Passagens sobre D√°diva

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Frases sobre d√°diva, poemas sobre d√°diva e outras passagens sobre d√°diva para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Infelicidade do Desejo

Um desejo é sempre uma falta, carência ou necessidade. Um estado negativo que implica um impulso para a sua satisfação, um vazio com vontade de ser preenchido.

Toda a vida é, em si mesma, um constante fluxo de desejos. Gerir esta torrente é essencial a uma vida com sentido. Cada homem deve ser senhor de si mesmo e ordenar os seus desejos, interesses e valores, sob pena de levar uma vida vazia, imoderada e infeliz. Os desejos são inimigos sem valentia ou inteligência, dominam a partir da sua capacidade de nos cegar e atrair para o seu abismo.
A felicidade √©, por ess√™ncia, algo que se sente quando a realidade extravasa o que se espera. A supera√ß√£o das expectativas. Ser feliz √© exceder os limites preestabelecidos, assim se conclui que quanto mais e maiores forem os desejos de algu√©m, menores ser√£o as suas possibilidades de felicidade, pois ainda que a vida lhe traga muito… esse muito √© sempre pouco para lhe preencher os vazios que criou em si pr√≥prio.

Na sociedade de consumo em que vivemos há cada vez mais necessidades. As naturais e todas as que são produzidas artificialmente. Hoje, criam-se carências para que se possa vender o que as preenche e anula.

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A mais bela das experiências é descobrir de quantos carismas diferentes e de quantos dons do seu Espírito o Pai colma a Sua Igreja! Isto não deve ser visto como um motivo de confusão, de mal-estar; são tudo dádivas que Deus concede à comunidade cristã, para que possa crescer em harmonia, na fé e no Seu amor, como um só corpo, o corpo de Cristo.

Os descontentamentos surgem quando a mente fica obcecada por uma √ļnica coisa e n√£o consegue enxergar as d√°divas recebidas. O sofrimento est√° na mente e n√£o na mat√©ria. Liberta-te da obsess√£o e volve os olhos para as demais coisas. Ver√°s que est√°s cercado de in√ļmeras d√°divas.

Quem vive totalmente Está vivendo para os outros Quem vive a própria largueza Está fazendo uma dádiva Mesmo que sua vida se passe Dentro da incomunicabilidade de uma cela

Educação para a Independência do Pensamento

N√£o basta preparar o homem para o dom√≠nio de uma especialidade qualquer. Passar√° a ser ent√£o uma esp√©cie de m√°quina utiliz√°vel, mas n√£o uma personalidade perfeita. O que importa √© que venha a ter um sentido atento para o que for digno de esfor√ßo, e que for belo e moralmente bom. De contr√°rio, vir√° a parecer-se mais com um c√£o amestrado do que com um ser harmonicamente desenvolvido, pois s√≥ tem os conhecimentos da sua especializa√ß√£o. Deve aprender a compreender os motivos dos homens, as suas ilus√Ķes e as suas paix√Ķes, para tomar uma atitude perante cada um dos seus semelhantes e perante a comunidade.
Estes valores s√£o transmitidos √† jovem gera√ß√£o pelo contacto pessoal com os professores, e n√£o ‚ÄĒ ou pelos menos n√£o primordialmente ‚ÄĒ pelos livros de ensino. S√£o os professores, antes de mais nada, que desenvolvem e conservam a cultura. S√£o ainda esses valores que tenho em mente, quando recomendo, como algo de importante, as ¬ęhumanidades¬Ľ e n√£o o mero tecnicismo √°rido, no campo hist√≥rico e filos√≥fico.
A import√Ęncia dada ao sistema de competi√ß√£o e a especializa√ß√£o precoce, sob pretexto da utilidade imediata, √© o que mata o esp√≠rito de que depende toda a actividade cultural e at√© mesmo o pr√≥prio florescimento das ci√™ncias de especializa√ß√£o.

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Hora de Ponta

Apanhar um lugar a esta hora é uma sorte, poder olhar
pela janela e fingir que tenho imunidade diplom√°tica,
que estou de l√° do vidro com o h√°lito das folhas, o sabor
a hortel√£ e um ar fresco interrompido pela velha senhora
a quem cedo o assento e um sorriso enquanto me agradece
de nada, de ir agora em pé empurrada, de cá do vidro
a apanhar uma overdose de realidade com o bafo quente
do homem gordo na minha orelha, com a m√£o livre
apertada contra o peito, contra o visco da hora apinhada
na minha pele p√ļblica, na minha pele de todos.
No banco em frente uma mulher afaga a neta com o sorriso
doce e cansado, os olhos brilhantes, a candura intacta
toma-me toda como se eu fosse um anjo
descendo à terra com um corpo real para que a minha pele
receba a d√°diva da tua, aceite os cheiros de um dia de trabalho,
o calor excessivo, a proximidade insustent√°vel e leia no teu rosto
cada mandamento nos solavancos que nos atiram uns para
os outros. No teu rosto √£ hora de ponta aprendo a compaix√£o
até sair na próxima paragem com um suspiro de alívio.

