Cita√ß√Ķes sobre Hospitais

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Frases sobre hospitais, poemas sobre hospitais e outras cita√ß√Ķes sobre hospitais para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Desastre

Ele ia numa maca, em √Ęnsias, contrafeito,
Soltando fundos ais e trêmulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma m√£e erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: “Homem n√£o desfale√ßa!”
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça,
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

***
Findara honrosamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da prov√≠ncia, at√īnita, exclamava:
“Que provid√™ncias! Deus! L√° vai para o hospital!”

Por onde o morto passa h√° grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que n√£o entra o dia!

Um fidalgote brada e duas prostitutas:
“Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!”
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

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Depravação e Génio

Uma vez que a maior parte das pessoas encara a santidade como qualquer coisa insulsa e conforme a uma pureza legal, é provável que a depravação represente uma maneira do génio dos sentidos, quer dizer, de desvio até ao extremo de uma vertente descida em liberdade e exterior às regras. Disto resulta que o génio, tal como é aceite, ou antes, tal como é tolerado, constitua uma depravação espiritual análoga a uma depravação dos sentidos. Muitas vezes uma arrasta a outra, e é raro um génio das letras, da escultura ou da pintura não se denunciar e, mesmo que lá não meta a sua carne, fazer prova de uma liberdade de ver, sentir e admirar que ultrapassa os limites consentidos.
(…) Acontece que nos interrogamos com estupefac√ß√£o sobre as in√ļmeras deprava√ß√Ķes de bairro lim√≠trofe que a pol√≠cia e os hospitais testemunham. S√≥ poderemos ver nelas o meandro onde os med√≠ocres se perdem quando decidem deixar-se arrastar e sair das regras que lhes foram destinadas.
Traduzam-se estas deprava√ß√Ķes noutra l√≠ngua, d√™-se-lhes eleva√ß√£o, transcend√™ncia, sejam elas revestidas de intelig√™ncia, e obter-se-√† uma imagem em ponto pequeno das altas deprava√ß√Ķes que as obras-primas da arte nos valem.
Tal como Picasso apanha o que encontra no lixo e o eleva à dignidade de servir,

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M√°quina Alguma de Poupar Trabalho

M√°quina alguma de poupar trabalho
eu fiz, nada inventei,
nem sou capaz de deixar para tr√°s
nenhum rico donativo
para fundar um hospital ou uma biblioteca,
reminiscência alguma
de um acto de bravura pela América,
nenhum sucesso liter√°rio ou intelectual,
nem mesmo um livro bom para as estantes
‚ÄĒ apenas uns poucos cantos
vibrando no ar eu deixo
aos camaradas e amantes.

Façam por não Verem Mais

MOTE

Vós, ó mães idolatradas,
Façam por não verem mais
Crianças abandonadas,
T√≠sicas ‚ÄĒ nos hospitais.

GLOSAS

Sim, vós, ó mães carinhosas,
Criai as vossas filhinhas,
Educai-as de criancinhas,
Mas n√£o em leis religiosas,
Que essas leis s√£o perigosas,
E p’los homens inventadas.
N√£o sigam, pois, enganadas
Pelos padres sem consciência,
E amem o deus-Providência,
V√≥s, √≥ m√£es idolatradas!…

Se quereis ver a religi√£o,
J√° noutro tempo atrasado,
Leiam um livro chamado
¬ęMist√©rios da Inquisi√ß√£o¬Ľ…
Lendo aí, compreenderão
Como as pessoas reais
Mandaram fuzilar pais
E m√£es sem fazerem mal.
Padres e gente real,
Façam por não verem mais.

E quando se saiba amar
Como irm√£os, em toda a terra,
Bombas, revolu√ß√Ķes e guerra
Para sempre h√£o-de acabar;
Nem mais se h√£o-de encontrar
Mulheres ¬ęmatriculadas¬Ľ ‚ÄĒ
Infelizes que, desonradas,
Ali procuram a morte,
Deixando, aos vaivéns da sorte,
Crianças abandonadas.

H√£o-de acabar os ladr√Ķes,
Os patifes, os mariolas ‚ÄĒ
Quando se fizerem escolas
Das igrejas e pris√Ķes.

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A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

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Que os anjos construam hospitais para as almas sofredoras. Enquanto n√£o o fazem, construirei para elas um pal√°cio de sonhos.

