Passagens sobre Génios

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Frases sobre g√©nios, poemas sobre g√©nios e outras passagens sobre g√©nios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os dados reais da vida não têm valor para o artista, são unicamente um ensejo para manifestar o seu génio.

Soneto 278 A Salvador Dali

Pra mim, Picasso perto dele é pinto.
Qual cubo nem Guernica! O catal√£o
p√īs fogo na girafa, e d√° li√ß√£o
de como você pinta como eu pinto.

Relógios derreteu, deu ao recinto
bagunça formidável de ilusão.
Bigodes retorceu, e a posição
do Cristo subverteu: estilo extinto.

Talvez fez na pintura o que Gaudí
ergueu, fenomenal, na arquitetura:
delírio, porém nítido. Não vi

no século atual maior textura
que o fruto da estranheza de Dali,
o gênio do ocular na cor. Loucura!

Quando um verdadeiro génio se mostra ao mundo reconhece-se logo da seguinte maneira: todos os idiotas se juntam e conspiram contra ele.

A Variedade √© a √önica Desculpa da Abund√Ęncia

A variedade √© a √ļnica desculpa da abund√Ęncia. Ningu√©m deveria deixar vinte livros diferentes, a menos que seja capaz de escrever como vinte homens diferentes. As obras de Victor Hugo enchem cinquenta grossos volumes, mas cada volume, cada p√°gina quase, cont√©m todo o Victor Hugo. As outras p√°ginas somam-se como p√°ginas, n√£o como g√©nio. Nele n√£o existia produtividade, mas prolixidade. Desperdi√ßou o seu tempo como g√©nio, por pouco que o tivesse desperdi√ßado como escritor. A opini√£o de Goethe a seu respeito continua a ser suprema, apesar de ter sido precocmente emitida, e uma grande li√ß√£o para todos os artistas: ¬ęDeveria escrever menos e trabalhar mais¬Ľ, disse ele. Este parecer, na sua distin√ß√£o entre o trabalho a s√©rio, que n√£o se espraia, e o trabalho fict√≠cio, que ocupa espa√ßo (pois as p√°ginas nada mais s√£o do que espa√ßo), √© uma das grandes opini√Ķes cr√≠ticas do mundo.
Se conseguir escrever como vinte homens diferentes, é vinte homens diferentes, seja lá como for, e os seus vinte livros têm justificação.

Quando um gênio verdadeiro aparece neste mundo você pode conhecê-lo pelo seguinte sinal, os ignorantes estão todos unidos contra ele.

Aptidão, Vontade, e Acção

No reino da Natureza dominam o movimento e o agir. No reino da liberdade dominam a aptid√£o e o querer. O movimento √© perp√©tuo e, sendo favor√°veis as circunst√Ęncias, manifesta-se necessariamente nos fen√≥menos. As aptid√Ķes, desenvolvendo-se embora em correspond√™ncia com a Natureza, t√™m contudo que ser postas em exerc√≠cio por parte da vontade para poderem elevar-se gradualmente. √Č por isso que nunca temos no exerc√≠cio livre da vontade a mesma certeza que temos na autonomia do agir natural; este √ļltimo √© qualquer coisa que se produz a si mesma enquanto que o primeiro √© produzido.
O exerc√≠cio da vontade, para ser perfeito e eficaz, tem que se adequar: no plano moral, √† consci√™ncia – a uma consci√™ncia sem erro -, e, no dom√≠nio das artes, √† regra – a uma regra que em nenhum lado est√° enunciada. A consci√™ncia n√£o precisa de nenhum patroc√≠nio, porque tem tudo o que lhe √© necess√°rio e porque s√≥ tem que ver com o mundo pessoal interior. O g√©nio tamb√©m n√£o precisaria de nenhuma regra, mas, uma vez que a sua efic√°cia se dirige para o exterior, est√° na depend√™ncia de m√ļltiplas conting√™ncias materiais e temporais, n√£o lhe sendo poss√≠vel escapar a erros que da√≠ decorrem.

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Confiança Audaz

H√° um momento na aprendizagem de cada homem em que este chega √† convic√ß√£o de que a inveja √© ignor√Ęncia; que a imita√ß√£o √© suic√≠dio; que ele tem que se tomar a ele pr√≥prio tanto para melhor, tanto para pior, como a sua parcela; que embora o universo esteja cheio de coisas boas, nenhuma semente de milho nutritiva chegar√° a ele sen√£o atrav√©s da labuta que ele ofere√ßa nesse lote de terreno que lhe foi dado para cultivar. O poder que reside nele √© novo na natureza, e nenhum outro sen√£o ele sabe o que √© que pode fazer, e n√£o o saber√° at√© que o tente. N√£o √© por nada que uma cara, um car√°cter, um facto, causa muito impress√£o nele, e outros n√£o t√™m qualquer efeito. Esta escultura na mem√≥ria n√£o existe sem uma harmonia pr√©-estabelecida. O olho foi colocado onde um raio deve cair, de forma a testemunhar esse raio em particular. N√≥s apenas nos exprimimos pela metade, e temos vergonha da ideia divina que cada um de n√≥s representa. Podemos ser de confian√ßa e de motiva√ß√Ķes boas e proporcionais, e darmo-nos fielmente, mas Deus n√£o ter√° o seu trabalho mais manifesto feito por cobardes. Um homem est√° seguro e tranquilo quando coloca todo o cora√ß√£o no seu trabalho ou outra actividade e faz o seu melhor de acordo consigo pr√≥prio;

