Passagens sobre Escola

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Frases sobre escola, poemas sobre escola e outras passagens sobre escola para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Reivindico o Meu Direito Próprio de Pensar

Queixas-te de teres a√≠ falta de livros. N√£o interessa a quantidade, mas sim a qualidade: a leitura √© proveitosa se for met√≥dica, se apenas for variada torna-se um mero divertimento. Quem deseja chegar √† meta que se prop√īs deve seguir um s√≥ caminho, e n√£o vaguear por v√°rios: de outro modo n√£o viaja, deixa-se ir ao acaso.
(…) Confio, e muito, no pensamento dos grandes homens, mas reivindico o meu direito pr√≥prio de pensar. De resto eles n√£o nos legaram verdades acabadas, mas sim sujeitas √† investiga√ß√£o; e porventura teriam descoberto o essencial se n√£o tivessem investigado tamb√©m temas sup√©rfluos. Mas gastaram tempo imenso em jogos de palavras, em discuss√Ķes capciosas que agu√ßam inutilmente o engenho. Construimos argumentos tortuosos, empregamos termos de significa√ß√£o amb√≠gua, finalmente desatamos toda a trama. Temos assim tanto tempo livre? J√° sabemos como encarar a vida e a morte? O que devemos procurar, com todas as for√ßas, √© o modo de nos n√£o deixarmos enganar pelas coisas, e n√£o pelas palavras.
Para qu√™ analisar as diferen√ßas entre palavras sin√≥nimas, que n√£o causam dificuldade a ningu√©m a n√£o ser em discuss√Ķes de escola? As coisas enganam-nos: aprendamos a observ√°-las. Tomamos por bens coisas que o n√£o s√£o,

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Toda experiência é uma lição da escola da vida. Qualquer experiência, mesmo que fracasso, constitui uma matéria escolar para elevar-te mais um degrau.

A escola n√£o deve ter a melancolia da cadeia. Pestallozi, Froebel, os grandes educadores, ensinavam em p√°tios, ao ar livre, entre √°rvores. Froebel fazia alterar o estudo do ABC e o trabalho manual; a crian√ßa soletrava e cavava. A educa√ß√£o deve ser dada com higiene. A escola entre n√≥s √© uma grilheta do abeced√°rio, escura e suja: as crian√ßas, enfastiadas, repetem a li√ß√£o, sem vontade, sem intelig√™ncia, sem est√≠mulo: o professor domina pela palmat√≥ria, e p√Ķe todo o t√©dio da sua vida na rotina do seu ensino.

A Vitalidade de uma Nação

Uma na√ß√£o vive, pr√≥spera, √© respeitada, n√£o pelo seu corpo diplom√°tico, n√£o pelo seu aparato de secretarias, n√£o pelas recep√ß√Ķes oficiais, n√£o pelos banquetes cerimoniosos de camarilhas: isto nada vale, nada constr√≥i, nada sustenta; isto faz reduzir as comendas e assoalhar o pano das fardas – mais nada. Uma na√ß√£o vale pelos seus s√°bios, pelas suas escolas, pelos seus g√©nios, pela sua literatura, pelos seus exploradores cient√≠ficos, pelos seus artistas. Hoje, a superioridade √© de quem mais pensa; antigamente era de quem mais podia: ensaiavam-se ent√£o os m√ļsculos como j√° se ensaiam as ideias.

Só Há Duas maneiras de se Ter Razão

Quando o p√ļblico soube que os estudantes de Lisboa, nos intervalos de dizer obscenidades √†s senhoras que passam, estavam empenhados em moralizar toda a gente, teve uma exclama√ß√£o de impaci√™ncia. Sim ‚ÄĒ exactamente a exclama√ß√£o que acaba de escapar ao leitor…

Ser novo √© n√£o ser velho. Ser velho √© ter opini√Ķes. Ser novo √© n√£o querer saber de opini√Ķes para nada. Ser novo √© deixar os outros ir em paz para o Diabo com as opini√Ķes que t√™m, boas ou m√°s ‚ÄĒ boas ou m√°s, que a gente nunca sabe com quais √© que vai para o Diabo.

Os moços da vida das escolas intrometem-se com os escritores que não passam pela mesma razão porque se intrometem com as senhoras que passam. Se não sabem a razão antes de lha dizer, também a não saberiam depois. Se a pudessem saber, não se intrometeriam nem com as senhoras nem com os escritores.

Bolas para a gente ter que aturar isto! √ď meninos: estudem, divirtam-se e calem-se. Estudem ci√™ncias, se estudam ci√™ncias; estudem artes, se estudam artes; estudem letras, se estudam letras. Divirtam-se com mulheres, se gostam de mulheres; divirtam-se de outra maneira, se preferem outra.

