Cita√ß√Ķes sobre Falsidade

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Frases sobre falsidade, poemas sobre falsidade e outras cita√ß√Ķes sobre falsidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Esmagamento do Eu

O espectáculo (da sociedade de consumo) que é a extinção dos limites do eu e do mundo pelo esmagamento do eu que a presença-ausência do mundo assedia, é igualmente a supressão dos limites do verdadeiro e do falso pelo recalcamento de toda a verdade vivida sob a presença real da falsidade que a organização da aparência assegura. Aquele que sofre passivamente a sua sorte quotidianamente estranha é, pois, levado a uma loucura que reage ilusoriamente a essa sorte, ao recorrer a técnicas mágicas. O reconhecimento e o consumo das mercadorias estão no centro desta pseudo-resposta a uma comunicação sem resposta. A necessidade de imitação que o consumidor sente é precisamente uma necessidade infantil, condicionada por todos os aspectos da sua despossessão fundamental.

O Engano da Bondade

Endureçamos a bondade, amigos. Ela também é bondosa, a cutilada que faz saltar a roedura e os bichos: também é bondosa a chama nas selvas incendiadas para que os arados bondosos fendam a terra.
Endure√ßamos a nossa bondade, amigos. J√° n√£o h√° pusil√Ęnime de olhos aguados e palavras brandas, j√° n√£o h√° cretino de inten√ß√£o subterr√Ęnea e gesto condescendente que n√£o leve a bondade, por v√≥s outorgada, como uma porta fechada a toda a penetra√ß√£o do nosso exame. Reparai que necessitamos que se chamem bons aos de cora√ß√£o recto, e aos n√£o flex√≠veis e submissos.
Reparai que a palavra se vai tornando acolhedora das mais vis cumplicidades, e confessai que a bondade das vossas palavras foi sempre Рou quase sempre Рmentirosa. Alguma vez temos de deixar de mentir, porque, no fim de contas, só de nós dependemos, e mortificamo-nos constantemente a sós com a nossa falsidade, vivendo assim encerrados em nós próprios entre as paredes da nossa estuta estupidez.
Os bons serão os que mais depressa se libertarem desta mentira pavorosa e souberem dizer a sua bondade endurecida contra todo aquele que a merecer. Bondade que se move, não com alguém, mas contra alguém. Bondade que não agride nem lambe,

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LXXVII

Não há no mundo fé, não há lealdade;
Tudo é, ó Fábio, torpe hipocrisia;
Fingido trato, infame aleivosia
Rodeiam sempre a c√Ęndida amizade.

Veste o engano o aspecto da verdade;
Porque melhor o vício se avalia:
Porém do tempo a mísera porfia,
Duro fiscal, lhe mostra a falsidade.

Se talvez descobrir-se se procura
Esta de amor fantástica aparência,
√Č como √† luz do Sol a sombra escura:

Mas que muito, se mostra a experiência,
Que da amizade a torre mais segura
Tem a base maior na dependência!

Por esta Solid√£o, que n√£o Consente

Por esta solid√£o, que n√£o consente
Nem do sol, nem da lua a claridade,
Ralado o peito pela saudade
Dou mil gemidos a Marília ausente:

De seus crimes a mancha inda recente
Lava Amor, e triunfa da verdade;
A beleza, apesar da falsidade,
Me ocupa o coração, me ocupa a mente:

Lembram-me aqueles olhos tentadores,
Aquelas m√£os, aquele riso, aquela
Boca suave, que respira amores…

Ah! Trazei-me, ilus√Ķes, a ingrata, a bela!
Pintai-me vós, oh sonhos, entre as flores
Suspirando outra vez nos braços dela!

O Campo da Experiência Nunca nos Satisfaz

Sendo todos os princ√≠pios do nosso entendimento apenas aplic√°veis a objectos da experi√™ncia poss√≠vel, toma-se evidente que todo racioc√≠nio racional, que se aplica √†s coisas situadas fora das condi√ß√Ķes da experi√™ncia, ao inv√©s de alcan√ßar a verdade, apenas deve necessariamente chegar a uma apar√™ncia e a uma ilus√£o.
Mas o que caracteriza tal ilus√£o √© que ela √© inevit√°vel (‚Ķ) a tal ponto que, mesmo quando j√° nos apercebemos da sua falsidade, nos n√£o podemos libertar dela. (…) De facto, o campo da experi√™ncia nunca nos satisfaz. (…) A nossa raz√£o, para se satisfazer, deve, pois, necessariamente, tentar ultrapassar os limites da experi√™ncia e, por consequ√™ncia, persuadir-se infalivelmente de que por esse caminho alcan√ßar√° a extens√£o e a integralidade dos seus conhecimentos, coisa que ela n√£o pode encontrar no campo dos fen√≥menos. Mas esta persuas√£o √© uma ilus√£o completa: estando totalmente para al√©m dos limites da nossa experi√™ncia sens√≠vel todos os conceitos e princ√≠pios do entendimento, e n√£o podendo ent√£o ser aplicados a qualquer objecto, a raz√£o ilude-se a si mesma quando atribui um valor objectivo a m√°ximas completamente subjectivas, que, na realidade, apenas admite para sua pr√≥pria satisfa√ß√£o.
(…) Todos os nossos racioc√≠nios que pretendem sair do campo da experi√™ncia s√£o ilus√≥rios e infundamentados.

