Cita√ß√Ķes sobre Indol√™ncia

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Frases sobre indol√™ncia, poemas sobre indol√™ncia e outras cita√ß√Ķes sobre indol√™ncia para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Existem dois pecados capitais, dos quais todos os outros derivam: impaciência e indolência. Por causa da impaciência os homens foram expulsos do paraíso, por causa da indolência eles não voltam. Mas talvez só exista um pecado capital: a impaciência. Por causa da impaciência eles foram expulsos, por causa dela eles não voltam.

Ao Sol Do Meio-Dia Eu Vi Dormindo

Ao sol do meio-dia eu vi dormindo
Na calçada da rua um marinheiro,
Roncava a todo o pano o tal brejeiro
Do vinho nos vapores se expandindo!

Além um espanhol eu vi sorrindo,
Saboreando um cigarro feiticeiro,
Enchia de fuma√ßa o quarto inteiro…
Parecia de gosto se esvaindo!

Mais longe estava um pobret√£o careca
De uma esquina lodosa no retiro
Enlevado tocando uma rabeca!…

Venturosa indolência! não deliro
Se morro de pregui√ßa… o mais √© seca!
Desta vida o que mais vale um suspiro?

Desdéns

Realçam no marfim da ventarola
As tuas unhas de coral felinas
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,
Bela e feroz… O s√Ęndalo se evolua;

O ar cheiroso em redor se desenrola;
Pulsam os seios, arfam as narinas…
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas
Numa indol√™ncia m√≥rbida, espanhola…

Como eu sou infeliz! Como é sangrenta
Essa m√£o impiedosa que me arranca
A vida aos poucos, nesta morte lenta!

Essa m√£o de fidalga, fina e branca;
Essa m√£o, que me atrai e me afugenta,
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!

Dos Estudos

Os estudos servem para deleite, ornamento e proficiência. Para deleite, são principalmente usados na vida íntima e retirada; para ornamento, nos dicursos; e para proficiência, no exame e resolução de negócios. Os homens experientes estão capacitados a decidir, ou opinar sobre casos isolados; mas os conselhos genéricos, o planeamento e condução de negócios, cabem antes aos proficientes. Gastar tempo demasiado em estudos é indolência; abusar deles como ornamento é afectação; julgar apenas de acordo com os seus preceitos é coisa de escolástico.
Os estudos aperfeiçoam a natureza e são aperfeiçoados pela experiência, porquanto os dotes naturais são como as plantas: devem ser cultivados mediante o estudo. Outrossim, quando não estão vinculados à experiência, os estudos fornecem directivas a esmo. Os homens hábeis desprezam os estudos, os simples admiram-nos, e os sábios utilizam-nos. Os estudos não ensinam o seu próprio uso; esta é uma sabedoria independente e superior a eles, que vem da observação.

√Č por ter Esp√≠rito que me Aborre√ßo

√Č preciso esconjurar, da forma que nos for poss√≠vel, este diabo de vida que n√£o sei porque √© que nos foi dada e que se torna t√£o facilmente amarga se n√£o opusermos ao t√©dio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. √Č preciso, numa palavra, agitar este corpo e este esp√≠rito que se delapidam um ao outro na estagna√ß√£o e numa indol√™ncia que se confunde com um torpor. √Č preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho – e reciprocamente: s√≥ assim estes parecer√£o, ao mesmo tempo, agrad√°veis e salutares. Um desgra√ßado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadi√°veis, deve ser, sem d√ļvida, extremamente infeliz, mas um indiv√≠duo que n√£o fa√ßa mais do que divertir-se n√£o encontrar√° nas suas distrac√ß√Ķes nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o t√©dio e que este o prende pelos cabelos – como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detr√°s de cada distrac√ß√£o e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar,

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A Universalidade de uma Opini√£o

A universalidade de uma opinião, tomada seriamente, não constitui nem uma prova, nem um fundamento provável, da sua exactidão. Aqueles que a afirmam devem considerar que: 1) o distanciamento no tempo rouba a força comprobatória dessa universalidade; caso contrário, precisariam de evocar todos os antigos equívocos que alguma vez foram universalmente considerados verdade: por exemplo, estabelecer o sistema ptolemaico ou o catolicismo em todos os países protestantes; 2) o distanciamento no espaço tem o mesmo efeito: caso contrário, a universalidade de opinião entre os que confessam o budismo, o cristianismo e o islamismo os constrangerá.
O que então se chama de opinião geral é, a bem da verdade, a opinião de duas ou três pessoas; e disso nos convenceríamos se pudéssemos testemunhar como se forma tal opinião universalmente válida.
Achar√≠amos ent√£o que foram duas ou tr√™s pessoas a supor ou apresentar e a afirmar num primeiro momento, e que algu√©m teve a bondade de julgar que elas teriam verificado realmente a fundo tais coloca√ß√Ķes: o preconceito de que estes seriam suficientemente capazes induziu, em princ√≠pio, alguns a aceitar a mesma opini√£o: nestes, por sua vez, acreditaram muitos outros, aos quais a pr√≥pria indol√™ncia aconselhou: melhor acreditar logo do que fazer controles trabalhosos.

