Cita√ß√Ķes sobre Impossibilidade

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Frases sobre impossibilidade, poemas sobre impossibilidade e outras cita√ß√Ķes sobre impossibilidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Eternidade não era só o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de não poder contê-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e também era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstracto.

O que nos força a mentir é o sentimento da impossibilidade de os outros compreenderem inteiramente a nossa acção. Mesmo a mentira mais complicada é mais simples que a verdade.

A Sabedoria do Homem Comum

Os ignorantes e o homem comum n√£o t√™m problemas. Para eles na Natureza tudo est√° como deve estar. Eles compreendem as coisas pela simples raz√£o delas existirem. E, na realidade, n√£o d√£o eles provas de mais raz√£o do que todos os sonhadores, que chegam a duvidar do seu pr√≥prio pensamento? Morre um dos seus amigos, e como julgam saber o que √© a morte √† dor que sentem por o perderem n√£o acrescentam a cruel ansiedade que resulta da impossibilidade de aceitar um acontecimento t√£o natural… Estava vivo, e agora encontra-se morto; falava-me, o seu esp√≠rito prestava aten√ß√£o ao que eu lhe dizia, mas hoje j√° nada disso existe: resta apenas aquele t√ļmulo – mas repousa ele nesse t√ļmulo, t√£o frio como a pr√≥pria sepultura? Erra a sua alma em redor desse monumento? Quando eu penso nele √© a sua alma que vem assolar a minha mem√≥ria? O h√°bito traz-nos de novo, contudo, ao n√≠vel do homem comum.
Quando o seu rasto se tiver apagado – n√£o h√° d√ļvidas de que ele morreu! – ent√£o a coisa deixar√° de nos incomodar. Os s√°bios e os pensadores parecem portanto menos avan√ßados que o homem comum, j√° que eles pr√≥prios n√£o t√™m a certeza,

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N√£o Consigo Viver em Literatura

Por mais que o deseje, n√£o consigo viver em literatura. Felizes os que o conseguem. Viver em literatura √© suprimir toda a interfer√™ncia do que lhe √© exterior – desde o peso das pedradas ao das flores da ova√ß√£o. Suprimir mesmo ou sobretudo a conversa sobre ela, desde a dos jornais √† dos amigos. Fazer da literatura um meio enclausurado em que a respiremos at√© √† intoxica√ß√£o e nada dele transpire para a exterioridade. Viver a arte como uma m√≠stica, um transporte de inebriamento, uma ilumina√ß√£o da gra√ßa, uma inteira absor√ß√£o como de um v√≠cio inconfess√°vel. Viv√™-la na intimidade de uma absoluta solid√£o em que toda a amea√ßa de p√ļblico esteja ausente como numa ilha que a impossibilidade de comunica√ß√£o tornasse de facto deserta. Os rec√©m-casados isolam-se para defenderem dos outros a m√≠nima parcela da paix√£o. A vida em arte devia ser uma viagem de n√ļpcias sem retorno. S√≥ ent√£o se conheceria tudo o que a arte √© para n√≥s e a inteira verdade com que n√≥s somos para ela. Mas n√£o. H√° que viver uma vida d√ļplice entre o estar a s√≥s com ela e o permanente conv√≠vio, nem que sejam uns breves instantes √† porta com os indiferentes e os maledicentes e os curiosos e mesmo os admiradores de que se necessita na nossa inferioridade moral para nos confirmarem no bom resultado da aposta.

