Passagens sobre Drama

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Frases sobre drama, poemas sobre drama e outras passagens sobre drama para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Noivado do Sepulcro

Vai alta a lua! na mans√£o da morte
J√° meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!… mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D’entre os sepulcros a cabe√ßa ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!… na amplid√£o celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!… com sombrio espanto
Olhou em roda… n√£o achou ningu√©m…
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

“Mulher formosa, que adorei na vida,
“E que na tumba n√£o cessei d’amar,
“Por que atrai√ßoas, desleal, mentida,
“O amor eterno que te ouvi jurar?

“Amor! engano que na campa finda,
“Que a morte despe da ilus√£o falaz:
“Quem d’entre os vivos se lembrara ainda
“Do pobre morto que na terra jaz?

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Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das m√£os espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a √ļltima chama
E da paix√£o fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, n√£o mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, n√£o mais que de repente.

Mais do que as doenças, mais do que a crise económica, mais do que as derrotas que todos os dias acontecem, o grande drama do mundo é a conformação.

A Arte de Representar

A base da representa√ß√£o √© a falsidade. A arte do ator consiste em servir-se do drama do autor para mostrar por meio dele a sua capacidade de interpreta√ß√£o. A pe√ßa √© como uma barra onde o actor mostra as suas habilidades gin√°sticas. √Č apenas limitado pelas condi√ß√Ķes necess√°rias de uma barra: pode fazer com ela apenas um n√ļmero limitado de coisas, mas pode fazer de mil formas individuais.
A representa√ß√£o, repito, tem todo o atractivo de uma falsifica√ß√£o. Todos adoramos um falsificador. √Č um sentimento muito humano e completamente instintivo. Todos adoramos a trapa√ßa e a imita√ß√£o. A representa√ß√£o une e intensifica, por meio do car√°cter material e vital das suas manifesta√ß√Ķes, todos os baixos instintos do instinto art√≠stico ‚ÄĒ o instinto do enigma, o instinto do trap√©zio (…). √Č popular e apreciado por estas raz√Ķes, ou antes, por esta raz√£o.
A sede de gl√≥ria do artista √© feita carne na sede de aplauso do actor. Todo o aparecimento em p√ļblico √© baixo. Todas as assembleias s√£o multid√Ķes, e se n√£o suadas de corpo, pelo menos suadas de emo√ß√Ķes.
Todos os esp√≠ritos grosseiros adoram falar. Ser falador √© j√° por si vulgar. A √ļnica coisa que torna a verbosidade interessante √© a profanidade e a obscenidade,

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Não sou hindu, nem muçulmano sou eu! Sou este corpo, um jogo De cinco elementos; um drama do espírito dançando com alegria e tristeza.

O Drama de Amar

O drama de amar √© n√£o haver suced√Ęneos.
E tudo o resto sabe a merda. Porque houve o teu abra√ßo, porque existe o teu cheiro. Amei-te para sempre mesmo que j√° n√£o te ame. Ficou em mim a tarde em que pela primeira vez o nosso corpo (o teu arfar a mostrar-me que l√≠ngua se fala no cńóu, a tua boca a mostrar-me o tamanho de um beijo), e a partir da√≠ fiquei √≥rf√£o de um corpo sempre que n√£o fosse o teu corpo. E quando chegou o dia da despedida eu soube que tinha chegado o dia de para sempre.
O drama de amar é não admitir a morte.
Há uma mulher a mais sempre que amo um corpo que não é o teu. E um homem a menos. Deito-me, aperto, espremo (o encaixe perfeito das tuas costas nos meus braços, o cheiro dos teus lábios no suor do meu pescoço). E até um orgasmo comprova a hipocrisia da carne. Despedi-me de orgasmos quando me despedi de ti. Já me deitei com tantas e é sempre o teu boa-noite que me adormece.
O drama de amar é só criar réplicas.
Tudo o que amo és tu.

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A presen√ßa de Deus no seio da humanidade n√£o se realizou num mundo ideal, id√≠lico, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e m√°s, marcado por divis√Ķes, malvadezes, pobreza, prepot√™ncias e guerras. Ele optou por habitar a nossa hist√≥ria como ela √©, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.

Madrigal Excentrico

Tu que n√£o temes a Morte,
Nem a sombra dos cyprestes,
Escuta, Lyrio do Norte,
Os meus canticos agrestes:

……………………………………
……………………………………
……………………………………
……………………………………

Tu ignoras os desgostos
D’um cora√ß√£o torturado,
Mais tristes do que os soes postos,
Ou de que um bobo espancado!

