Passagens sobre Compaix√£o

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Frases sobre compaix√£o, poemas sobre compaix√£o e outras passagens sobre compaix√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Na sua forma mais elevada, o amor transforma a nossa natureza. Gera ternura e afeto. Substitui a raiva pela compaix√£o. Quando as pessoas procuram o meu conselho, o amor e os relacionamentos s√£o o principal tema das quest√Ķes que me colocam.

O tr√°fico de seres humanos √© uma chaga no corpo da humanidade contempor√Ęnea, uma chaga na carne de Cristo. √Č um delito contra a humanidade. Queremos que as estrat√©gias e as compet√™ncias sejam acompanhadas e fortalecidas pela compaix√£o evang√©lica, pela proximidade aos homens e mulheres que s√£o v√≠timas deste crime.

O dom da piedade. Este dom não se identifica com ter compaixão por alguém ou com piedade pelo próximo, mas indica a nossa pertença a Deus e o nosso vínculo profundo com Ele, uma ligação que dá sentido a toda a nossa vida e que nos mantém firmes, em comunhão com Ele, mesmo nos momentos mais difíceis e trabalhosos.

A Necessidade da Compaix√£o

Arrebatavam-me os espect√°culos teatrais, cheios de imagens das minhas mis√©rias e de alimento pr√≥prio para o fogo das minhas paix√Ķes. Mas porque quer o homem condoer-se, quando presenceia cenas dolorosas e tr√°gicas, se de modo algum deseja suport√°-las? Todavia, o espectador anseia por sentir esse sofrimento que, afinal, para ele constitui um prazer. Que √© isto sen√£o rematada loucura? Com efeito, tanto mais cada um se comove com tais cenas quanto menos curado se acha de tais afectos (delet√©rios). Mas ao sofrimento pr√≥prio chamamos ordinariamente desgra√ßa, e √† comparticipa√ß√£o das dores alheias, compaix√£o. Que compaix√£o √© essa em assuntos fict√≠cios e c√©nicos, se n√£o induz o espectador a prestar aux√≠lio, mas somente o convida √† ang√ļstia e a comprazer o dramaturgo na propor√ß√£o da dor que experimenta? E se aquelas trag√©dias humanas, antigas ou fingidas, se representam de modo a n√£o excitarem a compaix√£o, e espectador retira-se enfastiado e criticando. Pelo contr√°rio, se se comove, permanece atento e chora de satisfa√ß√£o.
Amamos, portanto, as l√°grimas e as dores. Mas todo o homem deseja o gozo. Ora, ainda que a ningu√©m apraz ser desgra√ßado, apraz-nos contudo a ser compadecidos. N√£o gostaremos n√≥s dessas emo√ß√Ķes dolorosas pelo √ļnico motivo de que a compaix√£o √© companheira insepar√°vel da dor?

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Hora de Ponta

Apanhar um lugar a esta hora é uma sorte, poder olhar
pela janela e fingir que tenho imunidade diplom√°tica,
que estou de l√° do vidro com o h√°lito das folhas, o sabor
a hortel√£ e um ar fresco interrompido pela velha senhora
a quem cedo o assento e um sorriso enquanto me agradece
de nada, de ir agora em pé empurrada, de cá do vidro
a apanhar uma overdose de realidade com o bafo quente
do homem gordo na minha orelha, com a m√£o livre
apertada contra o peito, contra o visco da hora apinhada
na minha pele p√ļblica, na minha pele de todos.
No banco em frente uma mulher afaga a neta com o sorriso
doce e cansado, os olhos brilhantes, a candura intacta
toma-me toda como se eu fosse um anjo
descendo à terra com um corpo real para que a minha pele
receba a d√°diva da tua, aceite os cheiros de um dia de trabalho,
o calor excessivo, a proximidade insustent√°vel e leia no teu rosto
cada mandamento nos solavancos que nos atiram uns para
os outros. No teu rosto √£ hora de ponta aprendo a compaix√£o
até sair na próxima paragem com um suspiro de alívio.