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A escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

O Preço do Amor

N√£o √© f√°cil estar apaixonado por uma mulher e fazer alguma coisa de jeito. √Čs devorado pela ansiedade. N√£o conv√©m deixares-te embei√ßar por uma mulher que se mostre dif√≠cil de conquistar, isso e como passar o resto da vida a tentar escalar o Everest. Escolhe uma mulher que possas conservar sem muito esfor√ßo. Quanto a mulheres boas, podemos compr√°-las. Por meia d√ļzia de euros, arranjas uma russa de dezoito anos, dessas que nem nos filmes se veem. Fodes, pagas e regressas a casa para jantar com a fam√≠lia, com a tua mulher, que cozinha bem e fode mal, mas que n√£o lhe passa pela cabe√ßa separar-se de ti, entre outras coisas porque ningu√©m a olha com particular interesse. Ela vai √†s reuni√Ķes de pais na escola, controla as AMPAS, as APLAS, todas essas associa√ß√Ķes que nem sei como se chamam, esses servi√ßos, esse jarg√£o, esse lixo social-democrata que os do PP copiam com entusiasmo porque soa a fam√≠lia moderna e feliz, e tamb√©m um pouco a Opus Dei, e mete os mi√ļdos na ordem e sabe escolher o detergente mais eficaz no Mercadona e o melhor queijo e o melhor foie gras de fabrico pr√≥prio da charcutaria. Passa-te as camisas a ferro e cose-te os bot√Ķes.

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A escola n√£o √© de modo algum o mundo, nem deve ser tomada como tal; √© antes a institui√ß√£o que se interp√Ķe entre o mundo e o dom√≠nio privado do lar

Amo-te

Talvez n√£o seja pr√≥prio vir aqui, para as p√°ginas deste livro, dizer que te amo. N√£o creio que os leitores deste livro procurem informa√ß√Ķes como esta. No mundo, h√° mais uma pessoa que ama. Qual a relev√Ęncia dessa not√≠cia? √Ä sombra do guarda-sol ou de um pinheiro de piqueniques, os leitores n√£o dever√£o impressionar-se demasiado com isso. Depois de lerem estas palavras, os seus pensamentos instant√Ęneos poder√£o diluir-se com um olhar em volta. Para eles, este texto ser√° como iniciais escritas por adolescentes na areia, a onda que chega para cobri-las e apag√°-las. E poss√≠vel que, perante esta longa afirma√ß√£o, alguns desses leitores se indignem e que escrevam cartas de protesto, que reclamem junto da editora. Dou-lhes, desde j√°, toda a raz√£o.
Eu sei. Talvez não seja próprio vir aqui dizer aquilo que, de modo mais ecológico, te posso afirmar ao vivo, por email, por comentário do facebook ou mensagem de telemóvel, mas é tão bom acreditar, transporta tanta paz. Tu sabes. Extasio-me perante este agora e deixo que a sua imensidão me transcenda, não a tento contrariar ou reduzir a qualquer coisa explicável, que tenha cabimento nas palavras, nestas pobres palavras. Em vez disso, desfruto-a, sorrio-lhe. Não estou aqui com a expectativa de ser entendido.

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Os putos

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de cal√ß√Ķes, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
√Č a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
S√£o os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na m√£o
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que n√£o
Se a porrada vier n√£o deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pi√£o na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

A experi√™ncia √© uma escola onde s√£o caras as li√ß√Ķes, mas em nenhuma outra os tolos podem aprender.

A Crise da Democracia

√Č natural que a crise da democracia, imposs√≠vel de negar, se revele sob o aspecto de sucessivas crises pol√≠ticas. Mas para qu√™ jogar com as palavras? Quando a m√°quina se desarranja, frequentemente, por melhor eco e por mais vistosas engrenagens que possua, torna-se urgente p√ī-la de lado como in√ļtil, aproveitando-lhe, √© claro, as inova√ß√Ķes, tudo o que for suscept√≠vel de aplicar a outra m√°quina…
(…) N√£o √© poss√≠vel negar certas verdades e conquistas da democracia que s√£o hoje indispens√°veis √† vida de todos os regimes. Mas os sistemas propriamente ditos, na sua inteireza, nascem, vivem e morrem como os homens. As escolas pol√≠ticas e sociais s√£o como as escolas liter√°rias. Esgotada a sua capacidade criadora, a sua flama, perdem a for√ßa, extinguem-se, depois de terem deixado a sua marca, o tra√ßo profundo da sua influ√™ncia. Os pr√≥prios defensores da democracia procuram transigir com o esp√≠rito do seu tempo, confessando e admitindo a necessidade de modificar o sistema das suas ideias, de renovar os √≥rg√£os da democracia. Mas que prop√Ķem eles, afinal, para que se efective essa renova√ß√£o? Medidas rid√≠culas que n√£o se adaptam ao pr√≥prio sistema: ligeiras altera√ß√Ķes no regulamento interno das C√Ęmaras, limita√ß√Ķes no tempo dos discursos, restri√ß√Ķes no uso da palavra,

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As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.