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Canto

… e o vento,
o vento dos altos a que me dei,
a ti me trouxe
a ti me entregou.
Se em mim j√° estavas!
Pela boca, pelos olhos e pelas m√£os,
arreigado e voraz,
meu invasor enternecido.

Cinco vidas, nada menos,
cinco vidas querias ter.
Cinco vidas…
Mas uma, apenas, ardente, violenta e dissipada,
uma só não te bastaria?
Uma,
quintuplicada, centuplicada na hora inef√°vel,
no momento embriagado…
Uma, para me dares, para eu de ti receber,
vergada, sucumbida?
√Č primavera! sa√≠u-me da boca.
E tu sorriste.
Sorriste, creio.
Primavera e todas as esta√ß√Ķes‚Ķ
Chuva e sol, tempo sem idade.

Aqueles suaves, langues verdes, t√£o cariciosos;
os redondos troncos
e os musgos fofos;
os melros agrestes
e as campainhas roxas daquelas flores da minha inf√Ęncia,
de que me ensinaste o nome tão doce, tão estranho…
E as loucas nuvens corredias
e as pedras hier√°ticas
e as veredas am√°veis,
como se os ofereciam!
Amavam-nos,
N√£o o viste?
No passo certo em que ambos íamos
tudo,

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N√£o Transformes o Teu Amigo em Escravo

A decepção não passa de baixeza. Se tu amaste um certo não sei quê no homem, que importa haver no mesmo homem outra coisa que te desagrada? Mas tu, não senhor; transformas logo a seguir em escravo quem amas ou quem te ama. Se ele não assume os encargos dessa escravidão, condena-lo.
O outro que fez? Tinha um amigo que lhe fazia presente do seu amor. Vai ele e transforma esse presente em dever. E a dádiva do amor tornou-se dever de beber a cicuta, tornou-se escravatura. O amigo não gostava da cicuta. O outro deu-se por desiludido, o que é ignóbil. Efectivamente, só pode haver decepção relativamente a um escravo que serviu mal.

As Melhores Coisas da Vida São à Borla

As melhores coisas da vida são à borla.

Vivemos em abund√Ęncia.

N√£o parece, pois h√° muito tempo que se d√° mais valor √† mat√©ria, aos bens que possu√≠mos e √†s contas que temos no banco do que √†quilo que verdadeiramente importa, mas √© um facto. A terra d√°-nos tudo. √Č t√£o generosa que mesmo ap√≥s tanta destrui√ß√£o continua a regenerar-se e a alimentar-nos a alma e o corpo. Os melhores alimentos v√™m do solo que pisamos. As praias encontram-se o ano todo no mesmo lugar. 0 mar e a areia n√£o desaparecem. Existem desde sempre e para sempre e est√£o √† tua disposi√ß√£o sempre que entenderes senti-los. As florestas, os bosques e os jardins, a mesma coisa. A ess√™ncia do verde, apesar de amarelar no outono e cair no inverno, mant√©m-se intacta, dispon√≠vel para a respirares e te entregares sempre que precisares de te curar. O vento sopra todos os dias. O sol intercala com a chuva para poderes sentir sempre algo novo quando vais √† janela ou sais √† rua. O c√©u est√° sempre estrelado ou cheio de formas para que possas agradecer ou dar asas √† tua criatividade. Mas h√° mais. Os nossos amigos s√£o de gra√ßa.

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O Professor como Mestre

N√£o me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma √© burocr√°tica e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profiss√£o; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa intelig√™ncia e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das aten√ß√Ķes das pessoas mais s√©rias; creio mesmo que tal distin√ß√£o foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, √© sempre poss√≠vel a compara√ß√£o com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de m√©rito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre n√£o √© de modo algum um emprego e que a sua actividade se n√£o pode aferir pelos m√©todos correntes; ganhar a vida √© no professor um acr√©scimo e n√£o o alvo; e o que importa, no seu ju√≠zo final, n√£o √© a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente h√°-de pesar na balan√ßa √© a pedra que lan√ßou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama;

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√Č Imposs√≠vel Fazer Amor sem um Certo Abandono

Mas √© exactamente isso que √© supreendente em ti: tu gostas de dar prazer. Gostas de fazer do teu corpo um objecto agrad√°vel, gostas de dar prazer com o teu pr√≥prio corpo: √© precisamente isso o que os ocidentais j√° n√£o conseguem fazer. Perderam completamente o sentimento da d√°diva. Mesmo esfor√ßando-se, n√£o conseguem assumir o sexo como uma coisa natural. Al√©m de terem vergonha do seu corpo, muito diferente do corpo das estrelas pornogr√°ficas, tamb√©m n√£o sentem uma verdadeira atrac√ß√£o pelo corpo dos outros. Ora, √© imposs√≠vel fazer amor sem um certo abandono, sem a aceita√ß√£o, pelo menos tempor√°ria, de um certo estado de fraqueza e de depend√™ncia. Tanto a exalta√ß√£o sentimental como a obsess√£o sexual t√™m a mesma origem, resultam ambas do esquecimento parcial do eu; √© algo que n√£o pode acontecer sem que a pessoa perca alguma coisa de si mesma. E n√≥s torn√°mo-nos frios, racionais, extremamente conscientes dos nossos direitos e da nossa exist√™ncia individual; primeiro que tudo, queremos evitar a aliena√ß√£o e a depend√™ncia; al√©m disso, vivemos obcecados com a sa√ļde e com a higiene: e n√£o s√£o essas as condi√ß√Ķes ideais para fazer amor.