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A toler√Ęncia √© sempre um ind√≠cio de que um poder √© visto como seguro; quando se sente em perigo, nasce sempre a pretens√£o de ser absoluto; nasce, portanto, a falsidade, o direito divino do seu privil√©gio, a inquisi√ß√£o.

A Perenidade das Ideias

Toda a vida se espantara com essa faculdade que as ideias t√™m de se aglomerarem friamente como cristais, formando estranhas figuras v√£s; ou crescerem como tumores devorando a carne que os concebeu; ou assumirem monstruosamente certos contornos da pessoa humana, √† maneira dessas massas inertes que algumas mulheres d√£o √† luz e que, em suma, n√£o s√£o mais do que um sonho da mat√©ria. Uma boa parte dos produtos do esp√≠rito n√£o passava tamb√©m de disformes sombras lunares. Outras no√ß√Ķes, mais claras e n√≠tidas, como que fabricadas por um mestre artes√£o, eram, por√©m, como aqueles objectos que, √† dist√Ęncia, iludem; imensamente admir√°veis eram os seus √Ęngulos e arestas; e todavia n√£o passavam de grades aonde o entendimento a se mesmo se aprisiona, abstractas ferragens que a ferrugem da falsidade n√£o tardaria a carcomir.
Tremia-se, por momentos, perante a iminente transmutação: um pouco de ouro parecia brotar no crisol do cérebro humano; não se conseguia, contudo, mais do que uma equivalência; da mesma forma que, naquelas experiências grosseiras em que os alquimistas da corte tentam provar aos príncipes seus clientes que algo descobriram, não era o ouro, no fundo da retorta, senão o de um banal ducado que, depois de correr de mão em mão,

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Como Nasce o Amor?

Nem eu nem vós sabemos como nasce o amor. Em fisiologia, que é a ciência do homem físico, não se sabe. A psicologia também não diz nada a este respeito. Os romances, que são os mais amplos expositores da matéria, não avançam cousa nenhuma ao que está dito desde Labão e Rachel até á neta do arcediago e o filho de Ricarda.
Dizer que o amor √© a sensualidade, al√©m de grosseira defini√ß√£o, √© falsidade desmentida pela experi√™ncia. H√° um amor que n√£o rasteja nunca no raso estrado das propens√Ķes org√Ęnicas.
Dizer que o amor é uma operação puramente espiritual é um devaneio de visionários, que trazem sempre as mulheres pelas estrelas, ao mesmo tempo que elas, gravitando materialmente para o centro do globo, comem e bebem á maneira dos mortais, e até das divindades do cantor de Aquiles.
Eu conhe√ßo homens, sem fa√≠sca de esp√≠rito, que se abrazam tocados pelo amor como o f√≥sforo em presen√ßa do ar. Eis aqui um fen√≥meno eminentemente importante. Ele, s√≥, sustenta em tese que o amor n√£o tem nada com o corpo nem com o espirito. Eu creio que √© um fluido. √Č pena, por√©m, que eu n√£o saiba o que √© fluido para me dar aqui uns ares pedantescos,

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Const√Ęncia Feminina

Agora j√° me amaste por um dia inteiro.
Amanh√£, quando partires, o que dir√°s?
Ir√°s antedatar algum voto mais recente?
Ou dizer que, agora,
J√° n√£o somos exactamente os mesmos de antes?
Ou que as juras, feitas por medo reverencial
Ao Amor e à sua ira, se podem renegar?
Ou, como veras mortes desligam veros casamentos,
A imagem destes, os contratos dos amantes
Unem só até que o sono, imagem da morte, os separe?
Para justificar teus próprios fins,
Tendo proposto mudança e falsidade, não terás tu
Outro meio sen√£o a falsidade para seres sincera?
Lun√°tica v√£, contra tais evasivas eu poderia
Argumentar e ganhar, se quisesse,
O que me abstenho de fazer
Porque, amanh√£, poderei vir a pensar como tu.

Tradução de Helena Barbas

O que dói na morte é a falsidade. A morte apenas existe por uma brevíssima troca de ausências. Em outro ser, o morto irá renascer. A nossa dor é a de não sabermos ser imortais.

A Inépcia é Pior que a Falsidade

Toda a gente pode falar com verdade; mas falar com ordem, com prud√™ncia e capazmente, poucos o podem. Por isso, a falsidade que vem da ignor√Ęncia n√£o me ofende; a in√©pcia, sim. Quebrei v√°rias negocia√ß√Ķes que me eram √ļteis, por causa da estupidez que punham nas discuss√Ķes aqueles com quem negociava. Nem uma vez por ano me irrito com as faltas dos meus subordinados; mas, no que respeita √† idiotice e teimosia das suas alega√ß√Ķes, √†s desculpas e defesas asininas e brutas, andamos todos os dias √†s turras. N√£o entendem nem o que se lhes diz nem a raz√£o das coisas e respondem na mesma; √© de desesperar.
S√≥ outra cabe√ßa √© capaz de impressionar fortemente a minha e acomodo-me melhor com os erros dos meus do que com a sua leviandade, impertin√™ncia e estupidez. Que fa√ßam menos, contanto que fa√ßam bem alguma coisa; vive-se na esperan√ßa de lhes excitar a vontade, mas de est√ļpidos n√£o h√° que esperar nem que lucrar coisa que valha.

