Cita√ß√Ķes sobre Grosseria

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O Homem Amesquinhado

Apesar do quadro negro de uma c√ļpula pol√≠tica e intelectual desvairada e grossa e de um povo abandonado a seu pr√≥prio destino, ainda havia ali, no pa√≠s, naquele espantoso ver√£o de 1955, uma consider√°vel energia vital, uma exaltada alegria de viver, acentuada, em alguns lugares e num ou noutro indiv√≠duo, ainda mais possu√≠do do gozo pleno de um extraodin√°rio senso l√ļdico tropical. Est√°vamos, poder√≠amos nos considerar como estando, num dos √ļltimos redutos do ser humano. Depois disso viria o fim, n√£o, como todos pensavam, com um estrondo, mas com um solu√ßo. A densa nuvem desceria, n√£o, como todos pensavam, feita de mol√©culas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, v√≠tima da mesquinharia do seu semelhante, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a um ato de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a uma palavra dita com uma precisa propriedade. E tudo come√ßou a ficar densamente escuro, porque tudo era terrivelmente patrocinado por enlatadores de banha, fabricantes de chouri√ßo e vendedores de desodorante, de modo que toda a pretensa gra√ßa da vida se dirigia apenas √† barriga dos gordos, √† tripa dos porcos, ou, no m√°ximo de finura e eleg√Ęncia,

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Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue.

Vencer é Resignar-se

Conformar-se √© submeter-se e vencer √© conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vit√≥ria √© uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram √† luta que lhes deu a vit√≥ria. Ficam satisfeitos, e satisfeito s√≥ pode estar aquele que se conforma, que n√£o tem a mentalidade do vencedor. Vence s√≥ quem nunca consegue. S√≥ √© forte quem desanima sempre. O melhor e o mais p√ļrpura √© abdicar. O imp√©rio supremo √© o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia n√£o pesa como um fardo de j√≥ias.

Só o Homem Sabe que é Mortal

A √ļnica certeza da vida √© a morte. E √© a certeza em que menos se acredita. Toda a hist√≥ria do mundo assentou sempre na ignor√Ęncia de que se √© mortal. Aqueles mesmo que o sabem n√£o o v√™em ‚ÄĒ a n√£o ser em instantes de excep√ß√£o. Que seria o mundo com essa evid√™ncia sempre presente? S√≥ o homem sabe que √© mortal. Mas raramente o homem sobe at√© si. O animal pesa nele, mesmo no que n√£o √© do animal. Assim a arte, a cultura, poucas vezes funcionam como o que √© para o esp√≠rito, sendo para o que √© da nossa grosseria.

Pensar o Meu País

Pensar o meu pa√≠s. De repente toda a gente se p√īs a um canto a meditar o pa√≠s. Nunca o t√≠nhamos pensado, pens√°ramos apenas os que o governavam sem pensar. E de s√ļbito foi isto. Mas para se chegar ao pa√≠s tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Ser√° que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que n√£o. N√≥s √© que temos um estilo de ser med√≠ocres. N√£o √© quest√£o de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. N√£o √© quest√£o de se ser est√ļpido. Temos saber, temos intelig√™ncia. A quest√£o √© s√≥ a do equil√≠brio e harmonia, a quest√£o √© a do bom senso. H√° um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. H√° um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado √© o rid√≠culo, a f√≠fia, a ¬ęfuga do p√© para o chinelo¬Ľ. O Espanhol √© um ¬ęb√°rbaro¬Ľ, mas assume a barbaridade. N√≥s somos uns camp√≥nios com a obsess√£o de parecermos civilizados. O Franc√™s √© um ser artificioso,

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Se alguém vier com grosserias e insultos, seja paciente e acalme-o. Até o rio mais impetuoso é engolido pela calmaria do mar.

Prefiro Ser Povo

Se comparo as duas condi√ß√Ķes mais opostas dos homens, quero dizer, os nobres e o povo, este √ļltimo parece-me contente com o necess√°rio e os outros inquietos e pobres com o sup√©rfluo. Um homem do povo n√£o saberia fazer nenhum mal; um nobre n√£o quer nenhum bem e √© capaz de grandes malef√≠cios; um, s√≥ se forma e se exerce nas coisas √ļteis; o outro, acrescenta as perniciosas: ali, mostram-se ingenuamente a grosseria e a franqueza; aqui, esconde-se uma seiva maligna e corrompida sob a casca da polidez: o povo n√£o tem esp√≠rito e os nobres n√£o t√™m alma; aquele tem bom fundo e n√£o tem boa apar√™ncia; estes s√≥ t√™m apar√™ncias e uma simples superf√≠cie. Ser√° preciso optar? N√£o hesito: quero ser povo.

A delicadeza deve concluir-se, e n√£o ver-se. (…) A grosseria s√≥ come√ßa quando come√ßa a delicadeza; e o impudor desde que o pudor exista.

A maior grosseria que se pode fazer a um homem que roubou a tua mulher é deixá-la para ele.