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Compaixão Mórbida

Todos os dias desfa√ßo-me, por via da raz√£o, desse sentimento pueril e inumano que faz que desejemos que os nossos males suscitem a compaix√£o e o pesar nos nossos amigos. Fazemos valer os nossos infort√ļnios desproporcionadamente para provocar as suas l√°grimas. E a firmeza face √† m√° fortuna, que louvamos em toda a gente, reprovamo-la e repudiamo-la aos nossos √≠ntimos quando a m√° fortuna √© a nossa. N√£o nos contentamos com que eles sejam sens√≠veis √†s nossas dores, precisamos que com elas se aflijam.
Deve-se espalhar a alegria, mas conter, tanto quanto poss√≠vel, a tristeza. Quem quer ser compadecido sem raz√£o √© homem que n√£o o merece ser quando houver raz√£o para tal. Estar sempre a lamentar-se √© caso para se n√£o ser lamentado, pois quem tantas vezes faz de coitadinho n√£o inspira d√≥ a ningu√©m. Quem faz de morto estando vivo sujeita-se a ser tido por vivo em morrendo. Vi doentes abespinharem-se por os acharem de bom semblante e com o pulso normal, reprimirem o riso porque este denunciava a sua cura e odiarem a sa√ļde por ela n√£o suscitar compaix√£o.

A Vergonha e a Injustiça Não Existem na Natureza

A vergonha n√£o existe na natureza. Os animais sabem a lei: a for√ßa, a for√ßa, a for√ßa. Quem √© fraco cai e faz o que o forte quer. A inunda√ß√£o, as chuvas, o mam√≠fero mais pesado e mais r√°pido e o mam√≠fero pequeno. Os primatas, os r√©pteis, os peixes maiores e os mais min√ļsculos, a cascata: j√° viste algum animal cair?, n√£o h√° a mais breve compaix√£o entre os animais e a √°gua, o mar engoliu milhares e milhares de c√£es desde o in√≠cio do mundo. N√£o h√° a mais breve compaix√£o entre a √°gua e as plantas, entre a terra que desaba e os pequenos animais acabados de nascer. A natureza avan√ßa com o que √© forte e a cidade avan√ßa com o que √© forte: qual a d√ļvida? Queres o qu√™?
N√£o h√° animais injustos, n√£o sejas imbecil. N√£o h√° inunda√ß√Ķes injustas ou desabamentos da maldade. A injusti√ßa n√£o faz parte dos elementos da natureza, um c√£o sim, e uma √°rvore e a √°gua enorme, mas a injusti√ßa n√£o. Se a injusti√ßa se fizesse organismo: coisa que pode morrer, ent√£o, sim, faria parte da natureza.

Gonçalo M.

Porque ¬ęnenhum homem √© uma ilha¬Ľ, tamb√©m n√≥s n√£o somos homens de pedra que n√£o se emocionam com as nobres paix√Ķes do amor, amizade e compaix√£o humana.

Só a Morte Desperta os Nossos Sentimentos

Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notou que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não acha?! Como admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabe porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres.

√Č assim o homem, caro senhor, tem duas faces. N√£o pode amar sem se amar. Observe os seus vizinhos, se calha de haver um falecimento no pr√©dio. Dormiam na sua vida mon√≥tona e eis que, por exemplo, morre o porteiro. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaix√£o. Um morto no prelo, e o espect√°culo come√ßa, finalmente. T√™m necessidade de trag√©dia, que √© que o senhor quer?, √© a sua pequena transcend√™ncia, √© o seu aperitivo.
√Č preciso que algo aconte√ßa, eis a explica√ß√£o da maior parte dos compromissos humanos. √Č preciso que algo aconte√ßa, mesmo a servid√£o sem amor, mesmo a guerra ou a morte.

Tempos Idos

N√£o enterres, coveiro, o meu Passado,
Tem pena dessas cinzas que ficaram;
Eu vivo dessas crenças que passaram,
e quero sempre tê-las ao meu lado!

N√£o, n√£o quero o meu sonho sepultado
No cemitério da Desilusão,
Que n√£o se enterra assim sem compaix√£o
Os escombros benditos de um Passado!

Ai! N√£o me arranques d’alma este conforto!
РQuero abraçar o meu passado morto,
– Dizer adeus aos sonhos meus perdidos!

