Cita├ž├úo de

A Gloriola do Jornal

O jornal estende sobre o mundo as suas duas folhas, salpicadas de preto, como aquelas duas asas com que os iconografistas do s├ęculo XV representavam a Lux├║ria ou a Gula: e o Mundo todo se arremessa para o jornal, se quer agachar sob as duas asas que o levem ├á gloriola, lhe espalhem o nome pelo ar sonoro. E ├ę por essa gloriola que os homens se perdem, e as mulheres se aviltam, e os Pol├şticos desmancham a ordem do Estado, e os Artistas rebolam na extravag├óncia est├ętica, e os S├íbios alardeiam teorias mirabolantes, e de todos os cantos, em todos os g├ęneros, surge a horda ululante dos charlat├úes… (Como me vim tornando altiloquente e roncante!…) Mas e a verdade, meu Bento! V├¬ quantos preferem ser injuriados a serem ignorados! (Homenzinhos de letras, poetisas, dentistas, etc.). O pr├│prio mal apetece sofregamente as sete linhas que o maldizem. Para aparecerem no jornal, h├í assassinos que assassinam. At├ę o velho instinto da conserva├ž├úo cede ao novo instinto da notoriedade – e existe tal magan├úo, que ante um funeral convertido em apoteose pela abund├óncia das coroas, dos coches e dos prantos orat├│rios, lambe os bei├žos, pensativo, e deseja ser o morto.