Passagens sobre Inconscientes

100 resultados
Frases sobre inconscientes, poemas sobre inconscientes e outras passagens sobre inconscientes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Moral entre a Verdade e a Subjectividade

Um homem que busca a verdade torna-se s√°bio; um homem que pretende dar r√©dea solta √† sua subjectividade torna-se, talvez, escritor; e que far√° um homem que busca algo que se situa entre essas duas hip√≥teses? Mas tais exemplos, os de algo que est√° ¬ęentre¬Ľ, encontramo-los em qualquer senten√ßa moral, a come√ßar pela mais simples e mais conhecida: ¬ęn√£o matar√°s¬Ľ. V√™-se imediatamente que n√£o √© nem uma verdade nem uma experi√™ncia subjectiva. Sabe-se que, em muitos aspectos, nos conformamos estritamente a ela, mas que, por outro lado, se aceitam numerosas excep√ß√Ķes, ainda que perfeitamente delimitadas; no entanto, num grande n√ļmero de casos de um terceiro tipo – por exemplo na imagina√ß√£o, na esfera dos desejos, nas pe√ßas de teatro ou no prazer que experimentamos ao ler as not√≠cias dos jornais – deixamo-nos oscilar descontroladamente entre a avers√£o e a atrac√ß√£o.
Por vezes aquilo a que n√£o podemos chamar nem verdade nem experi√™ncia pessoal recebe o nome de imperativo. Tais imperativos foram associados aos dogmas da religi√£o ou da lei, concedendo-lhes assim o car√°cter de uma verdade derivada, mas os romancistas narram as excep√ß√Ķes, a come√ßar pelo sacrif√≠cio de Abra√£o e terminando na bela mulher jovem que matou o amante a tiro,

Continue lendo…

A Racionaliza√ß√£o das Emo√ß√Ķes

O ponto de vista feminino tem sido muito mais difícil de expressar que o masculino. Se assim me posso exprimir, o ponto de vista feminino não passa pela racionalização por que o intelecto do homem faz passar os seus sentimentos. A mulher pensa emocionalmente; a sua visão baseia-se na intuição. Por exemplo, ela pode ter um sentimento em relação a qualquer coisa que nem sequer é capaz de articular.
A princ√≠pio, achei extremamente dif√≠cil descrever como me sentia. Por√©m, se fazemos psican√°lise, a quest√£o √© sempre: ¬ęComo √© que se sentiu em rela√ß√£o a isso?¬Ľ e n√£o ¬ęO que √© que pensou?¬Ľ E como muito frequentemente a mulher n√£o deu o segundo passo, que √© explicar a sua intui√ß√£o – por que passos l√° chegou, o a-b-c daquilo – ela n√£o consegue ser t√£o articulada.
Ora eu tentei fazer isso (quer tenha conseguido quer n√£o), e, porque estava a escrever um di√°rio que pensava que ningu√©m leria, consegui anotar o que sentia acerca das pessoas ou o que sentia acerca do que via sem o segundo processo. O segundo processo veio atrav√©s da psican√°lise, que era igualmente um m√©todo de comunicar com o homem em termos de uma racionaliza√ß√£o das nossas emo√ß√Ķes de modo que pare√ßam fazer sentido ao intelecto masculino.

Continue lendo…

Vive Plenamente

Vê se consegues apanhar-te a lamentar-te, quer por palavras quer por pensamentos, por causa de determinada situação em que te encontres, do que as outras pessoas fazem ou dizem, do teu meio envolvente, da situação da tua vida, ou até mesmo por causa do tempo. Uma lamentação é sempre uma não aceitação daquilo que é. E traz invariavelmente consigo uma carga negativa inconsciente. Quando te lamentas, tu próprio te fazes de vítima. Quando elevas a voz, estás no teu poder. Por isso muda a situação tomando providências, levantando a voz se for necessário ou possível; deixa a situação ou aceita-a. Tudo o mais é loucura.

De certa forma, a inconsci√™ncia ordin√°ria est√° sempre ligada √† recusa do Agora. O Agora, evidentemente, tamb√©m significa o aqui. Est√°s a resistir ao teu aqui e agora? H√° pessoas que s√≥ est√£o bem onde n√£o est√£o. O seu “aqui” nunca √© suficientemente bom. Atrav√©s da auto-observa√ß√£o, v√™ se √© esse o teu caso. Estejas onde estiveres, est√° l√° plenamente. Se achares que o teu aqui e agora √© intoler√°vel e te deixa infeliz, tens tr√™s op√ß√Ķes √† escolha: ou te retiras da situa√ß√£o, ou a mudas, ou a aceitas totalmente. Se quiseres tomar a responsabilidade pela tua vida,

Continue lendo…

Esperar que algo amadureça é uma experiência sem par: como na criação artística em que se conta com o vagaroso trabalho do inconsciente.

