Passagens sobre Criaturas

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Frases sobre criaturas, poemas sobre criaturas e outras passagens sobre criaturas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Absurdo do C√ļmulo da Felicidade

Agora pergunto-lhe: o que podemos esperar do homem enquanto criatura dotada de t√£o estranhas qualidades? Fa√ßa chover sobre ele todos os tipos de b√™n√ß√£os terrenas; submerja-o em felicidade at√© acima da cabe√ßa, de modo que s√≥ pequenas bolhas apare√ßam na superf√≠cie dessa felicidade, como se em √°gua; d√™ a ele uma prosperidade econ√≥mica tamanha que nada mais lhe reste para ser feito, excepto dormir, comer p√£o-de-l√≥ e preocupar-se com a continua√ß√£o da hist√≥ria mundial ‚ÄĒ mesmo assim, por pura ingratid√£o, por exclusiva perversidade, ele vai cometer algum acto repulsivo. Ele at√© mesmo arriscar√° perder o seu p√£o-de-l√≥ e desejar√° intencionalmente o mais depravado lodo, o mais antiecon√≥mico absurdo, simplesmente a fim de injectar o seu fant√°stico e pernicioso elemento no √Ęmago de toda essa racionalidade positiva.

Evolução

Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:
O que é a luz?
Sol que morreu.

Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:
Vai nesse pó, que há-de ser terra,
A luz extinta.

Gerou a terra a seara verde:
Hastes e folhas da seara verde
Comeram terra.

A seara é grada, o trigo é loiro:
Deu trigo loiro,
Morrendo ela.

O trigo é pão, é carne e é sangue:
Sangue vermelho, carne vermelha,
Trigo defunto.

Em carne e em sangue, eis o desejo:
Vive o desejo,
De carne morta.

Arde o desejo, eis o pecado:
Que s√£o pecados?
Desejos mortos.

Queima o pecado o pecador:
Nasceu a dor; findou na dor
Pecado e morte.

A alma branca, iluminada,
Transfigurada pela dor,
Essa não vai à sepultura
Porque é já Deus na criatura,
Porque é o Espírito, é o Amor.

Na vida v√£ da terra sepulcral
Só o amor é infinito e só ele é imortal.

Morreu a luz,

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Que pode uma criatura senão, entre outras criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Guerra

Guerra √© esfor√ßo, √© inquietude, √© √Ęnsia, √© transporte…
E a dramatização sangrenta e dura
Vir Deus num simples gr√£o de argila errante,
Da avidez com que o Espírito procura

√Č a Subconsci√™ncia que se transfigura
Em voli√ß√£o conflagradora… E a coorte
Das raças todas, que se entrega à morte
Para a felicidade da Criatura!

√Č a obsess√£o de ver sangue, √© o instinto horrendo
De subir, na ordem cósmica, descendo
A irracionalidade primitiva…

√Č a Natureza que, no seu arcano,
Precisa de encharcar-se em sangue humano
Para mostrar aos homens que est√° viva!

Nunca fui bonita , e sempre vi em volta de mim mais rapazes do que talvez nenhuma rapariga visse em toda a vida, e, como vês, sou hoje a criatura mais desprendida de tudo isso que tu poderias ter encontrado no teu caminho.

O Sentido da Vida Está em Cada um de Nós

‘Vejamos, que vem a ser isto que me perturba?’, perguntou Levine a si pr√≥prio, sentindo, no fundo da sua alma, a solu√ß√£o para as suas d√ļvidas, embora ainda n√£o soubesse qual fosse. ‘Sim, a √ļnica manifesta√ß√£o evidente e indiscut√≠vel da divindade est√° nas leis do bem, expostas ao mundo pela revela√ß√£o que sinto dentro de mim e me identifica, quer queira quer n√£o, com todos aqueles que como eu as reconhecem. √Č esta congrega√ß√£o de criaturas humanas comungando na mesma cren√ßa que se chama Igreja. Mas o judeus, os mu√ßulmanos, os budistas, os confuccionistas?’, disse para si mesmo, repisando o ponto delicado. ‘Estar√£o eles entre milh√Ķes de homens privados do maior de todos os benef√≠cios, do √ļnico que d√° sentido √† vida?… Ora vejamos’, continuou, ap√≥s alguns instantes de reflex√£o, ‘qual √© o problema que eu a mim mesmo estou a p√īr? O das rela√ß√Ķes das diversas cren√ßas da humanidade com a Divindade? √Č a revela√ß√£o de Deus no Universo, com os seus astros e as suas nebulosas, que eu pretendo sondar. E √© no momento em que me √© revelado um saber certo inacess√≠vel √† raz√£o que eu me obstino em recorrer √† l√≥gica!

