Passagens sobre Ilus√£o

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Frases sobre ilus√£o, poemas sobre ilus√£o e outras passagens sobre ilus√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Nós nascemos sozinhos. Nós vivemos sozinhos. Nós morremos sozinhos. E qualquer coisa neste intervalo que possa nos dar a ilusão de que não estamos sós, nós nos agarramos a ela.

O ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô √© originalmente isento de ilus√£o; portanto, n√£o h√° necessidade de despertar da ilus√£o.

Todos os males s√£o produtos do mundo das ilus√Ķes. Logo, enquanto a pessoa estiver seguindo a vontade de Deus, vivificando o Amor e a Sabedoria da Imagem Verdadeira, ser√° imposs√≠vel sobreviver-lhe algum mal.

As pessoas nunca s√£o o que parecem. Nunca. Nem mesmo quando parecem ser o que s√£o. A apar√™ncia nunca √© a ess√™ncia. H√° quem se sirva desta dist√Ęncia para criar ilus√Ķes, para se enganar a si mesmo e tentar enganar os outros…

Historiador

Veio para ressuscitar o tempo
e escalpelar os mortos,
as condecora√ß√Ķes, as liturgias, as espadas,
o espectro das fazendas submergidas,
o muro de pedra entre membros da família,
o ardido queixume das solteironas,
os neg√≥cios de trapa√ßa, as ilus√Ķes jamais confirmadas
nem desfeitas.

Veio para contar
o que n√£o faz jus a ser glorificado
e se deposita, gr√Ęnulo,
no poço vazio da memória.
√Č importuno,
sabe-se importuno e insiste,
rancoroso, fiel.

A Nossa Falsa Verdade

Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes √© √ļtil, mas recorrem com ret√≥rica paix√£o √† falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilus√£o de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de divers√£o, a apar√™ncia de unificar aquilo que se apresenta como fragment√°rio.
A princ√≠pio, quando me apercebia de tais situa√ß√Ķes, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a p√īr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Os Arlequins – S√°tira

Musa, dep√Ķe a lira!
Cantos de amor, cantos de glória esquece!
Novo assunto aparece
Que o gênio move e a indignação inspira.
Esta esfera é mais vasta,
E vence a letra nova a letra antiga!
Musa, toma a vergasta,
E os arlequins fustiga!

Como aos olhos de Roma,
‚ÄĒ Cad√°ver do que foi, p√°vido imp√©rio
De Caio e de Tib√©rio, ‚ÄĒ
O filho de Agripina ousado assoma;
E a lira sobraçando,
Ante o povo idiota e amedrontado,
Pedia, ameaçando,
O aplauso acostumado;

E o povo que beijava
Outrora ao deus Calígula o vestido,
De novo submetido
Ao régio saltimbanco o aplauso dava.
E tu, tu n√£o te abrias,
√ď c√©u de Roma, √† cena degradante!
E tu, tu não caías,
√ď raio chamejante!

Tal na história que passa
Neste de luzes século famoso,
O engenho portentoso
Sabe iludir a néscia populaça;
N√£o busca o mal tecido
Canto de outrora; a moderna insolência
N√£o encanta o ouvido,
Fascina a consciência!

Vede; o aspecto vistoso,
O olhar seguro,

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Sou uma c√©ptica que cr√™ em tudo, uma desiludida cheia de ilus√Ķes, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura.

M√°ximo de Felicidade no M√°ximo de Lucidez

O que √© a sabedoria? √Č a felicidade na verdade, ou ¬ęa alegria que nasce da verdade¬Ľ. Esta √© a express√£o que Santo Agostinho utiliza para definir a beatitude, a vida verdadeiramente feliz, em oposi√ß√£o √°s nossas pequenas felicidades, sempre mais ou menos fact√≠cias ou ilus√≥rias. Sou sens√≠vel ao facto de que √© a mesma palavra beatitude que Espinoza retomar√°, bem mais tarde, para designar a felicidade do s√°bio, a felicidade que n√£o √© a recompensa da virtude mas a pr√≥pria virtude… a beatitude √© a felicidade do s√°bio, em oposi√ß√£o √†s felicidades que n√≥s, que n√£o somos s√°bios, conhecemos comumente, ou, digamos, √†s nossas apar√™ncias de felicidade, que √†s vezes s√£o alimentadas por drogas ou √°lcoois, muitas vezes por ilus√Ķes, divers√£o ou m√°-f√©. Pequenas mentiras, pequenos derivativos, remedinhos, estimulantezinhos… n√£o sejamos severos demais. Nem sempre podemos dispens√°-los. Mas a sabedoria √© outra coisa. A sabedoria seria a felicidade na verdade.
A sabedoria? √Č uma felicidade verdadeira ou uma verdade feliz. N√£o fa√ßamos disso um absoluto, por√©m. Podemos ser mais ou menos s√°bios, do mesmo modo que podemos ser mais ou menos loucos. Digamos que a sabedoria aponta para uma direc√ß√£o: a do m√°ximo de felicidade no m√°ximo de lucidez.

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Hei-de Trazer-te Aqui

Hei-de trazer-te aqui para te mostrar
os pequenos barcos brancos
que levam o Ver√£o desenhado nas velas
e trazem no bojo a alegria dos arquipélagos
onde se ama sem azedume nem pressa.
Aqui, temos a ilus√£o breve
de que os dias sabem a pólen
e esvoaçam nas asas das abelhas
como cartas eternamente sem resposta.

