Cita√ß√Ķes sobre Duelo

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Frases sobre duelo, poemas sobre duelo e outras cita√ß√Ķes sobre duelo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Contemplação

Nas crinas de cavalos reclinados
penteia o vento nuvens retorcidas
enquanto a sombra cai do céu calado
na relva da campina amanhecida.

Passeia o sol as hastes sublevadas
dos girassóis lambidos no rocio
que vaidosos se alçam na mirada
narcisos desse espelho em seu feitio.

A calma da manh√£ veste amarelo
e despe toda ang√ļstia na brandura
das cores desse dia sem duelo.

Sendo o perdido me acho sem procura
sofrendo tenho sido meu flagelo
mas esse olhar agora me inaugura.

Ruína

Sem encontrar-se.
Viajante pelo seu próprio torso branco.
Assim ia o ar.

Logo se viu que a lua
era uma caveira de cavalo
e o ar uma maçã escura.

Detr√°s da janela,
com l√°tegos e luzes se sentia
a luta da areia contra a √°gua.

Eu vi chegarem as ervas
e lhes lancei um cordeiro que balia
sob seus dentezinhos e lancetas.

Voava dentro de uma gota
a casca de pluma e celulóide
da primeira pomba.

As nuvens, em manada,
ficaram adormecidas contemplando
o duelo das rochas contra a aurora.

Vêm as ervas, filho;
j√° soam suas espadas de saliva
pelo céu vazio.

Minha m√£o, amor. As ervas!
Pelos cristais partidos da morada
o sangue desatou suas cabeleiras.

Tu somente e eu ficamos;
prepara teu esqueleto para o ar.
Eu só e tu ficamos.

Prepara teu esqueleto;
é preciso ir buscar depressa, amor, depressa,
nosso perfil sem sonho.

Realização e Êxtase

Conviria distinguir bem um do outro o caminho para o êxtase e o próprio êxtase; o primeiro ainda pode ter algum interesse por todas as lutas interiores, por todas as incertezas, por todo o esforço de pensar amplamente a que em geral dá origem; no entanto já nele mesmo poderíamos ver, além de uma preocupação egoísta, uma alternativa de esperança e desespero, um gosto da revelação e dos auxílios sobrenaturais que não poderão talvez classificar-se como superiores.
Do √™xtase, por√©m, n√£o alimentamos grandes desejos; o amor que nele descobrimos n√£o pertence √† categoria do amor que mais nos interessa ‚ÄĒ o que eleva o amado acima de si pr√≥prio, o que se esfor√ßa por esculpir uma alma com entusiasmo e paci√™ncia; √© um amor a que se chega como recompensa de tarefa cumprida; n√£o marca as del√≠cias do caminho dif√≠cil, apaga-as da mem√≥ria; faz desaparecer do peito do homem o seu √ļnico motivo de alegria, a sua √ļnica fonte de verdadeira gl√≥ria.
Viver interessa mais que ter vivido; e a vida só é vida real quando sentimos fora de nós alguma coisa de diferente; se a diferença se tornar oposição, se o que era caminho diverso se transformar em muro de rocha,

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O Facto e o Direito

O direito √© a justi√ßa e a verdade. O caracter√≠stico do direito √© conservar-se perpetuamente puro e belo. O facto, ainda o mais necess√°rio, segundo as apar√™ncias, ainda o melhor aceite pelos contempor√Ęneos, se s√≥ existe como facto, contendo pouco ou nada de direito, √© infalivelmente destinado a tornar-se, com o andar dos tempos, disforme, imundo, talvez at√© monstruoso. Se algu√©m quiser verificar de um s√≥ jacto a que ponto de fealdade pode chegar o facto, visto √† dist√Ęncia dos s√©culos, olhe para Maquiavel. Maquiavel n√£o √© um mau g√©nio, nem um dem√≥nio, nem um escritor cobarde e miser√°vel; √© o facto puro. E n√£o √© s√≥ o facto italiano, √© o facto europeu, √© o facto do s√©culo XVI. Parece hediondo, e √©-o, em presen√ßa da ideia moral do s√©culo XIX.
Esta luta do direito e do facto dura desde a origem das sociedades. Terminar o duelo, amalgamar a ideia pura com a realidade humana, fazer penetrar pacificamente o direito no facto e o facto no direito, eis o trabalho dos s√°bios.

O Poeta Pede a Seu Amor que lhe Escreva

Meu entranhado amor, morte que é vida,
tua palavra escrita em v√£o espero
e penso, com a flor que se emurchece
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem a sombra conhece nem a evita.
Coração interior não necessita
do mel gelado que a lua derrama.

Porém eu te suportei. Rasguei-me as veias,
sobre a tua cintura, tigre e pomba,
em duelo de mordidas e açucenas.

Enche minha loucura de palavras
ou deixa-me viver na minha calma
e para sempre escura noite d’alma.

