Passagens sobre Nomes

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Frases sobre nomes, poemas sobre nomes e outras passagens sobre nomes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O meu nome é Severino, não tenho outro de pia, Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar, Severino de Maria.

Compreender e Unir

J√° s√£o em n√ļmero demasiado os que vieram ao mundo para combater e separar; o progresso e valor de cada seita e de cada grupo dependeram talvez desta atitude descriminadora e intransigente; aceitemos como o melhor que foi poss√≠vel tudo o que nos apresenta o passado; mas procuremos que seja outra a atitude que tomarmos; lancemos sobre a terra uma semente de renova√ß√£o e de √≠ntimo aperfei√ßoamento.
Reservemos para n√≥s a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada cren√ßa n√£o o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abord√°vel, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um m√ļtuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia.
Reflitamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. Surja à luz a íntima corrente tanta vez soterrada e nela nos banhemos. Aprendamos a chamar irmão ao nosso irmão e façamos apelo ao nosso maior esforço para que se não quebre a atitude fraternal,

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Se um Dia a Juventude Voltasse

se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em p√°ssaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida

sulcaria com as unhas o medo de te perder… eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimens√£o nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor

depois… mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
n√£o estou triste n√£o tenho projectos nem ambi√ß√Ķes
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das vis√Ķes pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo

mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesita√ß√Ķes no leme do fr√°gil barco…

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Nós Homens nos Façamos Unidos pelos Deuses

N√£o a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
Que aos outros deuses que te precederam
Na memória dos homens.
Nem mais nem menos és, mas outro deus.

No Pante√£o faltavas. Pois que vieste
No Pante√£o o teu lugar ocupa,
Mas cuida n√£o procures
Usurpar o que aos outros é devido.

Teu vulto triste e comovido sobre
A ‘steril dor da humanidade antiga
Sim, nova pulcritude
Trouxe ao antigo Pante√£o incerto.

Mas que os teus crentes te n√£o ergam sobre
Outros, antigos deuses que dataram
Por filhos de Saturno
De mais perto da origem igual das coisas.

E melhores memórias recolheram
Do primitivo caos e da Noite
Onde os deuses n√£o s√£o
Mais que as estrelas s√ļbditas do Fado.

Tu não és mais que um deus a mais no eterno
N√£o a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Pante√£o que preside
À nossa vida incerta.

Nem maior nem menor que os novos deuses,
Tua sombria forma dolorida
Trouxe algo que faltava
Ao n√ļmero dos divos.

Por isso reina a par de outros no Olimpo,

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Hora Mística

Noite caindo … C√©u de fogo e flores.
Voz de Crep√ļsculo exalando cores,
O céu vai cheio de Deus e de harmonia.
Sil√™ncio … Eis-me rezando aos fins do dia.

Névoa de luz criando imagens na água,
Nome das águas esculpindo os céus,
Tarde aos relevos h√ļmidos de fr√°gua,
Boca da noite, eis-me rezando a Deus.

Eis-me entoando, a voz de cinza e ouro,
‚ÄĒ Oh, cores na √°gua vindo √†s m√£os em branco! ‚ÄĒ
Minha √≥pera de Sol ao √ļltimo arranco.

E, oh! hora mística em que o olhar abraso,
‚ÄĒ Sol expirando aos P√≥rticos do Ocaso! ‚ÄĒ
Dobra em meu peito um oceano em coro.

Uma flor de verde pinho

Eu podia chamar-te p√°tria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas n√£o h√° forma n√£o h√° verso n√£o h√° leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
n√£o h√° guitarra nem cantar de amigo
n√£o h√° flor n√£o h√° flor de verde pinho.

N√£o h√° barco nem trigo n√£o h√° trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Alexandra

Há pequenas aves que têm raízes nas palavras,
essas palavras que não ficam arrumadas com decência
na literatura,
palavras de amantes sem amor, gente que sofre
e a quem falta o ar quando faltam as palavras.
Quando digo o teu nome h√° uma ave que levanta voo
como se tivesse nascido o dia e uma brisa
encarcerada nas amêndoas se soltasse para a impelir
para o mais frio, para o mais alto, para o mais azul.
Quando volto para casa o teu nome vai comigo
e ao mesmo tempo espera-me j√°
numa casa construída com dois nomes,
como se tivesse duas frentes,
uma para a montanha e outra para o mar.
Por vezes dou-te o meu nome e fico com o teu,
espreito ent√£o pelas janelas de onde
se vêem coisas que nunca antes tinha visto,
coisas que adivinhava mas que n√£o sabia,
coisas que sempre soube mas que nunca quis olhar.
Nessas alturas o meu nome é o teu olhar,
e os meus olhos s√£o justamente a pron√ļncia do
teu nome que se diz com um pequeno brilho molhado,

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Procuro-te

Procuro a ternura s√ļbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um p√°ssaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da √°gua entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou m√ļsica.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o p√£o e a √°gua,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manh√£ de maio.

Um p√°ssaro e um navio s√£o a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas n√£o quando se ama,
n√£o quando apertamos contra o peito
uma flor √°vida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solid√£o,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

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Se ao menos Deus me desse um sinal claro! Como por exemplo fazer um depósito grande em meu nome num banco suiço.

Esquecer os deveres básicos de solidariedade é uma violência, uma cobardia escondida em nome do bom-senso.