O Juízo Final

Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
РQue fez você de bom na sua vida ?
– Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi.
РOra Рdisse o Senhor Рisso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
– Bem – disse o milion√°rio – eu criei ind√ļstrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condi√ß√Ķes sociais de muita gente.
– N√£o, isso n√£o serve – disse o Todo-Poderoso – essas ac√ß√Ķes estavam impl√≠citas ao acto de voc√™ enriquecer. Voc√™ as praticou porque precisava viver melhor. N√£o foram intrinsecamente boas ac√ß√Ķes, desprendidas, n√£o servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada.

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Em certas condi√ß√Ķes a eutan√°sia justifica-se. Quando uma pessoa est√° em grande sofrimento num hospital e percebe que n√£o tem sa√≠da e pede a um m√©dico, est√° consciente do pedido que faz, que quer morrer. As pessoas t√™m direitos √† sua dignidade e se sabem que n√£o a podem manter t√™m direito de pedir a sua morte. √Č preciso ver se n√£o est√£o influenciados, perturbados, mas acho que n√£o sou absolutamente contra. Embora tenha uma vis√£o da vida que nunca me tivesse ocorrido que eu me podia extinguir por minha vontade.

A Solidão é Pior do que a Pobreza

Ris-te do que te digo, mas quando chegar a tua hora, ver√°s a falta que te vai fazer um apoio e o muito que precisamos de carinho para ir vivendo, √† medida que os anos passam. Algu√©m que esteja ao teu lado, que te pegue na m√£o nos teus √ļltimos instantes (que mais podemos fazer a um moribundo?). E quando os ouves falar assim, angustias-te, imaginas-te sem conseguires levantar-te da cama, agarrado √†s costas das cadeiras para te moveres dentro de casa, apoiando-te √†s paredes para alcan√ßares a casa de banho, ensopado num ran√ßoso suor senil; ou morrendo asfixiado, engasgado com qualquer coisa, com um peda√ßo de cartilagem de vaca mal mastigado, um simples gole de √°gua, uma migalha de p√£o, um desses comprimidos que tomas para a hipertens√£o, para facilitar o fluxo sangu√≠neo, para o colesterol, para a hiperglicemia; v√™s-te afogado na tua pr√≥pria saliva: tosses, sufocas, sem ningu√©m por perto que te d√™ uma palmada nas costas, ou te meta os dedos na boca para te ajudar a expelir o que tens atravessado na garganta, algu√©m que chame o 112 ou te meta num carro e te leve a toda a velocidade para o hospital ou o centro de sa√ļde mais pr√≥ximo.

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Males de Anto

A Ares n’uma aldeia

Quando cheguei, aqui, Santo Deus! como eu vinha!
Nem mesmo sei dizer que doença era a minha,
Porque eram todas, eu sei l√°! desde o odio ao tedio.
Molestias d’alma para as quaes n√£o ha remedio.
Nada compunha! Nada, nada. Que tormento!
Dir-se-ia accaso que perdera o meu talento:
No entanto, √°s vezes, os meus nervos gastos, velhos,
Convulsionavam-nos relampagos vermelhos,
Que eram, bem o sentia, instantes de Cam√Ķes!
Sei de c√≥r e salteado as minhas afflic√ß√Ķes:
Quiz partir, professar n’um convento de Italia,
Ir pelo Mundo, com os p√©s n’uma sandalia…
Comia terra, embebedava-me com luz!
Extasis, spasmos da Thereza de Jezus!
Contei n’aquelle dia um cento de desgra√ßas.
Andava, á noite, só, bebia a noite ás taças.
O meu cavaco era o dos mortos, o das loizas.
Odiava os homens ainda mais, odiava as Coizas.
Nojo de tudo, horror! Trazia sempre luvas
(Na aldeia, sim!) para pegar n’um cacho d’uvas,
Ou n’uma flor. Por cauza d’essas m√£os… Perdoae-me,
Alde√Ķes! eu sei que v√≥s sois puros. Desculpae-me.

Mas, atravez da minha dor,

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Os médicos disseram que talvez eu tivesse amnésia pós-operatória. Não tive, mas, pensando bem, com a quantidade de contas que tenho para pagar depois de tantos dias no hospital, até que seria uma boa uma amnésia.