O Problema em Amar

O problema em amar quem te ama √© o de quem te ama te amar como tu amas quem te ama. E depois o encadeamento √© simples: quem te ama quer-te presente por dentro dele a toda a hora, por todo o lado do teu lado; e tu queres quem te ama presente em ti a toda a hora, por todo o lado do teu lado. Mas os corpos ‚Äď por mais que a alma n√£o seja palp√°vel tamb√©m ela tem um corpo ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. A partir de uma certa altura: p√°ra. E j√° n√£o alarga mais. E tu queres enfiar o espa√ßo que quem ama ocupa em ti mesmo ao lado do espa√ßo do que te amas. E n√£o d√°. N√£o d√° para te amares como amas quem amas. E depois quem te ama como tu amas quem te ama vai querer fazer o mesmo contigo. E n√£o d√°. Os corpos ‚Äď repito ‚Äď t√™m um limite de dilata√ß√£o. E chega uma altura em que uma parte de ti n√£o cabe na parte toda de quem amas; e chega uma altura em que uma parte de quem amas n√£o cabe na parte toda de ti.

Continue lendo…

Cada Indivíduo é Único

A vida √©, intrinsecamente, uma tremenda aceita√ß√£o inconsciente. Aceitou totalmente os seus olhos? Aceitou totalmente o seu corpo? Aceitou totalmente a vida que leva? Esta ideia de aceita√ß√£o total que nos √© imposta torna-nos infelizes, porque est√° continuamente a fazer compara√ß√Ķes. H√° sempre algu√©m que tem uns olhos mais bonitos, um corpo mais forte e que possui mais conhecimentos. E a pessoa sente-se sempre inferior e esta inferioridade vai-nos corroendo o cora√ß√£o. Tornamo-nos cada vez mais infelizes, mas o motivo foi criado desnecessariamente por n√≥s. N√£o h√° necessidade de nos compararmos com os outros, porque n√£o existe ningu√©m com quem nos possamos comparar.
Cada indiv√≠duo √© √ļnico. E seja o que for, √© dessa maneira que a exist√™ncia quer que esse indiv√≠duo seja. Desfrute disso.
Substitua a palavra ¬ęaceita√ß√£o¬Ľ, porque n√£o √© uma palavra muito feliz. Aceita√ß√£o √© uma coisa que tem de se fazer, n√£o h√° alternativa. H√° pessoas mais bonitas, h√° pessoas mais ricas, h√° pessoas mais fortes. E o que √© que podemos fazer? Aceitar.
Eu n√£o ensino a aceita√ß√£o desta maneira. A minha ideia de aceita√ß√£o √© completamente diferente da de todas as religi√Ķes.
Eu proclamo a sua unicidade.
Cada um de n√≥s √© apenas aquela pessoa particular e n√£o existe ningu√©m –

Continue lendo…

Cen√°rios desabarem √© coisa que acontece. Acordar, bonde, quadro horas no escrit√≥rio ou na f√°brica, almo√ßo, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda ter√ßa quarta quinta sexta e s√°bado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o ‚Äúpor qu√™‚ÄĚ e tudo come√ßa a entrar numa lassid√£o tingida de assombro. ‚ÄúCome√ßa‚ÄĚ, isto √© o importante. A lassid√£o est√° ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consci√™ncia. Ela o desperta e provoca sua continua√ß√£o. A continua√ß√£o √© um retorno inconsciente aos grilh√Ķes, ou √© o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a conseq√ľ√™ncia: suic√≠dio ou restabelecimento.

A Infelicidade do Desejo

Um desejo é sempre uma falta, carência ou necessidade. Um estado negativo que implica um impulso para a sua satisfação, um vazio com vontade de ser preenchido.

Toda a vida é, em si mesma, um constante fluxo de desejos. Gerir esta torrente é essencial a uma vida com sentido. Cada homem deve ser senhor de si mesmo e ordenar os seus desejos, interesses e valores, sob pena de levar uma vida vazia, imoderada e infeliz. Os desejos são inimigos sem valentia ou inteligência, dominam a partir da sua capacidade de nos cegar e atrair para o seu abismo.
A felicidade √©, por ess√™ncia, algo que se sente quando a realidade extravasa o que se espera. A supera√ß√£o das expectativas. Ser feliz √© exceder os limites preestabelecidos, assim se conclui que quanto mais e maiores forem os desejos de algu√©m, menores ser√£o as suas possibilidades de felicidade, pois ainda que a vida lhe traga muito… esse muito √© sempre pouco para lhe preencher os vazios que criou em si pr√≥prio.

