Passagens sobre Estudo

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Frases sobre estudo, poemas sobre estudo e outras passagens sobre estudo para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Devemos aventurar-se no estudo de cada tipo de animal, sem desgosto, por todos e cada um vai nos revelar algo natural e algo bonito.

Evitar a Sabedoria de Umbigo

Se algu√©m se inebria com o seu saber ao olhar para baixo de si, que volte o olhar para cima, rumo aos s√©culos passados, e abaixar√° os cornos ao encontrar a√≠ tantos milhares de esp√≠ritos que o calcam aos p√©s. Se ele forma alguma ligeira presun√ß√£o do seu valor, que se recorde das vidas dos dois Cipi√Ķes e dos incont√°veis ex√©rcitos e povos que o deixam muito para tr√°s. Nenhuma particular qualidade dar√° motivo de orgulho aquele que, ao mesmo tempo, tiver em conta os muitos tra√ßos de imperfei√ß√£o e debilidade que em si h√° e, enfim, a nulidade da condi√ß√£o humana.
Porque S√≥crates foi o √ļnico a compreender acertadamente o preceito do seu Deus, o de conhecer-se a si mesmo, e atrav√©s de tal estudo, ter chegado a desprezar-se, s√≥ ele foi julgado digno de sobrenome de ¬ęs√°bio¬Ľ. Quem assim se conhecer, que tenha a aud√°cia de, pela sua pr√≥pria boca, o dar a conhecer.

A Alegria Pura só Existe sem a Vaidade

A mais pura alegria é aquela que gozamos no tempo da inocência; estado venturoso, em que nada distinguimos pela razão, mas pelo instinto; e em que nada considera a razão, mas sim a natureza. Então circula veloz o nosso sangue, e os humores que num mundo novo, e resumido, apenas têm tomado os seus primeiros movimentos. Os humores são os que produzem as nossas alegrias; e com efeito não há alegria sem grande movimento; por isso vemos, que a tristeza nos abate, e a alegria nos move; o sossego ainda que indique contentamento, contudo mais é representação da morte que da vida; e a tranquilidade pode dar descanso, porém alegria não a dá sempre.

Mas como pode deixar de ser pura a alegria dos primeiros anos, se ainda então a vaidade não domina em nós? Então só sentimos o bem, e o mal, que resulta da dor, ou do prazer; depois também sentimos o mal, e o bem da opinião, isto é, da vaidade; por isso muitas cousas nos alegram, que tomadas em si mesmas, não têm mais bem, que aquele com que a vaidade as considera; e outras também nos entristecem, que tomadas só por si, não têm outro mal,

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A Beleza

De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, ‚ÄĒ jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor’ de Carrara

Sou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que é rir, nem sei o que é chorar.

O Poeta, se me vê nas atitudes fátuas
Que pareço copiar das mais nobres estátuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..

Tenho, p’ra fascinar o meu d√≥cil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A pr√≥pria imperfei√ß√£o: ‚ÄĒ os meus olhos ardentes!

Tradução de Delfim Guimarães

O Gosto pela Cultura

√Č mais dif√≠cil encontrar um gentleman que um g√©nio. A marca mais distintiva de um homem culto √© a possibilidade de aceitar um ponto de vista diferente do seu; p√īr-se no lugar de outra pessoa e ver a vida e os seus problemas dessa perspectiva diferente. Estar disposto a experimentar uma ideia nova; poder viver nos limites das diverg√™ncias intelectuais; examinar sem calor os problemas escaldantes do dia; ter simpatia imaginativa, largueza e flexibilidade de esp√≠rito, estabilidade e equil√≠brio de sentimentos, calma ponderada para decidir – √© ter cultura.
(…) A cultura vem da contempla√ß√£o da natureza; do estudo da Literatura, Arte e Arquitectura com letras grandes; e do conhecimento pessoal das realidades emocionais da exist√™ncia. √Č uma escala de valores, ou m√©ritos, diferente da usada nas esferas dominadas pela ci√™ncia e pelo com√©rcio. Vivemos numa cultura onde o sucesso √© medido pelos bens materiais. √Č importante alcan√ßar objectivos materiais, mas ainda √© mais importante ser-se cidad√£o amadurecido, bem equilibrado e culto.

