Cita√ß√Ķes sobre Divulga√ß√£o

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A Bíblia por Goethe

Discute-se muito e h√°-de continuar a discutir-se em torno das vantagens e inconvenientes da divulga√ß√£o da B√≠blia. Para mim o assunto √© claro: ser√° perniciosa, como sempre o foi, se for usada de modo dogm√°tico e fantasista; e ser√° √ļtil, como sempre o foi, se for encarada de modo did√°tico e sens√≠vel.
√Č minha convic√ß√£o que a B√≠blia se torna tanto mais bela quanto mais a entendemos, ou seja, quanto mais se percebe e simultaneamente se intui cada uma das palavras que vamos apreendendo como coisa geral e que aplicamos ao nosso caso como coisa particular teve um dia, em certa situa√ß√£o, em determinadas circunst√Ęncias de tempo e de lugar, uma aplica√ß√£o individual pr√≥pria, espec√≠fica, imediata.

A informação banaliza os acontecimentos. Dou um exemplo: a primeira vez que se viram na televisão imagens de uma criança negra cheia de fome e com moscas a rodeá-la foi um momento marcante, só que agora já ninguém lhes liga devido à vulgarização. Alguém no outro dia proibia a divulgação de imagens dessas crianças negras com moscas à volta porque a sua repetição era perigosa. As pessoas habituam-se.

Mentimos para Proteger o nosso Prazer

A mentira é essencial à humanidade. Nela desempenha porventura um papel tão importante como a procura do prazer, e de resto é comandada por essa mesma procura. Mentimos para proteger o nosso prazer, ou a nossa honra se a divulgação do prazer for contrária à honra. Mentimos ao longo de toda a nossa vida, até, e sobretudo, e talvez apenas, àqueles que nos amam. Só estes, com efeito, nos fazem temer pelo nosso prazer e desejar a sua estima.

Personalidades Potenciais

Trazemos connosco personalidades potenciais que acontecimentos ou acidentes podem potencializar. Assim, a Revolu√ß√£o fez surgir o g√©nio pol√≠tico ou militar nos jovens destinados a uma carreira med√≠ocre numa √©poca normal; a guerra provoca o advento de her√≥is e de carrascos; a ditadura totalit√°ria transformou seres p√°lidos em monstros. O exerc√≠cio incontrolado do poder pode ¬ętornar o s√°bio louco¬Ľ (Alain) mas pode tornar s√°bio o louco, e dar g√©nio ao med√≠ocre, como no caso de Hitler e Estaline. E tamb√©m as possibilidades de g√©nio ou de dem√™ncia, de crueldade ou de bondade, de santidade ou de monstruosidade, virtuais em todos os seres, podem desenvolver-se em circunst√Ęncias excepcionais.
Inversamente, estas possibilidades nunca chegar√£o √† luz do dia na chamada vida normal: nos nossos dias, C√©sar seria funcion√°rio da CEE, Alexandre teria escrito uma vida de Arist√≥teles para uma colec√ß√£o de divulga√ß√£o, Robespierre seria adjunto de Pierre Mauroy na C√Ęmara de Arras, e Bonaparte seria do s√©quito de Pascua.

Luta de Classes

N√£o contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contr√°rio, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito.
A cultura √© usada como s√≠mbolo de status por alguns, alfinete de lapela, bot√£o de punho. A raridade √© condi√ß√£o indispens√°vel desse exibicionismo. S√≥ pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa colec√ß√£o de s√≠mbolos √© descrita com pron√ļncia mais ou menos afectada e tem o objectivo de definir socialmente quem a enumera.
Para esses indiv√≠duos raros, a cultura √© caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, conv√©m n√£o haver misturas. Conhe√ßo melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no in√≠cio da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escrit√≥rios for vista a ler um determinado livro nos transportes p√ļblicos, os snobs que assistam a essa imagem s√£o capazes de enjeit√°-lo na hora. Come√ßar√£o a definir essa obra como “leitura de empregadas de limpeza” (com muita probabilidade utilizar√£o um sin√≥nimo mais depreciativo para descrev√™-las).
Este exemplo aplica-se em qualquer outra √°rea cultural que possa chegar a muita gente: m√ļsica, cinema, televis√£o, etc. Aquilo que mais surpreende √© que estes “argumentos”, esta forma de falar e de pensar seja utilizada em meios supostamente culturais por indiv√≠duos supostamente cultos,

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