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Todo o Presente Espera pelo Passado para nos Comover

H√° v√°ria gente que n√£o gosta de evocar o passado. Uns por energia, disciplina pr√°tica e arremesso. Outros por ideologia progressista, visto que todo o passado √© reaccion√°rio. Outros por superficialidade ou secura de pau. Outros por falta de tempo, que todo ele √© preciso para acudir ao presente e o que sobra, ao futuro. Como eu tenho pena deles todos. Porque o passado √© a ternura e a legenda, o absoluto e a m√ļsica, a irrealidade sem nada a acotovelar-nos. E um aceno doce de melancolia a fazer-nos sinais por sobre tudo. Tanta hora tenho gasto na simples evoca√ß√£o. Todo o presente espera pelo passado para nos comover. H√° a filtragem do tempo para purificar esse presente at√© √† fluidez imposs√≠vel, √† sublima√ß√£o do encantamento, √† incorrupt√≠vel verdade que nele se oculta e √© a sua √ļnica raz√£o de ser. O presente √© cheio de urg√™ncias mas ele que espere. Ha tanto que ser feliz na impossibilidade de ser feliz. Sobretudo quando ao futuro j√° se lhe toca com a m√£o. H√° tanto que ter vida ainda, quando j√° se a n√£o tem…

A Moralidade dos Homens Exaustos

Parte do conservantismo da idade madura decorre da intelig√™ncia, que afinal percebe a complexidade das institui√ß√Ķes e as imperfei√ß√Ķes do desejo; e parte vem do enfraquecimento das energias, o que explica a imaculada moralidade dos homens exaustos. A princ√≠pio com incredulidade, depois com desepero, vamos percebendo que o nosso reservat√≥rio de energia j√° n√£o se enche com a facilidade antiga; ou, como disse Schopenhauer, come√ßamos a consumir o capital em vez da renda do capital. Essa descoberta anuvia por alguns anos o homem maduro e indu-lo a deblaterar contra a brevidade da vida e a impossibilidade de realiza√ß√£o de grandes obras. Est√° ele j√° no alto da colina, de onde v√™, l√° no fundo, o fim inevit√°vel – a morte. At√© aquele momento n√£o admitia a morte, s√≥ pensando nela como um tema acad√©mico, de desinteresse para os cofres. Subitamente tudo muda e come√ßa a v√™-la de perto, e por mais que se esforce para n√£o descer a colina, h√° que desc√™-la. Os seus olhos voltam-se para o passado, para os dias em que tudo era ascens√£o descuidosa; e compraz-se na companhia dos mo√ßos e crian√ßas porque deles haure, passageira e incompletamente embora, um pouco do divino esquecimento da morte.

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As pessoas aproximam-se pelo que dói, não pelo que se festeja, a espessura de uma união é a dificuldade, o peso da impossibilidade a entrar vagaroso no dia, nunca somos só felizes, e é só assim que a felicidade existe.

Sobre a Reforma

Lan√ßar-me-ia num discurso demasiado longo se referisse aqui em particular todas as raz√Ķes naturais que levam os velhos a retirarem-se dos neg√≥cios do mundo: as mudan√ßas de humor, de condi√ß√Ķes f√≠sicas e o enfraquecimento org√Ęnico levam as pessoas e a maior parte dos animais, a afastarem-se pouco a pouco dos seus semelhantes. O orgulho, que √© insepar√°vel do amor-pt√≥prio, substitui-se-lhes √† raz√£o: j√° n√£o pode ser lisonjeado pela maior parle das coisas que lisonjeiam os outros, porque a experi√™ncia lhe fez conhecer o valor do que todos os homens desejam na juventude e a impossibilidade de o continuar a disfrutar; as diversas vias que parecem abertas aos jovens para alcan√ßar grandeza, prazeres, reputa√ß√£o e tudo o mais que eleva os homens, est√£o-lhes vedadas, quer pela fortuna ou pela sua conduta, quer pela inveja ou pela injusti√ßa dos outros; o caminho de reingresso nessas vias √© demasiado longo e demasiado √°rduo para quem j√° se perdeu nelas; as dificuldades parecem-lhes imposs√≠veis de ultrapassar e a idade j√° lhes n√£o permite tais pretens√Ķes. Tornam-se insens√≠veis √† amizade, n√£o s√≥ porque talvez nunca tenham encontrado nenhuma verdadeira, mas tamb√©m porque viram morrer grande n√ļmero de amigos que ainda n√£o tinham tido tempo nem ocasi√£o de desiludir a sua amizade e,

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Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível

A perfei√ß√£o de Deus prova-se mais na impossibilidade do milagre do que na sua possibilidade. Fazer milagres, para um Deus humanizado das religi√Ķes, √© ser injusto ‚ÄĒ milhares de pessoas precisam igualmente e ao mesmo tempo desse milagre.