Deixa ao menos que eu suba à Eternidade
Velado pelo círio da Saudade,
Ao dobre funeral dos tempos idos!

O Supremo Instinto do Asseio

O que separa mais profundamente duas pessoas √© um sentido e grau diferentes de asseio. Para que serve toda a honestidade e utilidade m√ļtua, para que serve toda a boa vontade de uns para os outros: por fim √© sempre o mesmo ‚Äď ‚Äúeles n√£o se podem cheirar!‚ÄĚ O supremo instinto do asseio coloca quem o tiver na solid√£o mais estranha e perigosa, como um santo: pois isso precisamente √© santidade ‚Äď a suprema espiritualiza√ß√£o desse instinto. Qualquer saber comum de uma indescrit√≠vel felicidade do banho, qualquer ardor e sede que impelem a alma constantemente da noite para a manh√£ e do turvo, da ¬ętribula√ß√£o¬Ľ para o claro, resplandecente, profundo, subtil: – do mesmo modo que tal tend√™ncia distingue ‚Äď pois √© uma tend√™ncia aristocr√°tica -, tamb√©m separa. A compaix√£o do santo √© a compaix√£o com a sujidade do humano, demasiadamente humano. E h√° graus e alturas em que a pr√≥pria compaix√£o √© sentida, por ele, como contamina√ß√£o, como sujidade…

Cristo E A Ad√ļltera

(Grupo de Bernardelli)

Sente-se a extrema comoção do artista
No grupo ideal de pl√°cida candura,
Nesse esplendor t√£o fino da escultura
Para onde a luz de todo o olhar enrista.

Que campo, ali, de r√ļtila conquista
Deve rasgar, do m√°rmore na alvura,
O estatu√°rio — que amplid√£o segura
Tem — de alma e bra√ßo, de raz√£o e vista!

Vê-se a mulher que implora, ajoelhada,
A mais serena compaix√£o sagrada
De um Cristo feito a largos tons gloriosos.

De um Nazareno compassivo e terno,
D’olhos que lembram, cheios de falerno,
Dois inef√°veis cora√ß√Ķes piedosos!

Como √Č Bom Ser Bom

Tu, que vês tudo pelo coração,
Que perdoas e esqueces facilmente,
E és, para todos, sempre complacente,
Bendito sejas, venturoso irm√£o.

Possuis a graça como inspiração
Amas, divides, d√°s, vives contente,
E a bondade que espalhas, n√£o se sente,
Tão natural é a tua compaixão.

Como o p√°ssaro tem maviosidade,
Tua voz, a cantar, no mesmo tom,
Alivia, consola e persuade.

E assim, tal qual a flor contém o dom.
De concentrar no aroma a suavidade,
Da mesma forma, tu nasceste bom.

A vida √© uma escola. Estamos aqui para aprender compaix√£o, n√£o-viol√™ncia, f√© e caridade. Estamos aqui para desaprender as emo√ß√Ķes negativas como medo, raiva, inveja e gan√Ęncia.

Felicidade e Cultura

A vis√£o das imedia√ß√Ķes da nossa inf√Ęncia comove-nos: a casa de campo, a igreja com as sepulturas, a lagoa e o bosque… √© sempre com padecimento que voltamos a ver isso. Apodera-se de n√≥s a compaix√£o para com n√≥s pr√≥prios, pois por que sofrimentos n√£o pass√°mos, desde ent√£o! E ali continua a estar tudo t√£o calmo, t√£o eterno: s√≥ n√≥s estamos mudados, t√£o agitados; at√© tornamos a encontrar algumas pessoas, nas quais o tempo n√£o meteu dente mais do que num carvalho: camponeses, pescadores, habitantes da floresta… s√£o os mesmos. Como√ß√£o, compaix√£o consigo pr√≥prio, √† vista da cultura inferior, √© sinal de cultura superior; donde se conclui que, por interm√©dio desta, a felicidade, em todo o caso, n√£o foi acrescida. Justamente, quem quiser colher da vida felicidade e deleite s√≥ tem que se desviar sempre da cultura superior.