Cita√ß√Ķes sobre Charlat√£es

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Frases sobre charlat√£es, poemas sobre charlat√£es e outras cita√ß√Ķes sobre charlat√£es para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Governar povos deve parecer negócio de muito fácil execução: não há charlatão, pedante, louco, tolo ou néscio, que não se creia habilitado para tão importante ministério.

O Bem Supremo

Muito discutiu a antiguidade em torno do supremo bem. O que √© o supremo bem? Seria o mesmo que perguntar o que √© o supremo azul, o supremo acepipe, o supremo andar, o ler supremo, etc. Cada um p√Ķe a felicidade onde pode, e quanto pode ao seu gosto. (…) Sumo bem √© o bem que vos deleita a ponto de nos polarizar toda a sensibilidade, assim como mal supremo √© aquele que vos torna completamente insens√≠vel. Eis os dois p√≥los da natureza humana. Esses dois momentos s√£o curtos. N√£o existem deleites extremos nem extremos tormentos capazes de durar a vida inteira. Supremo bem e supremo mal s√£o quimeras.Conhecemos a bela f√°bula de Cr√Ęntor, que fez comparecer aos jogos ol√≠mpicos a Fortuna, a Vol√ļpia, a Sa√ļde e a Virtude.
Fortuna: РO sumo bem sou eu, pois comigo tudo se obtém.
Vol√ļpia: – Meu √© o pomo, porquanto n√£o se aspira √† riqueza sen√£o para ter-me a mim.
Sa√ļde: – Sem mim n√£o h√° vol√ļpia e a riqueza seria in√ļtil.
Virtude: – Acima da riqueza, da vol√ļpia e da sa√ļde estou eu, que embora com ouro, prazeres e sa√ļde pode haver infelicidade, se n√£o h√° virtude.

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O Homem é o Animal Menos Preparado

A capacidade do homem para o pensamento abstracto, que parece faltar √† maioria dos outros mam√≠feros, conferiu-lhe sem d√ļvida o seu actual dom√≠nio sobre a superf√≠cie da Terra ‚Äď um dom√≠nio disputado apenas por centenas de milhares de tipos de insectos e organismos microsc√≥picos. Este pensamento abstracto √© o respons√°vel pela sua sensa√ß√£o de superioridade e pelo que, sob esta sensa√ß√£o, corresponde a uma certa medida de realidade, pelo menos dentro de estreitos limites. Mas o que √© frequentemente subestimado √© o facto de que a capacidade de desempenhar um acto n√£o √©, de forma alguma, sin√≥nima de seu exerc√≠cio salubre. √Č f√°cil observar que a maior parte do pensamento do homem √© est√ļpida, sem sentido e injuriosa para ele. Na realidade, de todos os animais, ele parece o menos preparado para tirar conclus√Ķes apropriadas nas quest√Ķes que afectam mais desesperadamente o seu bem-estar.
Tente imaginar um rato, no universo das ideias dos ratos, chegando a no√ß√Ķes t√£o ocas de plausibilidade como, por exemplo, o Swedenborgianismo, a homeopatia ou a telepatia mental. O instinto natural do homem, de facto, nunca se dirige para o que √© s√≥lido e verdadeiro; prefere tudo que √© especioso e falso. Se uma grande na√ß√£o moderna se confrontar com dois problemas antag√≥nicos ‚Äď um deles baseado em argumentos prov√°veis e racionais,

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Dos T√≥rrido Sert√Ķes, Pejados De Oiro

Dos t√≥rridos sert√Ķes, pejados de oiro,
Saiu um sabich√£o de escassa fama,
Que os livros preza, os cartap√°cios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.

Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.

Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que n√£o goza;
√Č mono, e prega unhadas como gato.

√Č nada em verso, quase nada em prosa:
N√£o conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?

Glória é Vaidade

A gl√≥ria repousa propriamente sobre aquilo que algu√©m √© em compara√ß√£o com os outros. Portanto, ela √© essencialmente relativa; por isso, s√≥ pode ter valor relativo. Desapareceria inteiramente se os outros se tornassem o que o glorioso √©. Uma coisa s√≥ pode ter valor absoluto se o mantiver sob todas as circunst√Ęncias; aqui, contudo, trata-se daquilo que algu√©m √© imediatamente e por si mesmo. Consequentemente, √© nisso que tem de residir o valor e a felicidade do grande cora√ß√£o e do grande esp√≠rito. Logo, valiosa n√£o √© a gl√≥ria, mas aquilo que faz com que algu√©m a mere√ßa, pois isso, por assim dizer, √© a subst√Ęncia, e a gl√≥ria √© apenas o acidente. Ela age sobre quem √© c√©lebre, sobretudo como um sintoma exterior pelo qual ele adquire a confirma√ß√£o da opini√£o elevada de si mesmo. Desse modo, poder-se-ia dizer que, assim como a luz n√£o √© vis√≠vel se n√£o for reflectida por um corpo, toda a excel√™ncia s√≥ adquire total consci√™ncia de si pr√≥pria pela gl√≥ria. Mas o sintoma n√£o √© sempre infal√≠vel, visto que tamb√©m h√° gl√≥ria sem m√©rito e m√©rito sem gl√≥ria. Eis a justificativa para a frase t√£o distinta de Lessing: Algumas pessoas s√£o famosas, outras merecem s√™-lo.

