Passagens sobre Conservação

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Frases sobre conserva√ß√£o, poemas sobre conserva√ß√£o e outras passagens sobre conserva√ß√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

√Č um grande esfor√ßo para o pobre obter o que lhe falta, e tamb√©m um grande trabalho para o rico conservar o que lhe sobra.

A Glória como Mira

Nem todos os homens nasceram para os grandes talentos; e n√£o creio que se possa olhar isso como uma desgra√ßa, pois que √© necess√°rio conservar todas as condi√ß√Ķes, e as artes mais necess√°rias n√£o s√£o as mais engenhosas, nem as mais prestigiadas. Mas o que importa, creio, √© que reina em todos esses estados uma gl√≥ria adequada ao m√©rito que eles solicitam. √Č o amor dessa gl√≥ria que os aperfei√ßoa, que torna os homens de todas as condi√ß√Ķes mais virtuosos, e que faz florescer os imp√©rios, como a experi√™ncia de todos os seculos o demonstra.
Essa glória, inferior à dos talentos mais elevados, não é menos justamente fundamentada; porque aquilo que é bom em si mesmo não pode ser anulado por aquilo que é melhor; o que é estimável pode perder a nossa estima, mas não pode sofrer decesso no seu ser; isso é visível.
Se existe então algum erro a esse respeito entre os homens, é quando procuram uma glória superior aos seus talentos, uma glória, por conseguinte, que engana os seus desejos e os faz negligenciar aquilo que realmente lhes cabe por natureza; que mantém, no entanto, o seu espírito acima da sua condição e os salva talvez de numerosas fraquezas.

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A Gloriola do Jornal

O jornal estende sobre o mundo as suas duas folhas, salpicadas de preto, como aquelas duas asas com que os iconografistas do s√©culo XV representavam a Lux√ļria ou a Gula: e o Mundo todo se arremessa para o jornal, se quer agachar sob as duas asas que o levem √† gloriola, lhe espalhem o nome pelo ar sonoro. E √© por essa gloriola que os homens se perdem, e as mulheres se aviltam, e os Pol√≠ticos desmancham a ordem do Estado, e os Artistas rebolam na extravag√Ęncia est√©tica, e os S√°bios alardeiam teorias mirabolantes, e de todos os cantos, em todos os g√©neros, surge a horda ululante dos charlat√£es… (Como me vim tornando altiloquente e roncante!…) Mas e a verdade, meu Bento! V√™ quantos preferem ser injuriados a serem ignorados! (Homenzinhos de letras, poetisas, dentistas, etc.). O pr√≥prio mal apetece sofregamente as sete linhas que o maldizem. Para aparecerem no jornal, h√° assassinos que assassinam. At√© o velho instinto da conserva√ß√£o cede ao novo instinto da notoriedade – e existe tal magan√£o, que ante um funeral convertido em apoteose pela abund√Ęncia das coroas, dos coches e dos prantos orat√≥rios, lambe os bei√ßos, pensativo, e deseja ser o morto.

Deus Precisa de Companhia

A minha proposi√ß√£o inicial, que me atrevo a considerar indiscut√≠vel, √© de que Deus criou o universo porque ¬ęse sentia¬Ľ s√≥. Em todo o tempo antes, isto √©, desde que a eternidade come√ßara, ¬ętinha estado¬Ľ s√≥, mas, como n√£o ¬ęse sentia¬Ľ s√≥, n√£o necessitava inventar uma coisa t√£o complicada como √© o universo. Com o que Deus n√£o contara √© que, mesmo perante o espect√°culo magn√≠fico das nebulosas e dos buracos negros, o tal sentimento de solid√£o persistisse em atorment√°-lo. Pensou, pensou, e ao cabo de muito pensar fez a mulher, ¬ęque n√£o era √† sua imagem e semelhan√ßa¬Ľ. Logo, tendo-a feito, viu que era bom. Mais tarde, quando compreendeu que s√≥ se curaria definitivamente do mal de estar s√≥ deitando-se com ela, verificou que era ainda melhor. At√© aqui tudo muito pr√≥prio e natural, nem era preciso ser-se Deus para chegar a esta conclus√£o. Passado algum tempo, e sem que seja poss√≠vel saber se a previs√£o do acidente biol√≥gico j√° estava na mente divina, nasceu um menino, esse sim, ¬ę√† imagem e semelhan√ßa de Deus¬Ľ. O menino cresceu, fez-se rapaz e homem. Ora, como a Deus n√£o lhe passou pela cabe√ßa a simples ideia de criar outra mulher para a dar ao jovem,