Crónica de Natal

Todos os anos, por esta altura, quando me pedem que escreva alguma coisa sobre o Natal, reajo de mau modo. ¬ęOutra vez, uma hist√≥ria de Natal! Que chatice!¬Ľ ‚ÄĒ digo. As pessoas ficam muito chocadas quando eu falo assim. Acham que abuso dos direitos que me s√£o conferidos. Os meus direitos s√£o falar bem, assim como para outros n√£o falar mal. Uma vez, em Paris, um chauffeur de t√°xi, desses que se fazem casti√ßos e dizem palavr√Ķes para corresponder √† fama que t√™m, aborreceu-me tanto que lhe respondi com palavr√Ķes. Ditos em franc√™s, a mim n√£o me impressionavam, mas ele levou muito a mal e ficou amuado. Como se eu pisasse um terreno que n√£o era o meu e cometesse um abuso. Ele era malcriado mas eu – eu era injusta. Cada situa√ß√£o tem a sua justi√ßa pr√≥pria, √© isto √© duma complexidade que o c√≥digo civil n√£o alcan√ßa.

Mas dizia eu: ¬ęOutra vez o Natal, e toda essa boa vontade de encomenda!¬Ľ Ponho-me a percorrer as imagens que s√£o de praxe, anjos trombeteiros, pastores com capotes de burel e meninos pobres do tempo da Revolu√ß√£o Industrial inglesa. Pobres e explorados, mas, entretanto, n√£o exclu√≠dos do trato social atrav√©s dos seus conflitos pr√≥prios,

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J√° Velho e Doente

¬ęSeja a terra da Terceira
A minha coberta de alma¬Ľ,
Disse eu na idade fagueira,
Em que tudo é força e calma.

Mas hoje, j√° velho e doente,
Em que as almas n√£o se cobrem,
Hoje sim, peço seriamente
Que os sinos por mim l√° dobrem.

Até já me aconselharam
Um quarto l√° no Hospital,
Tanto caipora me acharam,
Escaveirado, mal, mal…

Ali visitas teria
Por obra de misericórdia,
Embora comida fria,
Alguma vez, que mixórdia!

Mas sempre era doce ao peito
Ir acabar os meus dias
Na Praia, de qualquer jeito,
Perto da casa das tias.

Tive o exemplo resignado
Que me deu a prima Alzira
Num lençolinho lavado
Com rendas limpas na vira.

Ali mat√°mos saudades,
Ela alegre e penteadinha,
Mal pensando eu que as idades
Não perdoam. Hoje é a minha.

Também cheguei a pensar
No Asilo, talvez com um biombo.
Sou biqueiro. Mas jantar?
Todos ali, lombo a lombo.

Como outrora o Tintaleis,
Três-Quinze, Manuel de Deus
Eram duas vezes seis,

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Porque n√£o considero o mundo como uma hospedaria, mas como um hospital; n√£o como um lugar para se viver, mas para morrer.

Amar até Sempre

A Maria Jo√£o e eu vivemos juntos, todos os dias, a n√£o ser os poucos (mais do que quarenta) em que os hospitais nos desinstalaram, desde o primeiro dia de Janeiro do ano 2000.
Mas, mesmo que conte só a data do casamento Рno dia 30 deste mês, uma sexta-feira, alcançaremos 11 anos de casamento Рacho que prescindimos alegremente de qualquer crise. O meu amor por ela é cada vez maior. O amor dela por mim, de tanto ser amada, começa a ser uma possibilidade. Foram só menos de quatro mil dias Рuma pequena parte das nossas vidas Рmas foram quatro mil dias de amor, felicidade ou medo de não ser amado, mais a sorte de ter sido. Uma eternidade.
Assim aconselho os amantes e os apaixonados: a primeira coisa a reter, sejam quais forem as primeiras e segundas reac√ß√Ķes das pessoas amadas, √© que se est√° a espalhar e visitar uma sorte amorosa sobre elas. N√£o √© uma quest√£o de amor. √Č uma quest√£o de tempo. Esperar e n√£o reparar √© fundamental. Para quem ama, amanh√£, por muito improv√°vel que seja, √© melhor do que ontem. Mas hoje pode ser, quando se tem sorte,

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