Eu bem sei, ó Musa louca
Que n√£o conheces a magoa…
E tens um riso na boca
Como um cravo aberto n’agua…

Eu bem sei… bem sei que ris
Dos meus madrigaes modernos.
Sem cuidar, ó flor de liz!
Que h√£o de chegar-te os invernos!

Que nos corre a Mocidade,
Qual folha verde do val,
E ha de vir-te a tempestade,
√ď branco lyrio real!

Que has de ser como a açucena
Varrida pelo nordeste…
E os prantos da minha pena
Que h√£o de regar teu cypreste!

Que ha de a terra agreste e dura
Servir-te de ultimo leito…
E a pedra da sepultura
Quebrar teu corpo perfeito!

E has de, emfim, ser devorada
Na fria noute,

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Há cinco artes Рa Literatura, a Engenharia, a Política, a Figuração (que inclui o drama, a dança, etc.) e a Decoração. (A Decoração vai desde a arte de arrumar bem as coisas em cima de uma mesa até à pintura e à escultura.

O drama est√° todo na consci√™ncia que tenho de cada um de n√≥s ser ‘um’, ao mesmo tempo que √© ‘cem’ e que √© ‘mil’, que √© ‘tantas vezes um’ quantas possibilidades h√° nele.

Humilha√ß√Ķes

Esta aborrece quem é pobre. Eu, quase Jó,
Aceito os seus desdéns, seus ódios idolatro-os;
E espero-a nos sal√Ķes dos principais teatros,
Todas as noites, ignorado e só.

L√° cansa-me o ranger da seda, a orquestra, o g√°s;
As damas, ao chegar, gemem nos espartilhos,
E enquanto v√£o passando as cortes√£s e os brilhos,
Eu analiso as peças no cartaz.

Na representação dum drama de Feuillet,
Eu aguardava, junto à porta, na penumbra,
Quando a mulher nervosa e v√£ que me deslumbra
Saltou soberba o estribo do coupé.

Como ela marcha! Lembra um magnetizador.
Ro√ßavam no veludo as guarni√ß√Ķes das rendas;
E, muito embora tu, burguês, me não entendas,
Fiquei batendo os dentes de terror.

Sim! Porque n√£o podia abandon√°-la em paz!
√ď minha pobre bolsa, amortalhou-se a id√©ia
De vê-la aproximar, sentado na platéia,
De tê-la num binóculo mordaz!

Eu ocultava o fraque usado nos bot√Ķes;
Cada contratador dizia em voz rouquenha:
‚ÄĒ Quem compra algum bilhete ou vende alguma senha?
E ouviam-se c√° fora as ova√ß√Ķes.

Que desvanecimento!

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Todo o animal tem uma alma à medida de si. Só o homem a tem infinitamente maior. E o seu drama, desde sempre, é o de querer preenchê-la.

P√°gina Vazia

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo, inda na mente,
Muitas cenas do drama comovente
De guerra despiedada e aterradora.

Certo n√£o pode ter uma sonora
Estrofe ou canto ou ditirambo ardente
Que possa figurar dignamente
Em vosso √°lbum gentil, minha senhora.

E quando, com fidalga gentileza
Cedestes-me esta p√°gina, a nobreza
De nossa alma iludiu-vos, n√£o previstes

Que quem mais tarde, nesta folha lesse
Perguntaria: “Que autor √© esse
De uns versos t√£o mal feitos e t√£o tristes?”

Escrever é Esquecer

Escrever √© esquecer. A literatura √© a maneira mais agrad√°vel de ignorar a vida. A m√ļsica embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dan√ßa e o representar) entret√™m. A primeira, por√©m, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, n√£o se afastam da vida – umas porque usam de f√≥rmulas vis√≠veis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

A Vida é um Drama

Porque a vida, individual ou colectiva, pessoal ou hist√≥rica, √© a √ļnica entidade do universo cuja subst√Ęncia √© o perigo. Comp√Ķe-se de perip√©cias. √Č, rigorosamente falando, drama.
(…) N√≥s n√£o nos demos a vida, mas esta nos √© dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por qu√™; mas do facto de que ela nos √© dada resulta que temos de faz√™-la n√≥s mesmos, cada um a sua.
(…) A cada minuto precisamos de decidir o que vamos fazer no minuto seguinte, e isto quer dizer que a vida do homem constitui para ele um problema permanente.

Sábio não é aquele que nunca erra, mas o que usa os seus erros para crescer. Os poetas da vida transformam sempre os mais amargos dramas nas mais belas poesias. Treine para ser um desses poetas.