Tradução de Oscar Mendes

Sobre o Falso

Somos falsos de maneiras diferentes. Há homens falsos que querem parecer sempre o que não são. Outros há de melhor fé, que nasceram falsos, se enganam a si próprios o nunca vêem as coisas tal como são. Há alguns cujo espírito é estreito e o gosto falso. Outros têm o espírito falso, mas alguma correcção no gosto. E ainda há outros que não têm nada de falso, nem no gosto nem no espírito. Estes são muito raros, já que, em geral, não há quase ninguém que não tenha alguma falsidade algures, no espírito ou no gosto.
O que torna essa falsidade t√£o universal, √© que as nossas qualidades s√£o incertas e confusas e a nossa vis√£o tamb√©m: n√£o vemos as coisas tal como s√£o, avaliamo-las aqu√©m ou al√©m do que elas valem e n√£o as relacionamos connosco da forma que lhes conv√©m e que conv√©m ao nosso estado e √†s nossas qualidades. Esse erro de c√°lculo traz consigo um n√ļmero infinito de falsidades no gosto e no esp√≠rito: o nosso amor-pr√≥prio lisonjeia-se como tudo que se nos apresenta sob a apar√™ncia de bem; mas como h√° v√°rias formas de bem que sensibilizam a nossa vaidade ou o nosso temperamento,

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Moral e Guerra

As leis da moral s√£o uma inven√ß√£o da humanidade para privar dos seus direitos os mais poderosos em favor dos fracos. As leis da hist√≥ria subvertem as leis da moral a cada passo. A validade de uma perspectiva moral nunca pode ser confirmada ou infirmada por um qualquer exame definitivo. Quando um homem cai morto num duelo, isso n√£o demonstra que as suas ideias eram erradas. O facto de ele se ter envolvido numa tal prova apenas atesta uma nova e mais vasta perspectiva. A vontade dos duelistas de renunciar a quaisquer novas discuss√Ķes, reconhecendo o car√°cter trivial de todo e qualquer debate, e de apelar directamente √†s inst√£ncias do absoluto hist√≥rico indica claramente a pouca import√Ęncia de que se revestem as opini√Ķes e a grande import√Ęncia das diverg√™ncias em torno dessas mesmas opini√Ķes. Pois a discuss√£o √© efectivamente trivial, mas o mesmo n√£o se pode dizer das vontades opostas que a discuss√£o p√īs em relevo.
A vaidade humana √© bem capaz de tocar as raias do infinito, mas o seu saber permanece imperfeito, e, por mais que ele acabe por valorizar os seus pr√≥prios ju√≠zos, em √ļltima an√°lise v√™-se obrigado a submet√™-los a um tribunal superior. Na guerra,

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O Excesso de Vingança

O duelo nasceu da convic√ß√£o muito natural de que um homem n√£o aguentaria inj√ļrias de outro homem a n√£o ser por fraqueza; mas porque a for√ßa do corpo podia dar √†s almas t√≠midas uma vantagem consider√°vel sobre as almas fortes, para introduzir igualdade nos combates e dar-lhes por outro lado mais dec√™ncia, os nossos pais imaginaram bater-se com armas mais mort√≠feras e mais iguais do que aquelas que tinham recebido da natureza; e pareceu-lhes que um combate em que se poderia tirar a vida de um s√≥ golpe teria certamente mais nobreza do que uma briga vil em que no m√°ximo se poderia arranhar a cara do advers√°rio e arrancar-lhe os cabelos com as m√£os. Assim, vangloriaram-se de ter colocado nos seus usos mais eleva√ß√£o e mais eleg√Ęncia do que os romanos e os gregos que se batiam como os seus escravos. Achavam que aquele que n√£o se vinga de uma afronta n√£o tem coragem nem brio; n√£o atinavam que a natureza, que nos inspira a vingan√ßa, podia, elevando-se ainda mais alto, inspirar-nos o perd√£o.
Esqueciam-se de que os homens s√£o obrigados muitas vezes a sacrificar as suas paix√Ķes √† raz√£o. A natureza dizia mesmo, na verdade, √†s almas corajosas que era preciso vingar-se;

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Civilizado ou embrutecido, todo o homem é presa de duas forças rivais que constantemente se investem e disputam primazias. Uma, que o reporta ao passado e lhe transmite por hereditariedade as ideias, hábitos e modos de ser e de ver dos antecessores. Outra, evolutiva, que adapta o indivíduo aos meios novos, e não cuida senão de o renovar e transformar rapidamente. A vida humana não é mais que o duelo entre duas forças antagónicas.

Meu papel de parede e eu estamos travando um duelo mortal. Um de nós terá que partir.

A hesita√ß√£o e a falsa mod√©stia s√£o in√ļteis. A vida √© como um duelo de esgrima: um instante de hesita√ß√£o decide a sorte.