Na sociedade de consumo em que vivemos há cada vez mais necessidades. As naturais e todas as que são produzidas artificialmente. Hoje, criam-se carências para que se possa vender o que as preenche e anula.

Continue lendo…

Deixa o que Seduz a Multid√£o

Se n√≥s nada fizermos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o, tamb√©m nada evitaremos sen√£o de acordo com os ditames da raz√£o. Se quiseres escutar a raz√£o, eis o que ela te dir√°: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multid√£o! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do esp√≠rito, que s√≥ servem para amolecer as energias; deixa a ambi√ß√£o que n√£o passa de uma coisa artificialmente empolada, in√ļtil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, t√£o interessada em n√£o ter superiores como em evitar at√© os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. V√™ como de facto √© infeliz quem, objecto de inveja ele pr√≥prio, tem inveja por outros.
N√£o est√°s a ver essas casas dos grandes senhores, as suas portas cheias de clientes que se atropelam na entrada? Para l√° entrares, teria de sujeitar-te a in√ļmeras inj√ļrias, mas mais ainda terias de suportar se entrasses. Passa frente √†s escadarias dos ricos senhores, aos seus √°trios suspensos como terra√ßos: se l√° puseres os p√©s ser√° como estares √† beira de uma escarpa, e de uma escarpa prestes a ruir. Dirige ante os teus passos na via da sapi√™ncia,

Continue lendo…

Como a Aparência se Torna Ser

O actor acaba por n√£o deixar de pensar na impress√£o causada pela sua pessoa e no efeito c√©nico total, at√© por ocasi√£o da mais profunda m√°goa, por exemplo, mesmo no enterro do seu filho; chorar√° ante o seu pr√≥prio desgosto e respectivas exterioriza√ß√Ķes como sendo o seu pr√≥prio espectador. O hip√≥crita, que desempenha sempre um mesmo papel, acaba por deixar de ser hip√≥crita; por exemplo, sacerdotes, que, enquanto homens novos, s√£o habitualmente, de modo consciente ou inconsciente, hip√≥critas, por fim tornam-se naturais e s√£o, ent√£o, realmente, sem qualquer simula√ß√£o, mesmo sacerdotes; ou se o pai n√£o consegue l√° chegar, ent√£o, talvez, o filho, que se serve do avan√ßo do pai e herda a sua habitua√ß√£o. Se uma pessoa quiser, durante muito tempo e persistentemente, parecer alguma coisa, consegue-o pois acaba por se lhe tornar dif√≠cil ser qualquer outra coisa. A profiss√£o de quase toda a gente, at√© do artista, come√ßa com hipocrisia, com uma imita√ß√£o a partir do exterior, com um copiar de aquilo que √© eficaz. Aquele, que traz sempre a m√°scara das express√Ķes fision√≥micas amistosas, tem de acabar por adquirir poder sobre as disposi√ß√Ķes an√≠micas ben√©volas, sem as quais n√£o √© poss√≠vel for√ßar a express√£o da afabilidade –

Continue lendo…

Estranha Encruzilhada

N√£o sei por que cruzou com a tua a minha estrada,
o destino √© inconsciente e n√£o sabe o que faz…
РEncontro-te, e afinal, já sei que tu és amada,
encontras-me, e afinal, j√° √© bem tarde demais…

Já não posso esquecer a existência passada,
perdi meu cora√ß√£o – o amor n√£o tenho mais…
Рjá não tens coração, e a tua alma, coitada,
sofrendo h√° de ficar sem me esquecer jamais…

Até hoje nesse amor não tínhamos pensado:
é por isso talvez que em silêncio tu choras,
e em silêncio também meu pranto é derramado

Eu cheguei… Tu chegaste… Estranha encruzilhada:
se eu tenho que partir depois que tu me adoras,
se, tu tens que ficar sabendo-te adorada!…

Tédio

Tenho as recorda√ß√Ķes d’um velho milen√°rio!