Pensar Portugal

Pensar Portugal √© pens√°-lo no que ele √© e n√£o iludirmo-nos sobre o que ele √©. Ora o que ele √© √© a inconsci√™ncia, um infantilismo org√Ęnico, o repentismo, o desequil√≠brio emotivo que vai da abjec√ß√£o e l√°grima f√°cil aos actos grandiosos e her√≥icos, a credulidade, o embasbacamento, a dif√≠cil assump√ß√£o da pr√≥pria liberdade e a paralela e c√≥moda entrega do pr√≥prio destino √†s m√£os dos outros, o mesquinho esp√≠rito de intriga, o entendimento e valoriza√ß√£o de tudo numa dimens√£o curta, a zanga f√°cil e a reconcilia√ß√£o f√°cil como se tudo fossem rixas de fam√≠lia, a tend√™ncia para fazermos sempre da nossa vida um teatro, o berro, o espalhafato, a desinibi√ß√£o tumultuosa, o despudor com que exibimos facilmente o que devia ficar de portas adentro, a grosseria de um novo-rico sem riqueza, o ego√≠smo feroz e indiscreto balanceado com o altru√≠smo, se houver gente a ver ou a saber, a inautenticidade vis√≠vel se queremos subir al√©m de n√≥s, a superficialidade vistosa, a improvisa√ß√£o de expediente, o arrivismo, a trafulhice e o gozo e a vaidade de intrujar com a nossa ¬ęesperteza saloia¬Ľ, o fatalismo, a crendice milagreira, a parolice. Decerto, temos tamb√©m as nossas virtudes. Mas, na sua maioria, elas t√™m a sua raiz nestas mis√©rias.

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A Leitura √© a Mais Nobre das Distrac√ß√Ķes

Se o gosto pelos livros aumenta com a intelig√™ncia, os perigos, como vimos, diminuem com ela. Um esp√≠rito original sabe subordinar a leitura √† actividade pessoal. Ela √© para ele apenas a mais nobre das distra√ß√Ķes, sobretudo a mais enobrecedora, pois, s√≥ a leitura e o saber conferem ¬ęas boas maneiras¬Ľ do esp√≠rito. O poder da nossa sensibilidade e da nossa intelig√™ncia, s√≥ o podemos desenvolver dentro de n√≥s pr√≥prios, nas profundezas da nossa vida espiritual. Mas √© nesse contacto com os outros esp√≠ritos que a leitura √©, que se faz a educa√ß√£o das “maneiras” do esp√≠rito. Os letrados permanecem, apesar de tudo, como as pessoas not√°veis da intelig√™ncia, e ignorar um determinado livro, uma determinada particularidade da ci√™ncia liter√°ria, ser√° sempre, mesmo num homem de g√©nio, uma marca de grosseria intelectual. A distin√ß√£o e a nobreza consistem na ordem do pensamento tamb√©m, numa esp√©cie de franco-ma√ßonaria de costumes, e numa heran√ßa de tradi√ß√Ķes.

A Nossa Personalidade Deve Ser Indevass√°vel

A nossa personalidade deve ser indevass√°vel, mesmo por n√≥s pr√≥prios: da√≠ o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que nos n√£o seja poss√≠vel ter opini√Ķes a nosso respeito.
E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadez ímpar. O que desloca a vulgar saudação Рcomo está? Рde ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.

O que desloca a vulgar sauda√ß√£o – “como est√°?” – de ser uma indesculp√°vel grosseria √© o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.

A Arte é Indivíduo, não Colectividade

Arte √© esp√≠rito, e o esp√≠rito n√£o precisa, em absoluto, de se sentir obrigado a servir a sociedade, a colectividade. A meu ver, n√£o tem direito a faz√™-lo, devido √† sua liberdade e √† sua nobreza. Uma arte que ¬ęse mete com o povo¬Ľ, fazendo suas as necessidades das massas, do z√©-povinho, dos ignorant√Ķes, cai na mis√©ria. Prescrever-lhe isso como um dever, admitindo-se, talvez, por raz√Ķes pol√≠ticas, unicamente uma arte que a gentinha possa compreender, √© mesmo o c√ļmulo da grosseria e equivale a assassinar o esp√≠rito. Este – eis a minha firme convic√ß√£o – pode empreender os mais audaciosos, os mais incontidos avan√ßos, as tentativas e pesquisas menos acess√≠veis √†s multid√Ķes, e todavia ter a certeza de servir, de um modo elevado, indirectamente o homem, e √† la longue at√© os homens.

O Valor do que Se Ama

O homem que ama apaixonadamente, n√£o cura de saber o valor que os outros d√£o √† mulher que ama. (…) Se o amor, por qualquer condescend√™ncia, declina, o amante, cego ontem, abre hoje um olho, e duvida se ela efectivamente √© aquillo que lhe parecia ontem. Na d√ļvida, pergunta aos outros: ¬ęQue vos parece aquela mulher?¬Ľ Se a delicadeza, ou boa f√© responde: ¬ę√© uma excelente mulher¬Ľ, a cristaliza√ß√£o continua. Se a m√° f√©, ou a grosseria responde: ¬ęn√£o presta¬Ľ, o amador indeciso odeia a indiscreta resposta, e persiste na d√ļvida, que √© sempre de pior partido para a mulher, sujeita √° alta e baixa do mercado.