Cita√ß√Ķes sobre Individualismo

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O português é eivado de individualismo e toda a regulamentação da sua actividade privada lhe é molesta. Penso que tem de refazer neste ponto a sua educação e que o seu modo de ser não se ajusta às necessidades dos tempos.

O Perigo da Extinção do Individualismo

Ao contemplar nas grandes cidades essas imensas aglomera√ß√Ķes de seres humanos, que v√£o e v√™m pelas suas ruas ou se concentram em festivais e manifesta√ß√Ķes pol√≠ticas, incorpora-se em mim, obsedante, este pensamento: pode hoje um homem de vinte anos formar um projecto de vida que tenha figura individual e que, portanto, necessitaria realizar-se mediante as suas iniciativas independentes, mediante os seus esfor√ßos particulares? Ao tentar o desenvolvimento desta imagem na sua fantasia, n√£o notar√° que √©, sen√£o imposs√≠vel, quase improv√°vel, porque n√£o h√° √† sua disposi√ß√£o espa√ßo em que possa aloj√°-la e em que possa mover-se segundo o seu pr√≥prio ditame? Logo advertir√° que o seu projecto trope√ßa com o pr√≥ximo, como a vida do pr√≥ximo aperta a sua. O des√Ęnimo leva-lo-√° com a facilidade de adapta√ß√£o pr√≥pria da sua idade a renunciar n√£o s√≥ a todo o acto, como at√© a todo o desejo pessoal e buscar√° a solu√ß√£o oposta: imaginar√° para si uma vida standard, composta de desideratos comuns a todos e ver√° que para consegui-la tem de a solicitar ou exigir em coletividade com os demais. Da√≠ a ac√ß√£o em massa.
A coisa é horrível, mas não creio que exagera a situação efectiva em que se vão achando quase todos os europeus.

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A Fronteira entre a Inteligência e o Dogma

A função própria da inteligência exige uma liberdade total, implicando o direito a tudo negar e nenhuma dominação. Sempre que ela usurpa um comando, há excesso de individualismo. Sempre que se encontra tolhida, há uma colectividade opressiva, ou várias.
A Igreja e o Estado devem puni-la, cada um √† sua maneira, quando ela aconselha actos que eles desaprovam. Quando ela permanece no campo da especula√ß√£o puramente te√≥rica, eles t√™m ainda o dever, se for caso disso, de p√īr o p√ļblico de sobreaviso, por todos os meios eficazes, contra o perigo de uma influ√™ncia pr√°tica de certas especula√ß√Ķes na condu√ß√£o das vidas. Mas, sejam quais forem essas especula√ß√Ķes te√≥ricas, Igreja e Estado n√£o t√™m o direito nem de procurar abaf√°-las nem de inflingir aos seus autores quaisquer danos materiais ou morais.
Em especial, não se deve privá-los dos sacramentos se estes os desejarem. Porque, seja o que for que tenham dito, mesmo que tenham negado publicamente a existência de Deus, é possível que não tenham cometido qualquer pecado. Em tal caso, a Igreja deve declarar que se encontram em erro, mas não exigir deles seja o que for que se assemelhe a um desmentido do que afirmaram, nem privá-los do pão da vida.

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Damo-nos Valor por o que Pensamos, em vez de que por o que Fazemos

N√£o √© no individualismo que reside o nosso mal, mas na qualidade desse individualismo. E essa qualidade √© ele ser est√°tico em vez de din√Ęmico. Damo-nos valor por o que pensamos, em vez de que por o que fazemos. Esquecemos que o n√£o fizemos, n√£o o fomos; que a primeira fun√ß√£o da vida √© a ac√ß√£o, como o primeiro aspecto das coisas √© o movimento.

Dando ao que pensamos a import√Ęncia de o termos pensado, tomando-nos, cada um de n√≥s a si mesmo, n√£o, como dizia o grego, por medida de todas as coisas, sen√£o por norma ou bitola delas, criamos em n√≥s n√£o uma interpreta√ß√£o do universo mas uma cr√≠tica do universo – que, como o n√£o conhecemos, n√£o podemos criticar – e os mais d√©beis e mais desvairados de n√≥s elevam essa cr√≠tica a uma interpreta√ß√£o – mas uma interpreta√ß√£o imposta como uma alucina√ß√£o; n√£o deduzida, mas uma indu√ß√£o simples. √Č a alucina√ß√£o propriamente dita, pois a alucina√ß√£o √© a ilus√£o prendendo num facto mal visto.