A emoção é sempre nova, mas as palavras usam-se desde sempre: daí, a impossibilidade de exprimir a emoção.

A Inveja é uma Admiração que se Dissimula

A inveja √© uma admira√ß√£o que se dissimula. O admirador que sente a impossibilidade de ser feliz cedendo √† sua admira√ß√£o, toma o partido de invejar. Usa ent√£o duma linguagem diferente, segundo a qual o que no fundo admira deixa de ter import√Ęncia, n√£o √© mais do que patetice ins√≠pida, extravag√Ęncia. A admira√ß√£o √© um abandono de n√≥s pr√≥prios penetrado de felicidade, a inveja, uma reivindica√ß√£o infeliz do eu.

Utopia

Uma utopia √© mais ou menos o equivalente de uma possibilidade; o facto de uma possibilidade n√£o ser uma realidade significa apenas que as circunst√Ęncias com as quais a primeira est√° articulada num determinado momento a impedem de ser a segunda, porque de outra forma ela mais n√£o seria do que uma impossibilidade. Se essa possibilidade for liberta das suas depend√™ncias e puder desenvolver-se, nasce a utopia. √Č um processo semelhante √†quele que se verifica quando um investigador observa a transforma√ß√£o de um elemento num composto para da√≠ tirar as suas conclus√Ķes. A utopia √© a experi√™ncia na qual se observam a possibilidade de transforma√ß√£o de um elemento e os efeitos que ela provocaria naquele fen√≥meno composto a que chamamos vida.

O Sagrado e o Alcançável

Sem uma palavra a escrever, Martim no entanto n√£o resistiu √† tenta√ß√£o de imaginar o que lhe aconteceria se o seu poder fosse mais forte que a prud√™ncia. ¬ęE se de repente eu pudesse?¬Ľ, indagou-se ele. E ent√£o n√£o conseguiu se enganar: o que quer que conseguisse escrever seria apenas por n√£o conseguir escrever ¬ęa outra coisa¬Ľ. Mesmo dentro do poder, o que dissesse seria apenas por impossibilidade de transmitir uma outra coisa. A Proibi√ß√£o era muito mais funda…, surpreendeu-se Martim.
Como se vê, aquele homem terminara por cair na profundeza que ele sempre sensatamente evitara.
E a escolha tornou-se ainda mais funda: ou ficar com a zona sagrada intacta e viver dela Рou traí-la pelo que ele certamente terminaria conseguindo e que seria apenas isso: o alcançável.
Como quem n√£o conseguisse beber a √°gua do rio sen√£o enchendo o c√īncavo das pr√≥prias m√£os – mas j√° n√£o seria a silenciosa √°gua do rio, n√£o seria o seu movimento fr√≠gido, nem a delicada avidez com que a √°gua tortura pedras, n√£o seria aquilo que √© um homem de tarde junto do rio depois de ter tido uma mulher. Seria o c√īncavo das pr√≥prias m√£os. Preferia ent√£o o sil√™ncio intacto.

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Dói tanto saber que um dia acabamos como é feliz saber que existimos, se calhar a vida é má por culpa da impossibilidade de ser para sempre, e se calhar é por isso mesmo que é boa, somos raros e somos felizes.

Intelectualidade e Moralidade São Incompatíveis

N√£o h√° maior trag√©dia do que a igual intensidade, na mesma alma ou no mesmo homem, do sentimento intelectual e do sentimento moral. Para que um homem possa ser distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco est√ļpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral. N√£o sei que jogo ou ironia das coisas condena o homem √† impossibilidade desta dualidade em grande. Por meu mal, ela d√°-se em mim. Assim, por ter duas virtudes, nunca pude fazer nada de mim. N√£o foi o excesso de uma qualidade, mas o excesso de duas, que me matou para a vida.