Cita√ß√Ķes sobre Ilus√£o

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Frases sobre ilus√£o, poemas sobre ilus√£o e outras cita√ß√Ķes sobre ilus√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Deve-se estabelecer a proposi√ß√£o: s√≥ vivemos gra√ßas a ilus√Ķes – a nossa consci√™ncia aflora √† superf√≠cie.

Na M√£o de Deus

Na m√£o de Deus, na sua m√£o direita,
Descansou afinal meu coração.
Do pal√°cio encantado da Ilus√£o
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignor√Ęncia infantil, despojo v√£o,
Depois do Ideal e da Paix√£o
A forma transitória e imperfeita.

Como crian√ßa, em l√ībrega jornada,
Que a m√£e leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na m√£o de Deus eternamente!

N√£o Podemos Ter a Certeza de Nada

Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilus√Ķes. As ambi√ß√Ķes que demor√°mos anos a acreditar que alcan√ß√°vamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, n√£o s√£o nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo √© visto da√≠, de onde est√°s. Depois, h√° os olhos que est√£o ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo √© nada. Ou esse tudo √© ainda mais tudo. Ou esse tudo √© mil coisas vezes mil coisas que nos s√£o imposs√≠veis de compreender, apreender, porque s√≥ temos uma √ļnica vida.
‚ÄĒ Porqu√™, pai?
‚ÄĒ N√£o sei. Mas creio que √© assim. S√≥ temos uma √ļnica vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefini√ß√£o, transform√°mos as certezas que constru√≠mos na nossa pr√≥pria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa exist√™ncia dependia delas e que n√£o ser√≠amos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, √© o nosso sangue. Mas, em consci√™ncia absoluta, n√£o podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada,

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I

Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via
Que, aos raios do luar iluminada
Entre as estrelas trêmulas subia
Uma infinita e cintilante escada.

E eu olhava-a de baixo, olhava-a… Em cada
Degrau, que o ouro mais límpido vestia,
Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada,
Ressoante de s√ļplicas, feria…

Tu, mãe sagrada! vós também, formosas
Ilus√Ķes! sonhos meus! √≠eis por ela
Como um bando de sombras vaporosas.

E, ó meu amor! eu te buscava, quando
Vi que no alto surgias, calma e bela,
O olhar celeste para o meu baixando…

A Hipocrisia do Amor-Próprio

A natureza do amor-pr√≥prio e deste eu humano √© de s√≥ se amar a si e de s√≥ se considerar a si. Mas que h√°-de fazer? N√£o saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de mis√©rias: quer ser grande e v√™-se pequeno; quer ser feliz e v√™-se miser√°vel; quer ser perfeito – v√™-se cheio de imperfei√ß√Ķes; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e v√™ que os seus defeitos s√≥ merecem a sua avers√£o e o seu desprezo. Este embara√ßo em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paix√£o que √© poss√≠vel imaginar; porque concebe um √≥dio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquil√°-la, e n√£o a podendo destruir em si mesma, destr√≥i-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto √©, p√Ķe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e n√£o suporta que lhos fa√ßam ver, nem que lhos vejam.
√Č sem d√ļvida um mal estar cheio de defeitos; mas √© ainda um mal muito maior estar cheio e n√£o os querer reconhecer, visto que √© acrescentar-lhe ainda o de uma ilus√£o volunt√°ria.

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O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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Estou aberta e sabendo muito bem quem sou e o que pretendo sem ilus√Ķes enlouquecidas, a n√£o ser as necess√°rias pra se curtir uma boa.

Fomos Vítimas de uma Ilusão

N√£o creio que tenhamos falhado. Fomos v√≠timas de uma ilus√£o que n√£o foi s√≥ nossa, a de que Portugal fosse capaz de arrancar-se √† ¬ętristeza vil e apagada¬Ľ em que mais ou menos sempre tem vivido. Imagin√°mos que seria poss√≠vel tornarmo-nos melhores do que √©ramos, e foi tanto maior o tamanho da decep√ß√£o quanto era imensa a esperan√ßa. Ficou a democracia, dizem-nos. A democracia pode ser muito, pouco ou quase nada. Escolha cada qual o que lhe pare√ßa corresponder melhor √† situa√ß√£o do pa√≠s…

Supremo Anseio

Esta profunda e intérmina esperança
Na qual eu tenho o espírito seguro,
A tão profunda imensidade avança
Como é profunda a idéia do futuro.

Abre-se em mim esse clar√£o, mais puro
Que o céu preclaro em matinal bonança:
Esse clar√£o, em que eu melhor fulguro,
Em que esta vida uma outra vida alcança.

Sim! Inda espero que no fim da estrada
Desta exist√™ncia de ilus√Ķes cravada
Eu veja sempre refulgir bem perto

Esse clar√£o esplendoroso e louro
Do amor de m√£e — que √© como um fruto de ouro,
Da alma de um filho no eternal deserto.

Mocidade

Ah! esta mocidade! — Quem √© mo√ßo
Sente vibrar a febre enlouquecida
Das ilus√Ķes, da cren√ßa mais florida
Na muscular art√©ria de Colosso…

Das incertezas nunca mede o po√ßo…
Asas abertas — na amplid√£o da vida,
P√°ramo a dentro — de cabe√ßa erguida,
V√™ do futuro o mais alegre esbo√ßo…

Chega a velhice, a neve das idades
E quem foi moço, volve, com saudades,
Do azul passado, o fulgido comp√™ndio…

Ai! esta mocidade palpitante,
Lembra um inseto de ouro, rutilante,
Em derredor das chamas de um incêndio!

Feliz, feliz Natal, a que faz que nos lembremos das ilus√Ķes de nossa inf√Ęncia, recorde-lhe ao av√ī as alegrias de sua juventude, e lhe transporte ao viajante a sua chamin√© e a seu doce lar!

Dormindo

Pálida, bela, escultural, clorótica
Sobre o divã suavíssimo deitada,
Ela lembrava — a p√°lpebra cerrada —
Uma ilusão esplendida de ótica.

A peregrina carnação das formas,
— o sensual e l√≠mpido contorno,
Tinham esse quê de avérnico e de morno,
Davam a Zola as mais corretas normas!…

Ela dormia como a Vênus casta
E a negra coma aveludada e basta
Lhe resvalava sobre o doce flanco…

Enquanto o luar — pela janela aberta —
— como uma vaga exclama√ß√£o — incerta
Entrava a flux — cascateado — branco!!…

Por aquela t√£o doce e t√£o breve ilus√£o Embora nunca mais Depois de que a vi desfeita Eu volte a ser quem fui Sem ironia aceita A minha gratid√£o

Encarar a Morte

√Č talvez sinal de pris√£o ao mundo dos fen√≥menos o terror e a dor ante a chegada da morte ou a serena mas entristecida resigna√ß√£o com que a fizeram os gregos uma doce irm√£ do sono; para o esp√≠rito liberto ela deve ser, como o som e a cor, falsa, exterior e passageira; n√£o morre, para si pr√≥prio nem para n√≥s, o que viveu para a ideia e pela ideia, n√£o √© mais existente, para o que se soube desprender da ilus√£o, o que lhe fere os ouvidos e os olhos do que o puro entender que apenas se lhe apresenta em pensamento; e tanto mais alto subiremos quando menos considerarmos a morte como um enigma ou um fantasma, quanto mais a olharmos como uma forma entre as formas.

√Č ilus√≥ria toda a reforma do colectivo que se n√£o apoie numa renova√ß√£o individual; amea√ßa a ru√≠na a todo o movimento que tornarem poss√≠vel a ignor√Ęncia e a ilus√£o.