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As leis s√£o de tal transcend√™ncia e de tamanha import√Ęncia para a conserva√ß√£o do povo, que se falassem, tudo cairia no mais espantoso caos.

√Č verdade que l√° em casa h√° toda sorte de coisas in√ļteis. S√≥ lhe falta o necess√°rio, um grande peda√ßo de c√©u como aqui. Trate de conservar um peda√ßo de c√©u acima de sua vida, meu menino ‚ÄĒ acrescentava, voltando-se para mim. ‚ÄĒ Tem uma bela alma, de qualidade rara, uma natureza de artista, n√£o a deixe em falta do que lhe √© preciso.

O Homem РUm Ser Egoísta

O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, √© o ego√≠smo, ou seja, o impulso √† exist√™ncia e ao bem-estar. […] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o ego√≠smo chega a ser id√™ntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu √Ęmago e √† sua ess√™ncia.
Desse modo, todas as ac√ß√Ķes dos homens e dos animais surgem, em regra, do ego√≠smo, e a ele tamb√©m se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada ac√ß√£o. Nas suas ac√ß√Ķes baseia-se tamb√©m, em geral, o c√°lculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o ego√≠smo √© ilimitado: o homem quer conservar a sua exist√™ncia utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que tamb√©m incluem a falta e a priva√ß√£o, quer a maior quantidade poss√≠vel de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega at√© mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando poss√≠vel, novas capacidades de deleite. Tudo o que se op√Ķe ao √≠mpeto do seu ego√≠smo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu √≥dio: ele tentar√° aniquil√°-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo;

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O Que Mais Contribui para a Felicidade

J√° reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que algu√©m √© e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas viv√™ncias. Em todas as coisas e ocasi√Ķes, o indiv√≠duo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso j√° vale para os deleites f√≠sicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a express√£o inglesa to enjoy one’s self √© bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, n√£o ¬ęele frui Paris¬Ľ, mas ¬ęele frui a si em Paris¬Ľ. Entretanto, se a individualidade √© de m√° qualidade, ent√£o todos os deleites s√£o como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.
Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor,

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Felicidade a Longo Prazo

Procuremos manter-nos de boa sa√ļde, n√£o ter quaisquer preconceitos, ter paix√Ķes, p√ī-las ao servi√ßo da nossa felicidade, substituir as nossas paix√Ķes por gostos, conservar preciosamente as nossas ilus√Ķes, ser virtuosos, nunca nos arrependermos, afastar de n√≥s as ideias tristes e nunca permitir ao nosso cora√ß√£o conservar uma centelha de gosto por algu√©m cujo gosto diminua e que deixe de amar-nos. Por pouco que envelhe√ßamos, um dia seremos for√ßados a abrir m√£o do amor, e esse dia deve ser aquele em que o amor j√° n√£o nos fa√ßa felizes. Pensemos, enfim, em cultivar o gosto pelo estudo, esse gosto que faz depender a felicidade apenas de n√≥s pr√≥prios. Ponhamo-nos ao abrigo da ambi√ß√£o e, sobretudo, cuidemos bem de saber o que queremos ser; decidamo-nos sobre o caminho que queremos seguir para passar a nossa vida e procuremos seme√°-lo de flores.

O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.

