Passagens sobre GĂ©nios

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A firmeza de propĂłsito Ă© um dos mais necessĂĄrios elementos do carĂĄcter e um dos melhores instrumentos do sucesso. Sem ele, o gĂ©nio desperdiça os seus esforços num labirinto de inconsistĂȘncias.

LĂșcia

(Alfred de Musset)

NĂłs estĂĄvamos sĂłs; era de noite;
Ela curvara a fronte, e a mĂŁo formosa,
Na embriaguez da cisma,
TĂȘnue deixava errar sobre o teclado;
Era um murmĂșrio; parecia a nota
De aura longĂ­nqua a resvalar nas balsas
E temendo acordar a ave no bosque;
Em torno respiravam as boninas
Das noites belas as volĂșpias mornas;
Do parque os castanheiros e os carvalhos
Brando embalavam orvalhados ramos;
OuvĂ­amos a noite, entre-fechada,
A rasgada janela
Deixava entrar da primavera os bĂĄlsamos;
A vĂĄrzea estava erma e o vento mudo;
Na embriaguez da cisma a sĂłs estĂĄvamos
E tĂ­nhamos quinze anos!

LĂșcia era loura e pĂĄlida;
Nunca o mais puro azul de um céu profundo
Em olhos mais suaves refletiu-se.
Eu me perdia na beleza dela,
E aquele amor com que eu a amava – e tanto ! –
Era assim de um irmĂŁo o afeto casto,
Tanto pudor nessa criatura havia!

Nem um som despertava em nossos lĂĄbios;
Ela deixou as suas mĂŁos nas minhas;
TĂ­bia sombra dormia-lhe na fronte,

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Felicidade, GlĂłria, Imaginação, InteligĂȘncia e Inspiração

Numa vida profundamente atormentada seria possĂ­vel muitas vezes encontrar-se felicidade para vĂĄrias outras existĂȘncias. Da felicidade que um homem malbarata, sem lhe suspeitar o valor, outros homens tirariam alegria para toda a vida, assim como as sobras da mesa do rico dariam para sustento de mais de um pobre.

A glĂłria Ă© um processo de apuramento que nunca pĂĄra. À medida que a humanidade envelhece e que as suas recordaçÔes se vĂŁo amontoando, tornam-se necessĂĄrias novas selecçÔes. SĂ©culos inteiros sĂŁo depurados nesses escrutĂ­nios, sem que sobreviva um nome sequer. Um dia os imortais irĂŁo unir-se aos anĂłnimos no esquecimento final.

É a imaginação, tocha divina apensa ao espĂ­rito do homem, que lhe permite mover-se nas trevas da criação. Assim os peixes das profundezas oceĂąnicas trazem um facho que os ilumina na noite eterna. Sem isto para que lhes serviriam os olhos? Sem imaginação, que utilidade teria para o homem a inteligĂȘncia?

O homem de letras tem falhas pronunciadas de inteligĂȘncia, a ponto de parecer estĂșpido ao homem de negĂłcios. NĂŁo deixa porĂ©m por isso de se considerar, onde quer que se encontre, o mais inteligente da roda. Nada Ă© mais absurdo do que essa superioridade,

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A Dieta do GĂ©nio

Os meios de que JĂșlio CĂ©sar se serviu para se defender das doenças e das dores de cabeça: grandes caminhadas, um modo de vida simplĂ­ssimo, permanĂȘncia constante ao ar livre, fadigas contĂ­nuas — estas sĂŁo, em grandes traços, as regras de conservação e defesa geral contra a extrema vulnerabilidade dessa mĂĄquina subtil, e que trabalha a uma altĂ­ssima pressĂŁo, chamada gĂ©nio.