A Mentira é a Base da Civilização Moderna

√Č na faculdade de mentir, que caracteriza a maior parte dos homens actuais, que se baseia a civiliza√ß√£o moderna. Ela firma-se, como t√£o claramente demonstrou Nordau, na mentira religiosa, na mentira pol√≠tica, na mentira econ√≥mica, na mentira matrimonial, etc… A mentira formou este ser, √ļnico em todo o Universo: o homem antip√°tico.
Actualmente, a mentira chama-se utilitarismo, ordem social, senso prático; disfarçou-se nestes nomes, julgando assim passar incógnita. A máscara deu-lhe prestígio, tornando-a misteriosa, e portanto, respeitada. De forma que a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; como utilitarismo, todos os roubos; como senso prático, todas as tolices e loucuras.
A mentira reina sobre o mundo! Quase todos os homens s√£o s√ļbditos desta omnipotente Majestade. Derrub√°-la do trono; arrancar-lhe das m√£os o ceptro ensaguentado, √© a obra bendita que o Povo, virgem de corpo e alma, vai realizando dia a dia, sob a direc√ß√£o dos grandes mestres de obras, que se chamam Jesus, Buda, Pascal, Spartacus, Voltaire, Rousseau, Hugo, Zola, Tolstoi, Reclus, Bakounine, etc. etc. …
E os oper√°rios que t√™m trabalhado na obra da Justi√ßa e do Bem, foram os p√°rias da √ćndia, os escravos de Roma, os miser√°veis do bairro de Santo Ant√≥nio,

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Homens do Presente

Homens do presente, nada no passado,
Antes de serdes as coisas que vemos,
Quem podia ter sabido ou pensado
Que seríeis hoje aquilo que temos?
Ah, passantes pela mesma via,
Quem p√īde pensar-vos antes deste dia?

Homens do presente e pó de amanhã,
Ao passar dos anos aonde ireis ter?
Que rude mudez ou √Ęnsia em pressa v√£
Ir√° registar vossa dor e prazer?
Ondas ou cristas do mar desta vida,
Quem vos pensar√° passado este dia?

Só o génio pode o fogo atiçar
Que na natureza em vós abrigais;
Só o génio pode a lira tocar
E erguer vosso nome aos céus dos mortais;
O génio pode a morte romper
E o nada de ontem num tudo verter.

Mas a virtude, como os choros humanos,
Pelos areais depressa bebida,
Mergulha no pó dos passados anos
E nem sabereis onde est√° escondida.
Que o génio, então, possa ser laureado;
Que o pó de amanhã seja eternizado.

Meu Mal

A meu irm√£o

Eu tenho lido em mim, sei-me de cor,
Eu sei o nome ao meu estranho mal:
Eu sei que fui a renda dum vitral,
Que fui cipreste, caravela, dor!

Fui tudo que no mundo h√° de maior:
Fui cisne, e lírio, e águia, e catedral!
E fui, talvez, um verso de Nerval,
Ou, um c√≠nico riso de Chamfort…

Fui a her√°ldica flor de agrestes cardos,
Deram as minhas m√£os aroma aos nardos…
Deu cor ao eloendro a minha boca…

Ah! de Boabdil fui l√°grima na Espanha!
E foi de l√° que eu trouxe esta √Ęnsia estranha,
Mágoa não sei de quê! Saudade louca!

Os Anos Quarenta

Amo-te mais quando olho quando
para a torneira do gás quando estou nu à noite quando
e come√ßo a mexer em p√Ęnico os ossos da m√£o direita
h√° domingos h√° a inf√Ęncia em que se parou numas escadas altas
ouvia-se a guerra ia-se para a cama por causa do ciclone
e quando o vento vem e decepa e quando
as árvores da rua é a mãe que recorta
uns papéis
brancos para colar nos vidros
ou quando (da capo) esse homem
nu à noite quando olha

e vejo vê-se
o indicador direito
manchado de nicotina

depois uma vez desfila
a vitória! surpreendo-os na sala
que me d√£o dinheiro e corro a comprar barros
na feira e quando quando coisas assim
partia logo e isso era a tristeza

volto a pensar: que queria eu na inf√Ęncia
o sol? outro nome sobre o meu t√£o fr√°gil?

amo-te mais à noite portanto
quando dobro as calças e começo
quando esse gesto √ļtil quando
bate numas pernas e vê-se
de trinta e cinco anos

Perder nosso nome é como perder nossa sombra; ser somente nosso nome é reduzirmo-nos a ser sombra

A Busca da Glória

Com que pensamento nas suas mentes supor√≠amos que esta tropa de homens ilustres perdeu a vida pelo bem p√ļblico? Seria para que o seu nome ficasse restrito aos limites estreitos de sua vida? Ningu√©m jamais se teria exposto √† morte pelo seu pa√≠s sem uma boa esperan√ßa de alcan√ßar a imortalidade. Tem√≠stocles poderia ter levado uma vida tranquila (…) e eu poderia ter feito o mesmo. Mas acontece que, de algum modo, foi implantado na mente dos homens um pressentimento profundamente arraigado sobre as eras futuras, e tal sentimento torna-se mais forte e mais patente nos homens dotados de g√©nio e esp√≠rito mais elevado. Retire-se tal sentimento, e quem seria louco de passar a vida em constante perigo e labuta? At√© aqui falei de estadistas, mas e os poetas? N√£o possuem eles algum desejo de fama ap√≥s a morte? (…) Mas porqu√™ parar nos poetas? Os artistas anseiam tornar-se famosos ap√≥s a morte.