A cultura (…) est√° em n√≥s e n√£o sepultada em estranhas galerias. Significa bondade de esp√≠rito e √© a base de um bom car√°cter. A plenitude da vida n√£o vem das coisas exteriores a n√≥s;

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Civilização Construída ao Acaso

A civiliza√ß√£o moderna encontra-se em m√° posi√ß√£o porque n√£o nos conv√©m. Foi constru√≠da sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas cient√≠ficas, do apetite dos homens, das suas ilus√Ķes, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por n√≥s, n√£o foi feita √† nossa medida.
Na verdade, √© evidente que a ci√™ncia n√£o seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de g√©nio, a forma do seu esp√≠rito e o caminho que tomou a sua curiosidade. N√£o se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intui√ß√£o dos cientistas e das circunst√Ęncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios subtis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências.

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A Única Qualidade Específica do Homem

Esfor√ßa-te por que n√£o te suceda o mesmo que a mim: come√ßar os estudos na velhice. E esfor√ßa-te tanto mais quanto enveredaste por um estudo que dificilmente chegar√°s a dominar mesmo na velhice. ¬ęAt√© que ponto poderei progredir?¬Ľ – perguntas-me. At√© ao ponto onde chegarem os teus esfor√ßos. De que est√°s √† espera? O saber n√£o se obt√©m por obra do acaso. O dinheiro pode cair-te em sorte, as honras serem-te oferecidas, os favores e os altos cargos poder√£o talvez acumular-se sobre ti: a virtude, essa, n√£o vir√° ter contigo! N√£o √© sem custo, sem grandes esfor√ßos, que chegamos a conhec√™-la; mas vale bem a pena o esfor√ßo, porquanto de uma s√≥ vez se obt√™m todos os bens poss√≠veis. De facto, o √ļnico bem √© aquele que √© conforme √† moral; nos valores aceites pela opini√£o comum n√£o encontrar√°s a m√≠nima parcela de verdade ou de certeza.
(…) Cada coisa √© avaliada por uma qualidade espec√≠fica. O valor da videira est√° na sua produtividade, o do vinho no seu sabor, o do veado na sua rapidez; o que nos interessa nas bestas de carga √© a sua for√ßa, pois elas apenas servem para isso mesmo: transportar carga. Num c√£o a primeira qualidade √© o faro,

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A Import√Ęncia de Aprender v√°rias L√≠nguas

Pessoas com poucas capacidades n√£o conseguir√£o realmente assimilar com facilidade uma l√≠ngua estrangeira: embora aprendam as suas palavras, empregam-nas apenas no significado do equivalente aproximado da sua l√≠ngua materna e continuam a manter as constru√ß√Ķes e frases pr√≥prias desta √ļltima. Com efeito, esses indiv√≠duos n√£o conseguem assimilar o esp√≠rito da l√≠ngua estrangeira, que depende essencialmente do facto do seu pensamento n√£o se dar por meios pr√≥prios, mas, em grande parte, de ser emprestado pela l√≠ngua materna, cujas frases e locu√ß√Ķes habituais substituem os seus pr√≥prios pensamentos. Eis, portanto, a raz√£o de eles sempre se servirem, tamb√©m na pr√≥pria l√≠ngua, de express√Ķes idiom√°ticas desgastadas, combinando-as de modo t√£o in√°bil, que logo se percebe qu√£o pouco se d√£o conta do seu significado e qu√£o pouco todo o seu pensamento supera as palavras, de modo que tudo se reduz a um palrat√≥rio de papagaios. Pela raz√£o oposta, a originalidade das locu√ß√Ķes e a adequa√ß√£o individual de cada express√£o usada por algu√©m s√£o o sintoma inequivoc√°vel de um esp√≠rito preponderante.
Por conseguinte, de tudo isso resultam os seguintes factores: no aprendizado de toda a língua estrangeira, são formados novos conceitos para dar significado a novos signos; certos conceitos separam-se uns dos outros, enquanto antes constituíam juntos um conceito mais amplo e,

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A auto-satisfa√ß√£o √© inimiga do estudo. Se queremos realmente aprender alguma coisa, devemos come√ßar por libertar-nos disso. Em rela√ß√£o a n√≥s pr√≥prios devemos ser ‘insaci√°veis na aprendizagem’ e em rela√ß√£o aos outros, ‘insaci√°veis no ensino’.

As Pessoas n√£o Sabem o que Querem Antes de lho Mostrarmos

A minha paix√£o tem sido construir uma empresa duradoura onde as pessoas se sintam motivadas para grandes produtos. Tudo o mais era secund√°rio. Claro que era bom ter lucros, pois s√≥ assim era poss√≠vel fazer grandes produtos. Mas o principal factor de motiva√ß√£o eram os produtos, n√£o o lucro. Sculley deslocou estas prioridades para o objectivo de fazer dinheiro. Trata-se de uma diferen√ßa subtil, mas que acaba por fazer toda a diferen√ßa: as pessoas que contratamos, quem √© promovido, os assuntos que discutimos nas reuni√Ķes.
Algumas pessoas dizem: ‚ÄúD√™em aos clientes o que eles querem.‚ÄĚ Mas essa n√£o √© a minha abordagem. A nossa miss√£o consiste em antecipar aquilo que eles v√£o querer. Penso que o Henri Ford teria dito uma vez que se perguntasse aos clientes aquilo que eles queriam, a resposta teria sido: ‚ÄúUm cavalo mais r√°pido!”. As pessoas n√£o sabem o que querem antes de lho mostrarmos. √Č por isso que n√£o confio nos estudos de mercado. A nossa miss√£o consiste em ler as coisas antes de elas terem sido escritas.