Dignidade Perdida

A medita√ß√£o perdeu toda a sua dignidade exterior; ridicularizou-se o cerimonial e a atitude solene daquele que reflecte; j√° n√£o se poderia continuar a suportar um sages da velha escola. Pensamos demasiado depressa, e pelo caminho, em plena marcha, no meio de neg√≥cios de toda a esp√©cie, mesmo quando se trate das coisas mais graves; temos apenas necessidade de pouca prepara√ß√£o, e at√© de pouco sil√™ncio: tudo se passa como se tiv√©ssemos na cabe√ßa uma m√°quina que girasse incessantemente e que prosseguisse o seu trabalho, mesmo nas piores circunst√Ęncias. Outrora, quando algu√©m se queria p√īr a pensar – era uma coisa excepcional! – era coisa que se notava imediatamente ; notava-se que queria tornar-se mais s√°bio e que se preparava para uma ideia: o seu rosto ganhava uma express√£o como em ora√ß√£o; o homem detinha-se na sua marcha; ficava at√© im√≥vel durante horas na rua, apoiado numa perna ou nas duas, quando a ideia lhe ¬ęsurgia¬Ľ. A coisa ¬ęvalia¬Ľ ent√£o ¬ęesse trabalho¬Ľ.

A Escrita Exige Sempre a Poesia

Sou escritor e cientista. Vejo as duas actividades, a escrita e a ci√™ncia, como sendo vizinhas e complementares. A ci√™ncia vive da inquieta√ß√£o, do desejo de conhecer para al√©m dos limites. A escrita √© uma falsa quietude, a capacidade de sentir sem limites. Ambas resultam da recusa das fronteiras, ambas s√£o um passo sonhado para l√° do horizonte. A Biologia para mim n√£o √© apenas uma disciplina cient√≠fica mas uma hist√≥ria de encantar, a hist√≥ria da mais antiga epopeia que √© a Vida. √Č isso que eu pe√ßo √† ci√™ncia: que me fa√ßa apaixonar. √Č o mesmo que eu pe√ßo √† literatura.

Muitas vezes jovens me perguntam como se redige uma peça literária. A pergunta não deixa de ter sentido. Mas o que deveria ser questionado era como se mantém uma relação com o mundo que passe pela escrita literária. Como se sente para que os outros se representem em nós por via de uma história? Na verdade, a escrita não é uma técnica e não se constrói um poema ou um conto como se faz uma operação aritmética. A escrita exige sempre a poesia. E a poesia é um outro modo de pensar que está para além da lógica que a escola e o mundo moderno nos ensinam.

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A Escola Portuguesa

Eis as crianças vermelhas
Na sua hedionda pris√£o:
Doirado enxame de abelhas!
O mestre-escola é o zangão.

Em duros bancos de pinho
Senta-se a turba sonora
Dos corpos feitos de arminho,
Das almas feitas d’aurora.

Soletram versos e prosas
Horríveis; contudo, ao lê-las
Daquelas bocas de rosas
Saem murm√ļrios de estrela.

Contemplam de quando em quando,
E com inveja, Senhor!
As andorinhas passando
Do azul no livre esplendor.

Oh, que existência doirada
Lá cima, no azul, na glória,
Sem cartilhas, sem tabuada,
Sem mestre e sem palmatória!

E como os dias s√£o longos
Nestas pris√Ķes sepulcrais!
Abrem a boca os ditongos,
E as cifras tristes d√£o ais!

Desgraçadas toutinegras,
Que insuportáveis martírios!
Jo√£o F√©lix co’as unhas negras,
Mostrando as vogais aos lírios!

Como querem que despontem
Os frutos na escola alde√£,
Se o nome do mestre √© ‚ÄĒ Ontem
E o do disc√≠p’lo ‚ÄĒ Amanh√£!

Como é que há-de na campina
Surgir o trigal maduro,
Se é o Passado quem ensina
O b a ba ao Futuro!

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