Deus √© Vida. Vida n√£o √© ‚Äė√Ęnsia de viver‚Äô, √© a consci√™ncia de j√° estar vivendo com perfei√ß√£o e harmonia. A ‚Äė√Ęnsia de viver‚Äô √© produto da ilus√£o.

A Essência das Coisas

Nunca me conformei com um conceito puramente científico da Existência, ou aritmético-geométrico, quantitativo-extensivo. A existência não cabe numa balança ou entre os ponteiros dum compasso. Pesar e medir é muito pouco; e esse pouco é ainda uma ilusão. O pesado é feito de imponderáveis, e a extensão de pontos inextensos, como a vida é feita de mortes.
A realidade n√£o est√° nas apar√™ncias transit√≥rias, reflexos palpitantes, simulacros luminosos, um aflorar de quimeras materiais. Nem √© s√≥lida, nem l√≠quida, nem gasosa, nem electromagn√©tica, palavras com o mesmo significado nulo. Foge a todos os c√°lculos e a todos os olhos de vidro, por mais longe que eles vejam, ou se trate dum n√ļcleo at√≥mico perdido no infinitamente pequeno, ou da nebulosa Andr√≥meda, a seiscentos mil anos de luz da minha aldeia!
A essência das coisas, essa verdade oculta na mentira, é de natureza poética e não científica. Aparece ao luar da inspiração e não à claridade fria da razão. Esta apenas descobre um simples jogo de forças repetido ou modificado lentamente, gestos insubstanciais, formas ocas, a casca de um fruto proibido.
Mas o miolo é do poeta. Só ele saboreia a vida até ao mais íntimo do seu gosto amargoso,

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Marília De Dirceu

Soneto 4

Ainda que de Laura esteja ausente,
H√° de a chama durar no peito amante;
Que existe retratado o seu semblante,
Se n√£o nos olhos meus, na minha mente.

Mil vezes finjo vê-la, e eternamente
Abraço a sombra vã; só neste instante
Conheço que ela está de mim distante,
Que tudo é ilusão que esta alma sente.

Talvez que ao bem de a ver amor resista;
Porque minha paixão, que aos céus é grata
Por inocente assim melhor persista;

Pois quando só na idéia ma retrata,
Debuxa os dotes com que prende a vista,
Esconde as obras com que ofende, ingrata.

Embirração

(A Machado de Assis)

A balda alexandrina é poço imenso e fundo,
Onde poetas mil, flagelo deste mundo,
Patinham sem parar, chamando l√° por mim.
N√£o morrer√£o, se um verso, estiradinho assim,
Da beira for do poço, extenso como ele é,
Levar-lhes grosso anzol; então eu tenho fé
Que volte um afogado, à luz da mocidade,
A ver no mundo seco a seca realidade.

Por eles, e por mim, receio, caro amigo;
Permite o desabafo aqui, a sós contigo,
Que à moda fazer guerra, eu sei quanto é fatal;
Nem vence o positivo o frívolo ideal;
Despótica em seu mando, é sempre fátua e vã,
E até da vã loucura a moda é prima-irmã:
Mas quando venha o senso erguer-lhe os densos véus,
Do verso alexandrino h√° de livrar-nos Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida,

Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
E o triste, se morreu, deixando mal escritas
Em verso alexandrino histórias infinitas,
Vai ter lá noutra vida insípido desterro,
Se Deus, por compaix√£o, n√£o d√° perd√£o ao erro;

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Natal Diferente

I

Catedrais de luz erguidas na cidade.
Neve artificial nas montras com brinquedos.
Soa um C√Ęntico antigo no vento da tarde
que arrefece. Em cada rosto, em cada olhar,
um não-sei-quê de pasmo nesta hora de Natal.

Não é serenidade o que se bebe pelas ruas.
Cinzenta é a cor do céu. Decerto vai chover.
No ambiente superficial
representam-se alegrias.
As notícias nos jornais agravam
o cepticismo deste Natal a haver.

Sinto-me vazio. Lasso. Sem vontade.
Uma grande ternura a boiar dentro de rnirn:
L√°stima, piedade, amor pelos humanos?
Mas de que serve comover-me assim?

Vou aceitar este Natal, tal como est√°.
Com √°lcool. Com prazer.
Embriagar-me de luz, de sons e de ilus√Ķes.
Ser como toda a gente. E possa o mundo arder!

II

Meu Menino Jesus que deves estar no Céu
vem tiritar nas cidades sem calor.
Vem dar realidade a este dia, vem!
‚ÄĒ Trinta e tr√™s anos e a consci√™ncia em flor.
Mas n√£o venhas de fraldas: a Estrela j√° brilhou.
Traz o corpo macerado,

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Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.

Qu√°si

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul Рeu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d’asa…
Se ao menos eu permanecesse √†quem…

Assombro ou paz? Em v√£o… Tudo esva√≠do
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – √≥ d√īr! – qu√°si vivido…

Qu√°si o amor, qu√°si o triunfo e a chama,
Qu√°si o princ√≠pio e o fim – qu√°si a expans√£o…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um come√ßo… e tudo errou…
– Ai a d√īr de ser-qu√°si, dor sem fim… –
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elan√ßou mas n√£o voou…

Momentos d’alma que desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ansias que foram mas que n√£o fixei…

Se me vagueio, encontro s√≥ indicios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades s√ībre os precip√≠cios…

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