Passagens sobre Instinto

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Frases sobre instinto, poemas sobre instinto e outras passagens sobre instinto para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Homem Foi Sempre Mau

O homem foi sempre mau; ser√° mau at√© ao fim. A sociedade parece melhor do que foi, olhada colectivamente: √© parte nisto a lei, e, grande parte o c√°lculo. Cada indiv√≠duo se constrange e enfreia no pacto social para auferir as vantagens de o n√£o romper; por√©m, o instinto de cada homem, em comunidade de homens, est√° de cont√≠nuo repuxando para a desorganiza√ß√£o. Eu aceito, como puros, os cora√ß√Ķes formados na solid√£o, a n√£o se dar a segunda hip√≥tese do prov√©rbio, que disse: homem sozinho, das duas uma: ou Deus ou bruto.

Perguntas e Respostas

‚ÄĒ Qual √© a coisa mais antiga do mundo?
‚ÄĒ Poderia dizer que √© Deus que sempre existiu.
‚ÄĒ Qual √© a coisa mais bela?
‚ÄĒ O instante de inspira√ß√£o.
‚ÄĒ E Deus quando criou o Universo n√£o o fez no momento de Sua maior inspira√ß√£o?
‚ÄĒ O Universo sempre existiu. O cosmos √© Deus.
‚ÄĒ Qual das coisas √© a maior?
‚ÄĒ O amor, que √© o maior dos mist√©rios.
‚ÄĒ Das coisas qual √© a mais constante?
‚ÄĒ O medo. Que pena que eu n√£o possa responder: √© a esperan√ßa.
‚ÄĒ Qual o melhor dos sentimentos?
‚ÄĒ O de amar e ao mesmo tempo ser amada, o que parece apenas um lugar-comum mas √© uma de minhas verdades.
‚ÄĒ Qual √© o sentimento mais r√°pido?
‚ÄĒ O sentimento mais r√°pido, que chega a ser apenas um fulgor, √© o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor.
‚ÄĒ Qual √© a mais forte das coisas?
‚ÄĒ O instinto de ser.
‚ÄĒ O que √© mais f√°cil de se fazer?
‚ÄĒ Existir,

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Muitas vezes o problema não é o de se não ter talento mas apenas o de se não saber ter. Porque uma coisa é ter qualidades e outra ter o instinto da sua exacta aplicação.

Luto por uma Novidade de Espírito

Procuro me manter isolada contra a agonia de viver dos outros, e essa agonia que lhes parece um jogo de vida e morte mascara uma outra realidade, t√£o extraordin√°ria essa verdade que os outros cairiam de espanto diante dela, como num esc√Ęndalo. Enquanto isso, ora estudam, ora trabalham, ora amam, ora crescem, ora se afanam, ora se alegram, ora se entristecem. A vida com letra mai√ļscula nada pode me dar porque vou confessar que tamb√©m eu devo ter entrado por um beco sem sa√≠da como os outros. Porque noto em mim, n√£o um bocado de fatos, e sim procuro quase tragicamente ser. √Č uma quest√£o de sobreviv√™ncia assim como a de comer carne humana quando n√£o h√° alimento. Luto n√£o contra os que compram e vendem apartamentos e carros e procuram se casar e ter filhos mas luto com extrema ansiedade por uma novidade de esp√≠rito. Cada vez que me sinto quase um pouco iluminada vejo que estou tendo uma novidade de esp√≠rito.
Minha vida é um reflexo deformado assim como se deforma num lago ondulante e instável o reflexo de um rosto. Imprecisão trémula. Como o que acontece com a água quando se mergulha a mão na água.

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A Dança Da Psiquê

A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!

√Č ent√£o que a vaga dos instintos presos
– M√£e de esterilidades e cansa√ßos –
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emo√ß√Ķes extraordin√°rias sinto…

Arranco do meu cr√Ęnio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!

A família é apenas um aborrecido rebanho de gente que não tem o mais remoto conhecimento de como viver nem o menor instinto sobre o momento de morrer.

