as maneiras, porque todas as pessoas, nos diferentes n√≠veis de interven√ß√£o em que se encontram, por boas ou m√°s raz√Ķes, seleccionam, escolhem, apagam, fazem sobressair. E isso s√£o actos de oculta√ß√£o ou de evidencia√ß√£o que, no fundo, em alguns casos, s√£o actos formais de censura.
(Quanto √† censura oficial dos tempos de ditadura) Aquilo que a censura demonstrou e demonstra, em qualquer caso, √© que felizmente os escritores, dependendo das situa√ß√Ķes em que se encontram, s√£o muito mais ricos de meios, de processos de fazer chegar aquilo que querem dizer aos outros, do que se imagina. Evidentemente, numa situa√ß√£o de censura, o escritor √© obrigado a usar a escrita para comunicar isto ou aquilo ou aqueloutro, de uma maneira disfra√ßada, subterr√Ęnea, oculta; mas o que √© importante n√£o √© que a censura o esteja a obrigar a fazer isso. O que √© importante √© que ele seja capaz de o fazer.

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Só quem quer brincar com coisas sérias e não sabe do que está a falar é que diz que há censura em Portugal. Não há censura nenhuma em Portugal. Ponha o dedo no ar a primeira pessoa que, de facto, queira dizer alguma coisa e tenha sido proibida de o fazer.

A censura nunca acaba para aqueles que j√° passaram por isso. √Č uma marca no imagin√°rio que afecta a pessoa que a sofreu, para sempre.

O Verdadeiro é Simples

O verdadeiro, o bom, o inigual√°vel √© simples e √© sempre id√™ntico a si mesmo, seja qual for a forma sob a qual ocorre. Pelo contr√°rio, o erro, sobre o qual sempre recair√° a censura, √© de uma extrema diversidade, diferente em si mesmo, em luta n√£o apenas contra o verdadeiro e bom mas tamb√©m consigo mesmo, sempre em contradi√ß√£o consigo pr√≥prio. √Č por isso que em todas as literaturas as express√Ķes de censura h√£o-de ser sempre muito mais que as palavras destinadas aos louvores.

A Falsa Polidez

As ofensas, que na verdade consistem sempre na exteriorização da falta de consideração, colocar-nos-iam bem menos fora de nós mesmos se, por um lado, não nutríssimos uma representação tão exagerada do nosso elevado valor e da nossa dignidade Рportanto, um orgulho desmesurado Рe, por outro, se estivéssemos bastante cientes daquilo que, via de regra, no fundo do coração, cada um crê e pensa dos outros.
Que contraste flagrante entre a susceptibilidade da maioria das pessoas à mais ténue alusão de censura a seu respeito, e aquilo que ouviriam de si, caso surpreendessem as conversas dos seus conhecidos! Deveríamos, antes, ter em mente que a polidez habitual é apenas uma máscara burlesca; desse modo, não gritaríamos tão alto todas as vezes que esta fosse deslocada ou retirada por um breve instante. . Decerto, assim o fazendo, desempenha uma figura bastante feia, como a maioria dos homens nesse estado.

Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’

Autocensurar-se √© uma esp√©cie de luxo. Quando dirigimos censuras a n√≥s mesmos, ficamos com a impress√£o de que ningu√©m mais tem o direito de o fazer. √Č a confiss√£o, e n√£o o padre, que nos d√° a absolvi√ß√£o.

A Minha Educação Prejudicou-me em Vários Aspectos

Dormi, acordei, dormi, acordei, vida miser√°vel. (…) Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. N√£o fui, de facto, educado num lugar longe de tudo, como por exemplo entre ru√≠nas, nas montanhas; contra esse facto eu n√£o poderia realmente exprimir a minha censura. Apesar de correr o risco de n√£o poder ser compreendido por todos os meus antigos professores, eu bem preferiria ter sido um habitante dessas pequenas ru√≠nas, queimado pelo sol que por entre os destro√ßos me apareceria de todos os lados sobre a t√©pida hera, mesmo que eu a princ√≠pio houvesse sido fraco sob a press√£o das minhas boas qualidades, que com a for√ßa da erva teriam crescido dentro de mim.

Quando penso nisso, tenho de dizer que a minha educa√ß√£o me prejudicou muito em v√°rios aspectos. Esta censura aplica-se a uma quantidade de pessoas, ou seja, aos meus pais, a algumas pessoas de fam√≠lia, a alguns amigos da casa, a v√°rios escritores, a uma certa cozinheira, que durante todo um ano me levou √† escola, a um monte de professores (que nas minhas recorda√ß√Ķes tenho de comprimir num grupo estreito, que doutra maneira me falha um aqui e outro ali ‚ÄĒ mas,

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O Mérito só Existe se Enaltecido por Outros

O relato das conversas de S√≥crates que os seus amigos nos legaram tem a nossa aprova√ß√£o apenas porque nos sentimos intimidados pela aprova√ß√£o geral delas. N√£o se trata de uma coisa que venha do nosso conhecimento; uma vez que n√£o se adaptam √†s nossas pr√°ticas; se alguma coisa de semelhante viesse a ser produzida nos nossos dias poucos haveria que as tivessem em grande considera√ß√£o. N√£o somos capazes de apreciar qualquer honra que n√£o esteja salientada, inflaccionada e aumentada pelo art√≠ficio. Tais honras que tantas vezes surgem disfar√ßadas com a ingenuidade e a simplicidade, dificilmente seriam notadas por uma vis√£o interior t√£o grosseira como a nossa… Para n√≥s n√£o ser√° a ingenuidade um parente pr√≥ximo da simplicidade de esp√≠rito e uma qualidade merecedora de censura? S√≥crates fazia mover a sua alma com o movimento natural das pessoas comuns: assim fala um campon√™s, assim fala uma mulher… As suas indu√ß√Ķes e compara√ß√Ķes s√£o retiradas das mais comuns e mais conhecidas actividades do homem; qualquer pessoa √© capaz de as compreender. Sob uma forma t√£o comum nos nossos dias nunca ter√≠amos sido capazes de discernir a nobreza e esplendor destes conceitos espantosos; n√≥s que estamos habituados a criticar todo aquele que n√£o esteja inchado pela erudi√ß√£o para ser base e lugar-comum e que n√£o temos consci√™ncia dos ricos a n√£o ser quando pomposamente exibidos.

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