A Castração da Personalidade

O homem √© um animal greg√°rio. Pol√≠tico, dizia Arist√≥teles, ou seja, membro da cidade. Mas n√£o s√≥ da cidade – de todas as greis espont√Ęneas ou artificiais, est√°veis ou prec√°rias, onde quer que se encontre. N√£o pode suportar a ideia de estar s√≥, consigo – quer ser unidade e n√£o individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multid√£o, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o le√£o anda s√≥, em n√≥s predomina o instinto ovino, do rebanho – os pr√≥prios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a pr√°tica ovina.

O homem, quando s√≥, sente-se incompleto – tem medo. Opor-se √† grei significa separar-se, permanecer s√≥, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de conviv√™ncia. √Č bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou n√£o beneficia. O rebanho n√£o quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada √© a que obt√©m a boa opini√£o das outras, v√™-se for√ßada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. H√° que pagar, com a castra√ß√£o da personalidade, a seguran√ßa contra o medo.

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Deixemos a Humanidade à Sua Ordem Natural

N√£o aleijemos a pobre humanidade mais do que ela j√° est√° com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. N√£o sejamos t√£o crian√ßas que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarr√°-la apenas pelo hemisf√©rio da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisf√©rio superior, porque a √ļnica maneira de agarr√°-la bem t√£o-pouco √© p√īr-lhe as m√£os por baixo, nem ainda abra√ßando-a com os dois bra√ßos e os dedos metidos uns nos outros para n√£o deixar escapar as m√£os e com o pr√≥prio peito do lado de c√° a ajudar tamb√©m; a √ļnica maneira de equilibrar a esfera no ar √© deix√°-la estar no ar como a p√īs Deus Nosso Senhor, √°s voltas √† roda do sol, como a lua √† roda de n√≥s e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade.

A Intimidade na Amizade

Se dois homens ou duas mulheres t√™m de partilhar por algum tempo o mesmo espa√ßo (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pens√£o superlotada), n√£o √© raro nascerem nessas situa√ß√Ķes amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descal√ßar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestu√°rio, embora semelhantes, revelam, no pormenor, in√ļmeras pequenas diferen√ßas a um olhar atento. A princ√≠pio – provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida actual – existe qualquer coisa como uma resist√™ncia semelhante a uma leve repugn√Ęncia e que rejeita uma aproxima√ß√£o maior, uma ofensa contra a pr√≥pria personalidade, at√© ao momento em que essa resist√™ncia √© superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transforma√ß√£o, mais alegres do que normalmente s√£o; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais am√°veis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro ind√≠cio de um n√≥s, claramente sentido como um mal-estar e uma diminui√ß√£o,

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A Imoralidade da Moral

A disc√≥rdia √© sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa pr√≥pria vida √© o que h√° de mais importante. Agora, se quisermos ser pedantes ou puritanos, podemos tecer as nossas considera√ß√Ķes morais sobre a vida dos outros, mas estas n√£o nos dizem respeito. Para al√©m disso, o individualismo √© realmente o mais elevado dos ideais. A moralidade moderna consiste na aceita√ß√£o dos modelos da nossa √©poca. Julgo que aceitar o modelo da nossa √©poca ser√°, para qualquer homem culto, a mais crassa das imorallidades.

A individualidade deve existir, pois ela √© o alicerce da identidade da personalidade.(…) N√£o h√° duas pessoas iguais no universo. Mas o individualismo √© prejudicial.

A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura √© hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos s√£o muito perigosos, j√° que a nossa riqueza em mec√Ęnica contrasta com a pobreza de prop√≥sitos. O equil√≠brio de esp√≠rito que haur√≠amos outrora na f√© ardente, j√° se foi: depois que a ci√™ncia destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da ca√≥tica fragmenta√ß√£o do nosso car√°cter.

