Passagens sobre Génios

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Frases sobre g√©nios, poemas sobre g√©nios e outras passagens sobre g√©nios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Com uma tal falta de literatura, como há hoje, que pode um homem de génio fazer senão converter-se, ele só, em uma literatura?

Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

Quanto mais universal o génio, tanto mais facilmente será aceite pela época imediatamente seguinte porque mais profunda será a sua crítica implícita da sua própria época.

Proémio

Em nome daquele que a Si mesmo se criou!
De toda eternidade em ofício criador;
Em nome daquele que toda a fé formou,
Confiança, actividade, amor, vigor;
Em nome daquele que, tantas vezes nomeado,
Ficou sempre em essência imperscrutado:

Até onde o ouvido e o olhar alcançam,
A Ele se assemelha tudo o que conheces,
E ao mais alto e ardente voo do teu ‘sp√≠rito
J√° basta esta par√°bola, esta imagem;
Sentes-te atraído, arrastado alegremente,
E, onde quer que v√°s, tudo se enfeita em flor;
J√° nada contas, nem calculas j√° o tempo,
E cada passo teu é já imensidade.

*

Que Deus seria esse então que só de fora impelisse,
E o mundo preso ao dedo em volta conduzisse!
Que Ele, dentro do mundo, faça o mundo mover-se,
Manter Natureza em Si, e em Natureza manter-Se,
De modo que ao que nele viva e teça e exista
A Sua força e o Seu génio assista.

*

Dentro de nós há também um Universo;
Daqui nasceu nos povos o louv√°vel costume
De cada qual chamar Deus,

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A liberdade não é um cartaz, que se lê na esquina de qualquer rua; é, sim, um poder vivo, que cada um sente em si mesmo, e em torno de si; é o génio protector do lar doméstico, a garantia dos direitos sociais, e o primeiro desses direitos.

A massifica√ß√£o procura baixar a qualidade art√≠stica para a altura do gosto m√©dio. Em arte, o gosto m√©dio √© mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um g√™nio com gosto m√©dio.

O Solit√°rio

O solit√°rio leva uma sociedade inteira dentro de si: o solit√°rio √© multid√£o. E daqui deriva a sua sociedade. Ningu√©m tem uma personalidade t√£o acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O g√©nio, foi dito e conv√©m repeti-lo frequentemente, √© uma multid√£o. √Č a multid√£o individualizada, e √© um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de pr√≥prio √©, no fundo, aquele que tem mais de todos, √© aquele em quem melhor se une e concentra o que √© dos outros.
(…) O que de melhor ocorre aos homens √© o que lhes ocorre quando est√£o sozinhos, aquilo que n√£o se atrevem a confessar, n√£o j√° ao pr√≥ximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando est√£o em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solit√°rio costuma atrever-se a express√°-lo, a deixar que isso flores√ßa, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando est√£o sozinhos, sem que ningu√©m se atreva a public√°-lo. O solit√°rio pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa,

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A Vida não Passa de um Reflexo da Nossa Memória

H√° uma coisa que me humilha: a mem√≥ria √© muitas vezes a qualidade da tolice; pertence em geral aos esp√≠ritos grosseiros, os quais torna mais pensantes pela bagagem com a qual os sobrecarrega. E, no entanto, sem a mem√≥ria, o que ser√≠amos? Esquecer√≠amos as nossas amizades, os nossos amores, os nossos prazeres, os nossos neg√≥cios; o g√©nio n√£o poderia reunir as suas ideias; o cora√ß√£o mais afectuoso perderia a sua ternura, caso n√£o se recordasse mais dela; a nossa exist√™ncia reduzir-se-ia aos momentos sucessivos de um presente que transcorre sem cessar; n√£o haveria mais passado. √ď que mis√©ria a nossa! A nossa vida √© t√£o v√£ que n√£o passa de um reflexo da nossa mem√≥ria.

√Č uma Tolice Desculpar um Falhado

√Č uma tolice desculpar um falhado com argumentos de meio, √©poca, sa√ļde, idade, etc. O verdadeiro triunfador cria as condi√ß√Ķes da sua realiza√ß√£o. Que se importa a gente com as doen√ßas de Beethoven, e que pesam elas na sua obra? A natureza, quando d√° g√©nio, d√° for√ßas, tempo e coragem para vencer todos os obst√°culos que o n√£o deixem desabrochar. N√£o h√° malogrados. O √ļnico argumento a favor da sua exist√™ncia √© a idade. Ora na idade de malogrados morreram Keats, Ces√°rio e Rafael…
Construir uma vida e uma obra parece ter sido sempre a fa√ßanha dos grandes. E se Goethe precisou de oitenta anos para se cumprir, Shelley pediu um prazo mais curto √† natureza. O que tinha a dizer, dizia-se mais depressa…

Vencidos tornam-se Vencedores

Só os povos bárbaros aumentam subitamente após uma vitória; são como a vaidade passageira das torrentes opulentas com as águas da tempestade.
Aos povos civilizados, por√©m, mormente no tempo em que vivemos, n√£o os eleva ou abate a boa ou m√° fortuna de um capit√£o, porque o seu peso espec√≠fico no g√©nero humano resulta de mais alguma coisa do que de um combate. Gra√ßas a Deus, a sua honra, dignidade, luz e g√©nio n√£o s√£o n√ļmeros que os her√≥is conquistadores, que s√£o verdadeiros jogadores, arrisquem na lotaria das batalhas. Muitas vezes a perda de uma batalha √© a conquista do progresso. Deslustra-se a gl√≥ria, mas engrandece-se, alarga-se, torna-se mais ampla a liberdade; emudece o tambor para deixar falar a raz√£o. Jogo √© este, pois, em que quem perde ganha.

O infort√ļnio √© um degrau para o g√©nio, uma piscina para o crist√£o, um tesouro para o homem h√°bil e um abismo para o fraco.

A Percepção do Poeta

Sim, o que √© o pr√≥prio homem sen√£o um cego insecto inane a zumbir (?) contra uma janela fechada; instintivamente sente para al√©m do vidro uma grande luz e calor. Mas √© cego e n√£o pode v√™-la; nem pode ver que algo se interp√Ķe entre ele e a luz. De modo que pregui√ßosamente (?) se esfor√ßa por se aproximar dela. Pode afastar-se da luz, mas n√£o pode ir al√©m do vidro. Como o ajudar√° a Ci√™ncia? Pode descobrir a aspereza e nodosidade pr√≥prias do vidro, pode chegar a conhecer que aqui √© mais espesso, ali mais fino, aqui mais grosseiro, ali mais delicado: com tudo isto, am√°vel fil√≥sofo, qu√£o mais perto est√° da luz? Qu√£o mais perto alcan√ßa ver? E contudo, acredito que o homem de g√©nio, o poeta, de algum modo consegue atravessar o vidro para a luz do outro lado; sente calor e alegria por estar t√£o mais al√©m de todos os homens (?), mus mesmo assim n√£o continuar√° ele cego?

As dívidas serviram, diz-se, a excitar o génio de Dickens e Balzac: não encontrando em mim um génio a excitar, vingam-se da humildade do seu papel torturando-me.

Ser pessoa custa muito mais do que ser g√©nio. Ser pessoa ‚Äď e viver como pessoa ‚Äď √© muito mais genial do que qualquer livro ou pensamento que possas criar.

Aquilo a que a terminologia rom√Ęntica chama g√©nio ou inspira√ß√£o n√£o √© mais do que encontrar empiricamente o caminho, seguir o pr√≥prio olfacto, tomar atalhos.