O Sentimento Religioso Profundo da Ciência

Falando do esp√≠rito que anima as investiga√ß√Ķes cient√≠ficas modernas, sou da opini√£o de que todas as brilhantes especula√ß√Ķes no reino da ci√™ncia nascem de um sentimento religioso profundo e de que sem esse sentimento elas n√£o seriam frutuosas. Tamb√©m acredito que este tipo de religiosidade que hoje em dia se faz sentir na investiga√ß√£o cient√≠fica √© a √ļnica actividade religiosa criativa do nosso tempo. A arte contempor√Ęnea dificilmente pode ser encarada como um meio de express√£o dos nossos instintos religiosos (…) Mas o conte√ļdo da pr√≥pria teoria cient√≠fica n√£o oferece qualquer fundamento moral no que respeita √† conduta pessoal.

Um Ser Revoltante e Falso

Quanta felicidade d√° a grata suavidade das coisas! Como a vida √© cintilante e de bela apar√™ncia! S√£o as grandes falsifica√ß√Ķes, as grandes interpreta√ß√Ķes que sempre nos t√™m elevado acima da satisfa√ß√£o animal, at√© chegarmos ao humano. Inversamente: que nos trouxe a chiadeira do mecanismo l√≥gico, a rumina√ß√£o do esp√≠rito que se contempla ao espelho, a disseca√ß√£o dos instintos?
Suponde v√≥s que tudo era reduzido a f√≥rmulas e que a vossa cren√ßa era confinada √† aprecia√ß√£o de graus de verosimilhan√ßa, e que vos era insuport√°vel viver com tais premissas… que faz√≠eis v√≥s?

A Razão ao Serviço do Instinto

O homem √© um ser que tem necessidades na medida em que pertence ao mundo sens√≠vel, e, a esse respeito, a sua raz√£o tem certamente um encargo que n√£o pode declinar em rela√ß√£o √† sensibilidade, o de se ocupar dos interesses da √ļltima, o de constituir m√°ximas pr√°ticas, em vista da felicidade desta vida e tamb√©m, quando √© poss√≠vel, da felicidade de uma vida futura. Mas n√£o √©, no entanto, t√£o completamente animal para ser indiferente a tudo o que a raz√£o lhe diz por ela mesma e para empreg√°-la simplesmente como um instrumento pr√≥prio para satisfazer as suas necessidades como ser sens√≠vel. Pois o facto de ter a raz√£o n√£o lhe d√° absolutamente um valor superior √† simples animalidade, se ela s√≥ devesse servir-lhe para o que o instinto realiza nos animais.

Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados.

O reino vegetal não tem inteligência e só tem um instinto, o de viver. Talvez essa falta de inteligência e de instintos seja o que nos deixa ficar tanto tempo sentada dentro do reino vegetal.

Por mais talentos com que tenhas sido dotado, nem sempre consegues encher a barriga, ao passo que, se tiveres um instinto apurado, isso garante-te que nunca passar√°s fome.

Fraternidade

Raz√£o n√£o tenho para os homens amar
Nem eles uma para amar-me têm;
À sua vileza cego não sei estar
E toda a vileza também eles vêem.

√ďdio em palavras, por saciar,
Sabendo j√° que por todos seria
Incompreendido; fosse eu falar
E deles ignoto continuaria.

Um √≥dio m√ļtuo que de instinto vem
Oculto em sorrisos, mal nos suportando.
A bondade humana, conheço-a bem;
Odeio os homens, ¬ęirm√£os¬Ľ lhes chamando.

Guerra

Guerra √© esfor√ßo, √© inquietude, √© √Ęnsia, √© transporte…
E a dramatização sangrenta e dura
Vir Deus num simples gr√£o de argila errante,
Da avidez com que o Espírito procura

√Č a Subconsci√™ncia que se transfigura
Em voli√ß√£o conflagradora… E a coorte
Das raças todas, que se entrega à morte
Para a felicidade da Criatura!