Insiste Em Ti Mesmo

Insiste em ti mesmo; nunca imites. A todo o momento, podes exibir o teu pr√≥prio dom com a for√ßa cumulativa de toda uma vida de estudo; mas do talento imitado de outro tens apenas posse parcial e moment√Ęnea. Aquilo que cada um sabe fazer de melhor s√≥ pode ser ensinado por quem o faz. Ningu√©m sabe ainda o que seja, nem o pode saber, enquanto essa pessoa n√£o o demonstrar. Onde est√° o mestre que pudesse ter ensinado Shakespeare? Onde est√° o mestre que pudesse ter instru√≠do Franklin, ou Washington, ou Bacon, ou Newton? Todo o grande homem √© √ļnico.

VII

Versos feitos por mim na mocidade
O mérito só tem sentimento.
Eram, pra assim dizer, um instrumento
Mais que o prazer ecoando-me a saudade.

Pospondo a fantasia sempre à verdade
Melhor encontrei nesta o ornamento
E, no estudo apurando o sentimento,
Quanto tenho a saber disse-me a idade.

√Č isso o que vos quero eu ensinar,
Amando-vos qual pode um terno av√ī,
A quem para as suas c√£s engrinaldar

Melhor só poderia o que eu vou
Em carícias tão vossas procurar,
Sentindo que de vós inda mais sou.

A Verdade Simbólica

Quando a inteligência aborda o estudo da vida, necessariamente trata o ser vivo como o inerte, aplicando a esse novo objecto as mesmas formas, transportando para esse novo domínio os mesmos hábitos que deram tão certo no antigo. E tem razão em fazer isso, pois somente sob essa condição o ser vivo oferecerá à nossa acção o mesmo campo que a matéria inerte. Mas a verdade à qual se chega assim torna-se absolutamente relativa à nossa faculdade de agir. Nada mais é do que uma verdade simbólica.

Os Livros Representam a Essência de um Espírito

As obras s√£o a quintess√™ncia de um esp√≠rito: por conseguinte, mesmo se este for o esp√≠rito mais sublime, elas sempre ser√£o, sem compara√ß√£o, mais ricas de cont√ļdo do que a sua companhia, e a substituir√£o tamb√©m na ess√™ncia – ou melhor, ultrapass√°-la-√£o em muito e a deixar√£o para tr√°s: At√© mesmo os escritos de uma cabe√ßa med√≠ocre podem ser instrutivos, dignos de leitura e divertidos, justamente porque s√£o sua quintess√™ncia, o resultado, o fruto de todo o seu pensamento e estudo; enquanto a sua companhia n√£o nos consegue satisfazer. Sendo assim, podem-se ler livros de pessoas em cujas companhias n√£o se encontraria nenhum prazer, e √© por essa raz√£o que uma cultura intelectual elevada nos induz pouco a pouco a encontrar o nosso prazer quase exclusivamente na leitura dos livros, e n√£o na conversa com as pessoas.
Não há maior refrigério para o espírito do que a leitura dos clássicos antigos: tão logo temos um deles nas mãos, e mesmo que seja por apenas meia hora, sentimo-nos imdediatamente refrescados, aliviados, purificados, elevados e fortalecidos; como se nos tivéssemos deleitado na fonte fresca de uma rocha. Tal facto depende das línguas antigas e da sua perfeição ou da grandeza dos espíritos,

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O Meu Génio Vem de Ti

O que me acalma ou o que me agita, o que me torna alegre ou triste, o que refulge no meio da noite, a meu lado, e me alumia mil vezes melhor do que o candeeiro de trabalho, o que me encanta os dias durante os meus passeios solitários, os meus estudos, os meus devaneios, e até as mais enfadonhas tarefas, é a tua imagem, a lembrança de que existes, de que me amas, de que me esperas, de que pensas em mim! Se tenho algum génio, é de ti que me vem.

Assim como todo o reino dividido é desfeito, toda a inteligência dividida em diversos estudos se confunde e enfraquece.