O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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Junta os Dons do Espírito às Vantagens do Corpo

Para ser amado, s√™ am√°vel, para o que n√£o bastar√° a beleza do rosto ou do corpo. Se pretendes conservar a tua amiga e n√£o teres nunca a surpresa de ser abandonado, mesmo que sejas Nireu, amado pelo velho Homero, ou o Hilas de delicada beleza que as N√°iades raptaram por meio de um crime, junta os dons do esp√≠rito √†s vantagens do corpo. A beleza √© um bem muito fr√°gil, tudo o que se acrescenta aos anos a diminui, murcha com a pr√≥pria dura√ß√£o. As violetas e os l√≠rios com as suas corolas abertas n√£o florescem sempre; e na rosa, depois de ca√≠da, s√≥ o espinho permanece. Tamb√©m tu, belo adolescente, cedo conhecer√°s cabelos brancos, cedo conhecer√°s as rugas que sulcam o teu corpo. Forma desde j√° um esp√≠rito que dure e fortalece a beleza; s√≥ ele subsiste at√© √† fogueira f√ļnebre.

Não fazer nada é a principal e a mais forte paixão do homem após a de se conservar. Caso se observasse bem, ver-se-ia que, mesmo entre nós, é para alcançar o repouso que todos trabalham, que é ainda a preguiça que nos torna laboriosos.

Mealheiro De Almas

L√°, das colheitas do celeste trigo,
Deus ainda escolhe a mais louçã colheita:
√Č a alma mais serena e mais perfeita
Que ele destina conservar consigo.

Fica l√°, livre, isenta de perigo,
Tranq√ľila, pura, l√≠mpida, direita
A alma sagrada que resume a seita
Dos que fazem do Amor eterno Abrigo.

Ele quer essas almas, os p√£es alvos
Das aras celestiais, claros e salvos
Da Terra, em busca das Esferas calmas.

Ele quer delas todo o amor primeiro
Para formar o c√Ęndido mealheiro
Que h√° de estrelar todo o Infinito de almas.

O Amor e a Vida

O amor √© uma imagem da nossa vida. Tanto o primeiro como a segunda est√£o sujeitos √†s mesmas revolu√ß√Ķes e mudan√ßas. A sua juventude √© resplandecente, alegre e cheia de esperan√ßas porque somos felizes por ser jovens tal como somos felizes por amar. Este agradabil√≠ssimo estado leva-nos a procurar outros bens muito s√≥lidos. N√£o nos contentamos nessa fase da vida com o facto de susbsistirmos, queremos progredir, ocupamo-nos com os meios para nos aperfei√ßoarmos e para assegurar a nossa boa sorte. Procuramos a protec√ß√£o dos ministros, mostrando-nos sol√≠citos e n√£o aguentamos que outrem queira o mesmo que temos em vista. Este est√≠mulo cumula-nos de mil trabalhos e esfor√ßos que logo se apagam quando alcan√ßamos o desejado. Todas as nossas paix√Ķes ficam ent√£o satisfeitas e nem por sombras podemos imaginar que a nossa felicidade tenha fim.
No entanto, esta felicidade raramente dura muito e fatiga-se da graça da novidade. Para possuirmos o que desejámos não paramos de desejar mais e mais. Habituamo-nos ao que temos, mas os mesmos haveres não conservam o seu preço, como nem sempre nos tocam do mesmo modo. Mudamos imperceptivelmente sem disso nos apercebermos. O que já adquirimos torna-se parte de nós mesmos e sofreríamos muito com a sua perda,

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A Dissimulação da Identidade

Não nos contentamos com a vida que temos em nós e no nosso próprio ser: queremos viver na ideia dos outros uma vida imaginária e para isso esforçamo-nos por manter as aparências. Trabalhamos incessantemente para embelezar e conservar o nosso ser imaginário, e descuramos o verdadeiro. E se temos ou a tranquilidade, ou a generosidade, ou a felicidade, apressamo-nos a apregoá-lo, a fim de atribuir estas virtudes ao nosso outro ser, e se fosse preciso estararíamos prontos a despojar-nos delas para as juntar ao outro; de bom grado seríamos cobardes para adquirirmos a reputação de valentes.
Grande sinal do nada que somos, n√£o nos contentarmos de uma coisa sem a outra, e trocarmos muitas vezes uma pela outra! Pois quem n√£o morresse para conservar a sua honra seria infame.