√Č a obsess√£o de ver sangue, √© o instinto horrendo
De subir, na ordem cósmica, descendo
A irracionalidade primitiva…

√Č a Natureza que, no seu arcano,
Precisa de encharcar-se em sangue humano
Para mostrar aos homens que est√° viva!

A Crise do Idealismo

Cada vez ser√° menor a ¬ęelite¬Ľ que os possui [valores], perante o desvairo do nosso tempo em que a sede dos prazeres materiais e a dissolu√ß√£o dos costumes, apoiadas por uma organiza√ß√£o industrial ad hoc, corromperam a riqueza e as suas fontes, o trabalho e as suas aplica√ß√Ķes, a fam√≠lia e o seu valor social. H√° no Mundo uma grande crise do idealismo, do espiritualismo de virtudes c√≠vicas e morais, e n√£o parece que sem eles possamos vencer as dificuldades do nosso tempo. Sem rectificarmos a s√©rie de valores com que lidamos – valores econ√≥micos e morais – , sem outro conceito diverso da civiliza√ß√£o e do progresso humano, sem ao esp√≠rito ser dada primazia sobre a mat√©ria e √† moral sobre os instintos, a humanidade n√£o curar√° os seus males e nem sequer tirar√° lucro do seu sofrimento.

Se Tudo quanto Existe…

Se tudo quanto existe
é lenta evolução,
longa transformação
sem Deus e sem mistério;
se tudo no Universo tem sentido
sem o sopro divino;
se o segredo da vida, a criação,
se explica pela ciência,
e a corrente vital
é também consequência;
se a humana consciência
√© simples equa√ß√£o…
‚ÄĒ que significa a voca√ß√£o do eterno,
que quer dizer a aspiração do Céu
e o terror do inferno?

E se acaso é o instinto a lei da vida,
se a verdade
é só necessidade
inexor√°vel, lenta, laboriosa,

que sábia explicação
tem esta fr√°gil, esta in√ļtil rosa?

Os Quatro Erros

A educa√ß√£o do homem foi feita pelos seus erros: em primeiro lugar, ele nunca se viu sen√£o imperfeitamente; em seguida, atribuiu-se qualidades imagin√°rias; em terceiro, sentiu-se em rela√ß√Ķes falsas diante da natureza e do reino animal; em quarto, nunca deixou de inventar t√°buas do bem sempre novas e tomou cada uma delas durante um certo tempo como eterna e absoluta, de tal maneira que o primeiro lugar foi ocupado sucessivamente por este ou aquele instinto ou este ou aquele estado que enobrece esta aprecia√ß√£o. Ignorar o efeito destes quatro erros √© suprimir a humanidade, o humanitarismo e a ¬ędignidade humana¬Ľ.

O Maior Triunfo do Homem

O maior triunfo do homem é quando se convence de que o ridículo é uma coisa sua que existe só para os outros, e, mesmo, sempre que outros queiram. Ele então deixa de importar-se com o ridículo, que, como não está em si, ele não pode matar.

Três coisas tem o homem superior que ensinar-se a esquecer para que possa gozar no perfeito silêncio a sua superioridade Рo ridículo, o trabalho e a dedicação.
Como não se dedica a ninguém, também nada exige da dedicação alheia. Sóbrio, casto, frugal, tocando o menos possível na vida, tanto para não se incomodar como para não aproximar as coisas de mais, a ponto de destruir nelas a capacidade de serem sonhadas, ele isola-se por conveniência do orgulho e da desilusão. Aprende a sentir tudo sem o sentir directamente; porque sentir directamente é submeter-se Рsubmeter-se à acção da coisa sentida.

Vive nas dores e nas alegrias alheias, Whitman ol√≠mpico, Proteu da compreens√£o, sem partilhar de viv√™-las realmente. Pode, a seu talante, embarcar ou ficar nas partidas de navios e pode ficar e embarcar ao mesmo tempo, porque n√£o embarca nem fica. Esteve com todos em todas as sensa√ß√Ķes de todas as horas da sua vida.

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