Cita√ß√Ķes sobre Imprensa

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Frases sobre imprensa, poemas sobre imprensa e outras cita√ß√Ķes sobre imprensa para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Dia Guttemberg

Um dia Guttemberg c’o a alma aos c√©us suspensa,
Pegou do escopro ingente e p√īs-se a trabalhar!
E fez do velho mundo um r√ļtilo alcan√ßar
Ao mágico clangor de sua idéia imensa!

Rolou por todo o globo a luz da sacra imprensa!
Ruiu o despotismo no p√≥, a esbravejar…
Uniram-se n’um lago, o c√©u, a terra, o mar…
Rasgou-se o manto atroz da horr√≠vel treva densa!…

Ergueram-se mil povos ao som das melopéias,
Das grandes cavatinas olímpicas da arte!
Raiou o novo sol das f√ļlgidas id√©ias!…

Porém, quem lance luz maior por toda a parte
√Čs tu, sublime atriz, √≥ misto de epop√©ias
Que sabes no tablado subir, endeusar-te!…

Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de ilustre, de insigne, de formidável, qualquer borra-botas.

Boa e M√° Literatura

O que acontece na literatura n√£o √© diferente do que acontece na vida: para onde quer que se volte, depara-se imediatamente com a incorrig√≠vel plebe da humanidade, que se encontra por toda a parte em legi√Ķes, preenchendo todos os espa√ßos e sujando tudo, como as moscas no ver√£o.
Eis a raz√£o do n√ļmero incalcul√°vel de livros maus, essa erva daninha da literatura que tudo invade, que tira o alimento do trigo e o sufoca. De facto, eles arrancam tempo, dinheiro e aten√ß√£o do p√ļblico – coisas que, por direito, pertencem aos bons livros e aos seus nobres fins – e s√£o escritos com a √ļnica inten√ß√£o de proporcionar algum lucro ou emprego. Portanto, n√£o s√£o apenas in√ļteis, mas tamb√©m positivamente prejudiciais. Nove d√©cimos de toda a nossa literatura actual n√£o possui outro objectivo sen√£o o de extrair alguns t√°leres do bolso do p√ļblico: para isso, autores, editores e recenseadores conjuraram firmemente.
Um golpe astuto e maldoso, porém notável, é o que teve êxito junto aos literatos, aos escrevinhadores que buscam o pão de cada dia e aos polígrafos de pouca conta, contra o bom gosto e a verdadeira educação da época, uma vez que eles conseguiram dominar todo o mundo elegante,

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O Amor por Matilde e os Versos do Capit√£o

E vou contar-lhes agora a hist√≥ria deste livro, um dos mais controvertidos daqueles que escrevi. Foi durante muito tempo um segredo, durante muito tempo n√£o ostentou o meu nome na capa, como se o renegasse ou o pr√≥prio livro n√£o soubesse quem era o pai. Tal como os filhos naturais, filhos do amor natural, ¬ęLos versos del capit√°n¬Ľ eram, tamb√©m, um ¬ęlibro natural¬Ľ.

Os poemas que cont√©m foram escritos aqui e ali, ao longo do meu desterro na Europa. Foram publicados anonimamente em N√°poles, em 1952. O amor por Matilde, a nostalgia do Chile, as paix√Ķes c√≠vicas, recheiam as p√°ginas desse livro, que teve muitas edi√ß√Ķes sem trazer o nome do autor.

Para a 1¬™ edi√ß√£o, o pintor Paolo Ricci conseguiu um papel admir√°vel e antigos tipos de imprensa ¬ębodonianos¬Ľ, bem como gravuras extra√≠das dos vasos de Pompeia. Com fraternal fervor, Paolo elaborou tamb√©m a lista dos assinantes. Em breve apareceu o belo volume, com tiragem limitada a cinquenta exemplares. Festej√°mos largamente o acontecimento, com mesa florida, ¬ęfrutti di mare¬Ľ, vinho transparente como √°gua, filho √ļnico das vinhas de Capri. E com a alegria dos amigos que amaram o nosso amor.
Alguns críticos suspicazes atribuíram a motivos políticos a publicação anónima do livro.

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Pensar Custa

Pensar √© a todo momento e a todo custo. Pensar d√≥i, cansa e s√≥ traz aborrecimentos. Melhor √© n√£o pensar. Mas pensar n√£o √© facultativo. Se o c√©rebro, a m√≠nima parte dele que seja, deixa de estar alerta por um momento, penetram l√°, como parasitas dif√≠ceis de erradicar, ¬ęideias¬Ľ vindas da imprensa, do r√°dio, da televis√£o, da propaganda geral, dos produtos em s√©rie, do consumo degenerado, dos doutores em lei, arte, literatura, ci√™ncia, pol√≠tica, sociologia. Essa massa de desinforma√ß√£o, n√£o s√≥ in√ļtil como nociva, nos √©, ali√°s, imposta de maneira criminosa nos primeiros anos de nossa vida. E se, algum dia, chegamos a pensar no verdadeiro sentido do termo, todo o restante esfor√ßo da exist√™ncia √© para nos livrarmos de uma lament√°vel heran√ßa cultural. Pois, infelizmente, o c√©rebro humano √© um dos poucos √≥rg√£os do corpo que n√£o t√™m uma v√°lvula excretora. E as fezes culturais ficam l√°, nos envenenando pelo resto da vida, transformando o mais complexo e mais nobre √≥rg√£o do corpo numa imensa fossa, imunda e fedorenta. Um lament√°vel erro da Cria√ß√£o.

Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os √°cidos, os gumes
E os √Ęngulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulm√Ķes doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve a conta na botica!
Mal ganha para sopas…

O obst√°culo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, h√° dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopéia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais duma redação, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa
Vale um desdém solene.

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Sei que este c√Ęncer de h√° muito deveria ter sido extirpado. Mas o bom senso dos homens √© sistematicamente corrompido. E os culpados s√£o: escola, imprensa, mundo dos neg√≥cios, mundo pol√≠tico.

Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo.

A luz é a grande inimiga dos crimes. Na publicidade refulge a luz. A imprensa é a publicidade. Com a imprensa não se podem acomodar, pois, os governos de sangue e força, arbítrio e corrupção, mistério e mentira.

O papel da comunicação social é o de uma força independente que tem de se aferir por critérios de verdade e de serviço julgados em liberdade pelos profissionais da imprensa.

A Imprensa Privada

Eu n√£o tenho nada contra a imprensa privada. Venha ela, √≥ptimo! Simplesmente, o capitalismo portugu√™s que alimenta a imprensa privada, √© o capitalismo que gosta que lhe publiquem o dia dos anos no jornal e a sua pose num ¬ęcocktail¬Ľ… Isto √© um exemplo aned√≥tico. N√£o √© capaz daquela simulada isen√ß√£o, de dizer: se for preciso critiquem-me para disfar√ßar. Temos uma imprensa privada um pouco provinciana, de elogio velado ou mesmo aberto √†s fontes econ√≥micas que a sustentam. Assinalam-se excep√ß√Ķes, naturalmente.
Temos uma imprensa privada um pouco provinciana, de elogio velado ou mesmo aberto √†s fontes econ√≥micas que a sustentam. Assinalam-se excep√ß√Ķes, naturalmente.

Vivo sob os holofotes. Se eu quebrar alguma coisa num supermercado sem querer, vou ler sobre isso na imprensa. Quase desisti de atuar. Mas n√£o dava para ficar fugindo das coisas

O Poder das Palavras

A humanidade entrar√° no terceiro mil√©nio sob o imp√©rio das palavras. N√£o √© verdade que a imagem esteja a suplant√°-las nem que possa extingui-las. Pelo contr√°rio, est√° a potenci√°-las: nunca houve no mundo tantas palavras com tanto alcance, autoridade e arb√≠trio como na imensa Babel da vida atual. Palavras inventadas, maltratadas ou sacralizadas pela imprensa, pelos livros descart√°veis, pelos cartazes de publicidade; faladas e cantadas pela r√°dio, pela televis√£o, pelo cinema, pelo telefone, pelos altifalantes p√ļblicos: gritadas √† brocha nas paredes da rua ou sussurradas ao ouvido nas penumbras do amor. N√£o: o grande derrotado √© o sil√™ncio. As coisas t√™m agora tantos nomes em tantas l√≠nguas que j√° n√£o √© f√°cil saber como se chamam em nenhuma. Os idiomas dispersam-se √† r√©dea solta, misturam-se e confundem-se, desembestados rumo ao destino inelut√°vel de uma l√≠ngua global.

Besta Célere

H√° quem lhe chame, por brincadeira, besta c√©lere para caracterizar a qualidade mediana (tomada por m√©dia) desse produto cultural (agora √© tudo cultural!) e, ao mesmo tempo, a rapidez com que ele se esgota em sucessivas edi√ß√Ķes. O best-seller √© um produto perfeita (ou eficazmente) projectado em termos de ¬ęmarketing¬Ľ editorial e livreiro. √Č para se vender – muito e depressa – que o best-seller √© constru√≠do com os olhos postos num leitor-tipo que vai encontrar nele aquilo que exactamente esperava. Nem mais, nem menos. Os exemplos, abundant√≠ssimos, nem vale a pena enumer√°-los. Conv√©m n√£o confundir, pelo menos em todos os casos, best-seller com ¬ętopes¬Ľ de venda. Embora seja cabe√ßa de lista, o best-seller tem, em rela√ß√£o aos livros ¬ęnormais¬Ľ, uma caracter√≠stica que logo o diferencia: foi feito propositadamente para ser um campe√£o de vendas. A sua raz√£o de ser √© essa e s√≥ essa. E aqui poderia dizer-se, recuperando o lugar-comum para um sentido s√©rio, que ¬ęo resto √© literatura¬Ľ.
Estou a pensar em bestas c√©leres como Love Story ou O Aeroporto. N√£o estou a pensar em ¬ętopes¬Ľ de venda como O Nome da Rosa ou Mem√≥rias de Adriano. estes √ļltimos s√£o boa, excelente literatura que, por raz√Ķes pontuais e,

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