Um grande contador, um prodigioso arm√°rio,
Cheiinho, a abarrotar, de cartas memoriais,
Bilhetinhos de amor, recibos, madrigais,
Mais segredos n√£o tem do que eu na mente abrigo.
Meu cer’bro faz lembrar descomunal jazigo;
Nem a vala comum encerra tanto morto!

‚ÄĒ Eu sou um cemit√©rio estranho, sem conforto,
Onde vermes aos mil ‚ÄĒ remorsos doloridos,
Atacam de pref’r√™ncia os meus mortos queridos.
Eu sou um toucador, com rosas desbotadas,
Onde jazem no ch√£o as modas despresadas,
E onde, sós, tristemente, os quadros de Boucher
Fuem o doce olor d’um frasco de Gell√©.

Nada pode igualar os dias tormentosos
Em que, sob a press√£o de invernos rigorosos,
O T√©dio, fruto inf’liz da incuriosidade,
Alcan√ßa as propor√ß√Ķes da Imortalidade.

‚ÄĒ Desde hoje, n√£o √©s mais, √≥ mat√©ria vivente,
Do que granito envolto em terror inconsciente.
A emergir d’um Saarah movedi√ßo, brumoso!
Velha esfinge que dorme um sono misterioso,
Esquecida, ignorada, e cuja face fria
Só brilha quando o Sol dá a boa-noite ao dia!

Tradução de Delfim Guimarães

H√° pensamento sem emo√ß√£o, mas n√£o h√° emo√ß√£o sem pensamento. Precisamos de ter esse conceito. Uma pessoa pode pensar sem sentir, mas n√£o sente sem pensar. As emo√ß√Ķes s√£o desencadeadas pelos pensamentos, ainda que eles sejam inconscientes ou pouco percept√≠veis.

A Influ√™ncia das Ilus√Ķes nas Nossas Vidas

Tra√ßar o papel das ilus√Ķes na g√©nese das opini√Ķes e das cren√ßas seria refazer a hist√≥ria da humanidade. Da inf√Ęncia √† morte, a ilus√£o envolve-nos. S√≥ vivemos por ela e s√≥ ela desejamos. Ilus√Ķes do amor, do √≥dio, da ambi√ß√£o, da gl√≥ria, todas essas v√°rias formas de uma felicidade incessantemente esperada, mant√™m a nossa actividade. Elas iludem-nos sobre os nossos sentimentos e sobre os sentimentos alheios, velando-nos a dureza do destino.
As ilus√Ķes intelectuais s√£o relativamente raras; as ilus√Ķes afectivas s√£o quotidianas. Crescem sempre porque persistimos em querer interpretar racionalmente sentimentos muitas vezes ainda envoltos nas trevas do inconsciente. A ilus√£o afectiva persuade, por vezes, que entes e coisas nos aprazem, quando, na realidade, nos s√£o indiferentes. Faz tamb√©m acreditar na perpetuidade de sentimentos que a evolu√ß√£o da nossa personalidade condena a desaparecer com a maior brevidade.
Todas essas ilus√Ķes fazem viver e aformoseiam a estrada que conduz ao eterno abismo. N√£o lamentemos que t√£o raramente sejam submetidas √† an√°lise. A raz√£o s√≥ consegue dissolv√™-las paralisando, ao mesmo tempo, importantes m√≥beis de ac√ß√£o. Para agir, cumpre n√£o saber demasiado. A vida √© repleta de ilus√Ķes necess√°rias.
Os motivos para n√£o querer multiplicam-se com as discuss√Ķes das coisas do querer.

Continue lendo…

Liberdade Consciente ou Inconsciente

Aquilo que ¬ęactua¬Ľ sobre mim s√≥ actua porque eu o escolhi como actuante. N√£o √© porque algu√©m me ofenda que eu reajo violentamente, mas sim porque escolho tal ofensa como ¬ęm√≥bil¬Ľ da minha reac√ß√£o. Tal escolha, por√©m, de um m√≥bil, posso n√£o reconhec√™-la sen√£o depois de se manifestar. Assim s√£o normalmente os meus actos que me esclarecem sobre o que realmente sou, sobre aquilo que realmente escolhi, sobre a minha liberdade.
Mas isso n√£o significa que eu seja ¬ęinconsciente¬Ľ, j√° que, segundo Sartre, o homem √© consci√™ncia de ponta a ponta, em todos os seus aspectos. Simplesmente, h√° consci√™ncia posicional, reflectida, e consci√™ncia n√£o-posicional, n√£o reflectida. A minha liberdade √© de facto consciente, mas s√≥ os meus actos claramente ma revelam. Em qualquer situa√ß√£o portanto, eu ¬ęsou consci√™ncia de liberdade¬Ľ. Assim a minha liberdade √© o estofo do meu ser.