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Um homem de g√©nio √© produzido por um conjunto complexo de circunst√Ęncias, come√ßando pelas heredit√°rias, passando pelas do ambiente e acabando em epis√≥dios m√≠nimos de sorte.

Sabe-se que o verdadeiro génio consiste em fornecer, uma vintena de anos mais tarde, ideias aos cretinos.

Com uma tal falta de literatura, como há hoje, que pode um homem de génio fazer senão converter-se, ele só, em uma literatura?

Criar Banalidades, até Chegar ao Génio

Um pouco de trabalho, repetido trezentas e sessenta e cinco vezes, dá trezentas e sessenta e cinco vezes um pouco de dinheiro, isto é, uma soma enorme. Ao mesmo tempo, a glória está feita.
Do mesmo modo, uma por√ß√£o de pequenos gozos comp√Ķem a felicidade. Criar uma banalidade, √© o g√©nio. Devo criar uma banalidade.

Quanto mais universal o génio, tanto mais facilmente será aceite pela época imediatamente seguinte porque mais profunda será a sua crítica implícita da sua própria época.

Proémio

Em nome daquele que a Si mesmo se criou!
De toda eternidade em ofício criador;
Em nome daquele que toda a fé formou,
Confiança, actividade, amor, vigor;
Em nome daquele que, tantas vezes nomeado,
Ficou sempre em essência imperscrutado:

Até onde o ouvido e o olhar alcançam,
A Ele se assemelha tudo o que conheces,
E ao mais alto e ardente voo do teu ‘sp√≠rito
J√° basta esta par√°bola, esta imagem;
Sentes-te atraído, arrastado alegremente,
E, onde quer que v√°s, tudo se enfeita em flor;
J√° nada contas, nem calculas j√° o tempo,
E cada passo teu é já imensidade.

*

Que Deus seria esse então que só de fora impelisse,
E o mundo preso ao dedo em volta conduzisse!
Que Ele, dentro do mundo, faça o mundo mover-se,
Manter Natureza em Si, e em Natureza manter-Se,
De modo que ao que nele viva e teça e exista
A Sua força e o Seu génio assista.

*

Dentro de nós há também um Universo;
Daqui nasceu nos povos o louv√°vel costume
De cada qual chamar Deus,

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A liberdade não é um cartaz, que se lê na esquina de qualquer rua; é, sim, um poder vivo, que cada um sente em si mesmo, e em torno de si; é o génio protector do lar doméstico, a garantia dos direitos sociais, e o primeiro desses direitos.

A massifica√ß√£o procura baixar a qualidade art√≠stica para a altura do gosto m√©dio. Em arte, o gosto m√©dio √© mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um g√™nio com gosto m√©dio.

O Solit√°rio

O solit√°rio leva uma sociedade inteira dentro de si: o solit√°rio √© multid√£o. E daqui deriva a sua sociedade. Ningu√©m tem uma personalidade t√£o acusada como aquele que junta em si mais generalidade, aquele que leva no seu interior mais dos outros. O g√©nio, foi dito e conv√©m repeti-lo frequentemente, √© uma multid√£o. √Č a multid√£o individualizada, e √© um povo feito pessoa. Aquele que tem mais de pr√≥prio √©, no fundo, aquele que tem mais de todos, √© aquele em quem melhor se une e concentra o que √© dos outros.
(…) O que de melhor ocorre aos homens √© o que lhes ocorre quando est√£o sozinhos, aquilo que n√£o se atrevem a confessar, n√£o j√° ao pr√≥ximo mas nem sequer, muitas vezes, a si mesmos, aquilo de que fogem, aquilo que encerram em si quando est√£o em puro pensamento e antes de que possa florescer em palavras. E o solit√°rio costuma atrever-se a express√°-lo, a deixar que isso flores√ßa, e assim acaba por dizer o que todos pensam quando est√£o sozinhos, sem que ningu√©m se atreva a public√°-lo. O solit√°rio pensa tudo em voz alta, e surpreende os outros dizendo-lhes o que eles pensam em voz baixa,

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