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A Alegoria da Caverna

– Imagina agora o estado da natureza humana com respeito √† ci√™ncia e √† ignor√Ęncia, conforme o quadro que dele vou esbo√ßar. Imagina uma caverna subterr√Ęnea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a inf√Ęncia, de tal modo que n√£o possam mudar de lugar nem volver a cabe√ßa devido √†s cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo t√£o-s√≥ ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa dist√Ęncia e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acess√≠vel. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlat√£es de feita colocam entre si e os espectadores para esconder destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
– Estou a imaginar tudo isso.
РImagina homens que passem para além da parede, carregando objectos de todas as espécies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam uns com os outros,

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Aprofundar os sentimentos, aprofundar o homem, √© como aprofundar as ra√≠zes de uma √°rvore: para l√° de certo limite perdemo-nos em filamentos. √Č a√≠ que trabalha o charlat√£o da ¬ępsicologia¬Ľ.

A Gloriola do Jornal

O jornal estende sobre o mundo as suas duas folhas, salpicadas de preto, como aquelas duas asas com que os iconografistas do s√©culo XV representavam a Lux√ļria ou a Gula: e o Mundo todo se arremessa para o jornal, se quer agachar sob as duas asas que o levem √† gloriola, lhe espalhem o nome pelo ar sonoro. E √© por essa gloriola que os homens se perdem, e as mulheres se aviltam, e os Pol√≠ticos desmancham a ordem do Estado, e os Artistas rebolam na extravag√Ęncia est√©tica, e os S√°bios alardeiam teorias mirabolantes, e de todos os cantos, em todos os g√©neros, surge a horda ululante dos charlat√£es… (Como me vim tornando altiloquente e roncante!…) Mas e a verdade, meu Bento! V√™ quantos preferem ser injuriados a serem ignorados! (Homenzinhos de letras, poetisas, dentistas, etc.). O pr√≥prio mal apetece sofregamente as sete linhas que o maldizem. Para aparecerem no jornal, h√° assassinos que assassinam. At√© o velho instinto da conserva√ß√£o cede ao novo instinto da notoriedade – e existe tal magan√£o, que ante um funeral convertido em apoteose pela abund√Ęncia das coroas, dos coches e dos prantos orat√≥rios, lambe os bei√ßos, pensativo, e deseja ser o morto.

O Homem Certo

Hoje, numa √©poca em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlat√£es usam as mesmas f√≥rmulas com m√≠nimas diferen√ßas, cujo percurso nenhum homem ocupado tem tempo de seguir, num tempo em que as redac√ß√Ķes dos jornais s√£o constantemente incomodadas por gente que acha que √© um g√©nio, √© muito dif√≠cil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de p√©s diante da porta da redac√ß√£o s√£o suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da polis. A partir desse momento, por√©m, o g√©nio passa a outra condi√ß√£o. Deixa de ser mat√©ria f√ļtil da cr√≠tica liter√°ria ou teatral, cujas contradi√ß√Ķes os leitores que qualquer jornal deseja ter levam t√£o pouco a s√©rio como a tagarelice de uma crian√ßa, para aceder ao estatuto de factos concretos, com todas as consequ√™ncias que isso tem.
Certos fan√°ticos insensatos ignoram a necessidade desesperada de idealismo que se esconde por detr√°s de tal situa√ß√£o. O mundo dos que escrevem porque t√™m de escrever est√° cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a subst√Ęncia. Os atributos dos grandes homens e das grandes causas sobrevivem ao que quer que seja que lhes deu origem,

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A Aceitação da Fraude

Uma das li√ß√Ķes mais tristes da hist√≥ria √© a seguinte: Se formos enganados durante muito tempo, temos tend√™ncia a rejeitar qualquer prova de fraude. Deixamos de estar interessados em descobrir a verdade. A fraude apanhou-nos. √Č demasiado doloroso reconhecer, nem que seja para n√≥s mesmos , que fomos levados √† certa. Uma vez que damos a um charlat√£o poder sobre n√≥s mesmos, quase nunca o recuperamos. Por conseguinte, as velhas fraudes t√™m tend√™ncia a persistir, ao mesmo tempo que surgem outras novas.

Hegel, destruidor de papel, de tempo e de mentes! Na Alemanha, Hegel, um charlat√£o repugnante, est√ļpido e escrevinhador de disparates sem igual, conseguiu ser aclamado como o maior fil√≥sofo de todos os tempos [‚Ķ]. Enquanto outros sofistas, charlat√£es e obscurantistas falsificam e arru√≠nam apenas o conhecimento, Hegel destruiu at√© mesmo o √≥rg√£o do conhecimento, a pr√≥pria intelig√™ncia.

A Velha Angra

Olhou sobre a velha Angra, aninhada aos p√©s do Monte Brasil, as arauc√°rias erguendo-se contra o c√©u cinzento. Esquadrinhou com o olhar as suas ruas, os seus solares e pal√°cios, as suas igrejas. Imaginou marinheiros e mercadores, saltimbancos e aventureiros a caminho das sete partidas do mundo. Charlat√£es bebiam vinho com mission√°rios, soldados negociavam servi√ßos com prostitutas, piratas persuadiam navegadores ao servi√ßo do rei sobre novas e mais rent√°veis rotas, de encontro ao Vento Carpinteiro. Havia escravos e b√™bedos, burocratas e crian√ßas furtivas, freiras e casais de condenados com destino ao Brasil, e toda essa gente circulava pela cidade como se fosse o seu sangue, incerto e veloz, bombeado por um cora√ß√£o descompassado que era o pr√≥prio movimento do mar, furioso, naufragando naus e gale√Ķes como numa tela de Vernet.