A Libertação para a Individualidade

Esta liberta√ß√£o para a individualidade n√£o foi um grande sucesso. Para um historiador, tem todo o interesse. Mas para algu√©m consciente do sofrimento, √© pavoroso. Cora√ß√Ķes que n√£o encontram verdadeira gratifica√ß√£o, almas sem alimento. Falsidades, ilimitadas. Desejos, ilimitados. Possibilidades, ilimitadas. Exig√™ncias imposs√≠veis feitas a realidades complexas, ilimitadas. Regresso a formas de religiosidade grosseira e infantil, a mist√©rios, totalmente inconscientes, claro ‚ÄĒ espantoso. Orfismo, mitra√≠smo, manique√≠smo, gnosticismo.

. Sammler (discurso da personagem Sr. Sammler)’

Impress√Ķes mal Fundamentadas

S√≥crates- Quando a cera que est√° na alma de algu√©m √© n√£o apenas densa, mas abundante e lisa, com a consist√™ncia adequada, o que vem atrav√©s das percep√ß√Ķes grava-se neste ¬ęcora√ß√£o¬Ľ da alma. Como Homero lhe chama de modo enigm√°tico, referindo-se √† semelhan√ßa com a cera. Nesse momento, os sinais tornam-se puros nestas pessoas e t√™m suficiente densidade para chegarem a ser duradouros. Quantos s√£o desse tipo t√™m, em primeiro lugar, facilidade em aprender, em segundo, boa mem√≥ria, e, em terceiro, n√£o desviam os sinais das suas percep√ß√Ķes, mas t√™m opini√Ķes verdadeiras. Com efeito, dado que os sinais s√£o claros e bem espa√ßados, distribuem-nos rapidamente em cada uma das impress√Ķes, √†s quais sem d√ļvida se chama coisas que s√£o. E estas pessoas s√£o chamadas s√°bias. Ou n√£o te parece?
Teeteto- Sem d√ļvida. A explica√ß√£o √© maravilhosamente convincente.
Sócrates- Ora bem, vejamos o que sucede quando o coração de uma pessoa é hirsuto Рcoisa que o poeta elogiou, na sua enorme sabedoria Рou, quando a cera está suja e é impura, ou quando é extremamente líquida ou dura: aqueles cuja cera é líquida têm facilidade para aprender, mas tornam-se esquecidos, enquanto, com aqueles cuja cera é dura,

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Linda

Intimamente sinto uma grande vontade
de não mais duvidar do que você me diz,
– de acreditar enfim na sua falsidade
e fingir que me iludo em me julgar feliz…

Quero crer… na inconst√Ęncia e volubilidade
dos seus olhos azuis ou verdes, n√£o sei bem,
e tentar convencer-me da felicidade
de que √© meu o seu amor, s√≥ meu… de mais ningu√©m…

Quero nessa ilusão Рminha íntima esperança
transformar na feliz e invej√°vel certeza
dos que sabem gostar e podem ter confian√ßa…

Mas √© in√ļtil, bem sei… A d√ļvida n√£o finda!
E ao sentir seu olhar e ao ver sua beleza
n√£o sei como confiar em quem nasceu t√£o linda!

Que Mimoso Prazer!

1

Que mimoso prazer! Teu rosto amado
Me raiou na alma! Oh astro meu luzente!
Desfez-se em continente
O negrume cerrado,
Que me assombrava o coração aflito,
Em saudades tristíssimas sopito.

2

Bem, como quando aponta o sol radiante
Pelos ervosos cumes dos outeiros;
Fogem bruscos nevoeiros,
Da roxa luz brilhante;
Assim, mal vi teu rosto, assim fugiam
As M√°goas, que de luto a alma cobriam

3

Quem sempre assim de amor nos brandos laços!
Doces queixas de amor absorto ouvira!
Da idade n√£o sentira
O voo. Entre os teus braços
Me corte o fio, com a fouce, a Morte;
Que perco a vida, sem sentir o corte!

4

Se a meiga Vénus, se o gentil Cupido
Cede a meus votos, cede à minha Amada:
Se esta uni√£o prezada
N√£o rompe um Nume infido…
N√£o dou por mais feliz o vil Mineiro
Sobre montes de sórdido dinheiro.

5

N√£o dou por mais feliz o Rei no trono
Lisonjado de Cortes√£os astutos.

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Felicidade foi se embora E a saudade no meu peito ainda mora E é por isso que eu gosto lá de fora Porque sei que a falsidade não vigora