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Do hábito da resignação nasce sempre a falta de interesse, a negligência, a indolência, a inactividade, e quase a imobilidade.

Rosto Afogado

Para sempre um luar de naufr√°gio
anunciar√° a aurora fria.
Para sempre o teu rosto afogado,
entre retratos e vendedores ambulantes,
entre cigarros e gente sem destino,
flutuar√° rodeado de escamas cintilantes.

Se me pudesse matar,
seria pela curva doce dos teus olhos,
pela tua fronte de bosque adormecido,
pela tua voz onde sempre amanhecia,
pelos teus cabelos onde o rumor da sombra
era um rumor de festa,
pela tua boca onde os peixes se esqueciam
de continuar a viagem nupcial.
Mas a minha morte é este vaguear contigo
na parte mais débil do meu corpo,
com uma espinha de silêncio
atravessada na garganta.

Não sei se te procuro ou se me esqueço
de ti quando acaso me debruço
nuns olhos subitamente acesos
ao dobrar de uma esquina,
na boca dos anjos embriagados
de tanta solid√£o bebida pelos bares,
nas m√£os levemente adolescentes
poisadas na indolência dos joelhos.
Quem me dirá que não é verdade
o teu rosto afogado, o teu rosto perdido,
de sombra em sombra, nas ruas da cidade?

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Se te ocorrer, de manh√£, de acordares com pregui√ßa e indol√™ncia, lembra-te deste pensamento: ¬ęLevanto-me para retomar a minha obra de homem¬Ľ.

Não acho que a necessidade é a mãe da invenção Рuma invenção, na minha opinião, surge diretamente da indolência, possivelmente também da preguiça. Para poupar-se trabalho.

A Import√Ęncia dos Princ√≠pios

Entre os homens, alguns h√° que possuem naturalmente um excelente car√°cter e que assimilam sem necessidade de longa instru√ß√£o os princ√≠pios tradicionais, que abra√ßam a via da moralidade desde o primeiro momento em que dela ouvem falar; do meio destes √© que surgem aqueles g√©nios que concitam em si toda a gama de virtudes, que produzem eles mesmos virtudes. Mas aos outros, √†queles que t√™m o esp√≠rito embotado, obtuso ou dominado por tradi√ß√Ķes err√≥neas, a esses h√° que raspar a ferrugem que t√™m na alma. Mais ainda: se transmitirmos os preceitos b√°sicos da filosofia aos primeiros, rapidamente eles atingir√£o o mais alto n√≠vel, pois est√£o naturalmente inclinados ao bem; se o fizermos aos outros, os de natureza mais fraca, ajud√°-los-emos a libertarem-se das suas convic√ß√Ķes erradas. Por aqui podes ver como s√£o necess√°rios os princ√≠pios b√°sicos. Temos instintos em n√≥s que nos fazem indolentes ante certas coisas, e atrevidos perante outras; ora, nem este atrevimento nem aquela indol√™ncia podem ser eliminados se primeiro n√£o removermos as respectivas causas, ou seja, a admira√ß√£o infundada ou o receio infundado.
Enquanto tivermos em n√≥s esses instintos, bem poder√°s dizer: “estes s√£o os teus deveres para com teu pai, ou para com os filhos,

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Os Elementos do Car√°cter

O car√°cter √© constitu√≠do por um agregado de elementos afectivos aos quais se sobrep√Ķem, mesclando-se muito pouco a eles, alguns elementos intelectuais. S√£o sempre os primeiros que d√£o ao indiv√≠duo a sua verdadeira personalidade. Sendo numerosos os elementos afectivos, a sua associa√ß√£o formar√° variados elementos: activos, contemplativos ap√°ticos, sensitivos, etc. Cada um deles actuar√° diferentemente sob a ac√ß√£o dos mesmos excitantes.
Os agregados constitutivos do car√°cter podem ser fortemente ou, ao contr√°rio, fracamente cimentados. Aos agregados s√≥lidos correspondem as individualidades fortes, que se mant√™m n√£o obstante as varia√ß√Ķes de meio e de circunst√Ęncias. Aos agregados mal cimentados correspondem as mentalidades moles, incertas e mut√°veis. Elas modificar-se-iam a cada instante sob as influ√™ncias mais insignificantes se certas necessidades da vida quotidiana n√£o as orientassem, como as margens de um rio canalizam o seu curso.
Por mais est√°vel que seja o car√°cter, permanece sempre ligado, no entanto, ao estado dos nossos √≥rg√£os. Uma nevralgia, um reumatismo, uma perturba√ß√£o intestinal, transformam o j√ļbilo em melancolia, a bondade em maldade, a vontade em indol√™ncia. Napole√£o, doente em Warteloo, j√° n√£o era Napole√£o. C√©sar, disp√©ptico, n√£o teria, sem d√ļvida, transposto o Rubicon.
As causas morais actuam também no carácter ou, pelo menos,