‘Eu bem sei que as estrelas n√£o caminham’,

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As Restri√ß√Ķes dos Guardi√Ķes Morais

Parece-me a mim que o pressuposto em que se baseiam as ac√ß√Ķes restritivas dos nossos guardi√Ķes morais √© simplesmente o de que o acesso √† literatura proibida nos pode levar a comportar-se como animais. Mas pensar assim √© insultar o reino animal. E, ao mesmo tempo, transformar paix√£o, o maior atributo do homem, numa caricatura. A gama da paix√£o humana √© quase ilimitada, atingindo alturas e profundidades impens√°veis. Precisamente por abarcar tais extremos √© a paix√£o a aut√™ntica pedra de toque da nossa humanidade, e talvez tamb√©m da nossa divindade. De todas as criaturas da terra, o homem √© a √ļnica de comportamento imprevis√≠vel. H√° em n√≥s alguma coisa de toda a cria√ß√£o. Quando nos √© negada a menor parcela de liberdade, ficamos espiritualmente limitados e mutilados. √Č a plena consci√™ncia da nossa natureza m√ļltipla e a integra√ß√£o da mir√≠ade de elementos de que somos compostos que nos faz completos, que nos faz humanos. A religi√£o faz de n√≥s santos, ou apenas bons cidad√£os, mas o que faz de n√≥s homens, o que nos faz humanos at√© ao √Ęmago, √© a liberdade. √Č uma palavra terr√≠vel, a liberdade, para aqueles que viveram toda a vida mentalmente algemados.

A Embriaguez e Seriedade da Juventude

Passada a adolesc√™ncia, √© poss√≠vel conhecer-se alegrias, mas n√£o j√° a embriaguez. Tapar os buracos das pe√ļgas uns com os outros! Ter medo de perder o comboio! Ter o dinheiro √† justa para a viagem e recear que √† √ļltima hora um irm√£o ainda a dormir surripie a quantia! Talvez porque a embriaguez venha do facto da inquieta√ß√£o e das hesita√ß√Ķes se tornarem mais angustiantes quando tudo se ignora. N√£o teria qualquer aventura amorosa em Nantes? Quem diz ¬ęamor¬Ľ diz pistola, e pistola era coisa que eu n√£o tinha. Ora o que nesta viagem mais me surpreendeu foi terem-me reconhecido, em casa de um sapateiro, por certa parecen√ßa com uma velha parente minha e o elogio que ouvi fazerem dessa criatura cuja vida eu considerava nula. Os jovens levam tudo a s√©rio, ainda que n√£o saibam conferir um ar s√©rio √†quilo que levam. Na realidade, experimentam apenas emo√ß√Ķes desproporcionadas.

Certas criaturas t√™m a mania de dar bons conselhos precisando tanto deles para si… √Č o que chamo de c√ļmulo da generosidade.

Ironia De L√°grimas

Junto da Morte é que floresce a Vida!
Andamos rindo junto à sepultura.
A boca aberta, escancarada, escura
Da cova é como flor apodrecida.

A Morte lembra a estranha Margarida
Do nosso corpo, Fausto sem ventura…
Ela anda em torno a toda a criatura
Numa dança macabra indefinida.

Vem revestida em suas negras sedas
E a marteladas l√ļgubrees e tredas
Das ilus√Ķes o eterno esquife prega.

E adeus caminhos v√£os, mundos risonhos,
L√° vem a loba que devora os sonhos,
Faminta, absconsa, imponderada, cega!

A Nossa Avidez Infinita

Todos n√≥s sofremos de uma avidez infinita. As nossas vidas s√£o-nos preciosas, estamos sempre alerta contra os desperd√≠cios. Ou talvez fosse melhor chamar a isso Sentido de Destino Pessoal. Sim. Creio que √© melhor do que avidez. Dever√° a minha vida perder um mil√©simo de polegada da sua plenitude? √Č uma coisa diferente avaliar-se a si pr√≥prio ou vangloriar-se loucamente. E h√° ent√£o os nossos planos, os nossos ideais. Tamb√©m eles s√£o perigosos. Podem consumir-nos como parasitas, comer-nos, sorver-nos e deixar-nos exangues e prostrados. E no entanto estamos constantemente a convidar os parasitas, como se estiv√©ssemos ansiosos por sermos sorvidos e comidos. Isto porque nos ensinaram que n√£o h√° limites para o que um homem pode ser.

Há seiscentos anos um homem era o que o seu nascimento demarcava para ele. Satanás e a Igreja, representante de Deus, lutavam por ele. Ele, pela sua escolha, decidia em parte qual seria o resultado. Mas quer fosse, depois da morte, para o céu ou para o inferno, o seu lugar entre os vivos estava marcado. Não podia ser contestado. Desde então o palco foi novamente arranjado e os seres humanos apenas passeiam nele e, sob este novo ponto de vista,

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Pedimos a graça de ser habitados pelo desejo.

Somos criaturas desejosas, ou bem anestesiadas, indiferentes, ap√°ticas que n√£o esperam nada da vida?

O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher, o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.
O trono exalta e o altar santifica.
O homem é o cérebro; a mulher, o coração. O cérebro produz a luz; o coração produz amor. A luz fecunda; o amor ressuscita.
O homem é o génio; a mulher é o anjo. O génio é imensurável; o anjo é indefenível;
A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher é a virtude extrema; A glória promove a grandeza e a virtude, a divindade.
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão; a mulher, invencível pelas lágrimas.
A raz√£o convence e as l√°grimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios. O heroísmo enobrece e o martírio purifica.
O homem pensa e a mulher sonha. Pensar é ter uma larva no cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é a águia que voa;

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Qualquer pessoa é digna da nossa dedicação.

Não pelo seu aspecto físico, pelas suas capacidades, pela sua linguagem, pela sua linguagem, pela sua mentalidade ou pela satisfação que nos pode dar, mas porque é obra de Deus, Sua criatura. Ele criou-a à Sua imagem e reflete algo da Sua glória.