A Amizade e o Amor Segundo uma Lógica de Bazar

Desconfia-se do que √© dado e pesa-se o que se recebe. A amizade e o amor parecem gerir-se, por vezes, segundo uma l√≥gica de bazar. J√° nem √© considerado m√°-educa√ß√£o perguntar quanto √© que uma prenda custou. Se esse pre√ßo √© excessivo chega-se a dizer que n√£o se pode aceitar. Recusar uma d√°diva √© como chamar interesseiro ao dador. √Č desconfiar que existe uma segunda inten√ß√£o. De qualquer forma, s√≥ quem tem medo (ou corre o risco) de se vender pode pensar que algu√©m est√° a tentar compr√°-lo. Quem d√° de bom cora√ß√£o merece ser aceite de bom cora√ß√£o. A ess√™ncia sentimental da d√°diva √© ultrajada pela frieza da avalia√ß√£o.
A mania da equitatividade contamina os esp√≠ritos justos. √Č o caso das pessoas que, n√£o desconfiando de uma d√°diva, recusam-se a aceitar uma prenda que, pelo seu valor, n√£o sejam capazes de retribuir. Esta atitude, apesar de ser nobre, acaba por ser igualmente destrutiva, pois sup√Ķe que existe, ou poder√° vir a existir, uma expectativa de retribui√ß√£o da parte de quem d√°. Mas quem d√° n√£o d√° para ser pago. D√° para ser recebido. N√£o d√° como quem faz um dep√≥sito ou investimento. O valor de uma prenda n√£o est√° na prenda –

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Peso do Mundo

A poesia não é, nunca foi
uma enumeração ou composto
de exuber√Ęncia, bondade,
altitude, nem arado
ou d√°diva sobre ch√£o
prenhe de mortos.

Nem o arrependimento
de Deus por ter criado o homem
com o rosto da sua memória,
ao lado dos seus vermes.

T√£o-pouco f√īlego dos que amam
abrindo a porta límpida
do corpo e chovendo sobre a terra,
ou carregam como tartarugas
o peso do mundo.

Nem reverência por um tigre,
pela leveza maligna de todas as patas,
pela sonolência junto à estirpe
aprisionada também
na dureza de ser tigre.

√Č o milagre de uma arma
total, de uma só palavra
reduzindo o átomo à completa inocência.

O Amor Maior

O amor é preocupação. Ter o coração já previamente ocupado. Ter medo que alguma coisa de mal aconteça à pessoa amada. Sofrer mais por não poder aliviar o sofrimento da pessoa amada do que ela própria sofre.
O amor √© banal. √Č por isso que √© t√£o bonito. O que se quer da pessoa amada: antes que ela nos ame tamb√©m, √© que ela seja feliz, que seja saud√°vel, que tudo lhe corra bem. Embora se saiba que o mundo n√£o o permite, passa-se por cima da realidade, do racioc√≠nio do que √© poss√≠vel, e quer-se, e espera-se, que Deus abra, no caso dela, uma excep√ß√£o.

A paix√£o pode parecer mais interessante. Mas irrita-me que se compare com o amor. Como se pode comparar dois sentimentos que n√£o t√™m uma √ļnica semelhan√ßa? Se o amor e a paix√£o coincidem, √© como a cor do c√©u e do mar num dia de Ver√£o ‚ÄĒ √© uma alegria, mas nada nos diz acerca do que distingue o ar da √°gua.
Dizer que o amor pode começar como paixão é uma forma falaciosa de estabelecer uma continuidade entre uma e outra, geralmente pejorativa para o amor, que é entendido como um resíduo da paixão,

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Amor De Mentiras

“Amor… De Mentiras…”
I
Eram beijos de fogo, eram de lavas,
e sabiam a sonhos e ambrosias.
Como pensar que a boca com que os dava
era a mesma afinal com que mentias?

Se eras as mais humilde das escravas
em d√°divas, anseios, alegrias,
– como prever que o amor que me juravas
seria mais uma das tuas heresias ?

Como supor ser tudo um falso jogo?
E crer que se extinguisse aquele fogo
que acendia em teus olhos duas piras?

E descobrir, – no instante em que me amavas, –
que em tua boca ansiosa misturavas
ao mesmo tempo beijos e mentiras ?