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A Dependência é a Raiz de Todos os Males

O que deve um c√£o a um c√£o, um cavalo a um cavalo? Nada. Nenhum animal depende do seu semelhante. Tendo por√©m o homem recebido o raio da Divindade a que se chama raz√£o, qual foi o resultado? Ser escravo em quase toda a terra. Se o mundo fosse o que parece dever ser, isto √©, se em toda parte os homens encontrassem subsist√™ncia f√°cil e certa e clima apropriado √† sua natureza, imposs√≠vel teria sido a um homem servir-se de outro. Cobrisse-se o mundo de frutos salutares. N√£o fosse ve√≠culo de doen√ßas e morte o ar que contribui para a exist√™ncia humana. Prescindisse o homem de outra morada e de outro leito al√©m do dos gansos e cabras monteses, n√£o teriam os Gengis C√£s e Tamerl√Ķes vassalos sen√£o os pr√≥prios filhos, os quais seriam bastante virtuosos para auxili√°-los na velhice.
No estado natural de que gozam os quadr√ļpedes, aves e r√©pteis, t√£o feliz como eles seria o homem, e a domina√ß√£o, quimera, absurdo em que ningu√©m pensaria: para qu√™ servidores se n√£o tiv√©sseis necessidade de nenhum servi√ßo? Ainda que passasse pelo esp√≠rito de algum indiv√≠duo de bofes tir√Ęnicos e bra√ßos impacientes por submeter o seu vizinho menos forte que ele,

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Preguiça Corporal e Preguiça Espiritual

Há um trabalho servil, que é do corpo e para o corpo, embora a mente ajude, e um trabalho régio, que é da alma e para a alma, e quase ninguém exige às mãos. Há, portanto, uma preguiça corporal e outra espiritual, uma ou outra senhora de todos.
A primeira √© dominada – n√£o destru√≠da – pela necessidade e pelo t√©dio; a outra, refor√ßada pela arrog√Ęncia, raramente √© vencida. Os homens s√£o indolentes que trabalham contra a vontade com os bra√ßos e a intelig√™ncia para fugir ao trabalho mais dif√≠cil da alma.
As actividade imoderadas de muitos n√£o passam de pretextos da ociosidade espiritual. Em vez de se afadigarem para conseguir a ren√ļncia dos bens materiais, sujeitam-se a um trabalho totalmente exterior que por vezes se converte, devido a in√©rcia ou embriaguez, em frenesim.
Mas reformar a natureza doente e transviada, abandonar a senda da concupiscência e alcançar a liberdade serena dos filhos da luz representa um trabalho incomparavelmente mais duro do que dirigir uma empresa, fábrica ou banco. A maioria, por cáclculo de indolência, prefere o trabalho servil, embora penoso, ao real, mais áspero e duro Рtorna-se escravo das coisas terrestres para evitar o esforço que o tornaria dono do espírito.

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O Descontentamento Consigo Próprio

O caso √© o mesmo em todos os v√≠cios: quer seja o daqueles que s√£o atormentados pela indol√™ncia e pelo t√©dio, sujeitos a contantes mudan√ßas de humor, quer o daqueles a quem agrada sempre mais aquilo que deixaram para tr√°s, ou dos que desistem e caem na indol√™ncia. Acrescenta ainda aqueles que em nada diferem de algu√©m com um sono dif√≠cil, que se vira e revira √† procura da posi√ß√£o certa, at√© que adormece de t√£o cansado que fica: mudando constantemente de forma de vida, permanecem naquela ¬ęnovidade¬Ľ at√© descobrirem n√£o o √≥dio √† mudan√ßa, mas a pregui√ßa da velhice em rela√ß√£o √† novidade. Acrescenta ainda os que nunca mudam, n√£o por const√Ęncia, mas por in√©rcia, e vivem n√£o como desejam, mas como sempre viveram. As caracter√≠sticas dos v√≠cios s√£o, pois, inumer√°veis, mas o seu efeito apenas um: o descontentamento consigo pr√≥prio.
Este descontentamento tem a sua origem num desequil√≠brio da alma e nas aspira√ß√Ķes t√≠midas ou menos felizes, quando n√£o ousamos tanto quanto desej√°vamos ou n√£o conseguimos aquilo que pretend√≠amos, e ficamos apenas √† espera. √Č a inevit√°vel condi√ß√£o dos indecisos, estarem sempre inst√°veis, sempre inquietos. Tentam por todas as vias atingir aquilo que desejam, entregam-se e sujeitam-se a pr√°ticas desonestas e √°rduas,

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