A Fonte do Interesse

E de vez em quando √© assim: vivo numa suspens√£o de tudo, de interesses, de leituras, de escrita. Possivelmente √© um erro supor-se que um interesse, seja qual for, reside nisso mesmo em que se est√° interessado. N√£o est√°. Um interesse remete sempre para outro e outro, at√© ao interesse final que tem que ver com a pr√≥pria vida, o motivo global que nos impulsiona. H√° pelo menos que haver uma raz√£o final e gen√©rica para que as raz√Ķes circunstanciais ou ocasionais tenham um efeito propulsor. H√° que termos essa raz√£o, mesmo inconsciente, para que todas as outras actuem em n√≥s. E o que n√£o acontece quando por exemplo dizemos que estamos sem interesse. N√£o nos apetece ler, n√£o nos apetece escrever, n√£o nos apetece ir ao cinema, ouvir m√ļsica etc, quando falta uma raz√£o global em que isso se inscreva. E ent√£o dizemos sumariamente isso mesmo: que n√£o nos apetece. Se temos um grande desgosto, se estamos condenados por uma doen√ßa etc. justifica-se o desinteresse por essa raz√£o. Significa isso que essa raz√£o √© o fundamento global que nos falhou para qualquer outro interesse subsistir. Os que superam esse estado s√£o excepcionais, ou loucos ou de for√ßa de vontade ou obsessivos,

Continue lendo…

A Cultura não se Enquadra na Totalidade Política

A cultura nunca poder√° ser um factor estrat√©gico de mudan√ßa. Se √© estrat√©gia, n√£o √© cultura. Faz-se apelo √† cultura como estrat√©gia de mudan√ßa, tentando resolver a condi√ß√£o perturbadora do homem culto, munido de culpabilidade inconsciente, ou simplesmente isento da culpabilidade pelo sofrimento. Isso n√£o √© poss√≠vel. A cultura n√£o se enquadra na totalidade pol√≠tica. H√° um grave mal-entendido quanto a isso. A cultura n√£o significa o conforto da neutralidade, a ir√≥nica gradua√ß√£o da expectativa, a gin√°stica do n√£o-compomisso. Significa um enraizamento em si mesmo, que conserva no homem a faculdade de julgar. N√£o √© contr√°ria √† ac√ß√£o, mas √© condi√ß√£o necess√°ria para que a ac√ß√£o seja serena e √ļtil, e n√£o impaciente e desordenada. N√£o se trata de racismo espiritual; n√£o se trata da pretens√£o de existir √† parte da hist√≥ria pol√≠tica do mundo. √Č a inten√ß√£o absolutamente necess√°ria de ser livre, face aos acontecimentos, qualquer que seja a l√≥gica que os liga. A cultura √© o que identifica um povo com a sua finalidade.

Cren√ßas e Opini√Ķes Vencem o Conhecimento

A idade moderna cont√©m tanta f√© quanto tiveram os s√©culos precedentes. Nos novos templos pregam-se dogmas, t√£o desp√≥ticos quanto os do passado, e estes contam fi√©is igualmente numerosos. Os velhos credos religiosos que outrora escravizavam a multid√£o, s√£o substitu√≠dos por credos socialistas ou anarquistas, t√£o imperiosos e t√£o pouco racionais como aqueles, mas n√£o dominam menos as almas. A igreja √© substitu√≠da muitas vezes pela taberna, mas aos serm√Ķes dos agitadores m√≠sticos que a√≠ s√£o ouvidos, atribui-se a mesma f√©.
Se a mentalidade dos fieis não tem evoluído muito desde a época remota em que, às margens do Nilo, Isis e Hathor atraíam aos seus templos milhares de fervorosos peregrinos, é porque, no decurso das idades, os sentimentos, verdadeiros alicerces da alma, mantêm a sua fixidez. A inteligência progride, mas os sentimentos não mudam.
A f√© num dogma qualquer √©, sem d√ļvida, de um modo geral, apenas uma ilus√£o. Cumpre, contudo, n√£o a desdenhar. Gra√ßas √† sua m√°gica pujan√ßa, o irreal torna-se mais forte do que o real. Uma cren√ßa aceite d√° a um povo uma comunh√£o de pensamentos que originam a sua unidade e a sua for√ßa.
Sendo o domínio do conhecimento muito diverso do terreno da crença,

Continue lendo…