Novamente somos defrontados pelo problema atormentador de S√≥crates: como encontrar uma √©tica natural que substitua as san√ß√Ķes sobrenaturais j√° sem influ√™ncia sobre a conduta do homem? Sem filosofia, sem esta vis√£o de conjunto que unifica os prop√≥sitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa heran√ßa social em corrup√ß√£o c√≠nica de um lado e em loucuras revolucion√°rias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pac√≠fico para mergulharmos nos suic√≠dos em massa da guerra; vemos surgir cem mil pol√≠ticos e nem um s√≥ estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcan√ßadas mas n√£o sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcan√ßaremos qualquer esp√©cie de felicidade.
Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos d√£o. A √ļnica salva√ß√£o est√° na sabedoria.

Vivemos num individualismo muito cru. As pessoas são levadas a acreditar que a promoção do conforto físico e das aparências é o que mais conta. Existe uma desvalorização do conforto afectivo e moral. Existe a ideia errada de que podemos ser felizes sozinhos ou, pior ainda, contra os outros.

O Esforço pelo Conhecimento da Verdade

Devemos escolher como finalidade independente do nosso esforço o conhecimento da verdade ou, exprimindo-nos mais modestamente, a compreensão do mundo inteligível por meio do pensamento lógico? Ou devemos subordinar esse esforço pelo conhecimento racional de qualquer espécie a outros objectivos, por exemplo, a objectivos práticos? O simples pensamento não pode resolver esta questão. A decisão tem, pelo contrário, uma influência decisiva na nossa maneira de pensar e julgar, partindo-se do princípio de que tem o carácter de convicção inabalável. Permitam-me que confesse: para mim, o esforço pelo conhecimento é um daqueles objectivos independentes, sem os quais uma afirmação consciente da vida me parece impossível ao homem de pensamento.
Uma das características do esforço pelo conhecimento é que ele tende a abranger tanto a multiplicidade da experiência como a simplicidade e redução das hipóteses fundamentais. O acordo final desses objectivos é, devido ao estádio primitivo da investigação, uma questão de fé. Sem essa fé, a convicção do valor independente do conhecimento não seria para mim forte e inabalável.
Esta atitude, por assim dizer, religiosa do cientista perante a verdade não deixa de ter influência sobre a sua personalidade. Pois, além daquilo que resulta da experiência e além das leis do pensamento,

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O Homem Não é o Indivíduo

¬ęN√£o √© a arranhar interminavelmente o indiv√≠duo que acabamos por encontrar o homem¬Ľ – diz algu√©m em certo livro do Malraux. Nada, de facto, mais √ļtil que a separa√ß√£o dos dois conceitos, que tanto tendem a confundir-se, mormente hoje, em que tal confus√£o parece agravar-se. Com efeito, o ¬ęhomem¬Ľ n√£o √© o ¬ęindiv√≠duo¬Ľ, porque √© s√≥ do indiv√≠duo aquela parte que pode universalizar-se. E √© desta ideia que temos de partir para que um equ√≠voco se n√£o consuma, o equ√≠voco de um individualismo, de um pessoalismo restrito que a arte e o pensamento modernos parecem √† primeira vista aceitar.
Que estranho ¬ęeu¬Ľ √© pois este que de algum modo dir-se-ia predominar na filosofia e na literatura de hoje? Porque √© evidente que uma forte tend√™ncia da arte de hoje, do homem actual, apela para a comunicabilidade, para uma fraternidade, e n√£o para um est√©ril isolamento. Mas acontece que nesse apelo muitas vezes se esquece o que h√° a√≠ de mec√Ęnico, de superficial, de rela√ß√Ķes externas, imediatas, provis√≥rias, que nos n√£o satisfaz inteiramente. O homem que a√≠ fala √© o que se ensurdece a si pr√≥prio, √†s suas vozes profundas, aos avisos que se anunciam desde o limiar da solid√£o.

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Individualismo e Individualidade

H√° uma grande diferen√ßa entre o individualismo e a individualidade. O individualismo √© uma caracter√≠stica doentia da personalidade, ancorada na incapacidade de aprender com os outros, na car√™ncia de solidariedade, no desejo de atender em primeiro, segundo e terceiro lugar aos pr√≥prios interesses. Em √ļltimo lugar, ficam as necessidades dos outros.

A individualidade, por sua vez, est√° ancorada na seguran√ßa, na determina√ß√£o, na capacidade de escolha. √Č, portanto, uma caracter√≠stica muito saud√°vel da personalidade. Infelizmente, desenvolvemos frequentemente o individualismo e n√£o a individualidade.