Simplicidade e Perseverança

O que pensas que foi a vida dos homens que se conseguiram erguer acima do comum? Um combate contĂ­nuo. Se se tratar de um escritor, para escrever, uma luta contra a preguiça (que ele sente tanto como o homem comum): e isto porque o seu gĂ©nio quer manifestar-se – e ele nĂŁo obedece apenas ao desejo vĂŁo de se tornar cĂ©lebre, mas ao apelo da sua consciĂȘncia. Calem-se portanto os que trabalham com frieza: poder-se-ĂĄ imaginar o que Ă© trabalhar sob a influĂȘncia da inspiração? Que medo, que hesitação sentimos em despertar esse leĂŁo adormecido, cujos rugidos fazem estremecer todo o nosso ser! Mas, voltando atrĂĄs: ser firme, simples e verdadeiro – eis o Ăștil ensinamento de todos os momentos.

A mulher não é um génio, é um elemento decorativo. Não tem nada para dizer, mas di-lo tão lindamente.

O gĂȘnio Ă© como a ĂĄguia: quanto mais se eleva menos visĂ­vel se torna, e vĂȘ castigada a sua grandeza pela solidĂŁo em que se lhe encontra a alma.

O conceito de gĂ©nio como semelhante Ă  loucura tem sido cuidadosamente alimentado pelo complexo de inferioridade do pĂșblico.

È preciso confiar no povo portuguĂȘs. Eu confio no povo portuguĂȘs e no gĂ©nio do povo portuguĂȘs. E um povo que tem a histĂłria que tem Portugal e fez aquilo que fez, incluindo a revolução de sucesso que foi a revolução do 25 de Abril, que realizou todos os seus objectivos, um PaĂ­s que consegue ter a melhores relaçÔes com África e com as antigas colĂłnias portuguesas como nĂŁo tĂȘm nem os franceses nem os ingleses.

A Leitura é a Mais Nobre das DistracçÔes

Se o gosto pelos livros aumenta com a inteligĂȘncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um espĂ­rito original sabe subordinar a leitura Ă  actividade pessoal. Ela Ă© para ele apenas a mais nobre das distraçÔes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, sĂł a leitura e o saber conferem «as boas maneiras» do espĂ­rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa inteligĂȘncia, sĂł o podemos desenvolver dentro de nĂłs prĂłprios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas Ă© nesse contacto com os outros espĂ­ritos que a leitura Ă©, que se faz a educação das “maneiras” do espĂ­rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas notĂĄveis da inteligĂȘncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ciĂȘncia literĂĄria, serĂĄ sempre, mesmo num homem de gĂ©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distinção e a nobreza consistem na ordem do pensamento tambĂ©m, numa espĂ©cie de franco-maçonaria de costumes, e numa herança de tradiçÔes.

A Esterilidade da CrĂ­tica

Personagem que Deus nĂŁo cuidou de convocar quando criou o mundo, o crĂ­tico faz questĂŁo de estabelecer uma hierarquia nas obras de criação e nas obras do espĂ­rito humano. Assim geram-se inveja e desprezo, e o desĂąnimo dos maiores, ante injustiças; assim ficam eles Ă  mercĂȘ dos seus inferiores, os estĂ©reis. A Ășnica estĂ©tica sadia Ă© a que nĂŁo cogita de medir impressĂ”es produzidas por tipos diferentes, a que coloca no mesmo plano todos os grandes esforços intelectuais da humanidade, fundindo-os no gĂ©nio humano, como as cores se fundem na luz sem sobressair nenhuma.

XIV

Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondĂȘncia,
Ou desconhece o rosto da violĂȘncia,
Ou do retiro a paz nĂŁo tem provado.

Que bem Ă© ver nos campos transladado
No gĂȘnio do pastor, o da inocĂȘncia!
E que mal Ă© no trato, e na aparĂȘncia
Ver sempre o cortesĂŁo dissimulado!

Ali respira amor sinceridade;
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Um sĂł trata a mentira, outro a verdade.

Ali não hå fortuna, que soçobre;
Aqui quanto se observa, Ă© variedade:
Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!

A criança portuguesa Ă© excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nĂłs outros, os Portugueses, sĂł começamos a ser idiotas – quando chegamos Ă  idade da razĂŁo. Em pequenos temos todos uma pontinha de gĂ©nio.