Cita√ß√Ķes sobre Desgra√ßas

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Frases sobre desgra√ßas, poemas sobre desgra√ßas e outras cita√ß√Ķes sobre desgra√ßas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Ave Dolorosa

Ave perdida para sempre Рcrença
Perdida Рsegue a trilha que te traça
O Destino, ave negra da Desgraça,
G√™mea da M√°goa e n√ļncia da Descren√ßa!

Dos sonhos meus na Catedral imensa
Que nunca pouses. Lá, na névoa baça
Onde o teu vulto l√ļrido esvoa√ßa,
Seja-te a vida uma agonia intensa!

Vives de crenças mortas e te nutres,
Empenhada na sanha dos abutres,
Num desespero r√°bido, assassino…

E h√°s de tombar um dia em m√°goas lentas,
Negrejadas das asas lutulentas
Que te emprestar o corvo do Destino!

Trova do Vento que Passa

Para António Portugal

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios n√£o me sossegam
levam sonhos deixam m√°goas.

Levam sonhos deixam m√°goas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no ch√£o.
Silêncio Рé tudo o que tem
quem vive na servid√£o.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento n√£o me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha p√°tria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

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Ode à Amizade

Se depois do infort√ļnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de Cal√ļnias
Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
O tenebroso seio
A Divina Amizade n√£o viera
Com piedosa m√£o limpar o pranto,
Embotar com dulcíssono conforto
As lanças da Amargura;
O Sábio espedaçara os nós da vida
Mal que a Razão no espelho da Experiência
Lhe apontasse apinhados inimigos
C’o as cruas m√£os armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho ‚ÄĒ por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a n√£o doura, a n√£o afaga;
Se com mais fortes nós, que a Natureza,
Lhe n√£o ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
Nect√°rea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,

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Não conheci ninguém em minha vida que não tivesse conseguido suportar como um perfeito cristão as desgraças alheias.

Minha √Ārvore

Olha: √Č um tri√Ęngulo est√©ril de √≠nvia estrada!
Como que a erva tem dor… Roem-na amarguras
Talvez humanas, e entre rochas duras
Mostra ao Cosmos a face degradada!

Entre os pedrouços maus dessa morada
√Č que, √†s apalpadelas e √†s escuras,
H√£o de encontrar as gera√ß√Ķes futuras
Só, minha árvore humana desfolhada!

Mulher nenhuma afagar√° meu tronco!
Eu n√£o me abalarei, nem mesmo ao ronco
Do furac√£o que, r√°bido, remoinha…

Folhas e frutos, sobre a terra ardente
H√£o de encher outras √°rvores! Somente
Minha desgraça há de ficar sozinha!

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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Todas as coisas da cria√ß√£o s√£o filhos do Pai e irm√£os do homem… Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgra√ßa tem o mesmo direito a ser protegida.

Bendita seja a desgraça,
Bendita a fatalidade,
Benditos sejam teus olhos
Onde anda a minha saudade

N√£o h√° amor neste mundo
Como o que eu sinto por ti,
Que me ofertou a desgraça
No momento em que te vi.

Quem mais sofre na guerra é quem não tem serviço de matar. As crianças e as mulheres: essas são quem carrega mais desgraça.

Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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Entendimento L√ļcido do Futuro

Uma diferen√ßa caracter√≠stica e muito frequente na vida di√°ria entre as cabe√ßas comuns e as sensatas √© que as primeiras, na sua pondera√ß√£o e avalia√ß√£o sobre poss√≠veis perigos, querem saber e levam em conta apenas o que de semelhante j√° ter√° acontecido. As outras, pelo contr√°rio, ponderam o que possivelmente poderia acontecer. √Č como se tivessem em mente o prov√©rbio espanhol: ¬ęO que n√£o acontece num ano, acontece num instante¬Ľ. Decerto, a diferen√ßa em quest√£o √© natural, pois, para abarcar com a vista aquilo que pode acontecer, √© preciso entendimento; j√° para ver aquilo que aconteceu, s√£o suficientes os sentidos.
A nossa m√°xima, ent√£o, √©: sacrifica-te aos dem√≥nios malignos. Por outras palavras, n√£o se deve temer uma certa perda de esfor√ßo, tempo, desconforto, transtorno, dinheiro ou priva√ß√£o, para fechar as portas √† possibilidade de uma desgra√ßa. E quanto maior a desgra√ßa, tanto menor, mais remota e improv√°vel a sua possibilidade. O exemplo mais claro desta regra √© o pr√©mio do seguro. Ele √© um sacrif√≠cio p√ļblico oferecido por todos no altar dos dem√≥nios malignos.

Uma das maiores desgraças dos homens de bem é serem cobardes. Gemem, calam-se e esquecem.

O humor √© um sentido como o olfacto. Assim como quase tudo tem um cheiro, quase tudo tem a sua gra√ßa. Mesmo as maiores desgra√ßas. Pode dizer-se que a gra√ßa que elas t√™m √© cruel ou de mau gosto ou ‚Äď pior ainda ‚Äď que n√£o t√™m piada nenhuma. Mas n√£o h√° desgra√ßa que n√£o tenha a sua gra√ßa.

Desafogo

Onde estás, oh Filósofo indefesso
Pio sequaz da rígida Virtude,
T√£o terna a alheios, quanto a si severa?
Com que m√°goa, com que ira olharas hoje
Desprezada dos homens, e esquecida
Aquela √Ęnsia, que em n√≥s pousou Natura
No √Ęmago do peito, ‚ÄĒ de acudir-nos
Co’as for√ßas, c’o talento, co’as riquezas
À pena, ao desamparo do homem justo!
Que (baldão da fortuna iníqua) os Deuses
Puseram para símbolo do esforço,
Lutando a bra√ßos c’o √°spero infort√ļnio?
Pedra de toque em que luzisse o ouro
De sua alma viril, onde encravassem
Seus farp√Ķes mais agudos as Desgra√ßas,
E os peitos de virtude generosa
Desferissem poderes de árduo auxílio?
Que nunca os homens s√£o mais sobre-humanos
Mais comparados c’os sublimes Numes,
Que quando acodem com socorro activo,
Não manchado de sórdido interesse,
Nem do fumo de frívola ufania;
Ou cheios de valor e de const√Ęncia
Arrostam co’a medonha catadura
Da Desgraça, que apura iradas mágoas
Na casa nua do var√£o honesto.
Mas Grécia e Roma há muito que acabaram;
E as cinzas dos Heróis fortes e humanos,

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Se uma pessoa ama sem inspirar amor, isto é, se não é capaz, ao manifestar-se uma pessoa amável, de tornar-se amada, então o amor dela é impotente e uma desgraça.